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28 março 2025

Amor Líquido - A nova forma de se relacionar | ZYGMUNT BAUMAN












OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO

(Carlos Drummond de Andrade)



Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.


15 agosto 2024

Box Platão – Platão





SINOPSE
República e Górgias reunidos em box Na República, há a cidade, a polis, e as formas e estruturas de relacionamento e governo de seus cidadãos, os padrões de moral e de justiça que regulam o embate de seus interesses e a perfeita solução que lhes pode ser dada numa politeia ideal, em que o problema da tirania e da democracia encontram-se na pauta dos conflitos e dos debates.
Em Górgias, o leitor se aventura pelos caminhos dialógicos percorridos pelos interlocutores e logo constata que a discussão vai além da tentativa de definir o que é a arte da Retórica, ou se ela é uma arte.
À medida que o exame conduzido por Sócrates passa de uma personagem a outra, emerge a questão fundamental que é a do melhor modo de se viver: será a vida política da democracia ateniense, da qual a retórica é parte imanente, ou a filosófica, na imagem de Sócrates construída por Platão?

Tradução Leonel Vallandro da versão em francês




Aqui a tradução de J.  Guinsburg - Parte 01 e Parte 02

08 agosto 2024

O Contrato Natural - Michel Serres

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Do planeta, as ciências inventam modelos. Sobre ele, as nossas técnicas intervêm. E a Terra reage? E como? É urgente a escolha entre o prolongamento do combate feroz que o Homem tem feito à Natureza e o início do diálogo entre ambos. No limiar de uma luta de morte, é necessário prever um contrato. Acordo entre os homens para se preservar a Terra, com quem devemos, por outro lado, estabelecer paz para garantirmos a nossa própria sobrevivência. (Google Books)

EM INGLÊS 
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DOIS inimigos brandem os seus varapaus, em luta sobre as areias movediças. Atento às tácticas mútuas, cada qual responde golpe a golpe e replica com uma esquiva. Fora do cenário do quadro, observamos como espectadores a simetria dos gestos ao longo do tempo: que espectáculo magnífico e banal!

Ora, o pintor - Goya - fez mergulhar os dois contendores na lama até aos joelhos. A cada movimento, um buraco viscoso engole-os e ambos se enterram na lama gradualmente. A que ritmo? Isso depende da sua agressividade: na luta mais encarniçada, os movimentos mais vivos e secos aceleram o atolamento. Os beligerantes não adivinham o abismo em que se precipitam, mas do exterior, nós, pelo contrário, vemo-lo bem. (Os 2 parágrafos iniciais da obra)

10 maio 2024

Café Filosófico: Desejo sexual masculino e feminino









Ao longo da vida, conforme passam por diferentes experiências, homens e mulheres vão construindo um repertório sexual próprio, e a forma como o seu desejo se manifesta em cada fase vai mudando. A ideia de que o desejo não funciona da mesma forma para homens e mulheres parece já aceita, mas ainda há desafios na busca por uma vida sexual satisfatória tanto para elas quanto para eles. Neste Café Filosófico, a médica psiquiatra Carmita Abdo e o médico urologista João Afif Abdo falam sobre as nuances do desejo sexual masculino e feminino e as dificuldades mais comuns que homens e mulheres enfrentam. Gravado nos dias 21 e 28 de junho de 2013.


10 abril 2024

Schopenhauer em 90 Minutos – Paul Strathern


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Descrição do livro

Schopenhauer ficou conhecido como o ‘filósofo do pessimismo’. No entanto, era pessimista somente por declarar que o mundo é indiferente ao nosso destino, não é de propósito que ele nos frustra. Outros grandes filósofos dão a impressão de se portar da melhor maneira possível. Tudo é muito sério e digno. Saiba porque Schopenhauer acreditava que o mundo e a vida não passavam de uma piada de mau gosto.





Empirismo e Ceticismo - David Hume



Curso Livre de Humanidades - Filosofia.

Diferenças entre Hobbes, Rousseau, Locke e Thoreau

 






Comparação entre Thomas Hobbes, Jean-Jacques Rousseau, John Locke e Henry David Thoreau, destacando suas principais ideias sobre a natureza humana, o contrato social, a forma de governo e a propriedade privada:

Natureza humana:

  • Hobbes: Hobbes acreditava que os seres humanos são naturalmente egoístas, competitivos e movidos pelo desejo de autopreservação. Ele argumentava que, no estado de natureza, sem um governo para impor regras, a vida seria "solitária, pobre, sórdida, bestial e curta".


  • Rousseau: Rousseau tinha uma visão mais otimista da natureza humana em seu estado primitivo. Ele acreditava que os seres humanos eram naturalmente bons, inocentes e pacíficos, mas que a sociedade corrompia as pessoas. Para Rousseau, a civilização e a propriedade privada eram fontes de desigualdade e alienação.


  • Locke: Locke acreditava que os seres humanos nascem como uma "tabula rasa" (uma folha em branco), sem ideias inatas. Ele argumentava que as pessoas têm direitos naturais à vida, liberdade e propriedade, e que o governo existe para proteger esses direitos. Locke tinha uma visão mais moderada da natureza humana, sugerindo que as pessoas são racionais e capazes de cooperação pacífica.

Thoreau: Thoreau tinha uma visão profundamente otimista da natureza humana e acreditava na autossuficiência e na simplicidade como valores fundamentais. Ele argumentava que a sociedade moderna corrompe a natureza intrinsecamente boa do ser humano, e que as pessoas poderiam alcançar uma vida mais significativa e autêntica vivendo em harmonia com a natureza, longe das restrições e corrupções da civilização.

Contrato social:

  • Hobbes: Hobbes defendia a ideia de um contrato social no qual as pessoas concordavam em criar um governo forte e centralizado para escapar do estado de natureza caótico. Ele acreditava que as pessoas transferiam seus direitos individuais para um soberano em troca de segurança e ordem social.


  • Rousseau: Rousseau também propôs um contrato social, mas sua abordagem era diferente. Ele argumentava que as pessoas deveriam formar uma sociedade governada pela vontade geral, na qual todos participassem na tomada de decisões coletivas. Para ele, a liberdade estava na submissão às leis que a comunidade criava democraticamente.

Locke: Locke acreditava que os seres humanos nascem como uma "tabula rasa" (uma folha em branco), sem ideias inatas. Ele argumentava que as pessoas têm direitos naturais à vida, liberdade e propriedade, e que o governo existe para proteger esses direitos. Locke tinha uma visão mais moderada da natureza humana, sugerindo que as pessoas são racionais e capazes de cooperação pacífica.

Thoreau: Thoreau era crítico do governo e acreditava que a desobediência civil era um instrumento legítimo para protestar contra leis injustas. Ele se opunha à escravidão e à guerra, defendendo a resistência pacífica como uma forma de manifestar a consciência individual e de promover a mudança social.

Forma de governo:

  • Hobbes: Hobbes defendia um governo absolutista, no qual o soberano detinha poderes ilimitados para manter a ordem e evitar o caos. Ele acreditava que um governo forte era necessário para conter a natureza egoísta e impulsiva dos seres humanos.


  • Rousseau: Rousseau preferia uma forma de governo democrática e participativa, baseada na vontade geral do povo. Ele propunha uma forma de governo republicana na qual os cidadãos participassem ativamente na elaboração das leis e na tomada de decisões políticas.

Locke: Locke defendia um governo limitado e democrático baseado no consentimento dos governados. Ele acreditava que o poder do governo deveria ser separado e limitado por leis, e que os governantes deveriam agir de acordo com a vontade do povo. Locke também contribuiu significativamente para o desenvolvimento da ideia da separação de poderes, que posteriormente influenciou a elaboração das constituições modernas.

Thoreau: Thoreau era um defensor fervoroso da descentralização do governo e da autonomia individual. Ele acreditava em comunidades auto-suficientes e em uma forma de governo que permitisse máxima liberdade individual, ao mesmo tempo em que respeitasse a natureza e as comunidades locais.

Visão sobre a propriedade privada:

  • Hobbes: Hobbes via a propriedade privada como essencial para criar uma ordem social estável. Ele argumentava que, no estado de natureza, a ausência de propriedade levava ao conflito, e a propriedade privada era necessária para evitar disputas constantes.


  • Rousseau: Rousseau considerava a propriedade privada como uma fonte de desigualdade e alienação. Ele acreditava que a propriedade privada levava à exploração e à divisão entre ricos e pobres. Em seu estado ideal, a propriedade seria comunal e compartilhada igualmente por todos.

Locke: Locke via a propriedade privada como um direito natural, derivado do trabalho e da mistura do trabalho humano com recursos naturais. Ele argumentava que as pessoas têm o direito de possuir e controlar suas propriedades adquiridas de forma justa, desde que haja suficiente e igual para os outros. Locke enfatizava a importância da propriedade privada como um incentivo para o trabalho árduo e para o desenvolvimento econômico.

Thoreau: Thoreau não era contra a propriedade privada em si, mas ele questionava a necessidade de uma busca incessante por riqueza material. Ele enfatizava a importância de viver uma vida simples e em contato com a natureza, valorizando experiências e conexões espirituais sobre a posse de bens materiais.

EM SUMA:

  • Hobbes acreditava na necessidade de um governo forte para conter a natureza egoísta dos seres humanos.


  • Locke defendia um governo limitado para proteger os direitos naturais das pessoas, incluindo a propriedade privada.


  • Rousseau propunha uma sociedade baseada na vontade geral, onde as pessoas participassem diretamente na tomada de decisões políticas, evitando a propriedade privada em prol da igualdade.


  • Thoreau, por sua vez, destacava a importância da simplicidade, da desobediência civil e da conexão com a natureza como meios para alcançar uma vida mais significativa e autêntica, questionando a necessidade das complexidades da sociedade moderna.

Cada um desses filósofos contribuiu de maneira única para o pensamento político e social, refletindo diferentes perspectivas sobre a natureza humana, o governo, os direitos individuais e a sociedade.


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