Original latino: Phaedrus I, XXII. Mustela et Homo
Tradução para o português: Antônio Inácio de Mesquita Neves (Editora Átomo, 2ª edição)
Mustela ab homine prensa, cum instantem necem
effugere vellet, 'Parce, quaeso', inquit 'mihi,
quae tibi molestis muribus purgo domum'.
Respondit ille 'Faceres si causa mea,
gratum esset et dedissem veniam supplici.
Nunc quia laboras ut fruaris reliquiis,
quas sunt rosuri, simul et ipsos devores,
noli imputare vanum beneficium mihi'.
Atque ita locutus improbam leto dedit.
Hoc in se dictum debent illi agnoscere,
quorum privata servit utilitas sibi,
et meritum inane iactant imprudentibus.
Dum Homem presa, a Doninha
Como fugir pretendesse
À morte instante e mesquinha
Que talvez não merecesse,
Assim lhe fala: – "Que causa
Te induz a me maltratar,
Se para bem teu, sem pausa,
Limpo dos ratos teu lar?"
Ele então: – "Se o que tens feito
Fosse só por meu respeito,
Ser-me-ia muito agradável,
Rendendo à justiça preito,
Deixar-te livre, inviolável;
Mas, pois trabalhas atenta
Em gozares dos sobejos
Do que esses animalejos
Têm por costume roer,
Enquanto sempre sedenta,
Se um pilhas dos malfazejos,
Não te fartas de o comer;
Não suponhas que vãmente,
Para sustar teu exício,
Eu creia em teu benefício."
Assim falando, o inclemente
Trucida, esmaga a imprudente.
