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11 abril 2023

Inversão de valores


Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. (Filipenses 4:8)


Inversão de valores. 

Você já ouviu falar disso. Trata-se de uma filosofia de vida (ou de morte), em que pessoas subvertem a ordem natural, põem de cabeça para baixo valores milenares, considerados básicos, naturais, normais, aceitáveis, éticos pela civilização.
Não há dúvida que há desvios em atitudes exageradas, mas é mister saber o que é certo/errado, bonito/feio, aceitável/inaceitável, bom/ruim, sagrado/profano.

Ser honesto virou motivo de mofa[1]. What? Isso mesmo. O honesto é bobo, idiota, leso, otário e por aí vai. O sujeito tem que ser esperto (assim com S mesmo), ou seja: astuto, sagaz, malicioso. Não o experto (assim com X mesmo) da experiência, da perícia. Ele tem que levar vantagem em tudo. Se namora, tem que fazer de tudo para deitar com a moça. Do contrário, até ela sairá falando mal dele, diz um amigo.
Há bem pouco tempo ser donzela era o natural de uma jovem, ainda não casada, mas hoje a palavra virou xingamento: “Sai daí, donzela!” E todas riem. Até mentem, nas pesquisas. “Você já fez sexo?” Por medo de parecer desinteressante, afinal há algo errado nesta menina, poderão pensar, ela mente. “Sim, já fiz.”
Hamlet disse “O brave new world
Tha has such people in´t”, algo como “Ó admirável mundo novo, que possui gente assim”, que se tornou um livro muito interessante de Aldous Huxley (Admirável Mundo Novo). Sim, amigas e amigos, esta acaba sendo a frase dita ou pensada pelos mentores da nova era, da nova moralidade, de uma juventude transviada e, por falta de sentido na vida, de espiritualidade, deixam os hormônios fluírem sem freio, abafando o superego[2] com bebida, prazer e o menear de cabeça aprovativo dos próprios pais, muitas vezes.
Eu lamento. Como disse Renato Russo, na letra de uma das suas músicas:







[1] Escárnio, zombaria, mangação, troça, menosprezo.
[2] O superego, segundo a Psicanálise é a parte da psique que representa os valores morais da sociedade. Na verdade, é a parte do cérebro que trata da vergonha, um freio natural quando vemos que algo não é o certo. Quando o sujeito bebe bebida alcoólica, a primeira coisa que faz é perder a vergonha e fazer ou dizer coisas que jamais faria ou diria se estivesse sóbrio.  

16 dezembro 2014

DISCURSO DO PRESIDENTE DA RÚSSIA, VLADIMIR PUTIN.




Discurso efetuado por ocasião da Reunião do Clube de Discussão Internacional Valdai, em 24 de outubro de 2014, em Sochi.

Colegas, senhoras e senhores, amigos, é um prazer recebê-los para a reunião XI do Clube de Discussão Internacional Valdai.
Foi mencionado que o clube tem novos co-organizadores este ano. Elas incluem as organizações não-governamentais russas, grupos de especialistas e as melhores universidades. Foi, também, levantada a ideia de ampliar as discussões para incluir não apenas as questões relacionadas com a própria Rússia, mas também a política mundial e a economia.
A organização e o conteúdo vão reforçar a influência do clube como um importante fórum de discussão e de especialistas. Ao mesmo tempo, espero que o ‘espírito de Valdai’ permaneça — essa atmosfera livre e aberta e com a chance de expressar todos os tipos de opiniões muito diferentes e francas.
Deixe-me dizer a este respeito que eu também não vou desapontar vocês e vou falar diretamente e com franqueza. Algumas das coisas que eu disser podem parecer um pouco duras demais, mas se nós não falarmos diretamente e honestamente sobre o que realmente pensamos, então não vale a pena nos reunirmos desta forma. Seria melhor, neste caso, apenas manter os encontros diplomáticos, onde ninguém diz nada de verdadeiro sentido e, recordando as palavras de um diplomata famoso, você percebe que os diplomatas têm línguas, mas não para falar a verdade. Ficamos juntos por outras razões. Nós nos reunimos assim para falarmos francamente um com o outro. Precisamos ser diretos e francos, hoje, não para trocarmos farpas, mas a fim de tentar chegar ao fundo do que está realmente acontecendo no mundo, tentar entender por que o mundo está se tornando menos seguro e mais imprevisível e por que os riscos estão aumentando em todos os lugares à nossa volta. A discussão de hoje tomou lugar sob o tema: Novas Regras ou um Jogo Sem Regras. Eu acho que essa fórmula descreve com precisão o ponto de virada histórico a que chegamos hoje e a escolha que todos nós enfrentamos. Naturalmente, não há nada de novo na idéia de que o mundo está mudando muito rápido. Eu sei que isso é algo que vocês têm comentado nas discussões de hoje. Certamente é difícil não notar as transformações dramáticas na política mundial e na economia, na vida pública e na indústria, nas tecnologias de informação e sociais.
Deixe-me perguntar-lhes agora e peço que me perdoem se eu acabar repetindo o que alguns dos participantes da discussão já disseram. É praticamente impossível evitar. Vocês já realizaram discussões detalhadas, mas vou definir o meu ponto de vista. Ele vai coincidir com a opinião dos outros participantes em alguns pontos e divergir em outros.
Ao analisar a situação de hoje, não esqueçamos as lições da história. Primeiramente, as mudanças na ordem mundial — e o que estamos vendo hoje são eventos nessa escala — têm geralmente sido acompanhadas, se não de uma guerra e conflitos mundiais, por uma cadeia de intensos conflitos em nível local. Em segundo lugar, a política global é, acima de tudo, sobre a liderança econômica, questões de guerra e paz e a dimensão humanitária, incluindo os direitos humanos.
O mundo está cheio de contradições hoje. Precisamos ser francos em perguntar uns aos outros se temos uma rede de segurança confiável funcionando direito. Infelizmente, não há nenhuma garantia e não há certeza de que o atual sistema de segurança global e regional é capaz de nos proteger de convulsões. Esse sistema tornou-se seriamente enfraquecido, fragmentado e deformado. As organizações de cooperação internacional e regional políticas, econômicas e culturais também estão passando por momentos difíceis.
Sim, muitos dos mecanismos que temos para garantir a ordem mundial foram criados muito tempo atrás, inclusive e, sobretudo, no período imediatamente após a Segunda Guerra Mundial. Deixe-me enfatizar que a solidez do sistema criado naquela época não repousou apenas no equilíbrio de poder e os direitos dos países vencedores, mas no fato de que "os pais fundadores" desse sistema tiveram respeito um pelo outro, não tentaram colocar pressão sobre os outros, mas procuraram chegar a acordos.
A principal coisa é que este sistema necessita se desenvolver, e apesar de suas várias deficiências, precisa pelo menos ser capaz de manter os problemas atuais do mundo dentro de certos limites e regular a intensidade da concorrência natural entre os países.
É minha convicção de que não poderíamos tomar este mecanismo de freios e contrapesos que construímos ao longo das últimas décadas, às vezes com tal esforço e dificuldade, e simplesmente acabar com eles sem construir qualquer coisa em seu lugar. Caso contrário, ficaríamos sem nenhum outro instrumento além da força bruta.
O que precisávamos fazer era realizar uma reconstrução racional e adaptá-la às novas realidades no sistema das relações internacionais.
Mas os Estados Unidos, tendo se declarado o vencedor da Guerra Fria, não vê necessidade para isso. Em vez de estabelecer um novo equilíbrio de poder, essencial para a manutenção da ordem e da estabilidade, eles tomaram medidas que jogaram o sistema em um desequilíbrio agudo e profundo.


Fonte: Julio Severo
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