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04 setembro 2024

Igreja de Covardes

Por Rodrigo Constantino | 01/07/2020







Como um cristão pode manter sua fé e seus rituais num mundo cada vez mais secularizado e materialista? Como um americano que professa a fé cristã é capaz de encarar o enorme preconceito vindo da elite cosmopolita? É possível se manter fiel a Jesus Cristo e seus ensinamentos nesse meio insalubre? Essas são as questões colocadas por Matt Walsh em seu primeiro livro, cujo título já mostra a que veio: Church of Cowards [Igreja de covardes]. Trata-se de um chamado de despertar para os cristãos complacentes.

Independentemente da crença ou não em Cristo, o livro é instigante para todo público, ainda que direcionado basicamente aos cristãos. Num mundo em que extremistas de esquerda chegam a pregar a derrubada de estátuas de Jesus por simbolizarem a “supremacia branca”, parece crucial entender o que está em jogo.

As palavras de Walsh são bem duras, um soco na cara daqueles que se dizem cristãos, mas não praticam nada dos ensinamentos de Cristo. Ele abre com uma provocação: alienígenas que desejassem destruir o legado cristão ficariam decepcionados de encontrar seus supostos representantes na América atual, fracos demais, autocentrados e efeminados. A matança nem valeria muito a pena, diz, pois não teria um rival à altura.

Frustrados, esses inimigos iriam embora sem esmagar o estilo cristão de vida, pois não encontrariam nada parecido. Eles descobririam que aquilo que pretendiam eliminar já está morto mesmo, restando somente uma carcaça em seu lugar. “Está claro que nós não vivemos mais numa nação cristã”, constata o autor, mesmo que algo como 70% da população professe ser cristã.

Walsh menciona os casos de perseguição a cristãos mundo afora, amplamente ignorados pela mídia e pelo próprio povo. Quase ninguém liga, mas esses são cristãos verdadeiros, dispostos a morrer pela Igreja, pela fé em Cristo. Só que tudo acontece longe demais para ser notado, tanto em geografia como em experiência. Do conforto da civilização ocidental, os supostos cristãos tomam como garantida a sobrevivência do cristianismo. E nada fazem contra a guerra promovida contra sua Igreja.

A perseguição a cristãos hoje é das maiores da história. Afeganistão, Somália, Sudão, Paquistão, Coreia do Norte, Líbia, Iraque, Iêmen, Irã, Egito: nestes e em tantos outros países os cristãos costumam ser presos, torturados, espancados, estuprados e mortos, além de impedidos de professar com liberdade sua fé. Suas igrejas são destruídas, e muitos precisam arriscar a vida para adorar a Deus em encontros secretos. Eles vivem em constante perigo.

Nada disso soa real para quem vive no conforto americano, tendo de enfrentar apenas idiotas que xingam os crentes. Para Walsh, não há exagero em afirmar que o cristão americano médio nunca abandonou uma só coisa importante por Cristo, mesmo que Ele tenha dito para largar tudo e segui-Lo, abraçar o sofrimento, carregar sua cruz. O cristão moderno, na tranquilidade americana, não parece tão disposto ao real sacrifício por sua fé.

Ao contrário desses casos mundo afora, porém, Walsh diz que ninguém está parando os cristãos americanos além deles próprios. Criam justificativas para não serem religiosos de fato, deixando-se consumir pelo conforto. Um guerreiro de Cristo que não se deixa intimidar, que não se conforma com a passividade, é uma “bomba nuclear” no arsenal divino. Infelizmente, constata o autor, há pouquíssimos com esse perfil no país.

Desta forma o trabalho dos perseguidores de Cristo fica bem facilitado. Basta deixar cada um ser arrogante e cheio de si, acomodado e acovardado, para que a Igreja vá desaparecendo gradualmente, sem luta. A receita tem sido bem-sucedida: “Não apele ao medo deles; apele para sua luxúria, sua preguiça, sua gula, sua vaidade, seu orgulho, seu tédio. E os veja caírem como moscas no fogo”.

A Igreja está morrendo de inanição, de dentro para fora. “O verdadeiro perigo que enfrentamos não é a perseguição cataclísmica e violenta, mas o lento abandono da Verdade. Foi o que aconteceu com a cristandade no Ocidente”. Apatia é a palavra que define melhor os crentes de hoje. Eles criaram uma bolha de autoengano e nela vão flutuando rumo ao Inferno. “O cristão moderno pensa que acreditar que ele é cristão é suficiente para torná-lo cristão”, lamenta Walsh.

Poucos questionam o quanto de fato a fé em Deus é relevante para suas vidas. A maioria mantém essa fé como uma espécie de utensílio esquecido no canto do quarto, uma raquete velha, um tipo de hobby a ser praticado de vez em quando. Falta coragem. A reverência ao sagrado foi retirada das igrejas, cada vez mais locais “agradáveis”, feitos para encontros sociais ou mensagens de autoajuda. Não há sequer mais o silêncio que força um encontro interior, a contemplação, mas sim barulho, muito barulho. “Nossa abordagem casual, falsa e egoísta da fé resultou em desastre”, fulmina Walsh.

Não é preciso ser cristão para apreciar a essência da mensagem do livro. Inseridos num ambiente extremamente secular e mesmo anticristão, o “default” é todos se tornarem mais ou menos seculares e materialistas. Se nem os cristãos forem capazes de remar contra essa maré, para enaltecer o sagrado frente ao profano, então nem há mais razão para temer os inimigos de fora: os valores cristãos, fundadores do Ocidente, já foram deixados de lado pelos próprios ocidentais.

“É fácil ser virtuoso em nosso mundo porque adotamos virtudes fáceis. Aplaudimos a nossa bondade, mas não custa nada ser ‘bom’ nos tempos modernos”, alfineta Walsh. Quando observamos tanta sinalização de virtude nas redes sociais, fica claro que ele tem um ponto. Mas para defender o Bom, o Belo e o Verdadeiro, é preciso muito mais do que isso, do que um “lacre” no Twitter. É preciso coragem, a virtude mais básica, e uma disposição pelo sacrifício em nome da Verdade, o que é algo bem raro. Isso soa incompatível com quem busca autoestima em vez de gratidão a Deus.

O narcisismo da era moderna é um grande aliado de Satã nessa batalha. Para amar Deus e lutar pela Igreja, Walsh entende que é crucial focar naquilo que é eterno, não no efêmero. Quantos estão dispostos a fazer essa escolha?


08 agosto 2024

Entrevista com o Vampiro (1994)





Sinopse: Os vampiros caminham entre nós - e são mais mortíferos do que nunca, nesta adaptação do best-seller homónimo de Anne RiceTom Cruise, Brad Pitt e um elenco de grandes estrelas fazem de "Entrevista com o Vampiro" um filme incontornável. Tom Cruise é inesquecível no papel de Lestat, uma criatura profundamente malígna e carismática. Pitt intrepreta Louis, um homem que, seduzido pela imortalidade oferecida por Lestat, vive atormentado pela sua natureza de vampiro - para sobreviver ele tem de matar. Stephen Rea,Antonio BanderasChristian Slater e a estreante Kirsten Dunst completam este elenco de luxo. Realizado porNeil Jordan (Jogo de Lágrimas) com uma sensualidade hipnótica, "Entrevista com o Vampiro" é uma história fascinante repleta de surpresas, terror e segredos que nos acompanham... para lá da vida.


Elenco

Brad Pitt … Louis de Pointe du Lac

Christian Slater … Daniel Malloy

Virginia McCollam … Whore on Waterfront

John McConnell … Gambler

Tom Cruise … Lestat de Lioncourt

Mike Seelig … Pimp

Bellina Logan … Tavern Girl

Thandie Newton … Yvette

Lyla Hay Owen … Widow St. Clair

Lee E. Scharfstein … Widow’s Lover (as Lee Emery)




Ficha Técnica

Titulo Original: Interview with the Vampire: The Vampire Chronicles
Título Traduzido: Entrevista com o Vampiro
Gênero: Terror / Erótico / Fantasia / Drama / Suspense
Duração: 2 Horas e 2 Minutos
Diretor: Neil Jordan
Ano de Lançamento: 1994
Formato: DVDRip
Áudio: Português/Inglês
Legenda: Português-BR
IMDB> http://www.imdb.com/title/tt0110148/


Qualidade 1080p




SENHA RAR: FILMESMEGA



SERVIDOR PARA DOWNLOAD BluRay 720p (968 MB)

Magnet Link

SERVIDOR PARA DOWNLOAD BluRay 1080p (1.86 GB)

Magnet Link



Canções (Fonte: Wikipedia)

  1. Libera Me - 2:47 (Vocal por: The American Boychoir/ Solo de Violino: Glenn Dicterow e Ray Gniewek/ Solo de Piano: Bill Mays/ Viola da Gamba: Louise Schulman/Harpsichord: Wendy Young/ Glass Harmonica: Cecília Brauer)
  2. Born to Darkness Part I - 3:04
  3. Lestat´s Tarantella - 0:46
  4. Madelleine´s Lament - 3:06
  5. Claudia´s Allegro Agitato - 4:46
  6. Escape to Paris - 3:09
  7. Marche Funèbre - 1:50
  8. Lestat´s Recitative - 3:39
  9. Santiago´s Waltz - 0:37
  10. Théâthe des Vampires - 1:18
  11. Armand´s Seduction - 1:51
  12. Plantation Pyre - 1:59
  13. Fogotten Lore - 0:31
  14. Scent of Death - 1:40
  15. Adbuction & Absolution - 4:42 (Vocal por: The American Boychoir)
  16. Armand Rescues Louis - 2:07
  17. Louis´ Revenge - 2:36
  18. Born to Darkness Part II - 1:11
  19. Sympathy for the Devil - 7:35 (Rolling Stones, interpretado por Guns N' Roses)


Fonte: Leandro Ultra Downloads e FilmeCDs


01 junho 2022

A Infelicidade do Século – Alain Besançon (2000)

DOWNLOAD


Descrição do livro

Abordando duas questões vinculadas entre si, o nazismo e o comunismo, o especialista em Ciências Sociais, Alain Besançon, traça, em ‘A Infelicidade do Século’, um painel detalhado sobre a tomada do poder pelo comunismo do tipo leninista e pelo nazismo do tipo hitlerista, explicitando suas diferenças e semelhanças, sem abrir mão das análises histórica e política de ambos os regimes.

FONTE: Lê Livros


29 abril 2022

Titãs - Medo


Precisa perder o medo do sexo
Precisa perder o medo da morte
Precisa perder o medo da música
Precisa perder o medo da música
O que se vê não se via
O que se crê não se cria
Precisa perder o medo da musa
Precisa perder o medo da ciência
Precisa perder o medo da perda
Da consciência
O que se vê não se via
O que se crê não se cria
Precisa perder o medo de mim
Precisa perder o medo de mim
Precisa perder o medo da música
Precisa perder o medo da música
O que se vê não se via
O que se crê não se cria
Medo medo medo medo
O que se crê não se cria
Precisa perder o medo da musa
Precisa perder o medo da musa
Precisa perder o medo da música
Precisa perder o medo da música
Medo medo medo medo
O que se crê não se cria




1989
"Õ BLESQ BLOM"

1. Introdução por Mauro e Quitéria
2. Miséria PLAY
3. Racio Símio
4. O Camelo E O Dromedário
5. Palavras
6. Medo
7. Natureza morta
8. Flores
9. O Pulso
10. 32 Dentes
11. Faculdade
12. Deus e o Diabo
13. Vinheta final por Mauro e Quitéria


Faixas[editar | editar código-fonte]

N.ºTítuloCompositor(es)Vocais principaisDuração
1."Introdução por Mauro e Quitéria"  Mauro, QuitériaMauro e Quitéria0:44
2."Miséria"  Arnaldo AntunesPaulo MiklosSérgio BrittoSérgio Britto e Paulo Miklos4:27
3."Racio Símio"  Arnaldo Antunes, Marcelo FromerNando ReisNando Reis3:19
4."O Camelo e o Dromedário"  Marcelo Fromer, Nando Reis, Paulo Miklos,Tony BellottoPaulo Miklos5:22
5."Palavras"  Marcelo Fromer, Sérgio BrittoSérgio Britto2:33
6."Medo"  Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer, Tony BellottoArnaldo Antunes2:06
7."Natureza Morta"  Arnaldo Antunes, LiminhaBranco Mello, Marcelo Fromer, Paulo Miklos, Sérgio BrittoArnaldo Antunes e Branco Mello0:19
8."Flores"  Charles Gavin, Paulo Miklos, Sérgio Britto, Tony BellottoBranco Mello3:27
9."O Pulso"  Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer, Tony BellottoArnaldo Antunes2:45
10."32 Dentes"  Branco Mello, Marcelo Fromer, Sérgio BrittoBranco Mello2:30
11."Faculdade"  Arnaldo Antunes, Branco Mello, Marcelo Fromer, Nando Reis, Paulo MiklosNando Reis3:13
12."Deus e o Diabo"  Nando Reis, Paulo Miklos, Sérgio BrittoSérgio Britto e Paulo Miklos3:28
13."Vinheta Final por Mauro e Quitéria"  Mauro, QuitériaMauro e Quitéria0:35

Formação[editar | editar código-fonte]

01 maio 2020

A ausência patológica do medo

30 Abr 2020

(Jared Kushner e Ivanka Trump)


Anos atrás, numa reunião social, conversando sobre política (aquela conversa em torno de uma mesa com uísques e cervejas, onde a gente conhece apenas um terço dos participantes), alguém tocou no nome do ex-presidente Fernando Collor.

Houve a malhação-de-Judas habitual (claro – ele já tinha sido defenestrado do Poder), mas me chamou a atenção o depoimento de um dos presentes, que disse conhecê-lo pessoalmente.

– Collor é o exemplo típico do cara produzido para ocupar o poder: familia de políticos, bons colégios, boa formação, boa base cultural, boa oratória... Mas existe nele um traço que o diferencia do resto dos políticos. Ele tem o que na medicina, na psicologia, é chamada “Ausência Patológica do Medo”. É um traço quase de psicopatia, e não está necessariamente relacionada a mau-caratismo, crueldade, etc.  É simplesmente o sujeito que tem 100% de certeza a respeito de tudo que pensa, que diz e que faz. Torna-se um cara perigoso porque não lhe passa pela cabeça que alguma ação dele possa não dar certo.

E de fato, aquela imponência varonil de Collor, caminhando na rampa do Planalto com a empáfia e a autoridade de um granadeiro prussiano, sempre produziu uma impressão muito grande no povaréu. Naquela fervilhante campanha de 1989, quantas vezes em mesas de bar eu vi comentários do tipo “Esse aí é macho mesmo, com ele não tem nhém-nhém-nhém...”.
(Digressão: “nhém-nhém-nhém” era o equivalente a “mi-mi-mi” trinta anos atrás, e foi posto em circulação por Fernando Henrique Cardoso.)

Isto me veio à mente lendo um artigo de Michelle Goldberg no NYTimes, onde ela cita o livro-pesquisa de Andrea Bernstein sobre o trêfego Jared Kushner, o conhecido genro de Donald Trump. 

Kushner detém hoje em dia, nos EUA e por tabela no mundo, um poder inconcebível para gente como eu, que anda de ônibus e volta do “Extra” carregando sacolas. Valendo-se do inevitável “berço” e do previsível “altar” (casou com a filhinha do potentado), ele ganhou uma posição desproporcional na política do país, sem ter sido eleito sequer para vereador.

Diz Bernstein:

Os profissionais que têm lidado com Kushner afirmam que, não importa o que ele esteja fazendo, “ele acredita que pode fazer aquilo melhor do que qualquer outra pessoa, e tem uma confiança suprema em sua própria capacidade e seu próprio julgamento, mesmo quando não sabe do que está falando".

Isso bate com uma frase que a imprensa cita às vezes. Em 2006 Kushner comprou o jornal The New York Observer, e logo entrou em choque com o editor-em-chefe, Peter Kaplan, que produziu a divertida frase a seu respeito: “This guy doesn’t know what he doesn’t know”, algo como “Esse rapaz não sabe nem mesmo quais são as coisas que ele ignora”. 

O mais interessante é que pessoas como Fernando Collor e Jared Kushner (e os milhões que eles representam, e que são iguaizinhos a eles) são o exemplo mais típico do que a gente chama de “meritocracia”, porque são de famílias ricas e poderosas, estudaram nos melhores colégios, devem ter tirado excelentes notas, e tudo o mais. 

Quando isso coincide de acontecer num indivíduo que se acha predestinado, que foi criado ouvindo todo mundo dizer que ele é diferenciado, que ele pertence a um grupo de poder e deve “sonhar alto”, que ele é um vencedor, etc. e tal, é meio caminho andado para o cara se achar um super-homem. 

E o problema fica ainda maior quando ele tem esse pequeno desvio psiquiátrico, a “Síndrome da Ausência Patológica do Medo”, que na linguagem das ruas a gente chama de “falta de simancol” ou “falta de desconfiômetro”, e os mais calejados tratam como “a certeza da impunidade”.



07 junho 2016

O Papa cedeu a Europa ao Islã?

Em 2006, o Papa Bento XVI (esquerda) ressaltou que nenhum Papa jamais ousou dizer que há um elo entre violência e Islã. Dez anos depois o Papa Francisco (direita) jamais invoca pelo nome os responsáveis pela violência anticristã e nunca menciona a palavra "Islã".
(imagem: Benedict: Flickr/Igreja Católica da Inglaterra | Francis: Wikimedia Commons/korea.net)

ESCRITO POR GIULIO MEOTTI | 06 JUNHO 2016 

Ao desenrolarmos a lista das viagens apostólicas do Papa Francisco – Brasil, Coreia do Sul, Albânia, Turquia, Sri Lanka, Equador, Cuba, Estados Unidos, México, Quênia, Uganda, Filipinas -- poder-se-ia dizer que a Europa não está exatamente no topo da sua agenda.

Os dois pontífices que o antecederam lutaram pela continuidade do cristianismo. O Papa João Paulo II enfrentou o Comunismo ao auxiliar na derrubada do Muro de Berlim e a Cortina de Ferro. O Papa Bento XVI atacou de frente "a ditadura do relativismo" (a crença segundo a qual a verdade está nos olhos de quem a vê) e apostou tudo na renovação da evangelização do continente ao viajar através dele (ele visitou três vezes a Espanha) e em discursos magnificentes como os proferidos em Regensburg, onde ele falou franca e firmemente a respeito da ameaça do Islã e no Parlamento Alemão, onde alertou os políticos presentes no tocante ao declínio da religiosidade e o "sacrifício de seus próprios ideais em nome do poder".

O Papa Francisco, diferentemente, simplesmente ignora a Europa, como se já a considerasse perdida. O Ex-cardeal argentino, representante do cristianismo "Sul global", realizou viagens espetaculares às ilhas dos migrantes de Lampedusa (Itália) e Lesbos (Grécia), mas nunca ao coração do continente. O Papa Francisco também dificultou o ingresso dos Anglicanos na Igreja Católica, ao menosprezar o diálogo com eles.

Acima de tudo, no entanto, em seu importante discurso proferido em 6 de maio durante a entrega do Prêmio Internacional Carlos Magno, o Papa perante líderes europeus, repreendeu severamente a Europa no tocante aos imigrantes pedindo-lhes que sejam mais generosos com eles. Em seguida ele introduziu algo revolucionário no discurso: "a identidade da Europa é, e sempre foi uma identidade multicultural", ressaltou o Papa. Essa concepção é questionável.

O multiculturalismo é uma política específica, formulada nos anos 1970, estando ausente do vocabulário político de Schuman e Adenauer, dois dos fundadores da Europa. Agora ela foi invocada pelo Papa que falou da necessidade de uma nova síntese. E essa síntese trata do quê?

Hoje o cristianismo na Europa parece não ter importância e ser irrelevante. A religião se defronta com um desafio ideológico e demográfico, ao mesmo tempo em que os remanescentes pós Auschwitz das comunidade judaicas estão fugindo do novo antissemitismo. Nessas condições, uma síntese do velho continente e o Islã equivaleria a rendição à pretensão da Europa em decidir seu próprio futuro.

O "multiculturalismo" é a mesquita erguida sobre as ruínas da igreja. Não é a síntese defendida pelo Papa. É o caminho da extinção.

Pedir à Europa para que ela seja "multicultural" enquanto está passando por uma dramática 'descristianização' também é extremamente arriscado. Na Alemanha, um relatório que acaba de ser divulgado, constatou que o "país se tornou, em termos demográficos, um país multirreligioso". No Reino Unido, uma pesquisa de opinião abrangente constatou que a "Grã-Bretanha não é mais um país cristão". Na França, o Islã também está superando o cristianismo como religião dominante. É possível encontrar a mesma tendência em todos os lugares, da Protestante Escandinávia à Bélgica Católica. É por esta razão que o Papa Bento XVI estava convencido que a Europa precisava ser "'re-evangelizada'." O Papa Francisco nem tentou 're-evangelizar' ou reconquistar a Europa. Contrariamente, ao que tudo indica, ele acredita piamente que o futuro do cristianismo está nas Filipinas, Brasil e África.

Provavelmente pela mesma razão, o Papa utiliza menos de seu tempo censurando o terrível destino dos cristãos no Oriente Médio. Sandro Magister, o observador do Vaticano mais conceituado da Itália, lança uma luz sobre o silêncio do Papa:

"Ele permaneceu em silêncio em relação a centenas de estudantes nigerianas sequestradas pelo Boko Haram. Ele permaneceu em silêncio a respeito de Meriam, a jovem mãe sudanesa, sentenciada à morte exclusivamente por ser cristã e no final libertada com a intervenção de outros. Ele nada diz em relação à mãe paquistanesa Asia Bibi, que se encontra no corredor da morte há cinco anos porque ela também é uma 'infiel', o Papa sequer respondeu a duas cartas devastadoras que ela lhe enviou este ano, tanto antes quanto depois da reconfirmação da sentença".

Em 2006, o Papa Bento XV, em sua palestra proferida em Regensburg, ressaltou que nenhum Papa jamais ousou dizer que havia um elo entre violência e Islã. Dez anos depois o Papa Francisco jamais invoca pelo nome os responsáveis pela violência anticristã e nunca menciona a palavra "Islã". Recentemente o Papa Francisco também reconheceu o "Estado da Palestina", antes mesmo dele existir -- uma estreia simbólica sem precedentes. O Papa também poderá abandonar a longa tradição da Igreja da "guerra justa", a guerra considerada justificável moral e teologicamente. O Papa Francisco sempre fala da "Europa dos povos", mas nunca da "Europa das Nações". Ele defende o acolhimento de migrantes e lava seus pés, ao passo que ignora que essas incontroladas ondas demográficas estão transformando a Europa, pouco a pouco, em um estado islâmico.

O significado das viagens do Papa Francisco às ilhas de Lampedusa na Itália e Lesbos na Grécia: ambas símbolos de uma dramática fronteira geográfica e civilizacional. Também é este o significado do discurso do Papa na entrega do Prêmio Internacional Carlos Magno.

Será que o chefe do cristianismo desistiu da Europa como uma terra cristã?


Giulio Meotti, editor cultural do diário Il Foglio, é jornalista e escritor italiano.


Publicado no site do The Gatestone Institute.

Tradução: Joseph Skilnik




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