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15 novembro 2022

Dumazedier e a preguiça (1º/10/1980, Páginas Amarelas de VEJA)

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Entrevista com Joffre Dumazedier, sob o título A defesa da preguiça, reportagem de Marília Pacheco Fiorillo, há 32 anos, nas Páginas Amarelas, da Revista Veja, do dia 1º de outubro de 1980.

Professor da Sorbonne há vinte anos, Dumazedier acha que o futuro será traçado não pelo trabalho, mas, sim, pelo lazer
Por Marília Pacheco Fiorillo[1]


Na Antiguidade clássica, o trabalho era tido como tão pouco nobre que praticamente só os escravos se ocupavam dele. Continuou assim pela Idade Média e Renascimento, quando o filósofo Thomas Morus acenou pela primeira vez com o sonho de reduzi-lo a apenas seis horas diárias, em sua "Utopia". Foi só com o surgimento das primeiras chaminés e estradas de ferro, na aurora da sociedade industrial, que o trabalho conquistou pela primeira vez o título de cidadania  para, depois, ir sendo progressivamente tratado, como um dos valores mais respeitados da atividade humana. Joffre Dumazedier, 64 anos, há vinte titular da cadeira de Sociologia do Lazer na Sorbonne de Paris, começou a se interessar pelo tema em seus tempos de partisan durante a II Guerra Mundial, quando se dedicava a "grupos de educação popular" entre a população simples do interior da França. Foi então que acredita ter feito uma dupla descoberta. 
A primeira é que o lazer, desde a redução da jornada fabril a oito horas, após a I Guerra Mundial, se tornou "mais importante para o trabalhador que qualquer outro aspecto de sua vida". A segunda é que há um século e meio toda a civilização está mergulhada em uma avassaladora mística do trabalho, mais forte que qualquer fronteira ideológica ou nacional. Desde a primeira metade do século XIX, observa Dumazedier, as sociedades vêm sendo regidas por um verdadeiro culto de adoradores da labuta, que hoje se difunde dos saguões das empresas privadas aos cartazes desenvolvimentistas dos países socialistas.
Para Dumazedier, a sociedade caminha rumo a uma civilização do lazer, em que o tempo livre das obrigações profissionais tende a ser “o tempo estratégico” da vida da coletividade. Um tempo estratégico que ele, pessoalmente, parece utilizar muito pouco, pois trabalha compulsivamente – em sua passagem por São Paulo, há poucos dias, andou sempre numa roda-viva, entre idas e vindas de conferências ao quarto do hotel, onde a TV sempre ligada se mistura a dezenas de livros e rascunhos espalhados sobre a mesa.

A mística do trabalho
já não tem razão

VejaO senhor costuma dizer que o lazer, hoje em dia, ocupa o lugar anteriormente reservado ao trabalho, do ponto de vista de um sistema de valores. Como é isso?
Dumazedier – O trabalho é ainda a primeira necessidade humana, mas uma necessidade puramente objetiva. O que está mudando é a importância do valor “trabalho” na vida das pessoas – sejam operários, colarinhos brancos[2] ou executivos. Aquela antiga mística do trabalho, endossada de Adam Smith e Marx, do pensamento católico a Max Weber, já não tem razão de ser. A ideia do trabalho como a essência da humanidade correspondia a uma sociedade industrial nascente.
Veja – Mas o lazer não é ele mesmo um filho da sociedade industrial?
Dumazedier – Sem dúvida, mas ele é o filho de um paradoxo miraculoso dessas sociedades, um paradoxo com que nossos ancestrais não ousavam sequer sonhar – o de que se pode produzir cada vez mais trabalhando cada vez menos. E esse milagre diz respeito não só às sociedades de economia privada como àquelas de economia coletivizada, como a União Soviética[3]. Por exemplo, há um século e meio atrás, o trabalho operário médio era de cerca de 4.000 horas anuais – hoje[4], em qualquer sociedade de economia avançada, e mesmo nas zonas mais urbanizadas das sociedades em via de desenvolvimento, trabalha-se a metade, cerca de 2.000 horas por ano. Isso fez com que as pessoas passassem a dar uma importância inédita, em suas vidas, ao tempo livre.
Veja – O trabalho não continua a ser o grande elemento civilizatório, do qual depende inclusive a riqueza necessária para se poder consumir o lazer?
Dumazedier – Que o trabalho cria riqueza, e com isso paga o lazer, é um lugar-comum[5]. Agora, dizer que ele é ainda a base da civilização é outra história. Se se entende a civilização como um sistema de valores, como uma maneira de realizar a personalidade individual e coletiva, então qual é a função civilizatória de uma atividade que, para a grande maioria das pessoas, interessa muito pouco? Posso dizer que o lazer é fruto do trabalho da mesma maneira que um filho é fruto do pai. O pai, na vida do filho, é sempre um elemento de conflito, de rejeição[6].
Veja – Há certos economistas, Alvin Toffler[7]por exemplo, que creem que trabalho e lazer são atividades que tendem a mudar no futuro e exemplificam isso com o aumento do trabalho profissional realizado em casa.
Dumazedier – Toffler[8], na verdade, é mais um desses profetas que falam demais, um tipo, aliás, que prolifera na atualidade – uma espécie de McLuhan[9] da economia, que teve um dia uma bela ideia, mas só uma ideia, e dela tirou um sistema. Não digo que ele não seja um sujeito sério, mas tem a seriedade dos poetas. Deve-se procurar em seus textos não o argumento científico, que não existe, mas o prazer da fantasia. Deve-se ler Toffler[10] como se liam os testemunhos de Jeová ou como se leem as homilias de João Paulo II.
Veja – E, quando se trata de um indiscutível homem de ciência, como J. K. Galbraith[11]para quem essa ideia de uma sociedade tendente ao lazer não passa de pura piada?
Dumazedier – Conheço bem Galbraith[12] e tive chance de discutir isso com ele numas férias que passamos juntos. A questão é que existem três Galbraith: o embaixador kennediano, o ensaísta que escreve maravilhosamente e, em último lugar, o economista. Agora, resta saber qual desses três egos se pronunciou assim.
A esquerda deveria
refletir mais

Veja – De que maneira se poderia pensar numa sociedade do lazer nos países subdesenvolvidos que precisam trabalhar duramente para sair do subdesenvolvimento?
Dumazedier – Não acredito em lazer nacional, mas em hábitos de recreação que variam de classe para classe, de ambiente para ambiente. Eu, por exemplo, estou muito mais próximo de meus amigos paulistanos que de um camponês da Normandia[13]. Dá-se o mesmo entre países socialistas e capitalistas. Se você toma um país como os Estados Unidos e outro como a Bulgária[14], os Estados Unidos ganham a parada unicamente porque estão mais bem equipados culturalmente. O que conta não são questões de regime, de ideologias, mas o nível de desenvolvimento das forças produtivas. É impossível falar de Brasil, por exemplo. O que é o Brasil? É uma cidade como São Paulo ou um vilarejo nordestino? De qualquer maneira, se comparamos duas sociedades de desenvolvimento tecnológico análogo, uma socialista e outra capitalista, a socialista tende a ter uma política cultural mais autoritária. Pode-se mesmo dizer que há um abismo entre a política oficial do regime e as práticas culturais de certos grupos, como a juventude. Tanto que se vê como um jovem russo acaba afrontando as autoridades por vestir um jeans ou ouvir rock, e não se tem notícia de que algum universitário paulista ou parisiense tenha logrado efeito semelhante ao sair pelas ruas fantasiado de moscovita.
Veja – O tempo liberado para o lazer aumentou nos países comunistas na mesma proporção dos países capitalistas?
Dumazedier – Insisto em dizer que isso depende do grau de desenvolvimento das economias em cada país. Na Polônia, por exemplo, que não é o país socialista de economia mais arejada, uma das grandes reivindicações desta última greve[15] foi a semana de quarenta horas – mesmo quando se sabe que estado atual da economia polonesa exigiria um trabalho médio de sessenta horas.
Veja – E, nas chamadas “sociedades socialistas avançadas”, o tempo livre aumentou?
Dumazedier – Há uma fabulosa enquete, realizada em 1966 por um húngaro, Alexander Szalai, que havia sido preso por quatro anos no período estalinista e que levou cerca de dez anos levantando dados sobre o tempo livre em doze países, de Cuba ao Peru, da Checoslováquia[16] à URSS: uma das conclusões dessa pesquisa é que a mulher trabalhadora que dispõe de menos tempo livre, no mundo inteiro, em países socialistas ou capitalistas, é a mulher russa. Ela trabalha duas horas a mais por dia que sua companheira francesa e americana, em profissão semelhante. Agora, se você se lembra de que cerca de 90% das russas trabalham, cifra que nos Estados Unidos é de 40% e na França nem chega a isso, você se vê diante de um fato surpreendente[17]. A esquerda deveria refletir mais sobre isso – e falo dessa maneira porque me considero um homem de esquerda, a esquerda sempre foi minha família espiritual.
Veja A que se deve essa situação da trabalhadora russa?
Dumazedier – Minha hipótese é de que os regimes políticos podem promover algumas mudanças, mas dificilmente mudam certos hábitos. E o patriarcado, na Rússia, malgrado os discursos oficiais, continua fortíssimo. A mulher que trabalha fora, lá, provavelmente carrega o mesmo antigo fardo das tarefas domésticas. Mas esse não é o único fato chocante. Outro, ainda maior, é o de que a sociedade soviética ainda esteja fundada na velha mística da devoção ao trabalho, na doutrina do amor ao trabalho. Ora, numa enquete recente entre trabalhadores russos, na qual se perguntava qual o aspecto de suas vidas que eles consideravam prioritário, apenas 7% apontaram o trabalho em primeiro lugar. É isso que a esquerda não vê. A esquerda parisiense, por exemplo, fica opondo discurso contra discurso, maoistas versus leninistas, mas jamais se debruça sobre o real.
O ócio fundamental[18]
para a política

Veja Nos países socialistas esse tempo livre é utilizado com mais frequência para práticas políticas?
Dumazedier – Há muita gente, creio que a maioria, que participa de reuniões sistemáticas. Agora, o lazer é uma atividade voluntária. A única coisa que posso afirmar com segurança é que, trate-se da Bulgária ou Peru, Cuba ou França, mais de 95% do tempo liberado do trabalho profissional e doméstico é gasto exclusivamente em recreação – nada de política, só lazer.
Veja Então, esse tempo de lazer seria “o tempo-chave” na vida das pessoas?
Dumazedier – O lazer é o tempo estratégico da modernidade. Enquanto não se fizer a revolução do lazer, a mudança dos costumes continuará sendo uma questão abstrata. De que adiantam discursos inflados de civismo, patriotismo, socialismo, se a pessoa sai do trabalho ou escola e entra em uma outra vida? É um pouco como o mito de Penélope, que teria um manto de dia para descosturá-lo à noite. O lazer é a noite, que tem o poder de desfazer tudo o que foi tecido durante o dia.
Veja O lazer, em sua visão, é sobretudo uma questão política?
Dumazedier – Só os ingênuos ainda acham que o tempo dedicado à recreação, ao ócio, ao descanso, não é fundamental para a política. Porque nesse espaço da vida dos indivíduos não só se criam valores e relações sociais específicas como também podem ser criados valores em conflito aberto com os do mundo do trabalho. Aliás, onde é que os trabalhadores fazem seu maior investimento afetivo? Nunca é no trabalho, nem mesmo em países onde se tentaram experiências autogestionárias, como na Iugoslávia. Sabe-se hoje que a autogestão – praticada por uma geração e meia de socialistas e estudada por centenas de especialistas – nunca interessou mais que 20% da classe operária iugoslava. E todos continuam a preferir a palavra “autogestão” como se ela tivesse poderes mágicos. Eu mesmo me considero um autogestionário, mas sem ilusões.

A mulher pede mais
tempo para si

Veja Que mudanças político-culturais já são visíveis a partir do aumento do tempo de lazer?
Dumazedier – Mais importante que o crescimento estatístico do tempo livre é a mutação de valores que ele traz, como a liberação de certas aspirações antes reprimidas. É o caso da recusa crescente de relações funcionais, como as familiares, e a procura de outro tipo de contato entre os indivíduos, de natureza mais selvagem, antiinstitucional. Temos o movimento feminista, os grupos ecológicos, organizações de velhos – o chamado movimento da “terceira idade”. Veja o caso do movimento feminista: há uma grande diferença entre o feminismo de Simone de Beauvoir, que é da minha geração, e o feminismo de Kate Millet: se antes se reivindicavam direitos iguais de trabalho e participação política, hoje o que se pede é que a mulher tenha mais tempo para si mesma, para os assuntos de seu interesse. E isso está nas ruas: é a mulher de classe média que quer ter seus amigos, e não só amigos do marido, viajar sozinha, ou a mulher de uma camada mais baixa que não abre mão de sua hora e tanto de conversa com a amiga no mercado, à semelhança do que seu marido vem fazendo há decênios nos bares.
Veja Mesmo entre os jovens?
Dumazedier – Presenciei uma greve de estudantes secundários em Montreal, há pouco tempo. Eram garotos de 15, 16 anos, e saíram às ruas para exigir quinze dias de férias a mais. Faziam essa greve contra os professores e os pais – e acabaram ganhando.
Veja Entre os hábitos mais frequentes de lazer, quais o senhor considera os dominantes, atualmente?
Dumazedier – TV e esporte, sem dúvida. As viagens também têm crescido enormemente, os passeios a pé, jornadas de reencontro com a natureza.
Veja Não haveria uma discrepância fundamental, em matéria de lazer, entre os hábitos das camadas populares e os das camadas mais altas?
Dumazedier – Depende. No caso do consumo da televisão, provavelmente um professor universitário não liga o mesmo canal que um operário da Volkswagen – ou, se liga, não recebe a emissão exatamente da mesma maneira. Mas é só isso. Pesquisas do mundo inteiro confirmam que o aparelho de TV fica ligado, no mínimo, quinze horas por semana[19]. E isso vale tanto para as favelas cariocas como para os quarteirões chiques de Paris.
Veja O senhor concorda com as críticas de que a TV promoveu uma falsa democratização da cultura, igualando o consumo entre classes pelo rebaixamento da qualidade do produto?
Dumazedier – Ao contrário. Se antes só um punhado de gente ia ao Ópera, hoje milhares de pessoas podem assistir à “Cármen” pela TV. Não há nada de falso nessa democratização – a música de Bizet é a mesma, o libreto é o mesmo, a única coisa que muda é a presença ou não de audiência. Para os aficionados das noitadas da ópera, faz diferença. Para intelectuais elitistas, como Adorno, também. Talvez para uma centena de pessoas no Brasil. Mas, para a maioria, só pode valer a pena.
Veja Como fica a questão do lazer numa época de crise econômica, como essa, em que o desemprego se acentua?
Dumazedier – Respondo com o resultado de um estudo feito recentemente sobre o consumo de férias por operários europeus desde o início da crise econômica: diminuíram os quilômetros rodados, a distância dos locais de férias e mesmo o número de dias de férias, mas as cifras continuam confirmando que três quartos da classe operária francesa continuam a tirar férias e preferem privar-se de outras vantagens a abrir mão de sua temporada fixa de lazer. Essa história de que hoje é momento de se pensar no pão, e não no sonho, é mais uma das eternas tiradas da esquerda. Como se a necessidade de pão suprimisse aquela de sonho...
Veja A que o senhor atribui o ainda escasso interesse da comunidade intelectual pelo lazer?
Dumazedier – Todos os estudos de economistas e sociólogos sérios confirmam que o lazer cresce em importância e extensão. Na Europa e nos Estados Unidos, em plena crise, os sindicatos continuam a se bater pela semana de 35 horas. E o tempo extra que esses operários reivindicam é para quê? Não será para a instrução popular, como previa Marx, ou para uma formidável participação política de massas, como queria Engels, ou para um incremento na vida espiritual, como pretendem os padres. É apenas para mais lazer. Mas o velho carnaval ideológico continua a encobrir essas questões. Muitas vezes o entusiasmo político nos leva a abandonar a lucidez.


Só a minoria faz do
trabalho lazer

Veja E os que afirmam que o lazer, na sociedade contemporânea, só tende a aumentar a alienação?
Dumazedier – Era o caso de Marcuse, por exemplo, mas Marcuse sempre foi um pensador utópico, nunca um cientista. Ele imaginava que o trabalho poderia transformar-se em fonte de prazer, na sociedade socialista perfeita... Mas está mais que comprovado que na França nem mesmo 20% dos trabalhadores sentem qualquer espécie de gratificação com as tarefas que executam. Só uma ínfima minoria faz do trabalho seu lazer: uns poucos artistas, criadores, inventores – excetuando-se o equívoco da datilógrafa que pensa amar o trabalho porque está caída pelo chefe.
Veja Então o profeta do futuro seria Paul Lafargue, o genro de Marx que defendia para a classe operária o “direito à preguiça”?
Dumazedier – Embora minha formação seja marxista, sempre estive mais próximo e Lafargue que de seu sogro e companheiro Karl Marx, mesmo porque creio que o futuro do socialismo se decidirá fora do trabalho – e não dentro. Dizem que Lafargue se sentia seduzido pelo ócio porque era um homem das Caraíbas, amante do sol e do dolce far niente. Não creio nessas psicologias dos povos: afinal, Fidel Castro também é um homem das Caraíbas, e trabalha por quatro.



[1] Quer fazer o download da Entrevista, nas 3 páginas amarelas da Revista Veja? Pegue AQUI, AQUI e AQUI.
[2] Colarinho branco é um termo informal que se refere a um profissional assalariado ou a um profissional ensinado a executar tarefas semi-profissionais. Estas tarefas são administrativas, burocráticas ou de gerenciamento, opondo-se às do "colarinho azul", cujo trabalho requer emprego de mão-de-obra física.
Fonte: Wikipedia, acesso em 02/08/2013, 13h21 (de João Pessoa, Paraíba, Brasil).
[3] Dissolvida oficialmente em 31 de dezembro de 1991. Usávamos, no Brasil, a sigla URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, para nos referir ao país.
Fonte: Wikipedia, acesso em 02/08/2013, 13h48.
[4] Isto é: 1º de outubro de 1980.
[5] lugar-comum. s. m. 1. Trivialidade. 2. Ideia já muito batida. 3. Expressão ou frase usada vulgarmente. 4. Frase feita.
Fonte: Dicionário PRIBERAM da Língua Portuguesa. Acesso em 02/08/2013, 13h54.
[6] Dumazedier estaria se referindo ao livro Totem e Tabu de Freud, ao tratar do Complexo de Édipo? Sei lá. Já diz o jornalista Tião Lucena: “Eu aumento, mas não amamento”. O jornalista Nelson Rubens diz “Eu aumento, mas não invento”.
[7] Alvin Toffler, que escreveu no seu livro O Choque do Futuro que “O homem tem uma capacidade biológica limitada para mudança. Quando essa capacidade é ultrapassada, ele entra em choque com o futuro”.
[8] Alguma coisa dele na Wikipedia, acesso em 02/08/2013, 14h25.
[9] Alguma coisa dele na Wikipedia, acesso em 02/08/2013, 14h26.
[10] Entrevista de Alvin Toffler à Revista Veja, em 15 de outubro de 2013. Download Folha 01, Folha 02 e Folha 03.
[11] Alguma coisa dele na Wikipedia, acesso em 02/08/2013, 14h50.
[12] Entrevista de John Kenneth Galbraith à Revista Veja, em 15 de dezembro de 2004. Download Página 01, Folha 02 e Folha 03.
[13] Região do NO da França, próxima ao Canal da Mancha. A Normandia foi palco de uma grande batalha na 2ª Guerra Mundial. Vídeo: A Invasão da Normandia.
[14] O Governo comunista terminou em 1990.
[15] Greve que teve como um dos principais líderes Lech Walesa.
[16] Em 1º de janeiro de 1993, a Checoslováquia foi dividida em duas por decisão parlamentar, no que foi conhecido por Separação de Veludo, por seu caráter pacífico. Surgiram dois novos países da fusão: República Tcheca e Eslováquia.
[17] No Brasil, a população feminina ativa no mercado de trabalho passou de 32,9% em 1981 para 52,7% em 2009. Em 1980 era de 27% da população. Fonte: IPEA.
[18] Para o ÓCIO, há o livro “O Ócio Criativo”, de Domenico de Masi. Ele também palestrou no Programa Roda Viva, em 1999 (AQUI) e em 2013 (AQUI).
[19] Levantamento do IBOPE informa que o brasileiro ficou, em 2011, 5h28’ diante do televisor. O que dá 38h16’ por semana. Fonte: Notícias R7.

04 setembro 2018

A Revolução Industrial, as mulheres e as minorias: como a ideologia suprimiu a realidade

Por causa da distorção dos fatos, a Revolução Industrial deveria processar a história por calúnia



Um mito altamente destrutivo passou a dominar o debate sobre o capitalismo: a falsa noção de que o livre mercado prejudica os "vulneráveis" dentro da sociedade. Mais especificamente, afirma-se que o capitalismo afeta mulheres e crianças ao cruelmente explorar sua mão-de-obra. Mas a verdade é exatamente oposta. 
O capitalismo oferece exatamente aquele elemento de que os vulneráveis mais necessitam para sobreviver e prosperar: a liberdade de escolha. A escolha mais libertadora que um indivíduo pode ter é a capacidade de se sustentar a si próprio, sem ter de depender de ninguém mais para que a comida chegue à sua boca.
Utilizando este mito como pressuposição inicial, os historiadores sempre se mostraram extremamente hostis ao analisarem um dos mais libertadores fenômenos da história ocidental: a Revolução Industrial. Do século XVIII ao século XIX, o mundo avançou acentuadamente em termos de tecnologia, indústria, transporte, comércio e inovações que mudaram o padrão de vida, como roupas de algodão feitas a baixo custo. Em um período de dois séculos, estima-se que a renda mundial per capita tenha aumentado dez vezes, e a população mundial, seis vezes. 
O economista prêmio Nobel Robert Lucas declarou que "Pela primeira vez na história, o padrão de vida das massas formadas por cidadãos comuns começou a apresentar um crescimento contínuo e constante. [...] Nada remotamente parecido com este fenômeno econômico havia acontecido até então." 
O acentuado avanço da prosperidade e do conhecimento havia sido alcançado sem nenhuma engenharia social e sem nenhum controle centralizado. Tudo foi possível em decorrência de se ter permitido que a criatividade humana e o interesse próprio se manifestassem livremente.
Certamente ocorreram abusos. Alguns podem ser imputados às tentativas governamentais de se aproveitar da energia e dos lucros daquele período. Outros abusos ocorreram simplesmente porque toda sociedade possui pessoas desumanas e amorais que agem de má fé, especialmente quando querem lucro fácil; isto, obviamente, não é uma crítica à Revolução Industrial, mas sim à natureza humana. 
Adicionalmente, os avanços econômicos foram amplamente maiores que as mudanças nas atitudes culturalmente vitorianas. No século XVIII, mulheres e crianças eram vistas como cidadãos de segunda classe e, algumas vezes, como bens e posses que podiam ser livremente trocados. A revolução econômica foi o motor que impeliu a cultura e as leis a sofrerem mudanças similarmente drásticas. Quando as mulheres deixaram os campos em busca de emprego e educação, elas se tornaram uma força social que não mais podia ser negada. Consequentemente, os direitos das mulheres avançaram extraordinariamente durante o final do século XIX, algo que não teria ocorrido não fosse a Revolução Industrial.
Até o século XVIII, não havia oportunidades para o trabalho feminino. Com as máquinas implantadas pela Revolução Industrial, as habilidades humanas mudaram de valor. O capital deixou o trabalho menos braçal e mais intelectual, permitindo que as mulheres compensassem com neurônios o que lhes faltava em musculatura. Por ser mais produtivo que o trabalho rural, a renda dos trabalhadores industriais superou a renda do campo. Foi a Revolução Industrial quem dinamizou o processo de emancipação econômica das mulheres.
Infelizmente, esta ligação salutar entre capitalismo e direitos das mulheres se perdeu ao longo do tempo. Durante a segunda metade do século XX, as feministas ortodoxas começaram uma cruzada para reverter esta força que havia contribuído tão acentuadamente para o progresso nos direitos das mulheres. Em vez de defenderem a liberdade de mercado, elas passaram a exigir, em nome da "igualdade", que vários privilégios para as mulheres se tornassem leis
O livre mercado passou a ser demonizado como uma ferramenta opressora que tinha de ser combatida por meio de ações afirmativas, leis contra assédio sexual, ações judiciais contra qualquer tipo de discriminação, sistemas de cotas e uma miríade de outras regulações sobre o mercado de trabalho.
Em meio a este processo, a Revolução Industrial passou a ser retratada como o Grande Satã que destruiu o bem-estar de mulheres e crianças. Esta descrição da Revolução Industrial, além de ser um simplório preconceito ideológico, se baseou fortemente na deturpação dos fatos.
Deturpando fatos sobre as crianças
Sempre que os termos "crianças" e "Revolução Industrial" são citados na mesma frase, imagens horrendas imediatamente vêm à mente: uma criança de cinco anos sendo baixada, por meio de uma corda, em uma mina de carvão; crianças esqueléticas trabalhando precariamente em fábricas têxteis; o Oliver Twist, de Charles Dickens, oferecendo uma jarra de madeira em troca de uma colher de mingau. 
Estas imagens são normalmente utilizadas para condenar o capitalismo e a Revolução Industrial. Em algumas ocasiões, elas são utilizadas para glorificar políticos "humanitários" que criam leis proibindo qualquer tipo de trabalho infantil. Elas são extremamente eficazes em incitar um compreensível horror naquelas pessoas decentes que condenam qualquer exploração de qualquer criança. O problema é que este procedimento sofre de graves distorções.
Uma das distorções é que tal procedimento ignora uma distinção essencial. No início do século XIX, a Grã-Bretanha apresentava duas formas de trabalho infantil: crianças livres e crianças "pobres" ou dos reformatórios, que eram entregues aos cuidados do governo. 
Os historiadores J.L. e Barbara Hammond, cuja obra sobre a Revolução Industrial Britânica e o trabalho infantil é considerada definitiva, reconheceram esta distinção. O economista Lawrence Reed, em seu ensaio "Child Labor and the British Industrial Revolution", foi ainda mais adiante e enfatizou a importância desta distinção. Escreveu ele:
Crianças livres moravam com seus pais ou guardiões e trabalhavam durante o dia em troca de salários acordados com seus adultos responsáveis. Mas os pais frequentemente se recusavam a enviar seus filhos para situações de trabalho excepcionalmente severas ou perigosas. [...] Os proprietários das fábricas não podiam subjugar violentamente essas crianças livres; eles não podiam obrigá-las a trabalhar em condições que seus pais julgassem inaceitáveis.
Em contraste, as crianças dos reformatórios estavam sob a autoridade direta de funcionários do governo. Reformatórios já existiam há séculos, mas a empatia pelos oprimidos já havia sido arrefecida pelo fato de que os impostos criados exclusivamente para aliviar a situação dos pobres já estavam, em 1832, cinco vezes mais altos do que em 1760, quando foram criados. (O livro de Gertrude Himmelfarb, The Idea of Poverty, faz uma narração cronológica desta mudança de atitude em relação aos pobres, da compaixão à condenação).
Em 1832, em parte a pedido de industriais ávidos por mão-de-obra, a Comissão Real Para a Lei dos Mais Pobres começou uma pesquisa sobre o "funcionamento prático das leis para o alívio da pobreza". Seu relatório dividiu os pobres em duas categorias básicas: pobres preguiçosos que recebiam ajuda do governo e pobres trabalhadores que se sustentavam a si próprios. O resultado foi a Lei dos Pobres de 1834, em nome da qual o estadista Benjamin Disraeli fez anúncios dizendo que "a pobreza é um crime".
A Lei dos Pobres substituiu a ajuda fornecida por terceiros (subsídios e esmolas) por "abrigos para pobres", nos quais as crianças pobres ficavam virtualmente aprisionadas. Lá, as condições eram propositalmente severas, exatamente para desincentivar as pessoas a mandarem seus filhos para lá (para funcionários públicos, mais trabalho é mais estorvo).
Praticamente todas as comunidades da Grã-Bretanha apresentavam um "grande estoque" de crianças abandonadas em reformatórios, as quais passaram a ser virtualmente compradas e vendidas para as fábricas; estas sim vivenciaram os maiores horrores do trabalho infantil.
Considere a desprezível função do "carniceiro" nas fábricas têxteis. Tipicamente, "carniceiros" eram crianças novas — de aproximadamente 6 anos de idade — que recuperavam, embaixo das máquinas, algodão que havia se desprendido durante os processos de produção. Como as máquinas estavam em funcionamento, este trabalho era extremamente perigoso e, como consequência, terríveis ferimentos eram totalmente comuns. "Felizmente" para aqueles donos de fábricas dispostos a usar o aparato do estado em benefício próprio, o governo não tinha problema algum em enviar as crianças dos reformatórios para trabalhar embaixo das máquinas em funcionamento. A maioria das crianças das comunidades tinha como alternativa a este trabalho morrer de fome ou viver na criminalidade.
Não é nenhuma coincidência que o primeiro romance sobre a Revolução Industrial publicado na Grã-Bretanha tenha sido Michael Armstrong: Factory Boy. Michael era um aprendiz de uma agência para crianças pobres que foi mandado para as fábricas. Também não é coincidência que Oliver Twist não era abusado por seus pais ou por agentes privados, mas sim por brutais funcionários públicos dos reformatórios, em comparação aos quais o antagonista Fagin era praticamente um humanitário. Vale lembrar que, aos 12 anos de idades, com sua família na prisão, Dickens havia sido ele próprio uma criança pobre que trabalhava em uma fábrica. O economista Lawrence Reed observa que "a primeira lei na Grã-Bretanha voltada para crianças de fábricas foi criada para proteger exatamente estas crianças de reformatórios, e não as crianças 'livres'". A lei mencionava isso de maneira explícita.
Logo, ao defender a regulamentação da mão-de-obra infantil, os reformistas sociais pediram ao governo para remediar abusos pelos quais o próprio governo era o responsável. Mais uma vez, o governo era a doença que se fingia de cura.
Ideologia equivocada em relação às mulheres
A distorcida apresentação dos fatos no que diz respeito ao trabalho infantil e à Revolução Industrial só encontra paralelos na distorcida ideologia pela qual se analisa o status da mulher. 
É perfeitamente possível argumentar que as mulheres foram as principais beneficiárias econômicas da Revolução Industrial.  sto se deveu majoritariamente à sua baixa condição econômica no período anterior à Revolução. Elas simplesmente tinham mais a ganhar do que os homens.
Quando as mulheres tiveram a oportunidade de abandonar a vida rural em busca dos salários das fábricas e de trabalho doméstico, elas invadiram as cidades em quantias sem precedentes. Para a nossa atual vida moderna, em que estamos já acostumados com todos os luxos criados pelo capitalismo, as condições de vida e de trabalho eram obviamente terríveis, com várias mulheres recorrendo à prostituição como ocupação secundária, tudo para manter um teto sob suas cabeças. No entanto, por mais terríveis que as condições possam ter sido, um fato fundamental não pode ser ignorado: as próprias mulheres acreditavam que ir para as cidades era algo vantajoso — caso contrário, elas jamais teriam feito a jornada ou simplesmente retornariam à vida rural desencantadas. 
Dizer que o trabalho industrial "prejudicou" as mulheres dos séculos XVIII e XIX é ignorar a preferência que elas próprias demonstraram e expressaram; é ignorar a voz de suas escolhas. Claramente, as mulheres da época acreditavam que tal situação era um aprimoramento de suas atuais condições.
Uma substantiva fatia do historicismo feminista nada mais é do que uma tentativa de ignorar as vozes de mulheres que de fato fizeram suas escolhas à época. Um método comum de se fazer isso é reinterpretar a realidade que cercava as escolhas e, então, impor esta reinterpretação de modo a fazer com que as "escolhas" não mais aparentem ter sido voluntárias, mas sim coagidas.
(É claro que as mulheres dos séculos XVIII e XIX tinham escolhas severamente limitadas e podiam apenas escolher a melhor opção entre várias ruins. No entanto, isso é muito diferente de dizer que o trabalho industrial representava um retrocesso, uma coerção pior do que a vida rural.)
Uma obra essencial para se compreender a análise histórica da Revolução Industrial feita à luz do feminismo é a imensamente influente The Origin of the Family, Private Property and the State, de Friedrich Engels, lançada em 1884. Engels argumenta que a opressão à mulher originou-se com o formato tradicional da família, mas ele próprio desdenha a noção de que a família por si só havia subordinado as mulheres ao longo da história. Em vez disso, ele firmemente coloca toda a culpa no capitalismo, o qual ele acreditava ter destruído o prestígio que as mulheres outrora usufruíam dentro da família.
Escreveu Engels,
Que a mulher era escrava do homem nos primórdios da sociedade é uma das idéias mais absurdas transmitidas pela filosofia do século XVIII. [...] As mulheres não apenas eram livres como também usufruíam uma posição altamente respeitada nos estágios iniciais da civilização, sendo o grande poder entre as tribos.
Portanto, as épocas anteriores à Revolução Industrial foram romantizadas como sendo um período em que as mulheres tinham grandes poderes. Engels alegava que a industrialização provocou uma separação entre o trabalho doméstico e o trabalho produtivo, separação esta que fez com que a injustiça que era o formato da família tradicional se ampliasse. Sendo assim, o trabalho feminino se tornou um importante, mas ainda assim secundário, aspecto da libertação da mão-de-obra humana rural para o alimento da máquina capitalista. Presumivelmente, os inegáveis avanços gerados pela Revolução Industrial para as mulheres — incluindo-se um aumento na expectativa de vida e vários direitos políticos — foram adquiridos a um custo extremamente elevado.
A análise de Engels, no entanto, apresentava um problema para as feministas. Ele pressupôs que os homens não tinham nada a ganhar ao exercer poder sobre as mulheres, pois Engels analisava os seres humanos em termos de suas afiliações de classes — isto é, sua relação com os meios de produção. Já as feministas queriam uma abordagem que incluísse tanto uma opressão de sexos quanto uma opressão de classes
Para explicar por que as mulheres (ao contrário dos homens) possuem interesses que estão em conflito com o capitalismo, as feministas tiveram de ir além de Engels em suas análises.  Elas desenvolveram uma 'teoria do patriarcado' — do capitalismo masculino —, segundo a qual as mulheres eram oprimidas pela cultura masculina por meio dos mecanismos criados pelo capitalismo. Tal teoria está em nítido contraste com as análises anteriores que diziam que as oportunidades geradas pelo livre mercado eram o remédio social para as mulheres culturalmente oprimidas pelo preconceito ou pelo privilégio masculino.
Em termos mais explícitos, como funciona este remédio? Um empregador quer maximizar seus lucros sobre cada $ gasto. Isto cria um forte incentivo para que ele leve em conta apenas o mérito de um empregado, desconsiderando por completo sua cor, etnia, religião ou sexo. Tudo o que importa é a produtividade do empregado. Uma mulher capacitada, que aceitar trabalhar por, digamos, um salário $100 menor que o de um homem similarmente capacitado, irá conseguir o emprego. Se ela não conseguir, então aquele concorrente isento de preconceitos, que possui um estabelecimento logo ali na esquina, irá contratá-la, e o empregador preconceituoso irá perder sua vantagem competitiva. 
Quando esta dinâmica ocorrer em escala maciça, as mulheres trabalhadoras serão crescentemente capazes de exigir salários continuamente maiores, reduzindo esta diferença de $100. Este fator "equalizador" não se manifesta de imediato, e não ocorre perfeitamente. Porém, com o tempo, movidos pelo interesse próprio, os empregadores tenderão a se tornar indiferentes a raça e gênero, pois é do interesse deles. Eles farão isso em busca do lucro, e todos se beneficiarão.
Feministas que se opõem a este processo de equalização não estão defendendo a igualdade por si só; elas estão defendendo uma igualdade que existe somente de acordo com os termos que elas consideram "justos" e "corretos". Suas objeções à Revolução Industrial não são empíricas, mas ideológicas. 
Assim como elas não gostam das vozes das mulheres dos séculos XVIII e XIX que correram para as fábricas, elas também rejeitam tudo que o livre mercado está dizendo sobre seu desejo de igualdade.
Conclusão
Não importa se a "difamação" se deve a uma distorção dos fatos ou à imposição de uma ideologia; o fato é que a Revolução Industrial deveria processar a história por calúnia. Ou, mais especificamente, deveria processar a maioria dos historiadores.
Jocosidades à parte, e sem desconsiderar as injustiças que inevitavelmente ocorrem durante qualquer período, a Revolução Industrial estabeleceu a liberdade com a qual as pessoas se tornaram tão acostumadas, que até passaram a tratar a liberdade com desrespeito. Talvez o redentor da reputação da Revolução Industrial venha a ser a inegável prosperidade que ela criou. 
Atualmente, a prosperidade parece ser algo mais respeitado do que a liberdade, muito embora ambas sejam inextricavelmente relacionadas.
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