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24 abril 2024
01 janeiro 2024
27 novembro 2023
Domenico de Masi (Roda Viva: 1998)
Domenico de Masi em entrevista ao Programa Roda Viva
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15 novembro 2022
Dumazedier e a preguiça (1º/10/1980, Páginas Amarelas de VEJA)
Entrevista com
Joffre Dumazedier, sob o título A defesa da
preguiça, reportagem de
Marília Pacheco Fiorillo, há 32 anos, nas Páginas Amarelas, da Revista Veja, do
dia 1º de outubro de 1980.
Professor da Sorbonne há vinte anos,
Dumazedier acha que o futuro será traçado não pelo trabalho, mas, sim, pelo
lazer
Por Marília Pacheco Fiorillo[1]
Na Antiguidade clássica, o trabalho era
tido como tão pouco nobre que praticamente só os escravos se ocupavam dele.
Continuou assim pela Idade Média e Renascimento, quando o filósofo Thomas Morus
acenou pela primeira vez com o sonho de reduzi-lo a apenas seis horas diárias,
em sua "Utopia". Foi só com o surgimento das primeiras chaminés e
estradas de ferro, na aurora da sociedade industrial, que o trabalho conquistou
pela primeira vez o título de cidadania – para, depois, ir sendo
progressivamente tratado, como um dos valores mais respeitados da atividade
humana. Joffre Dumazedier, 64 anos, há vinte titular da cadeira de Sociologia
do Lazer na Sorbonne de Paris, começou a se interessar pelo tema em seus tempos
de partisan durante a II Guerra Mundial, quando se
dedicava a "grupos de educação popular" entre a população simples do
interior da França. Foi então que acredita ter feito uma dupla
descoberta.
A primeira é que o lazer, desde a redução
da jornada fabril a oito horas, após a I Guerra Mundial, se tornou "mais
importante para o trabalhador que qualquer outro aspecto de sua vida". A
segunda é que há um século e meio toda a civilização está mergulhada em uma
avassaladora mística do trabalho, mais forte que qualquer fronteira ideológica
ou nacional. Desde a primeira metade do século XIX, observa Dumazedier, as
sociedades vêm sendo regidas por um verdadeiro culto de adoradores da labuta,
que hoje se difunde dos saguões das empresas privadas aos cartazes desenvolvimentistas
dos países socialistas.
Para Dumazedier, a sociedade caminha rumo
a uma civilização do lazer, em que o tempo livre das obrigações profissionais
tende a ser “o tempo estratégico” da vida da coletividade. Um tempo estratégico
que ele, pessoalmente, parece utilizar muito pouco, pois trabalha
compulsivamente – em sua passagem por São Paulo, há poucos dias, andou sempre
numa roda-viva, entre idas e vindas de conferências ao quarto do hotel, onde a
TV sempre ligada se mistura a dezenas de livros e rascunhos espalhados sobre a
mesa.
A mística do
trabalho
já não tem razão
Veja – O senhor costuma dizer que o
lazer, hoje em dia, ocupa o lugar anteriormente reservado ao trabalho, do ponto
de vista de um sistema de valores. Como é isso?
Dumazedier – O trabalho é ainda a primeira
necessidade humana, mas uma necessidade puramente objetiva. O que está mudando
é a importância do valor “trabalho” na vida das pessoas – sejam operários,
colarinhos brancos[2]
ou executivos. Aquela antiga mística do trabalho, endossada de Adam Smith e
Marx, do pensamento católico a Max Weber, já não tem razão de ser. A ideia do
trabalho como a essência da humanidade correspondia a uma sociedade industrial
nascente.
Veja
– Mas o lazer não é ele mesmo um filho da sociedade industrial?
Dumazedier – Sem dúvida, mas ele é o filho de um paradoxo miraculoso dessas
sociedades, um paradoxo com que nossos ancestrais não ousavam sequer sonhar – o
de que se pode produzir cada vez mais trabalhando cada vez menos. E esse
milagre diz respeito não só às sociedades de economia privada como àquelas de
economia coletivizada, como a União Soviética[3]. Por exemplo, há um século
e meio atrás, o trabalho operário médio era de cerca de 4.000 horas anuais –
hoje[4], em qualquer sociedade de
economia avançada, e mesmo nas zonas mais urbanizadas das sociedades em via de
desenvolvimento, trabalha-se a metade, cerca de 2.000 horas por ano. Isso fez
com que as pessoas passassem a dar uma importância inédita, em suas vidas, ao
tempo livre.
Veja
– O trabalho não continua a ser o grande elemento civilizatório, do qual depende inclusive a riqueza necessária para se poder consumir o lazer?
Dumazedier – Que o trabalho cria riqueza, e com isso
paga o lazer, é um lugar-comum[5]. Agora, dizer que ele é
ainda a base da civilização é outra história. Se se entende a civilização como
um sistema de valores, como uma maneira de realizar a personalidade individual
e coletiva, então qual é a função civilizatória de uma atividade que, para a
grande maioria das pessoas, interessa muito pouco? Posso dizer que o lazer é
fruto do trabalho da mesma maneira que um filho é fruto do pai. O pai, na vida
do filho, é sempre um elemento de conflito, de rejeição[6].
Veja
– Há certos economistas, Alvin Toffler[7], por exemplo, que creem que trabalho e lazer são atividades que tendem a mudar no futuro e exemplificam isso com o aumento do trabalho profissional realizado em casa.
Dumazedier – Toffler[8], na verdade, é mais um
desses profetas que falam demais, um tipo, aliás, que prolifera na atualidade –
uma espécie de McLuhan[9] da economia, que teve um
dia uma bela ideia, mas só uma ideia, e dela tirou um sistema. Não digo que ele
não seja um sujeito sério, mas tem a seriedade dos poetas. Deve-se procurar em
seus textos não o argumento científico, que não existe, mas o prazer da
fantasia. Deve-se ler Toffler[10] como se liam os
testemunhos de Jeová ou como se leem as homilias de João Paulo II.
Veja
– E, quando se trata de um indiscutível homem de ciência, como J. K.
Galbraith[11], para quem essa ideia de uma sociedade tendente ao lazer não passa de pura piada?
Dumazedier – Conheço bem Galbraith[12] e tive chance de discutir
isso com ele numas férias que passamos juntos. A questão é que existem três
Galbraith: o embaixador kennediano, o ensaísta que escreve maravilhosamente e,
em último lugar, o economista. Agora, resta saber qual desses três egos se
pronunciou assim.
A esquerda
deveria
refletir mais
Veja
– De que maneira se poderia pensar numa sociedade do lazer nos países
subdesenvolvidos que precisam trabalhar duramente para sair do
subdesenvolvimento?
Dumazedier – Não acredito em lazer nacional, mas em
hábitos de recreação que variam de classe para classe, de ambiente para
ambiente. Eu, por exemplo, estou muito mais próximo de meus amigos paulistanos
que de um camponês da Normandia[13]. Dá-se o mesmo entre
países socialistas e capitalistas. Se você toma um país como os Estados Unidos
e outro como a Bulgária[14], os Estados Unidos ganham
a parada unicamente porque estão mais bem equipados culturalmente. O que conta
não são questões de regime, de ideologias, mas o nível de desenvolvimento das
forças produtivas. É impossível falar de Brasil, por exemplo. O que é o Brasil?
É uma cidade como São Paulo ou um vilarejo nordestino? De qualquer maneira, se
comparamos duas sociedades de desenvolvimento tecnológico análogo, uma socialista
e outra capitalista, a socialista tende a ter uma política cultural mais
autoritária. Pode-se mesmo dizer que há um abismo entre a política oficial do
regime e as práticas culturais de certos grupos, como a juventude. Tanto que se
vê como um jovem russo acaba afrontando as autoridades por vestir um jeans ou
ouvir rock, e não se tem notícia de que algum universitário paulista ou
parisiense tenha logrado efeito semelhante ao sair pelas ruas fantasiado de
moscovita.
Veja
– O tempo liberado para o lazer aumentou nos
países comunistas na mesma proporção dos países capitalistas?
Dumazedier – Insisto em dizer que isso depende do grau
de desenvolvimento das economias em cada país. Na Polônia, por exemplo, que não
é o país socialista de economia mais arejada, uma das grandes reivindicações
desta última greve[15] foi a semana de quarenta
horas – mesmo quando se sabe que estado atual da economia polonesa exigiria um
trabalho médio de sessenta horas.
Veja
– E, nas chamadas “sociedades socialistas
avançadas”, o tempo livre aumentou?
Dumazedier – Há uma fabulosa enquete, realizada em 1966
por um húngaro, Alexander Szalai, que havia sido preso por quatro anos no
período estalinista e que levou cerca de dez anos levantando dados sobre o
tempo livre em doze países, de Cuba ao Peru, da Checoslováquia[16] à URSS: uma das
conclusões dessa pesquisa é que a mulher trabalhadora que dispõe de menos tempo
livre, no mundo inteiro, em países socialistas ou capitalistas, é a mulher
russa. Ela trabalha duas horas a mais por dia que sua companheira francesa e
americana, em profissão semelhante. Agora, se você se lembra de que cerca de
90% das russas trabalham, cifra que nos Estados Unidos é de 40% e na França nem
chega a isso, você se vê diante de um fato surpreendente[17]. A esquerda deveria
refletir mais sobre isso – e falo dessa maneira porque me considero um homem de
esquerda, a esquerda sempre foi minha família espiritual.
Veja
– A que se deve essa situação da
trabalhadora russa?
Dumazedier – Minha hipótese é de que os regimes
políticos podem promover algumas mudanças, mas dificilmente mudam certos
hábitos. E o patriarcado, na Rússia, malgrado os discursos oficiais, continua
fortíssimo. A mulher que trabalha fora, lá, provavelmente carrega o mesmo
antigo fardo das tarefas domésticas. Mas esse não é o único fato chocante.
Outro, ainda maior, é o de que a sociedade soviética ainda esteja fundada na
velha mística da devoção ao trabalho, na doutrina do amor ao trabalho. Ora,
numa enquete recente entre trabalhadores russos, na qual se perguntava qual o
aspecto de suas vidas que eles consideravam prioritário, apenas 7% apontaram o
trabalho em primeiro lugar. É isso que a esquerda não vê. A esquerda
parisiense, por exemplo, fica opondo discurso contra discurso, maoistas versus
leninistas, mas jamais se debruça sobre o real.
para a política
Veja
– Nos países socialistas esse tempo livre é
utilizado com mais frequência para práticas políticas?
Dumazedier – Há muita gente, creio que a maioria, que
participa de reuniões sistemáticas. Agora, o lazer é uma atividade voluntária.
A única coisa que posso afirmar com segurança é que, trate-se da Bulgária ou
Peru, Cuba ou França, mais de 95% do tempo liberado do trabalho profissional e
doméstico é gasto exclusivamente em recreação – nada de política, só lazer.
Veja
– Então, esse tempo de lazer seria “o tempo-chave” na vida das
pessoas?
Dumazedier – O lazer é o tempo estratégico da
modernidade. Enquanto não se fizer a revolução do lazer, a mudança dos costumes
continuará sendo uma questão abstrata. De que adiantam discursos inflados de
civismo, patriotismo, socialismo, se a pessoa sai do trabalho ou escola e entra
em uma outra vida? É um pouco como o mito de Penélope, que teria um manto de
dia para descosturá-lo à noite. O lazer é a noite, que tem o poder de desfazer
tudo o que foi tecido durante o dia.
Veja
– O lazer, em sua visão, é sobretudo uma questão política?
Dumazedier – Só os ingênuos ainda acham que o tempo
dedicado à recreação, ao ócio, ao descanso, não é fundamental para a política.
Porque nesse espaço da vida dos indivíduos não só se criam valores e relações
sociais específicas como também podem ser criados valores em conflito aberto
com os do mundo do trabalho. Aliás, onde é que os trabalhadores fazem seu maior
investimento afetivo? Nunca é no trabalho, nem mesmo em países onde se tentaram
experiências autogestionárias, como na Iugoslávia. Sabe-se hoje que a autogestão
– praticada por uma geração e meia de socialistas e estudada por centenas de
especialistas – nunca interessou mais que 20% da classe operária iugoslava. E
todos continuam a preferir a palavra “autogestão” como se ela tivesse poderes
mágicos. Eu mesmo me considero um autogestionário, mas sem ilusões.
A mulher pede
mais
tempo para si
Veja
– Que mudanças político-culturais já são visíveis a partir do
aumento do tempo de lazer?
Dumazedier – Mais importante que o crescimento estatístico
do tempo livre é a mutação de valores que ele traz, como a liberação de certas
aspirações antes reprimidas. É o caso da recusa crescente de relações
funcionais, como as familiares, e a procura de outro tipo de contato entre os
indivíduos, de natureza mais selvagem, antiinstitucional. Temos o movimento feminista,
os grupos ecológicos, organizações de velhos – o chamado movimento da “terceira
idade”. Veja o caso do movimento feminista: há uma grande diferença entre o
feminismo de Simone de Beauvoir, que é da minha geração, e o feminismo de Kate
Millet: se antes se reivindicavam direitos iguais de trabalho e participação
política, hoje o que se pede é que a mulher tenha mais tempo para si mesma,
para os assuntos de seu interesse. E isso está nas ruas: é a mulher de classe
média que quer ter seus amigos, e não só amigos do marido, viajar sozinha, ou a
mulher de uma camada mais baixa que não abre mão de sua hora e tanto de
conversa com a amiga no mercado, à semelhança do que seu marido vem fazendo há
decênios nos bares.
Veja
– Mesmo entre os jovens?
Dumazedier – Presenciei uma greve de estudantes
secundários em Montreal, há pouco tempo. Eram garotos de 15, 16 anos, e saíram
às ruas para exigir quinze dias de férias a mais. Faziam essa greve contra os
professores e os pais – e acabaram ganhando.
Veja
– Entre os hábitos mais frequentes de lazer, quais o senhor
considera os dominantes, atualmente?
Dumazedier – TV e esporte, sem dúvida. As viagens também têm crescido
enormemente, os passeios a pé, jornadas de reencontro com a natureza.
Veja
– Não haveria uma discrepância fundamental, em matéria de lazer,
entre os hábitos das camadas populares e os das camadas mais altas?
Dumazedier – Depende. No caso do consumo da televisão, provavelmente um
professor universitário não liga o mesmo canal que um operário da Volkswagen –
ou, se liga, não recebe a emissão exatamente da mesma maneira. Mas é só isso. Pesquisas
do mundo inteiro confirmam que o aparelho de TV fica ligado, no mínimo, quinze
horas por semana[19].
E isso vale tanto para as favelas cariocas como para os quarteirões chiques de
Paris.
Veja
– O senhor concorda com as críticas de que a TV promoveu uma falsa
democratização da cultura, igualando o consumo entre classes pelo rebaixamento
da qualidade do produto?
Dumazedier – Ao contrário. Se antes só um punhado de gente ia ao Ópera, hoje
milhares de pessoas podem assistir à “Cármen” pela TV. Não há nada de falso
nessa democratização – a música de Bizet é a mesma, o libreto é o mesmo, a
única coisa que muda é a presença ou não de audiência. Para os aficionados das
noitadas da ópera, faz diferença. Para intelectuais elitistas, como Adorno,
também. Talvez para uma centena de pessoas no Brasil. Mas, para a maioria, só
pode valer a pena.
Veja
– Como fica a questão do lazer numa época de crise econômica, como
essa, em que o desemprego se acentua?
Dumazedier – Respondo com o resultado de um estudo feito recentemente sobre o
consumo de férias por operários europeus desde o início da crise econômica:
diminuíram os quilômetros rodados, a distância dos locais de férias e mesmo o
número de dias de férias, mas as cifras continuam confirmando que três quartos da
classe operária francesa continuam a tirar férias e preferem privar-se de
outras vantagens a abrir mão de sua temporada fixa de lazer. Essa história de
que hoje é momento de se pensar no pão, e não no sonho, é mais uma das eternas
tiradas da esquerda. Como se a necessidade de pão suprimisse aquela de sonho...
Veja
– A que o senhor atribui o ainda escasso interesse da comunidade
intelectual pelo lazer?
Dumazedier – Todos os estudos de economistas e sociólogos sérios confirmam que
o lazer cresce em importância e extensão. Na Europa e nos Estados Unidos, em
plena crise, os sindicatos continuam a se bater pela semana de 35 horas. E o
tempo extra que esses operários reivindicam é para quê? Não será para a
instrução popular, como previa Marx, ou para uma formidável participação
política de massas, como queria Engels, ou para um incremento na vida
espiritual, como pretendem os padres. É apenas para mais lazer. Mas o velho
carnaval ideológico continua a encobrir essas questões. Muitas vezes o
entusiasmo político nos leva a abandonar a lucidez.
Só a minoria faz
do
trabalho lazer
Veja
– E os que afirmam que o lazer, na sociedade contemporânea, só
tende a aumentar a alienação?
Dumazedier – Era o caso de Marcuse, por exemplo, mas Marcuse sempre foi um
pensador utópico, nunca um cientista. Ele imaginava que o trabalho poderia
transformar-se em fonte de prazer, na sociedade socialista perfeita... Mas está
mais que comprovado que na França nem mesmo 20% dos trabalhadores sentem
qualquer espécie de gratificação com as tarefas que executam. Só uma ínfima
minoria faz do trabalho seu lazer: uns poucos artistas, criadores, inventores –
excetuando-se o equívoco da datilógrafa que pensa amar o trabalho porque está
caída pelo chefe.
Veja
– Então o profeta do futuro seria Paul Lafargue, o genro de Marx
que defendia para a classe operária o “direito à preguiça”?
Dumazedier – Embora minha formação seja marxista, sempre estive mais próximo e
Lafargue que de seu sogro e companheiro Karl Marx, mesmo porque creio que o
futuro do socialismo se decidirá fora do trabalho – e não dentro. Dizem que
Lafargue se sentia seduzido pelo ócio porque era um homem das Caraíbas, amante
do sol e do dolce far niente. Não
creio nessas psicologias dos povos: afinal, Fidel Castro também é um homem das
Caraíbas, e trabalha por quatro.
●
Fonte: Acervo
Digital Veja
[2]
Colarinho branco é um termo
informal que se refere a um profissional assalariado ou a um profissional ensinado a executar tarefas
semi-profissionais. Estas tarefas são administrativas, burocráticas ou de gerenciamento, opondo-se às do "colarinho azul", cujo trabalho requer emprego de mão-de-obra física.
[3] Dissolvida
oficialmente em 31 de dezembro de 1991. Usávamos, no Brasil, a sigla URSS –
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, para nos referir ao país.
[4] Isto é: 1º de
outubro de 1980.
[5]
lugar-comum.
s. m. 1. Trivialidade.
2. Ideia já muito batida. 3. Expressão ou frase usada vulgarmente. 4. Frase
feita.
[6] Dumazedier
estaria se referindo ao livro Totem e Tabu de Freud, ao tratar do Complexo de
Édipo? Sei lá. Já diz o jornalista Tião Lucena: “Eu aumento, mas não amamento”.
O jornalista Nelson Rubens diz “Eu aumento, mas não invento”.
[7]
Alvin
Toffler, que escreveu no seu livro O Choque do Futuro que “O homem tem uma
capacidade biológica limitada para mudança. Quando essa capacidade é
ultrapassada, ele entra em choque com o futuro”.
[13] Região do NO da
França, próxima ao Canal da Mancha. A Normandia foi palco de uma grande batalha
na 2ª Guerra Mundial. Vídeo: A Invasão da Normandia.
[14] O Governo
comunista terminou em 1990.
[15] Greve que teve
como um dos principais líderes Lech Walesa.
[16] Em 1º de
janeiro de 1993, a Checoslováquia foi dividida em duas por decisão parlamentar,
no que foi conhecido por Separação de Veludo, por seu caráter pacífico.
Surgiram dois novos países da fusão: República Tcheca e Eslováquia.
[19] Levantamento do
IBOPE informa que o brasileiro ficou, em 2011, 5h28’ diante do televisor. O que
dá 38h16’ por semana. Fonte: Notícias
R7.
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VEJA
04 setembro 2018
A Revolução Industrial, as mulheres e as minorias: como a ideologia suprimiu a realidade
Por causa da distorção dos fatos, a Revolução Industrial deveria processar a história por calúnia
Um mito
altamente destrutivo passou a dominar o debate sobre o capitalismo: a falsa
noção de que o livre mercado prejudica os "vulneráveis" dentro da
sociedade. Mais especificamente, afirma-se que o capitalismo afeta mulheres e crianças ao
cruelmente explorar sua mão-de-obra. Mas a verdade é exatamente
oposta.
O capitalismo oferece exatamente aquele elemento de que os
vulneráveis mais necessitam para sobreviver e prosperar: a liberdade de
escolha. A escolha mais libertadora que um indivíduo pode ter é a
capacidade de se sustentar a si próprio, sem ter de depender de ninguém mais
para que a comida chegue à sua boca.
Utilizando este mito como pressuposição inicial, os historiadores
sempre se mostraram extremamente hostis ao analisarem um dos mais libertadores
fenômenos da história ocidental: a Revolução
Industrial. Do século XVIII ao século XIX, o mundo avançou
acentuadamente em termos de tecnologia, indústria, transporte,
comércio e inovações que mudaram o padrão de vida, como roupas de algodão
feitas a baixo custo. Em um período de dois
séculos, estima-se que a renda mundial per capita tenha aumentado
dez vezes, e a população mundial, seis vezes.
O economista prêmio Nobel Robert Lucas declarou que
"Pela primeira vez na história, o padrão de vida das massas formadas por
cidadãos comuns começou a apresentar um crescimento contínuo e constante. [...]
Nada remotamente parecido com este fenômeno econômico havia acontecido até
então."
O acentuado avanço da prosperidade e do conhecimento havia sido
alcançado sem nenhuma engenharia social e sem nenhum controle centralizado.
Tudo foi possível em decorrência de se ter permitido que a criatividade
humana e o interesse próprio se manifestassem livremente.
Certamente ocorreram abusos. Alguns podem ser imputados às
tentativas governamentais de se aproveitar da energia e dos lucros daquele
período. Outros abusos ocorreram simplesmente porque toda sociedade possui
pessoas desumanas e amorais que agem de má fé, especialmente quando querem
lucro fácil; isto, obviamente, não é uma crítica à Revolução Industrial, mas
sim à natureza humana.
Adicionalmente, os avanços econômicos foram amplamente maiores que
as mudanças nas atitudes culturalmente vitorianas. No século XVIII, mulheres e
crianças eram vistas como cidadãos de segunda classe e, algumas vezes, como
bens e posses que podiam ser livremente trocados. A revolução econômica
foi o motor que impeliu a cultura e as leis a sofrerem mudanças similarmente
drásticas. Quando as mulheres deixaram os campos em busca de emprego e
educação, elas se tornaram uma força social que não mais podia ser negada.
Consequentemente, os direitos das mulheres avançaram extraordinariamente
durante o final do século XIX, algo que não teria ocorrido não fosse a
Revolução Industrial.
Até o século XVIII, não havia oportunidades para o trabalho
feminino. Com as máquinas implantadas pela Revolução Industrial, as habilidades
humanas mudaram de valor. O capital deixou o trabalho menos braçal e mais
intelectual, permitindo que as mulheres compensassem com neurônios o que lhes
faltava em musculatura. Por ser mais produtivo que o trabalho rural, a renda
dos trabalhadores industriais superou a renda do campo. Foi a Revolução
Industrial quem dinamizou o processo de emancipação econômica das
mulheres.
Infelizmente, esta ligação salutar entre capitalismo e direitos
das mulheres se perdeu ao longo do tempo. Durante a segunda metade do
século XX, as feministas ortodoxas começaram uma cruzada
para reverter esta força que havia contribuído tão acentuadamente para o
progresso nos direitos das mulheres. Em vez de defenderem a liberdade de
mercado, elas passaram a exigir, em nome da "igualdade", que vários
privilégios para as mulheres se tornassem leis.
O livre mercado passou a ser demonizado como uma ferramenta
opressora que tinha de ser combatida por meio de ações afirmativas, leis contra
assédio sexual, ações judiciais contra qualquer tipo de discriminação, sistemas
de cotas e uma miríade de outras regulações sobre o mercado de trabalho.
Em meio a este processo, a Revolução Industrial passou a ser
retratada como o Grande Satã que destruiu o bem-estar de mulheres e
crianças. Esta descrição da Revolução Industrial, além de ser um simplório
preconceito ideológico, se baseou fortemente na deturpação dos fatos.
Deturpando
fatos sobre as crianças
Sempre que os termos "crianças" e "Revolução
Industrial" são citados na mesma frase, imagens horrendas imediatamente
vêm à mente: uma criança de cinco anos sendo baixada, por meio de uma corda, em
uma mina de carvão; crianças esqueléticas trabalhando precariamente em fábricas
têxteis; o Oliver Twist, de Charles Dickens, oferecendo
uma jarra de madeira em troca de uma colher de mingau.
Estas imagens são normalmente utilizadas para condenar o
capitalismo e a Revolução Industrial. Em algumas ocasiões, elas são utilizadas
para glorificar políticos "humanitários" que criam leis proibindo
qualquer tipo de trabalho infantil. Elas são extremamente eficazes em
incitar um compreensível horror naquelas pessoas decentes que condenam qualquer
exploração de qualquer criança. O problema é que este procedimento sofre
de graves distorções.
Uma das distorções é que tal procedimento ignora uma distinção
essencial. No início do século XIX, a Grã-Bretanha apresentava duas formas de
trabalho infantil: crianças livres e crianças "pobres" ou dos
reformatórios, que eram entregues aos cuidados do governo.
Os historiadores J.L. e Barbara Hammond, cuja obra sobre a Revolução Industrial Britânica
e o trabalho infantil é considerada definitiva, reconheceram esta distinção. O
economista Lawrence Reed, em seu ensaio "Child
Labor and the British Industrial Revolution", foi ainda mais
adiante e enfatizou a importância desta distinção. Escreveu ele:
Crianças livres moravam com
seus pais ou guardiões e trabalhavam durante o dia em troca de salários
acordados com seus adultos responsáveis. Mas os pais frequentemente se
recusavam a enviar seus filhos para situações de trabalho excepcionalmente
severas ou perigosas. [...] Os proprietários das fábricas não podiam
subjugar violentamente essas crianças livres; eles não podiam obrigá-las a
trabalhar em condições que seus pais julgassem inaceitáveis.
Em contraste, as crianças dos reformatórios estavam sob a
autoridade direta de funcionários do governo. Reformatórios já existiam há
séculos, mas a empatia pelos oprimidos já havia sido arrefecida pelo fato de
que os impostos criados exclusivamente para aliviar a situação dos pobres já
estavam, em 1832, cinco vezes mais altos do que em 1760, quando foram
criados. (O livro de Gertrude Himmelfarb, The Idea of Poverty, faz uma narração
cronológica desta mudança de atitude em relação aos pobres, da compaixão à
condenação).
Em 1832, em parte a pedido de industriais ávidos por mão-de-obra,
a Comissão Real Para a Lei dos Mais Pobres começou
uma pesquisa sobre o "funcionamento prático das leis para o alívio da
pobreza". Seu relatório dividiu os pobres em duas categorias básicas:
pobres preguiçosos que recebiam ajuda do governo e pobres trabalhadores que se
sustentavam a si próprios. O resultado foi a Lei dos Pobres de
1834, em nome da qual o estadista Benjamin Disraeli fez anúncios dizendo que
"a pobreza é um crime".
A Lei dos Pobres substituiu a ajuda fornecida por terceiros
(subsídios e esmolas) por "abrigos para pobres", nos quais as
crianças pobres ficavam virtualmente aprisionadas. Lá, as condições eram
propositalmente severas, exatamente para desincentivar as pessoas a mandarem
seus filhos para lá (para funcionários públicos, mais trabalho é mais estorvo).
Praticamente todas as comunidades da Grã-Bretanha apresentavam um
"grande estoque" de crianças abandonadas em reformatórios, as quais
passaram a ser virtualmente compradas e vendidas para as fábricas; estas sim
vivenciaram os maiores horrores do trabalho infantil.
Considere a desprezível função do "carniceiro"
nas fábricas têxteis. Tipicamente, "carniceiros" eram crianças
novas — de aproximadamente 6 anos de idade — que recuperavam, embaixo das máquinas, algodão que havia se
desprendido durante os processos de produção. Como as máquinas estavam em
funcionamento, este trabalho era extremamente perigoso e, como consequência,
terríveis ferimentos eram totalmente comuns. "Felizmente" para
aqueles donos de fábricas dispostos a usar o aparato do estado em benefício
próprio, o governo não tinha problema algum em enviar as crianças dos
reformatórios para trabalhar embaixo das máquinas em funcionamento. A
maioria das crianças das comunidades tinha como alternativa a este trabalho
morrer de fome ou viver na criminalidade.
Não é nenhuma coincidência que o primeiro romance sobre a
Revolução Industrial publicado na Grã-Bretanha tenha sido Michael Armstrong: Factory Boy. Michael
era um aprendiz de uma agência para crianças pobres que foi mandado para as
fábricas. Também não é coincidência que Oliver Twist não era abusado por
seus pais ou por agentes privados, mas sim por brutais funcionários públicos
dos reformatórios, em comparação aos quais o antagonista Fagin era praticamente
um humanitário. Vale lembrar que, aos 12 anos de idades, com sua família na
prisão, Dickens havia sido ele próprio uma criança pobre que trabalhava em uma
fábrica. O economista Lawrence Reed observa que "a primeira lei na
Grã-Bretanha voltada para crianças de fábricas foi criada para proteger
exatamente estas crianças de reformatórios, e não as crianças
'livres'". A lei mencionava isso de maneira explícita.
Logo, ao defender a regulamentação da mão-de-obra infantil, os
reformistas sociais pediram ao governo para remediar abusos pelos quais o
próprio governo era o responsável. Mais uma vez, o governo era a doença
que se fingia de cura.
Ideologia
equivocada em relação às mulheres
A distorcida apresentação dos fatos no que diz respeito ao
trabalho infantil e à Revolução Industrial só encontra paralelos na distorcida
ideologia pela qual se analisa o status da mulher.
É perfeitamente possível argumentar que as mulheres foram as
principais beneficiárias econômicas da Revolução Industrial. sto se deveu
majoritariamente à sua baixa condição econômica no período anterior à
Revolução. Elas simplesmente tinham mais a ganhar do que os homens.
Quando as mulheres tiveram a oportunidade de abandonar a vida
rural em busca dos salários das fábricas e de trabalho doméstico, elas
invadiram as cidades em quantias sem precedentes. Para a nossa atual vida
moderna, em que estamos já acostumados com todos os luxos criados pelo
capitalismo, as condições de vida e de trabalho eram obviamente terríveis, com
várias mulheres recorrendo à prostituição como ocupação secundária, tudo para
manter um teto sob suas cabeças. No entanto, por mais terríveis que as condições
possam ter sido, um fato fundamental não pode ser ignorado: as próprias
mulheres acreditavam que ir para as cidades era algo vantajoso — caso
contrário, elas jamais teriam feito a jornada ou simplesmente retornariam à
vida rural desencantadas.
Dizer que o trabalho industrial "prejudicou" as mulheres
dos séculos XVIII e XIX é ignorar a preferência que elas próprias demonstraram
e expressaram; é ignorar a voz de suas escolhas. Claramente, as mulheres
da época acreditavam que tal situação era um aprimoramento de suas atuais
condições.
Uma substantiva fatia do historicismo feminista nada mais é do que
uma tentativa de ignorar as vozes de mulheres que de fato fizeram suas escolhas
à época. Um método comum de se fazer isso é reinterpretar a realidade que
cercava as escolhas e, então, impor esta reinterpretação de modo a fazer com
que as "escolhas" não mais aparentem ter sido voluntárias, mas sim
coagidas.
(É claro que as mulheres dos séculos XVIII e XIX tinham escolhas
severamente limitadas e podiam apenas escolher a melhor opção entre várias
ruins. No entanto, isso é muito diferente de dizer que o trabalho
industrial representava um retrocesso, uma coerção pior do que a vida rural.)
Uma obra essencial para se compreender a análise histórica da
Revolução Industrial feita à luz do feminismo é a imensamente influente The Origin of the Family, Private Property and the State,
de Friedrich Engels, lançada em 1884. Engels argumenta que a opressão à
mulher originou-se com o formato tradicional da família, mas ele próprio
desdenha a noção de que a família por si só havia subordinado as mulheres ao
longo da história. Em vez disso, ele firmemente coloca toda a culpa no
capitalismo, o qual ele acreditava ter destruído o prestígio que as mulheres
outrora usufruíam dentro da família.
Escreveu Engels,
Que a mulher era escrava do
homem nos primórdios da sociedade é uma das idéias mais absurdas transmitidas
pela filosofia do século XVIII. [...] As mulheres não apenas eram livres como
também usufruíam uma posição altamente respeitada nos estágios iniciais da
civilização, sendo o grande poder entre as tribos.
Portanto, as épocas anteriores à Revolução Industrial foram
romantizadas como sendo um período em que as mulheres tinham grandes
poderes. Engels alegava que a industrialização provocou uma separação
entre o trabalho doméstico e o trabalho produtivo, separação esta que fez com
que a injustiça que era o formato da família tradicional se ampliasse. Sendo
assim, o trabalho feminino se tornou um importante, mas ainda assim secundário,
aspecto da libertação da mão-de-obra humana rural para o alimento da máquina
capitalista. Presumivelmente, os inegáveis avanços gerados pela Revolução
Industrial para as mulheres — incluindo-se um aumento na expectativa de vida e
vários direitos políticos — foram adquiridos a um custo extremamente elevado.
A análise de Engels, no entanto, apresentava um problema para as
feministas. Ele pressupôs que os homens não tinham nada a ganhar ao exercer
poder sobre as mulheres, pois Engels analisava os seres humanos em termos de
suas afiliações de classes —
isto é, sua relação com os meios de produção. Já as feministas queriam uma
abordagem que incluísse tanto uma opressão de sexos quanto
uma opressão de classes.
Para explicar por que as mulheres (ao contrário dos homens)
possuem interesses que estão em conflito com o capitalismo, as feministas
tiveram de ir além de Engels em suas análises. Elas desenvolveram uma
'teoria do patriarcado' — do capitalismo masculino —,
segundo a qual as mulheres eram oprimidas pela cultura masculina por meio dos
mecanismos criados pelo capitalismo. Tal teoria está em nítido contraste
com as análises anteriores que diziam que as oportunidades geradas pelo livre mercado
eram o remédio social para as mulheres culturalmente oprimidas pelo preconceito
ou pelo privilégio masculino.
Em termos mais explícitos, como funciona este remédio? Um
empregador quer maximizar seus lucros sobre cada $ gasto. Isto cria um
forte incentivo para que ele leve em conta apenas o mérito de um empregado,
desconsiderando por completo sua cor, etnia, religião ou sexo. Tudo o que
importa é a produtividade do empregado. Uma mulher capacitada, que aceitar
trabalhar por, digamos, um salário $100 menor que o de um homem similarmente
capacitado, irá conseguir o emprego. Se ela não conseguir, então aquele
concorrente isento de preconceitos, que possui um estabelecimento logo ali na
esquina, irá contratá-la, e o empregador preconceituoso irá perder sua vantagem
competitiva.
Quando esta dinâmica ocorrer em escala maciça, as mulheres
trabalhadoras serão crescentemente capazes de exigir salários continuamente
maiores, reduzindo esta diferença de $100. Este fator
"equalizador" não se manifesta de imediato, e não ocorre
perfeitamente. Porém, com o tempo, movidos pelo interesse próprio, os
empregadores tenderão a se tornar indiferentes a raça e gênero, pois é do
interesse deles. Eles farão isso em busca do lucro, e todos se
beneficiarão.
Feministas que se opõem a este processo de equalização não estão
defendendo a igualdade por si só; elas estão defendendo uma igualdade que
existe somente de acordo com os termos que elas consideram "justos" e
"corretos". Suas objeções à Revolução Industrial não são
empíricas, mas ideológicas.
Assim como elas não gostam das vozes das mulheres dos séculos
XVIII e XIX que correram para as fábricas, elas também rejeitam tudo que o
livre mercado está dizendo sobre seu desejo de igualdade.
Conclusão
Não importa se a "difamação" se deve a uma distorção dos
fatos ou à imposição de uma ideologia; o fato é que a Revolução Industrial
deveria processar a história por calúnia. Ou, mais especificamente,
deveria processar a maioria dos historiadores.
Jocosidades à parte, e sem desconsiderar as injustiças que
inevitavelmente ocorrem durante qualquer período, a Revolução Industrial
estabeleceu a liberdade com a qual as pessoas se tornaram tão acostumadas, que
até passaram a tratar a liberdade com desrespeito. Talvez o redentor da
reputação da Revolução Industrial venha a ser a inegável prosperidade que ela
criou.
Atualmente, a prosperidade parece ser algo mais respeitado do que
a liberdade, muito embora ambas sejam inextricavelmente relacionadas.
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