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20 agosto 2024

A origem do mal na terra: Pandora, Eva e Karl Marx

 

Desde a revelação de Karl Marx, os seres humanos não pararam de se tornar mentalmente desequilibrados. Resta-lhes reinventarem o valor das heranças civilizacionais greco-romana e judaico-cristã.

Gabriel Mithá Ribeiro para o Observador:


O maior filósofo-vigarista da história, Karl Marx, está para o mundo contemporâneo como Pandora estava para a origem mitológica do mal para os gregos da antiguidade ou Eva para a religião milenar judaico-cristã. Esse é o significado do marxismo para as gerações presentes e futuras.


Em torno das teorias de Karl Marx, desde a segunda metade do século XIX germinaram e frutificaram pelo mundo gerações atrás de gerações de políticos, académicos, intelectuais ou artistas responsáveis pela névoa mais tóxica e densa de sempre para a mente humana, que hoje cobre o planeta. Só secando esse mal na fonte tornará possível assegurar que os seres humanos caminhem rumo a uma ordem moral universalmente válida porque aceite de forma voluntária por todos, assim como passarem a comungar de mesma lógica no uso da razão. A sanidade mental inerente à condição humana depende, no século XXI, desses pressupostos, tal como os gregos da antiguidade e os cristãos conseguiram construir um sentido de universalidade humana, cada um na sua época e modo.

Só daí em diante os povos do mundo podem caminhar no sentido da normalização da paz e concórdia, estabilidade social e política, boa governação e prosperidade económica coletiva. Há cerca de um século, Sigmund Freud explicou a natureza atemporal do ser humano, isto é, o que é acidental pode mudar no decurso do tempo longo, o tempo dos milénios, porém o essencial permanece. Por essa razão, desde as mais remotas origens até hoje é dever primordial das sociedades assegurarem aos indivíduos a compreensão da fonte-mãe dos males do mundo, e de forma simples e objetiva, sabedoria que deve transitar e sedimentar-se a cada nova geração.

Logo, do atual século XXI em diante não faltam razões por todo o mundo para o lugar histórico de Karl Marx na transformação da vida humana na terra ser equiparado ao lugar que, na antiguidade, os gregos atribuíram a Pandora ou os judeus e os cristãos têm atribuído a Eva nos últimos três milénios.

As três fontes do mal entre os humanos

PANDORA – registado em forma escrita no século VIII a.C. por Hesíodo, a tradição mitológica grega assegurava que os deuses guardavam numa caixa, em segredo, todos os males (como a guerra, discórdias ou doenças) e nela havia um único dom, a esperança. Pandora desceu do Olimpo, o reino superior dos deuses, para vir viver junto dos homens na terra com o dever de nunca abrir a caixa. Não resistiu à tentação e, quando viu o que saía, fechou-a de imediato, onde apenas ficou a esperança. Aberta a Caixa de Pandora, o sofrimento humano na terra tornou-se inevitável, pelo que passou a competir a cada ser humano o dever de saber lidar com ele.


EVA – na tradição judaico-cristã registada no Antigo Testamento por volta dos séculos XIII/XII a.C., a sagrada escritura revelou aos seres humanos que, na origem, Adão e Eva foram expulsos do Jardim de Éden porque Eva não resistiu à tentação de dar de comer a Adão o fruto proibido, a maçã. Consumado o pecado e expulsos do paraíso, daí em diante os seres humanos passaram a ter de enfrentar as crueldades do mundo e, mais de um milénio passado, nasceu na terra o filho único de Deus, Jesus Cristo, para remir os pecados do mundo ensinando a cada ser humano o dever de suportar a sua cruz, a garantia do regresso da humanidade ao paraíso celeste após a morte para a eternidade.

KARL MARX – datados do século XIX, os escritos de Karl Marx fizeram descer à terra a destruição da harmonia moral originária entre os humanos. Em particular os mais carenciados (rotulados «oprimidos»), converteram-se à crença de não serem eles os primeiros e principais responsáveis pelo seu próprio destino, antes passaram a remeter as culpas da sua condição para os comparativamente melhor-sucedidos na vida e mais ricos (rotulados «opressores»). Tão revolucionária doutrina da inveja matou-lhes a consciência individual e a consciência social ao quebrar o dogma universal da autorresponsabilidade que, antes de Karl Marx, sempre fez dos fracos fortes e estava distribuído de forma igual por todos os seres humanos da terra: homens, mulheres, ricos, pobres, brancos, negros e demais tipos. Quando a nova fonte dos males do mundo jorrava as primeiras gotas, Sigmund Freud tipificou o princípio da realidade inerente à espécie humana da origem e para a eternidade: o dever de cada um aprender a suportar a dor e a adiar a recompensa. A partir da revelação de Karl Marx, os seres humanos não pararam de se tornar mentalmente desequilibrados pela terra, as suas vidas não mais pararam de se tornar caóticas, tensas, conflituosas; as suas democracias e instituições entraram em dissolução (família, ensino, saúde, justiça, segurança, entre outras); o parasitismo social e a subsidiodependência nasceram e cresceram em forma de bola de neve; o falhanço social e económico de países e continentes inteiros generalizou-se; a violência e o crime não pararam de se agravar e circular por terras e continentes; o mal-estar entre as pessoas tornou-se regra planetária. Resta aos humanos reinventarem o valor das heranças civilizacionais greco-romana e judaico-cristã na condução do seu destino, caso contrário a vida na terra será ainda mais penosa.
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NOTAS COMPLEMENTARES

1) O mundo vai transitando da ordem mitológica e da consequente ordem religiosa para a ordem histórica (ou factual), mas sem que a natureza atemporal da condição humana sofra alterações. Se duvidamos que Pandora possa sequer ter existido para mudar para sempre a vida na terra, não podemos duvidar que Jesus Cristo existiu num espaço e tempo histórico concretos também para mudar para sempre a vida na terra, e os não crentes apenas podem duvidar sobre os detalhes do que disse ou fez. A novidade de Karl Marx é a de já não duvidarmos nem que ele existiu num espaço e tempo histórico precisos, nem que foi ele mesmo o criador da distopia que também mudou para sempre a vida humana na terra, e continua em rédea solta.

2) Karl Marx é a primeira figura masculina que oferece a oportunidade de ser feita justiça a mais de três milénios em que a origem dos males da terra foi remetida para figuras femininas, Pandora ou Eva. Esperemos que, finalmente, as feministas compreendam ser incompatível ser marxista, isto é, ser de esquerda e, em simultâneo, defender a dignidade das mulheres e da condição feminina.

3) A morte da consciência individual e da consciência social nascidas do dogma da «luta de classes», de Karl Marx, ofereceu a uma parte significativa dos adultos a legitimidade de viverem para a eternidade como crianças sem qualquer censura moral ou intelectual. São os «adultos» que monopolizam o direito inalienável de agravarem de modo continuado o mal-estar social e civilizacional, o que inclui carta-branca para imporem aos verdadeiros adultos conflitos, desordem, violência, destruição, caos: «Se sou pobre, a culpa é do rico. Se sou negro, a culpa é do branco. Se fui colonizado, a culpa é do colonizador.  Se sou do hemisfério sul pobre, a culpa é do Ocidente rico. Se pertenço a uma minoria, a culpa é da maioria. Se sou imigrante ilegal, a culpa é dos europeus. Se agrido, roubo, violo ou mato a culpa é da sociedade injusta…» Por aí adiante.

4) O filósofo Olavo de Carvalho confirmou e popularizou a sentença de outro filósofo, Eric Voegelin: Karl Marx foi um «vigarista». Com sucesso planetário há mais de século e meio, o filósofo-vigarista impôs o maior empobrecimento de que há memória do entendimento humano ao colocar palas nas mentes para reduzir a sua capacidade de compreensão a um único fator explicativo: ser rico ou ser pobre, a sua condição material da existência. Daí em diante, pouco ou nada se compreende e, pelo contrário, tudo é sumariamente julgado com consequências devastadoras para a moral e razão humanas. Tal deformação mental da espécie humana tornou-se a maior inimiga da complexidade, ambivalência, diversidade, subjetividade enquanto fatores explicativos do destino humano, isto é, da relação do sujeito pensante consigo mesmo e com os outros, com meio envolvente ou com o mundo. Para disfarçar, a ignorância criada pelo filósofo-vigarista vai sobrevivendo disfarçada numa diversidade de rótulos que, no entanto, querem sempre dizer «esquerdismo»: marxismo, leninismo, maoísmo, multiculturismo, globalismo, progressismo. Qualquer deles se esgota na crença de ser pobre é ser «bom» por ser vítima do ser «mau», o rico, ignorando a plenitude inerente à condição humana que se manifesta no livre-arbítrio. Este filia-se a um leque diversificado de capacidades humanas, umas manifestas (racionais, lógicas, conscientes, mensuráveis, visíveis) e outras latentes (inconscientes, subjetivas, impossíveis de captar na mera dimensão racional, porém decisivas, como as do campo da fé religiosa ou dos campos emotivo, afetivo, sentimental). É sempre a conjugação subjetiva desse universo que decide o destino do sujeito individual ou do sujeito coletivo, sendo que estes podem sempre mudar de rumo, o que os torna os primeiros e principais responsáveis por si mesmos. Noutros termos, no destino de uma vida acabam por ser cruciais as atitudes e comportamentos quotidianos de cada indivíduo ou coletivo: estudam ou não estudam; trabalham ou não trabalham; cumprem ou não com o que lhes é exigido; esforçam-se ou não se esforçam ou limitam-se a exigir dos outros e a protestar; respeitam ou não respeitam o próximo e as leis; têm comportamentos adequados ou portam-se mal, incluindo roubar, ser parasita social ou violento; valorizam ou destroem aquilo que herdaram ou possuem; entre outras virtudes ou vícios humanos. Com a fonte do mal marxista a jorrar pela terra desde meados do século XIX, o ser humano (quase) capitulou à crença dos indivíduos fazerem revoluções ou roubarem por serem pobres, quando sempre foi e será o inverso. Quanto mais as revoluções se tornaram moda na contemporaneidade por instigação das teorias de Karl Marx, mais as sociedades e o mundo foram ficando desregulados. Em tais circunstâncias, no decurso do tempo aumenta a propensão para roubos, crimes, corrupção, abusos, repressão política, má governação. Tais manifestações desembocam necessariamente em empobrecimento, violência, caos. Além da Coreia do Norte ou da Venezuela, entre tantas outras provas factuais dos quatro cantos da terra, um continente inteiro, a África pós-colonial do último meio século, decidiu praticamente em uníssono, de governantes aos respetivos povos, ser marxista-leninista-maoísta-multicultural-globalista-progressista, em qualquer caso esquerdista. Tantas e tão diversas evidências planetárias desastrosas desfazem para sempre dúvidas do filósofo-vigarista Karl Marx ser a versão masculina atualizada das femininas Pandora e Eva.

24 fevereiro 2023

Pesquisas sugerem que o corpo da mulher carrega dentro de si ADN do sémen dos seus parceiros anteriores


Por Daryush Valizadeh


Pesquisas científicas convincentes revelaram que os insectos e os mamíferos do sexo feminino são capazes de absorver ADN estranho através das células dos seus corpos. Nos seres humanos já foi demonstrado de forma convincente que este fenómeno ocorre durante a gravidez quando material genético do bebé em crescimento funde-se com áreas do cérebro da mulher, afectando as suas chances de desenvolver a doença de Alzheimer.
As evidências sugerem agora que os animais do sexo feminino podem incorporar dentro de si ADN do esperma dos parceiros sexuais anteriores. Este ADN estranho acaba  depois por fazer parte dos filhos futuros após a mulher ser bem sucedida em engravidar de um homem totalmente diferente. No nosso mundo isto significa que os filhos que o homem vier a ter com uma mulher promiscua podem ter genes de parceiros sexuais anteriores que ele nunca viu ou chegou a conhecer.

Existem também estudos sociológicos que revelam que quando a mulher teve mais do que dois parceiros sexuais, os casamentos são mais susceptíveis de acabar (1234), mas agora apoio adicional para o dantes suspeito campo da telegonia está a revelar que existem também motivos genéticos para não iniciar um casamento com uma mulher promiscua: as crianças que vieres a ter com ela podem ter o "pool" genético poluído pelos seus encontros aleatórios anteriores e pelos encontros casuais.

A telegonia é uma ideia avançada inicialmente por Aristóteles e ela alega que os filhos podem herdar genes dos parceiros sexuais anteriores. Esta ideia não tinha suporte científico até que as evidências se amontoaram em favor do microquimerismo - o fenómeno do ADN estranho a incorporar-se no genoma dum indivíduo. Reparou-se que isto acontece
 no caso das transfusões de sangue. Se por acaso tu recebes sangue enquanto te encontras num estado traumático, o ADN do doador pode-se incorporar no teu genoma. Surpreendentemente, poucas pesquisas foram feitas entretanto, mas todas as evidências indicam que este é um fenómeno genético comum por todo o reino animal.

Um
 estudo importante em torno das moscas mostrou como as fêmeas incorporavam o ADN dos parceiros sexuais anteriores, e como, mais tarde, os traços desse ADN masculino se manifestava na prole que elas vinham a ter com machos totalmente distintos.
Cientistas da Universidade de New South Wales [Austrália] descobriram que, pelo menos nas moscas da fruta, o tamanho da descendência era determinado pelo tamanho do primeiro macho com quem a fêmea acasalou, e não com o segundo macho com quem ela gerou descendência. (...)

"As nossas pesquisas levam as coisas para um nível superior - mostrando que o macho também pode transmitir algumas das suas características adquiridas à prole gerada por outros machos" disse ela. "Mas ainda não sabemos se isto se aplica a outras espécies. (...)

O Dr Stuart Wigby, do Departamento de Zoologia da Universidade de Oxford, acrescentou: "O princípio da telegonia é, teoricamente, possível para qualquer animal internamente fertilizado, mas historicamente não tem havido muitas evidências em favor disso.

Cientistas envolvidos no estudo estão a lançar a hipótese de que
 o ADN do esperma é absorvido dentro dos ovos femininos sem, no entanto, fertilizá-los:

Os pesquisadores sugeriram que o efeito deve-se às moléculas que se encontram dentro do fluído seminal do primeiro macho e destes serem absorvidos pelos ovos femininos que ainda não estão amadurecidos, e influenciando posteriormente o crescimento da descendência dos machos subsequentes.

Já foi observado que o corpo humano feminino
 age como uma esponja em relação ao ADN estranha que é depositado dentro dele: 

É possível que o Mc [microquimerismo] no cérebro seja capaz de distinguir os vários fenótipos amadurecidos, ou atravesse por uma fusão com as células pré-existentes, e adquira um novo fenótipo, tal como sugerido por estudos feitos em murinos ou em humanos onde células derivadas da medúla óssea circulavam até ao cérebro e geravam células neuronais por diferenciação, ou por fusão com neurónios pré-existentes. (....)

Embora a relação entre o Mc do cérebro e a saúde versus a doença necessite de mais estudos, os nossos achados sugerem que o Mc com origem fetal pode impactar a saúde maternal e, potencialmente, pode ter um significado evolutivo [sic].

O estudo citado em cima tem duas implicações sísmicas: o primeiro é que a mulher pode absorver ADN suficiente durante a sua vida que venha a causar a que ela mude o seu fenótipo (isto é, a sua aparência e o seu estado de saúde geral). Pode haver alguma verdade na frase "cara de vadia", onde uma mulher altamente promíscua sofre alterações na sua aparência física devido aos variados tipos de esperma de homens distintos que foram depositados dentro dela.

A segunda implicação emana do facto de que é cientificamente conclusivo que as mães solteiras têm ADN dos seus filhos bastardos a viver permanentemente dentro dos seus corpos. Qualquer homem que se reproduza com uma mãe solteira, irá ter filhos que têm dentro de si ADN dos seus filhos bastardos, o que, obviamente, inclui ADN dos seus pais ausentes.

Isto implica que os homens podem ser geneticamente traídos [inglês: "cuckholded"] sem terem sido traídos da maneira normal, e que ter filhos com uma mãe solteira é, e termos prácticos, dar ao pai do seu primeiro filho um prémio adicional no jogo da evolução.

O microquimerismo foi também observado
 nos cães, onde os mais velhos passam os seus genes aos irmãos mais novos, sugerindo que os primeiros filhos têm o grau mais elevado de pureza genética - uma suspeição muito provavelmente notada pela nobreza do passado. Não só isso, mas as cadelas incorporam o material genético associado ao cromossoma Y proveniente da sua descendência masculina. Essencialmente, a cadela fica mais masculina ao ter descendência masculina.
Os pesquisadores encontraram células com cromossomas Y na mãe depois destes nascimentos, o que significa que a mãe tinha células masculinas no seu corpo. Os pesquisadores encontraram células masculinas geneticamente semelhantes na descendência feminina da mesma mãe nas ninhadas posteriores. Estas cadelinhas eram recém-nascidas e nunca tinham estado grávidas, o que sugere fortemente que elas haviam adquirido as células que haviam ficado para trás, deixadas pelos seus irmãos mais velhos enquanto estes se encontravam no útero.

Se as mulheres absorvem genes associados ao cromossoma Y através do sexo casual, então isso pode explicar o porquê das mulheres com um passado sexualmente promíscuo exibirem mais traços masculinos, algo que qualquer playboy internacional pode confirmar. A mulher promiscua torna-se mais masculina devido ao facto de vários genes masculinos estarem a ser inseridos no seu genoma, e estarem a afectar o seu fenótipo.

Algumas ideias mais antigas relativas à telegonia, datando de há mais de um século, não parecem agora estar longe da verdade:

No seu livro “Individual Evolution, Heredity and Neo-Darwinists” (1899), o biólogo e filósofo Francês Felix Le Dantec menciona vários factos que demonstram a telegonia, mas as evidências eram bastante pseudo-científicas até mesmo para essa altura.

O autor menciona dois exemplos com animais e um com seres humanos. Le Dantec escreveu que um agricultor lhe havia dito que, a dada latura, uma das suas porcas copulou com um javali, e, na sua cor, a descendência parecia-se totalmente com o pai. Mas quando a mesma porca copulou com outro javali, alguns porquinhos da segunda ninhada continuavam a ter semelhanças cromáticas com o javali com quem a porca havia copulado em primeiro lugar.

Ele escreveu também da forma como Lord Morton cruzou uma égua com uma zebra e obteve o híbrido dum cavalo com uma zebra. Quando ele voltou a cruzar a mesma égua com um cavalo, esta segunda copulação gerau um potro que tinha mesmo assim linhas semelhantes às de uma zebra.

O microquimerismo encontra-se na vanguarda das pesquisas genéticas que têm, ultimamente,
 incluído a epigenética que é o ligar e o desligar de certos genes devido a estímulos ambientais. A epigenética tem levantado questões contra a teoria da evolução porque ela demonstra que a adaptação pode ocorrer dentro dos indivíduos sem a acção da selecção natural. Pesquisas recentes estão a revelar o pouco que sabemos em relação à forma como o genoma humano funciona, sugerindo uma imagem mais complexa do que aquela que havíamos imaginado.
As pesquisas sociológicas foram as primeiras a revelar que casar com uma mulher com um passado sexual robusto aumentava as probabilidades do casamento falhar.

Agora, as pesquisas genéticas disponibilizam mais evidências de que tais mulheres irão dar à luz filhos que - segundo princípios que ainda não entendemos - não são totalmente do pai. Devido ao facto deste campo de pesquisa ser politicamente incorrecto (ao pintar consequências fortemente negativas para as mulheres que levam uma vida promiscua "forte e independente") é pouco provável que as universidades esquerdistas aprovem mais pesquisas neste área.

Durante milhares de anos, a pureza feminina foi estimada acima de qualquer coisa no momento em que se pensava em formar uma família. Hoje, a comunidade científica está a confirmar a validade dessa práctica. Até que a ciência fique estabelecida neste ponto, os homens que insistam em casar com uma mulher promiscua devem pelo menos exigir uma entrevista com os seus parceiros sexuais anteriores para que fiquem mais familiarizados com os homens cujos genes podem vir a ser transmitidos para os seus futuros filhos.









Marshall Berman - TUDO QUE É SÓLIDO DESMANCHA NO AR

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Tudo que É Sólido Desmancha no Ar é a obra mais conhecida do autor estadunidense Marshall Berman, configurando-se numa história crítica da modernidade[1] e contendo análises críticas de vários autores e suas épocas - desde o Fausto de Goethe, passando pelo 'Manifesto' de Marx e Engels, pelos poemas em prosa de Baudelaire e pela ficção de Dostoiévski, até as vanguardas artísticas do século XX. Seu título alude a uma frase do Manifesto Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels.

23 fevereiro 2023

A suposta prostituição de Dona Marcela


A primeira-dama Marcela Temer foi comparada a uma prostituta pela mídia. Uma mulher fiel e recatada hoje é "inferior" a uma prostituta.

Carlos Ramalhete



Até o momento em que escrevo – 25.X.2016 – o Brasil teve duas primeiras-damas belíssimas, Dona Maria Teresa Goulart e Dona Marcela Temer. Curiosamente, como o marido da primeira era de esquerda ela é ignorada ou elogiada pela imprensa de hoje, que tanto pende àquela direção que mais parece ter a perna esquerda muito mais curta que a direita. Mentira tem perna curta, mesmo, mas cria eu serem ambas no caso. Já Dona Marcela é chamada de tudo quanto é besteira, não só pela imprensa quanto pelas hordas de minions avermelhados que replicam farsescamente o bestialógico vomitado primeiramente pelas plumas de aluguel da grande imprensa.

Se a grande imprensa ridiculariza a primeira-dama, tratando-a ironicamente como “bela, recatada e do lar” por crer erroneamente na universalidade das conotações negativas que têm entre as esquerdas a beleza, o recato e – horresco referens! – o lar, os minions vermelhudinhos das redes sociais, diferenciados dos MAVs por cumprirem seu papel por pura estupidez servil, sem treinamento nem pagamento, vão bem mais longe.

Eu, pessoalmente, acho divertido, porque assim eles me dão ensejo a digressões completamente alheias ao cerne dos fatos políticos, como a que ora estalo os dedos para escrever, podendo ilustrá-la com belas fotos de Dona Marcela e ainda ridicularizar um pouco os tão merecedores minions escarlate (enquanto no início dos tempos atuais o Pimpinela Escarlate salvaria nobres dos selvagens fazendo-se de playboy, em seus estertores os minions escarlate gritam “mas é mesmo uma pywtta” a cada vez que têm o desprazer de ver uma mulher que jamais olharia para eles sem fazer uma deliciosa carinha de nojo, correndo em seguida à revista Playboy para celebrar mais uma tentativa inconclusa de reprodução).

Partamos, pois, alegremente, a explicar de onde vem que não só os “minions” vesmelhusquinhos, mas também suas consortes “mínimas”, de vasta cobertura tricóide subaxilar, consigam inventar isso de Dona Marcela ser prostituta. Dir-se-ia tratar-se de mera reclamação de preço – ela seria uma prostituta fora do alcance do proletariado concursado que ganha apenasmente seus vinte mil temers por mês para falar asneiras a público cativo nas arrã, “universidades (!)”, arrã-arrã, “públicas (?!)” arrã-arrã-arrã, “brasileiras (??!!). Mas não. Mais ainda quando, como já foi apontado magistralmente neste mesmo sítio internético, todos os minions esquerdunculóides têm o reflexo condicionado de dizer “prostitutas são pessoas maravilhosas e o melhor exemplo de vida” sempre que ouvem referências a elas, até mesmo tratando apenas de questões de filiação no contexto de brigas de trânsito. Não, não mesmo.

A resposta está alhures, sendo fartamente encontradiça nos rituais de reprodução de “minions” e “mínimas” enrubescentes.

Sabemos todos, ou ao menos sabemos todos os que temos algum sucesso que seja no trato com o sexo oposto, seja esta sapiência consciente ou não, que todas as mulheres procuram uma única coisa e todos os homens uma outra única coisa, em nada equivalente, e daí os mal-entendidos constantes entre ambas estas espécies. O problema é que aquilo que elas querem, na clássica questão freudiana ou na prática, pode ter milhões de formas díspares, enquanto o que os homens queremos é bem menos multiforme. Explico.

Quando Papai do Céu nos criou, cerca de 5777 anos atrás pela contagem dos judeus (que os cristãos não são bobos de se meter a contar muito a sério essas coisas, que só servem para atrair comentaristas que escrevem tudo em capislóque), Ele nos fez homem e mulher, mas, mais ainda, Ele nos fez membros de tribos de caçadores-coletores. Assim, o que interessa naturalmente ao homem, aquilo que está no hardware masculino, é a condição que garante que a moça desejada vá conseguir carregar seu filho até o fim da gravidez e sobreviver pra tomar conta dele até ele se virar por conta própria. Não se trata da capacidade de ser irritante ao reclamar da torneira pingando, nem de autossuficiência (numa tribo de caçadores-coletores sequer existe palavra para isso. Em português mesmo a ideia é tão recente que precisamos juntar duas palavras para enunciá-la). 

Trata-se, senhoras e senhores, por incrível que possa parecer, de saúde. Simples assim.

O homem vai procurar uma moça jovem, porque jovens são a priori mais saudáveis (cabelos amarelos indicam baixa idade em muitos grupamentos), vai querer que ela faça oingo-boingo nos lugares certos quando anda, que seja simétrica de rosto e de corpo, que cheire bem, que tenha bons quadris largos de parideira e fartas tetas de amamentadora, e por aí vai. Quem iria imaginar, hein?

É claro que pode haver, e há, farta interferência nesse processo vinda de outros níveis de funcionamento do homem: o social (que vai fazer com que haja quem ache legais essas sobrancelhas de palhacinho à la Marcos Feliciano com que algumas moças andam se enfeiando, por exemplo, ou que seja atraído por mocinhas esquálidas que mais lembram aspargos desidratados) e o sobrenatural (a graça divina de não se casar com aquelas moças que se tomarem banho quente viram canja) são os principais entre eles.

Já a mulher, ah, a mulher… Já dizia Tom Jobim, a “mulher é outro bicho”. Ela vai procurar o sujeito que garanta que o filho dela ainda tenha pai vivo quando nascer depois de longos nove meses, e que consiga manter inteiros ela e o moleque até que seja o moleque quem bate na porta e mata o desavisado, como numa propaganda de seriado. E o que é isso, num contexto de caçadores-coletores? É, amiguinhos e amiguinhas, uma cousa assaz simples: é o poder.

Toda mulher busca o poder. É por isso que ela tem essa capacidade espantosa de perceber assim que entra num recinto quem gosta de quem, quem tem inveja de quem, quem gostava de alguém e brigou etc. É por isso que elas ficam falando disso (sem jamais contar tudo, claro) por horas a fio, e é por isso que elas têm inimigas íntimas, não amigas de verdade (no sentido masculino do termo). Deus as criou especialmente antenadas na hierarquia social para que elas pudessem apostar no macho cuja liderança duraria mais, no cara que não estava às beiras de ser estraçalhado numa cerimônia que o Freud descreveu feito a cara peluda dele etc.

Mas o poder, dir-me-iam vossas augustas excelências, é algo iminentemente social. O poder ocorre, lembrar-me-iam os senhores, dentro de várias hierarquias sociais simultâneas, com o detentor de poder num dado nível numa dada hierarquia sendo ao mesmo tempo detentor de poder de outro nível noutra hierarquia. O cara que no clube de suíngue manda muito, por exemplo, na boca de fumo apanha na cara e ainda sai de lá com o apelido de Cornélio tatuado na testa. Responder-vos-ia eu que isso faz com que o componente social que se soma à base natural da busca de parceiro pela moça vá necessariamente ser muitíssimo mais forte que entre os homens. Toda mulher busca poder, mas…

O que é poder?

Para uma determinada moça é a força física: o corpo esculpido por horas de malhação e litros de esteróides até o pingulim do moço ficar microscópico e o bíceps dar três do cérebro.

Para outra moça, é a segurança de o cara ser o dono do mercadinho do bairro desde que ela nasceu e sempre votar no candidato que ganha.

Para ainda outra, é a fortaleza de alma do cara que manda todo mundo às favas e vai viver de vender pulseiras de miçanga, com o calcanhar todo rachado, dormindo no mesmo calçadão em que oferece sua “arte” (sim, senhores, hippies de praça têm uma vida amorosa bastante intensa).

Para ainda uma outra, poder é o dinheiro que ela nunca teve (e, por isso, escapa-lhe completamente que se Dona Marcela suspirar dizendo “o Havaí é lindo” aparecerão magicamente em seu belo colo passagens gratuitas de primeira classe com tudo incluído para o Havaí para a família toda, e ela terá o desprazer de ter que dizer “não quero”).

Para outra, ainda, poder é a aparência e a emoção, e um cara que cometa estelionatos em série para andar de Mercedes é o ideal.

Para outra, tadinha, o poder que conta é o do intelecto, e ela ficará embevecida ouvindo e lendo a produção de seu amado enquanto cozinha o fígado de galinha com arroz classe C que foi o que deu pra comprar este mês. Essa casa com professores e intelectuais, inclusive comunistas. Depende só de quem chegar primeiro.

E, finalmente, para outra o que conta é o poder em estado bruto: “Pois também eu sou um homem sujeito a outro, tendo soldados às minhas ordens, e digo a um: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu servo: Faze isso, e ele o faz.” (Mt 8,8-9). Foi esta a sagaz escolha de Dona Marcela. Ao invés de buscar o poder em seus sucedâneos e sinais, ela o buscou – e encontrou – em estado bruto, e usou provavelmente também de maneira farta de seu próprio poder de mulher núbil e belíssima para conquistar o coraçãozinho seco do poderoso chefão que veio a tornar-se o Presidento.

Mas as mulheres não entendem os poderes que as demais reconhecem, e chamam de prostituta à que reconhece o poder do dinheiro, de louca ou porca a que se casa com o intelectual ou com o hippie da praça, de interesseira à mulher do estelionatário ou do dono do armazém, de imediatista e carnal à que se casa com aquele que se fez eunuco pelo reino de Schwarzenegger. A outra origem do triste epíteto de prostituta é a visão marxista, que deturpa a sociedade ao ponto de ver relações “de classe” – uma besteira artificial e irreal – como as únicas verdadeiras, fazendo com que qualquer tipo de fidelidade a alguém de classe “superior” seja percebida como “prostituição” por supostamente violar as lealdades de classe em favor de uma lealdade individualista que sabotaria a própria classe. Ou seja: para esses imbecis furunculosos, Dona Marcela seria prostituta na exata medida em que fosse fiel ao marido. Valha-me Deus!

A prostituta, no senso estrito do termo, de modo geral é a mulher que após ter sido abusada sexualmente na infância tornou-se incapaz de unir sexo e emoção (no contexto é a única resposta que pode evitar que enlouqueça) e, por aparentemente não ter as emoções afetadas pelo aluguel por hora do próprio corpo, considera que aquele é apenas um emprego que paga melhor que caixa de supermercado. Normalmente, na cabeça dela, inclusive, é um emprego “de esperar marido”, e o sonho dela é que venha um sujeito com o tipo de poder que ela reconhece e a leve para casa. Pobrezinha; cada dia que ela passa nessa linha de trabalho diminui tremendamente as chances de isso um dia ocorrer.

São as “vadias” e feministas, as “mínimas” rubrevascas, todavia, que mais incentivam a criação real de prostitutas de verdade, que elas mesmas no fundo sabem ser algo muito distinto da distinta Dona Marcela. Elas o fazem pela hipersexualização da criança, que aumenta tremendamente o risco dos abusos que estão na origem da maioria dos casos de prostituição. Elas o fazem por pregar como normal e mesmo desejável que haja uma muralha entre o sexo e a emoção, como as pobres prostitutas criaram por sobrevivência.

E, finalmente, elas o fazem por pregar que a mulher jamais deveria unir-se verdadeiramente em matrimônio, sim afogar seus sonhos naturais e viver, dia após dia, a tristeza e a solidão desesperada da prostituta. Que Deus tenha piedade delas.


12 abril 2022

Comunismo e progressismo são coisas diferentes, ambas letais

 

A obsessão pelo comunismo e pelo marxismo desvia o foco do real problema do Ocidente no século XXI: o progressismo, uma corrente ideológica surgida nos EUA ainda no século XIX. Bruna Frascolla para a Gazeta do Povovia Orlando Tambosi:


Lepra é ruim. Aids é ruim. Se digo que tal coisa ruim não é sintoma de lepra, mas sim de Aids, não estou com isso querendo dizer que lepra é bom. Diagnóstico correto é indispensável para tratar doenças. É assim na medicina e deveria ser assim na política também. Mas, se os médicos todos fossem como os cientistas sociais, estariam dizendo coisas assim: “Oh, meu Deus! Como a lepra é ruim!!”; “Como é horrível a disenteria!!”; “Espinhela caída é um horror!!”. Então o médico abraçaria o paciente e choraria junto, para depois redigirem, ambos, textões nas redes sociais contra a doença. Depois trataria com sangrias ou pulseirinha quântica, a depender das preferências estéticas do cliente.

Mutatis mutandis, quem discute política fica dizendo: “Oh, meu Deus! Como o comunismo é ruim!”; “Como é horrível o racismo!”; “A cisheteronormatividade é um horror!”. Tratar eficazmente é o de menos; bom mesmo é desopilar. Algumas das doenças apontadas existem, outras não. Mas se você disser que talvez uma dada doença não seja a causa de um mal presente, o desopilador contumaz responderá algo como: “Então você quer dizer que racismo não existe??”. Daí se vê que essa mentalidade “desopilatória” (digamos assim) só sabe lidar com causas totalizantes ou pelo menos eficientíssimas, pois se tal coisa má existe, ela tem que ser causa de todos os males ao mesmo tempo. E vê-se também que o conceito de “racismo estrutural” é feito sob medida para isto, pois todo e qualquer fenômeno social deve ser explicado por ele. Ocupa o lugar mesmo lugar que Deus tinha em filosofias ocasionalistas – mas Deus era bom, o racismo estrutural é mau.

Como a mentalidade desopilatória é disseminada pela sociedade, a direita não está livre dela. Conceitos sérios como o de “marxismo cultural” podem ser distorcidos para colocar o comunismo ou o marxismo como causa única de todos os males.

Falo disso agora porque a obsessão pelo comunismo e pelo marxismo desvia o foco do real problema do Ocidente no século XXI: o progressismo, uma corrente ideológica surgida nos EUA ainda no século XIX, independente do comunismo, mais velha do que o nazismo, e com qual o nazismo guardou uma relação de dependência (se você pegou o bonde andando, sugiro este texto).

A eugenia como corte cultural

O século XIX foi o século do surgimento de ideologias planificadoras: sansimonismo e positivismo na França, utilitarismo na Inglaterra, comunismo na Alemanha, progressismo nos EUA. No século XX, apareceram ainda o fascismo histórico na Itália (com suas variações ibéricas) e o nazismo na Alemanha. Pelo fato de todas serem ideologias planificadoras, e de os militantes de uma pularem para a outra, é muito fácil confundir essas ideologias. Mas elas têm propósitos consideravelmente diferentes; não é à toa que brigam. E como os seus propósitos são diferentes, é necessário diagnosticar bem qual é a ideologia que aflige um dado país.

O mundo latino é de formação católica. Durante a descoberta da América, a Igreja combateu firmemente, sob a acusação de preadamitismo, qualquer um que afirmasse que os homens escuros dos trópicos não são tão homens quanto os demais homens. Uma Coroa protestante poderia agir como se os peles-vermelhas não tivessem alma e descer-lhes chumbo. Uma Coroa católica tinha por obrigação tentar converter os gentios antes; tinha de trazer a Boa Nova aos antropófagos. Por esse legado cultural, a noção de unidade da natureza humana não costuma ser desafiada pelas ideologias planificadoras surgidas em países católicos; e Rondon, positivista roxo e ateu, cultuava a Humanidade enquanto tentava converter pacificamente os gentios à civilização.

Da teologia, a questão da universalidade da natureza humana passou para a ciência, e o preadamitismo passou a se chamar “poligenia” humana. As raças não teriam uma origem comum, e espécies humanoides diferentes brotaram mundo afora.

Assim, a despeito de as ideologias planificadoras terem um ponto comum, dá para encontrar nelas profundas diferenças coerentes com sua origem cultural.

Bundalelê eugênico e naturebice

A despeito do racismo de Marx, o comunismo, que tanto caiu no gosto da América Ibérica, começou como um movimento internacional de solidariedade de classes. Consistente com isso, propaganda soviética mostrava proletários eslavos, orientais e negros irmanados num projeto que desconhecia barreiras de raça. Se não fosse o banho de sangue previsto para a Revolução, poderia passar fácil por um projeto universalista. E como o comunismo atraía uma penca de burgueses, é bem possível que o comunista pacífico se visse como uma espécie de jesuíta pregando para botocudos que estavam no erro do capitalismo, a fim de minorar o inexorável banho de sangue tão certeiro quanto o castigo divino dos maus.

O nazismo em momento algum pôde se passar por universalista. Era claro que existia uma hierarquia de raças, que as raças competiam por recursos num mundo maltusiano, e que o futuro seria eugênico: o povo ariano eliminaria os parasitas judeus, conquistaria o Lebensraum (espaço vital) que é dominado pela raça eslava, reduziria a população de lá e ficaria com uns poucos exemplares como escravos. Joachim Fest nos conta que “quando [Hilter] viu, num memorando, a proposta de proibir venda e uso de meios de aborto nas regiões do Leste, teve uma violenta crise de cólera e bradou que ‘fuzilaria pessoalmente o idiota que teve tal ideia.’ Parecia-lhe, ao contrário, absolutamente indicado favorecer em grande escala ‘o comércio desse material’, e de novo brincava: ‘Mas provavelmente seria preciso recorrer aos judeus para dar movimento a esse mercado’.” (Hitler, v. 2, p. 773).

Os alemães tampouco seriam deixados em paz. Himmler e Bormann previam poligamia para homens sadios das SS, que teriam direitos a tanto mais esposas quanto maiores os seus feitos marciais. Quanto à população geral, “um casal sem filhos durante mais de cinco anos seria separado ‘por razões de Estado’, depois, num encadeamento lógico, propunha-se que ‘toda mulher, solteira ou casada, que ainda não tivesse tido ao menos quatro filhos, fosse obrigada, até a idade de 35 anos, a conceber e dar à luz pelo menos quatro filhos gerados por homens de raça alemã pura. Que esses homens fossem casados, não tinha a menor importância. Toda família já com quatro filhos devia pôr à disposição o homem para essa tarefa”. (p. 776) Por aí vemos que a eugenia dos nazistas era natalista e antinatalista ao mesmo tempo.

Quem era (e é ainda) estritamente antinatalista, com o propósito de aumentar a qualidade das crianças diminuindo-lhes a quantidade, eram (e são ainda) os progressistas. Como vimos, os suecos fizeram seu Estado de Bem-Estar esterilizando os “inúteis” e mantendo a população diminuta. Além disso, um eugenista sueco em 1944, aclamado até hoje pelos progressistas brancos e negros, propôs a conciliação nos EUA por meio da máxima redução de negros via Bem-Estar e controle de natalidade.

Outra coisa bastante interessante de se notar é que, como apontou Myrdal, o progressismo jamais faz coisas abertamente ruins e maléficas. É feio simplesmente reduzir a quantidade de negros deportando-os ou esterilizando-os contra a vontade; mas com propaganda e argumentando-se que é para o bem deles, faz-se de tudo. Embora se aparente ao nazismo, uma diferença estilística significativa é a maciez de um e a agressividade do outro.

De todo modo, os nazistas não eram só militarismo. Romantismo natureba, amor aos animais, conservacionismo ambiental e tara por alimentação “natural” (vegetarianismo seria natural) são traços do nazismo bem sabidos por estudiosos (esse assunto está condensado em The Nazi War on Cancer, de R. Proctor), embora não pelo público geral. Se você visse um macrobiótico sensível num campus dos anos 40, com certeza não era um comunista.

Natalismo comunista

A coisa mais antinatureba do mundo é o comunismo. Marx é o responsável pelo fetiche da industrialização que faz países agrários desprezarem as suas riquezas naturais, pois o progresso humano está estritamente relacionado ao proletário, que a seu turno só existe com indústria. No mais, comunismo e natalismo até pelo menos a década de 60 andaram de mãos dadas. O Estado queria que as mulheres tivessem tantos filhos quanto possível e, se não pudessem criar, os romenos de Ceaucescu os despachavam para orfanatos estatais. A URSS de Stálin era natalista e a China de Mao também.

De fato, a URSS tem uma história ambígua com o aborto. Em 1920, quando o poder central estava em guerra civil com os camponeses – causando assim fome nos centros urbanos – Lênin fez da URSS o primeiro país a liberar o aborto. Fez isso com o mesmíssimo léxico de “saúde da mulher” usado até hoje pela ONU, e ainda por cima gratuito. É possível que tenha sido pela fome, ou então por causa da vontade marxista de combater a “superestrutura burguesa” que é a família. Mas em 1924 já deu ruim e Lênin mesmo impôs muitas restrições ao aborto, deixando a lei parecida com a brasileira de hoje. Em 1936, o Camarada Stálin proibiu por completo o aborto, deixando a URSS igual ao Equador de Rafael Correa nesse sentido. Na Venezuela, os socialistas não mexeram na lei que só deixa em caso de risco à saúde da mãe.

Se alguém hoje quiser fazer um “aborto” às vésperas do parto, hoje só existem quatro países que deixam: China, Coreia do Norte, Canadá e… Estados Unidos. No caso dos EUA, isso se deve às decisões da Suprema Corte nos casos Roe e Doe, que, com muita hermenêutica e ativismo judicial, transformaram o aborto em direito constitucional. Esse expediente é mais um traço típico do progressismo.

Redução populacional como meta progressista...

Voltemos à metáfora de saúde. Uma doença antiga que todo mundo conhecia era a lepra (hoje chamada de hanseníase), e o "leproso" podia ser identificado a olho nu. Com o tempo, as pessoas perderam a capacidade de identificá-los, porque já quase não há mais leprosos pelo mundo. Com Aids era diferente: lá pelos anos 80, eram especialmente perigosos aqueles tipos de aspecto sadio, que tinham o vírus e passavam adiante aos desavisados, às vezes sem ele próprio saber. Proponho que se pense os EUA assim: como um organismo de constituição muito forte, infectado por um vírus letal, que o transmite para países mais frágeis, onde pululam os sarcomas de Kaposi. Pensem no Afeganistão “democrático” com cotas para mulheres no Parlamento, ou na Colômbia alinhada à guerra às drogas que hoje tirou a Estátua dos Reis Católicos por ser racista e aprovou aborto tardio via Judiciário. Por incrível que pareça, esse pode ser o caso da política de filho único da China, que saiu do Clube de Roma.

Como vimos, o antinatalismo é traço típico do progressismo e do neomaltusianismo. Este, a seu turno, dá a tônica da pauta verde. Em 1968, David Rockfeller e mais dois filantropos ambientalistas fundam o Clube de Roma com o humilde propósito de planejar o futuro da humanidade. O Clube existe até hoje e mudou-se para a Suíça. Sua obra mais famosa é The Limits to Growth (1977), feita por uma equipe do MIT liderada pelo casal Dennis e Donella Meadows. Ali estão as crenças de que o mundo irá colapsar por ter gente demais, comida de menos e poluição demais. Noves fora a poluição, é o maltusianismo de sempre enfeitado com tabelas.

Tendo em mente o fracasso histórico do maltusianismo, eles alegam que é preciso ou uma Revolução Verde na agricultura, que aumentasse a produtividade, ou um freio no crescimento da população. Eles dão por garantido que a Revolução Verde não ocorreu, nem aconteceria tão cedo (poderíamos dizer que tal revolução da produtividade agrícola aconteceu, sim senhor, no Brasil – mas os ambientalistas se empenham em atacar a produção alimentícia do nosso país!). Assim, resta, até por causa da poluição, controlar as taxas de natalidade. O equilíbrio global seria alcançado quando cada família se limitasse a ter dois filhos. As metas “realistas” eram amplo acesso a controle de natalidade “100% eficaz” e que as pessoas só tivessem filhos “que realmente quisessem”, sem porém haver coerção alguma. De alguma maneira, os burocratas sabiam que a redução a uma população aceitável aconteceria somente por meio do não-nascimento das “unwanted children” (p. 141).

Como fazer isso? “Não supomos”, dizem os autores, “que nenhuma dessas políticas necessárias para atingir a estabilidade sistêmica possam ou devam ser introduzidas o mundo por volta de 1975. Quando uma sociedade escolher a estabilidade como uma meta, deve se aproximar gradualmente. É importante dar-se conta, porém, de que quanto mais deixarem o crescimento exponencial continuar, menos possibilidades sobrarão para o estado final. A figura 8 [catastrófica] mostra o resultado de esperar até o ano 2000 para instituir as mesmas políticas que foram instituídas em 1975 [relativas a poluição e controle de natalidade]” (p. 165).

...Repassada à China

Em 1979, após tanto ouvirem no Grande Salto para a Frente defender que as mulheres tivessem uma montanha de filhos, os chineses se deparam com esterilização forçada, um problema típico de países progressistas. Súbito o governo instituíra a política do filho único. Não era mais Mao, mas sim Deng Xiaoping. Em 1978, o Presidente Jimmi Carter, democrata, fora à China comunista pela primeira vez. Em 1979, é a vez de Deng ir aos Estados Unidos. Das tratativas entre ambos saiu a suspensão aos embargos comerciais, que, junto a uma modernização interna – que acabou com a economia comunista –, criou essa China comercial de hoje.

Não é segredo nenhum que a política do filho único foi inspirada pelo neomaltusianismo ocidental (a culpa normalmente recai sobre um tal Song Jian). De todo modo, não podemos deixar de notar que o Clube de Roma pregava apenas dois filhos por casal, ao passo que a China instituiu um filho por casal. Não será factível que os progressistas dos EUA, sabendo da força de sua própria democracia, tenham usado o esqueleto da autoridade comunista para impor sua quota aos chineses?

Sabemos das desgraças causadas por Mao e Stálin porque os modelos políticos de ambos sofreram grandes derrotas. Hitler, em 1938, estava todo pimpão na capa da Times enquanto barbarizava o próprio país. Sofreram uma grande derrota, e soubemos das desgraças causadas por ele. Os progressistas nunca sofreram uma grande derrota. O Clube de Roma segue pimpão com o seu neomaltusianismo assassino, enquanto que a política do filho único é toda posta na conta dos comunistas. Precisamos enxergar as coisas com clareza.


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