Publicado pela primeira vez em 1843 como folhetim na revista “Panorama”, e finalmente em livro em 1878, “O Bobo” é um romance histórico de Alexandre Herculano, o autor português responsável pela introdução desse tipo narrativa em Portugal que mistura história e ficção, reconstruindo ficticiamente acontecimentos, costumes e personagens históricos.
A narração da obra decorre no ano de 1128, uns dias antes da batalha de S. Mamede que opôs o exército do jovem D. Afonso Henriques ao exército da sua própria mãe, D. Teresa, pelo trono de Portugal; no entanto as personagens históricas são relegadas para segundo plano e o ênfase é colocado em D. Bibas, o bobo da corte – alguém que Alexandre Herculano faz questão de sublinhar: “A história não conheceu”; ele é o protótipo dos personagens reais que, por profissão, adornavam as cortes da época, chamados de “bobos”, mas acaba também por representar todas as figuras anónimas, sem nome ou título, que sempre tiveram um papel fundamental no desenrolar de acontecimentos históricos mas que foram relegadas ao esquecimento. A mensagem da obra é pois clara: o individuo mais insignificante também tem poder para alterar o rumo da História.
