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26 julho 2013

Médicos em greve?

“Enquanto isto, na enfermaria, todos os doentes estão cantando sucessos populares.” 
(Legião Urbana in "Mais do Mesmo". De 2:32 a 2:47)




Sim, eu sei que não é só o salário, não é só dinheiro, médicos precisam de material para trabalhar, uma equipe boa, condições mínimas... Ocorre que não as há. Uma pressão é importante, mas não há condições, doutores. O que não se pode é apertar a tecla FUCK e cruzar os braços, pois o cidadão será severamente punido com isso, ainda mais.

Eu sei que o tema não é simples, mas, ó gente, façam outra coisa. Que tal pegarem em armas? Esqueçam, foi um devaneio meu.

STF suspende decisão que autorizou greve de médicos em Salvador


Mais de 1.500 médicos vão paralisar na Paraíba



Gripe ou Resfriado?




12 abril 2013

DILEMA DE UMA ESTUDANTE

Foto do Sr. Mauri Fernandes de Melo. 
Fonte: Juruá Online 


Por Christiane Sayuri Igarashi
Estudante de Medicina da UERJ


Hoje, mais um dia, sentada na cadeira de um auditório, ouvindo meus colegas falando sobre pacientes, me deparei com meus pensamentos... “Será que realmente estou me tornando uma médica de verdade ou, como disse Patch Adams, a faculdade está me transformando numa médica que eu não queria ser?” Onde está todo o humanismo, o carinho com os pacientes, que me fizeram ficar quatro anos tentando entrar para uma boa faculdade? Atualmente só tenho me deparado com preocupações com provas, notas, uma atrás da outra. Meu dia se resume às aulas, discussões, xérox e livros. Passo dia e noite enfurnada nos livros. Cadê o tempo de estar com os pacientes?
            Outro dia um professor me pediu para examinar um paciente. Então fui, conversei um pouco com o senhor (era um senhor muito simpático), colhi um pouco da história e comecei o exame. Ao final, ele começou a falar e chorar, dizendo que infelizmente ele não descobrira a doença antes e agora iria morrer. Comovida, fiquei ali conversando com ele. O professor chamou para me mostrar uma radiografia e fazer perguntas absurdas. “E o paciente?”, eu pensei. Deixo ele chorando e vou para a aula, afinal o que importa são as notas, não é? CLARO que não! Devo ficar com o paciente pelo menos até ele se sentir melhor! Que decisão mais difícil!...
            Meu dia-a-dia na faculdade está sempre cheio destes dilemas:
            — Chego mais cedo e vejo um paciente, ou descanso um pouco mais para conseguir estudar à noite?
            — Saio da aula e vejo um paciente, ou almoço e descanso cinco minutos para mais uma aula fatigante?
            Diariamente me questiono! É de se esperar que esteja desesperada e desiludida com a faculdade! Quando ficava ano após ano tentando vestibular para medicina o que me estimulava era o fato de que eu estava pronta para ajudas as pessoas.
            Quando finalmente entrei e todos me perguntavam por que eu queria fazer medicina, eu respondia sem sombra de dúvidas: eu sempre quis fazer medicina, quero ajudar as pessoas.
            E assim passei o primeiro e o segundo anos feliz com o pouco que aprendia e que já me servia para dar pequenos conselhos a quem me procurava. No terceiro ano, fui jogada dentro de um hospital. Esperava ser o ano mais feliz e legal. Afinal, estaria com pacientes. Que nada! Mal entrei e já tinha tantas síndromes, tantas doenças para saber... Qual não foi minha surpresa quando me vi desesperada, tentando entender todas as doenças ao mesmo tempo, que sinal há numa e qual noutra. Que remédio dar para uma e para outra. Totalmente perdida eu estava. Os pacientes? Em segundo plano, pois afinal eu tinha tanta coisa para saber que deixava até mesmo de ir à faculdade por uma semana, para estar para as provas.
            Quarto ano. Que bom, agora já sei examinar, fazer anamnese, compreendo algumas doenças. Tudo vai ser melhor. Que nada! Praticamente aposentei meu esteto. Aula teórica, prova, e a prática, que prática? “Examine rapidamente o paciente e vamos discutir”. Discutir, discutir, é só o que fazemos.
            E então, após analisar tudo isso, penso: será que é isso que eu realmente quero? Vejo pacientes morrendo e médicos dizendo: “depois vamos pedir a necropsia”, aterrorizando a família para ter a autorização. O que é isso? Isso é medicina? E pergunto outra vez: onde está a humanidade que nos fez entrar nesta faculdade tão difícil?

Fonte: VASCONCELOS, Eymard Mourão et alii (Org.) Perplexidade na Universidade: Vivências nos cursos de saúde. Editora Hucitec/Edições Mandacaru, São Paulo: 2006. Págs. 51-52.
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