Mostrando postagens com marcador feminista. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador feminista. Mostrar todas as postagens

10 abril 2024

O Divórcio foi o tiro fatal do feminismo

 

“Quando um divórcio passa a ser apenas questão de tempo é sinal de que a sociedade está gravemente doente.”

Sim, o divórcio é a escravidão de nosso ego e nossos vícios se travestindo de liberdade!

Zé do Posto22/08/2021
10 min


Texto original escrito em 19/09/2017, revisado e atualizado em 22/08/2021:




Este texto não é uma verdade absoluta, apenas tem a finalidade momentânea de questionar a mutação social gradual e o uso do Deus Mercado para fins progressistas, o que mostra que o Capitalismo é apenas um sistema econômico e não uma bandeira política, tanto que até o mais vermelho dos esquerdistas (como Xi Jinping) parou de combatê-lo de fato.


Antes de discutirmos "divórcio", temos que discutir o que é Casamento. A instituição do casamento formal remonta do Direito Romano, do conceito de Pater Familias, onde cada família se regia com poderes de autoridade política e se estendiam para além dos laços sanguíneos daquele clã. Através da instituição do casamento os nomes e propriedades das famílias eram perpetuados e, na antiguidade, o poder familiar era muito grande sendo o casamento a oportunidade de firmar alianças entre clãs, buscando pouco a pouco uma hegemonia de poder.


Vamos nos ater ao "casamento cristão", já que a nossa civilização é essencialmente Cristã, mesmo pessoas que não são religiosas ou cristãs vivem sob o padrão civilizacional do Cristianismo.


Sob essa perspectiva, o casamento é um sacramento, uma união espiritual entre filhos de Deus para constituir família à luz do evangelho. Na Idade Média, a Igreja institucionalizou o matrimônio, inseriu Cristo na família e lhe deu a bênção nupcial, valorizando também a condição feminina - o que podemos ver na etimologia de "Matrimônio" (que vem de mãe, matriarcado).


"A constituição de uma família - da idade média à pré-modernidade - era o principal objetivo dos indivíduos, por diversos motivos, desde a manutenção de patrimônio e poder até a realização do amor romântico.”



Até meados da década de 70 era muito comum que as famílias se organizassem, impreterivelmente, com a mulher em casa cuidando do lar e da prole e o homem trabalhando para prover materialmente a família, tarefas delineadas rigorosamente e com o amor e a parceria como amálgama.


À mulher cabe a diplomacia e a serenidade para administrar os conflitos do cotidiano e manter a família sob seu julgo moral, sob sua supervisão e autoridade, em decorrência disso o poder da “mãe” é tão influente, inclusive em querelas judiciais pela guarda dos filhos. Ao homem cabe a proteção e a segurança exercendo, portanto, o papel de autoridade máxima da unidade familiar, o papel do "pai". Um homem alijado de sua masculinidade - seja desprestigiado pela esposa, destituído de poder material ou desonrado perante a sociedade - é uma autoridade fraca e aquela família estará em iminente ameaça.


A família em harmonia é aquela onde ambos se completam e sua presença constante garante à instituição familiar um sólido alicerce contra quaisquer ataques subversivos ou influências perniciosas do ambiente externo. Por isso há a necessidade de que os pensamentos e objetivos dos nubentes sejam os mesmos, algo muito complicado de se conseguir num presente onde o individualismo é tão exaltado.


A partir do final da década de 80 e início da década de 90, quando o divórcio – até então tratado como um tabu – passou a ser introduzido pouco a pouco na vida cotidiana, este papel firmemente delineado passou a se distorcer até ruir por completo.


"O divórcio é o resultado de conflitos que surgem quando o casal toma rumos individuais de pensamento e objetivos e passam a medir forças entre si, muito em razão da cultura onde estão imersos."


Pouco a pouco deixou de ser um tabu se tornando banal e, por conseguinte, banalizando a instituição do casamento em seu âmago. Ora, casar-se, até então, era uma decisão delicada que implicava em assumir um compromisso sério para o resto da vida, as pessoas costumavam ser bastante cautelosas em relação a isso. Os matrimônios eram precedidos de longos anos de namoro e noivado e, ainda assim, nada era garantia de sucesso.

E foi superestimando essa incerteza que as nossas queridas feminazistas conseguiram emplacar o divórcio e pulverizar o matrimônio, sempre com um discurso eivado de desfaçatez e sofisma, prometendo mundos e fundos mas entregando também uma dívida salgada.

Os direitos da mulher em um processo de separação são bastante generosos, justiça seja feita, pela sua primazia na guarda dos filhos. Ocorre que o homem não pode trabalhar para simplesmente dar todo o seu salário em pensão alimentícia, isso iria ferir de morte o princípio da razoabilidade, pois ele renunciaria o fruto de seu trabalho em prol de terceiros, razão pela qual o legislador estabeleceu um teto para a quantia a ser paga, normalmente 1/3 dos vencimentos.

Agora, sejamos sinceros: qual a possibilidade de uma pessoa sustentar uma casa com 1/3 do valor que outrora recebia integralmente? Nenhuma, isto é óbvio! E qual foi a solução? O Mercado de Trabalho, é claro!

Até então a inserção da mulher no mercado de trabalho era muito mais tímida e restrita às áreas estereotipadas como escolas primárias, serviço social e algumas poucas áreas profissionais liberais, e normalmente abandonavam a carreira quando se casavam para dedicarem-se ao outrora nobre papel de esposa, poucas continuavam trabalhando, normalmente quando eram muito pobres e tinham que ajudar a manter a casa.

Quando o nicho que lhes ofertava trabalho ficou saturado, elas se viram obrigadas a buscar qualificação e competir com homens em outras áreas, e é ai que vem a parte mais espinhosa deste texto: ESTA FOI A PIOR COISA QUE PODERIA TER ACONTECIDO.





Calma, feminazis e manginas! Antes de me chamarem de misógino, maxxxista, faxxxista e taxxxista, tenham a decência de ler todo o texto e pensarem com o pouco de massa encefálica que vos resta. Lembrem-se de que se prosseguiram até aqui foi porque leram a nota que escrevi no início do texto.


Vamos explicar porque o ingresso artificial da mulher no mercado de trabalho foi uma coisa péssima, sem passionalidade, apenas com racionalidade.

1. Aumento absurdo e abrupto na oferta de mão de obra


Lembro-me que teci uma crítica bem forte à Reforma Trabalhista do Vampirão Temer, especialmente por conta da nova lei de imigração.Havia dito que flexibilizar as relações de trabalho com uma iminente oferta de mão de obra oriunda de países miseráveis – pessoas que aceitariam quaisquer cláusulas absurdas em um contrato de trabalho pois estavam fugindo de uma situação de miséria – era uma receita certa para a desgraça.


Em uma escala parecida isso aconteceu quando os divórcios se multiplicaram e só não resultou em uma explosão de desemprego porque o Brasil estava com a economia em ascensão pela abertura do mercado e a estabilização da hiperinflação. Ainda assim o número de postulantes ao mercado é infinitamente superior ao número de vagas, o que implica num poder de barganha descomunal do empregador e na redução média de salários, agravadas por um ônus que originalmente não era das mulheres: o de prover a família.


Em países ricos isso não foi um problema porque a economia acompanhou esse crescimento. Muitas pessoas enxergaram uma oportunidade de abrir seus negócios e, ao invés da economia implodir, ela cresceu de maneira formidável.

2. Dupla jornada


Toda mulher reclama disso, sejam as conservadoras ou até mesmo as feminazis. O que foi conquistado não é uma mera “ocupação do espaço masculino” e sim um acúmulo desse ônus com as atribuições de uma mãe de família. O homem executivo continua sendo o que era antes, já a mulher executiva não deixou de ser a mãe das crianças para se dedicar exclusivamente à carreira, chega em casa e precisa dar atenção aos filhos no pouco tempo que tem, atenção esta que é exigida pelos filhos e quase que exclusivamente à mãe, justamente por sua condição de mãe.


No que isso tudo implica? Desde uma maior oneração da Previdência Social - uma vez que as mulheres tendem a se afastarem muito mais do que os homens, especialmente por gravidez e doenças com os filhos nos primeiros anos de vida – até na procrastinação e, em alguns casos mais extremos, desistência de ter filhos, sendo estes preteridos pela carreira.


O resultado disso vemos em duas partes do globo: no Brasil a Previdência incha e – aliados aos inúmeros calotes de grandes empresas e roubos do governo – quebra, dando a desculpa perfeita para uma reforma que manterá o mesmo esquema de pirâmide e forçará as pessoas a trabalharem mais ainda. Já na Europa, a população nativa diminui vertiginosamente, cumprindo assim a agenda do Clube de Roma para reduzir a população do planeta.

3 . Amplificação da Hipergamia


Embora o fato da mulher assumir uma posição carreirista não ser o principal insumo da hipergamia – esse posto ainda pertence às Redes Sociais – o fato da mulher estar em um ambiente de competição com homens inibe a essência colaborativa da mulher em suas funções tradicionais e é muito comum que essa competição seja levada também ao lar, passando ela a enfrentar o marido por não ter mais a mesma admiração de outrora por ele, tudo isso graças a inflação dos padrões de “alfa” e “beta” dela, que passa a ter nota de corte superior, já que ela tem contato com homens de maior projeção social e elas mesmas podem obter esse poder (quem conhece a natureza da mulher sabe que isso é uma conta que não fecha).

4. Terceirização do pátrio poder


Eis que finalmente chegamos no ponto mais diabólico das consequências desse novo arranjo familiar: a terceirização do papel de pai e mãe.


Aqui foi dado o tiro de misericórdia na família cristã, uma vez que com os pais preocupados demais em trabalhar para ganhar dinheiro tendem a transferir o mister de educar os filhos para as escolas e outros agentes sociais. E o Estado se molda de maneira a permitir esse avanço inexoravelmente, haja vista que as escolas de tempo integral são metas do Plano Nacional de Educação além de todos os acadêmicos da pedagogia corroborarem com pensamento daquele velho asqueroso chamado Paulo Fezes, que outorga ao professor um papel muito maior daquilo que lhe é cabido.


Por mais que os docentes sejam doutrinados a doutrinar, é recorrente a reclamação de alguns que, em poucos minutos de lucidez, bradam pela omissão das famílias e do acúmulo de obrigações, apenas um dos muitos problemas da educação brasileira. O cerne é: quando os pais deixam de ser referência, alguém será: um professor, um YouTuber, um funkeiro ou qualquer um que lhe capture a atenção.


E tudo começou com a simples e inocente inserção do tema divórcio numa trama paralela de um personagem pequeno na novela da Rede Goebbels, que logo tornou a ser abordado em outra novela com um personagem maior, depois foi tema de programas jornalísticos e, em meio ao preconceito superestimado, o politicamente correto se encarregou de incutir na mente das pessoas que aquilo era “fruto da modernidade”, taxando de “troglodita” todos aqueles que a ele se opusessem.





Assim também foi com a promiscuidade, a gravidez na adolescência e hoje se repete com essa repulsiva propaganda homossexual divulgada na mídia, tudo acontecendo de forma lenta e gradual, rumo a um caminho sem volta, tal qual Gramsci apregoava em seus cadernos do cárcere.


E por que é impossível reverter tudo isso? Aqui temos um casamento indissociável entre o politicamente correto e o liberalismo: mesmo que uma mulher deseje abandonar a carreira para se tornar uma dona de casa ela somente conseguiria se fosse rica o bastante para continuar terceirizando o pátrio poder (por meio de babás, brinquedos caros etc), uma vez que é impossível manter o caro padrão de vida atual quando abdica de suas atividades remuneradas e, ainda que renuncie também a este alto padrão, seria trucidada pelas opiniões estigmatizadas e depreciativas em relação às donas de casa.


Algumas correntes apontam isso como uma espécie de “Feminismo de 5ª Onda”, onde o empoderamento é o de capturar a vida de dona de casa com o luxo de uma princesa e a proteção que o Estado lhe deu por meio de leis e de narrativas pró-mulher.


Sem contar a supersexualização da sociedade, o que dispensa a necessidade de compromisso para que pessoas tenham relações sexuais de maneira promíscua. O trágico resultado disso é que os relacionamentos se tornaram extremamente voláteis e materialistas, as decisões sobre casamento hoje estão bem inconsequentes e a essência dessa instituição está cada vez mais falida.


Tudo isso é apenas a metástase do câncer que se alastra nas relações interpessoais há décadas! Acho praticamente impossível reverter a situação deste ponto em que chegou, o feminismo venceu a guerra dos sexos.



04 março 2024

Mulheres no governo


Crianças governam o meu povo; o poder está nas mãos das mulheres. Meu povo, as autoridades estão enganando vocês, estão lhes mostrando o caminho errado. 
(Isaías 3:12)

........................................
 
Embora tenha procurado repetidamente, ainda não encontrei o que busco. Entre mil homens, somente um é sábio; mas entre as mulheres não achei uma sequer! 
(Eclesiastes 7:28)










27 julho 2023

O feminismo como a grande causa revolucionária

Fonte: http://www.sweetjuniperinspiration.com/2013/05/my-favorite-dads-from-anti-suffrage.html


Por Mário Chainho
(11/09/2016)

O feminismo não começa na inveja, ao contrário do que muitos pensam. A inveja existe “desde sempre”, ao passo que o feminismo é um fenómeno relativamente recente na História.

Na realidade, como quase todos os fenómenos sociais, o feminismo teve as suas origens nas classes mais invejadas, ou seja, em certas elites que no final do séc. XIX começaram a defender algumas “causas”, como a das sufragistas. No fundo, era uma resposta à sufocante mentalidade burguesa embora vinda também, em grande parte, dos próprios burgueses enfadados com a vida e que facilmente encontravam emoção nas ideias revolucionárias.

A sociedade burguesa criou inúmeras contradições e esta foi apenas mais uma. A sociedade tinha um nível de riqueza nunca visto antes e, por isso, foi dado às mulheres o privilégio de não terem de trabalhar. Mas num mundo de aparências, um privilégio não aproveitado é visto como uma afronta, e rapidamente se constituiu numa espécie de obrigação. Por outro lado, o privilégio dos homens serem os únicos votantes enfrentava dois empecilhos na sociedade burguesa: por um lado, o homem já não cumpria mais a função de chefe e defensor da família, sendo essas funções cada vez mais desempenhadas pelo Estado; por outro lado, isso contrariava a ideologia da “igualdade”, que deixava de ser uma “igualdade perante Deus” para ir se transformando numa fantasia de igualitarismo social. Assim, é natural que que o alargamento do direito de voto às mulheres tenha sido a principal bandeira do início do feminismo, porque era a solução mais lógica para as contradições existentes. Na realidade, há quem nem chame esta primeira fase de feminismo, por parecer uma coisa tão diferente e muito mais decente que o feminismo tardio, mas há uma factor comum, que é a confusão inocente e propositada de alguns factores, como a assinalada confusão entre privilégio e obrigação.

O feminismo na primeira metade do século XX não tinha condições para ampliar o seu espectro de reivindicações e de se espalhar pela população. É fácil de perceber porquê, dado que nas duas guerras mundiais foram os homens que tiveram o “privilégio” de ir morrer em massa nos conflitos. Apenas depois da Segunda Guerra Mundial e de se ter espalhado a ideia de uma paz perpétua kantiana foi possível começar a reivindicar para as mulheres os mesmos direitos que os homens tinham. Podemos questionar se a Guerra Fria não podia ter colocado um freio nisto mas, se olharmos com atenção, vemos que não. Depois de se ter percebido os efeitos das armas atómicas e nucleares, ficou patente que as armas tinham um poder tão grande que o os seres humanos tinham um papel irrelevante, quer fossem homens ou mulheres. Isto na realidade não era bem assim, mas de certa forma criou a ideia de que as armas modernas tinham igualado as mulheres aos homens.

O feminismo do pós-guerra (ou segunda onda do feminismo, como por vezes é chamado) já não tem apenas uma certa dose de contradição embutida, o que é quase inevitável em qualquer proposta real, mas é essencialmente uma fraude. É até incompreensível que tão pouca gente tenha se dado conta de que a suposta libertação das mulheres era na realidade uma escravidão de facto, onde havia uma pequena dose de liberdade para alguns caprichos. Primeiro, o direito das mulheres trabalharem em todo o tipo de postos era, como é óbvio, o fim de um privilégio, mesmo que este possa ser sentido com incómodo. Em segundo lugar, a mulher era libertada da “escravidão da natureza”, e já não era mais obrigada a ser mãe e podia ser “o que ela quisesse”. Mas isto era feito com o auxílio da ciência, o que criava uma situação peculiar e que ainda hoje pouca gente quer perceber.

A ciência moderna possibilitou que existisse uma coisa chamada “planeamento familiar”, que hoje é um considerado quase que universalmente como um bem inegável. Mas o planeamento familiar quer dizer, primeiro que tudo, que os filhos já não são uma dádiva de Deus (ou da natureza) mas são fruto de uma escolha deliberada dos pais. Parecia uma milagrosa libertação do ser humano dos ciclos impostos pela natureza, e agora cumpria-se a proposta humanista da soberania do “eu”. De início, o planeamento familiar foi usado sobretudo para limitar o número de filhos, ou seja, ao invés dos casais terem 7, 8 ou mais filhos, passavam a ter apenas 2 ou 3. Mas, vendo bem, para quê ter 2 ou 3 filhos quando se pode ter apenas um? As famílias libertavam-se supostamente da natureza, mas tinham agora de viver numa sociedade estruturada cada vez mais pelas ciências, em que praticamente “tudo o que não era proibido se tornava obrigatório”. Os bens de consumo irrelevantes criados pela ciência e pela tecnologia obrigavam também que as pessoas adiassem cada vez mais a paternidade e se dedicassem a períodos cada vez mais extensos de futilidade. Assim, as mulheres que na idade média começavam a ter filhos pelos 14 anos, no pós-guerra já começavam a ser mães pelos 24, e mais recentemente serão mães (quando o são) mais por volta dos 34 anos. Por essa altura as mulheres já devem ter perdido as ilusões de que iriam ser todas administradoras de grandes empresas e percebem que andaram a desperdiçar os seus melhores anos a fazer coisas que apenas lhes criam uma sensação de vazio.

O feminismo parecia ser uma coisa em extinção no início dos anos 90. Por um lado, a parte mais folclórica do feminismo – mulheres queimando soutiens e não fazendo depilação – era ridicularizada. Por outro lado, o modo de vida moderno, anti-família e cheio de 'stress', tornava-se cada vez mais desconfortável. Havia uma certa vontade de “voltar atrás” e foram tempos em que papa João Paulo II tinha algum impacto na sociedade apelando a um modo de vida mais “conservador”.

Contudo, a causa feminista tinha um potencial revolucionário enorme e não foi descartada assim facilmente. A clássica “luta de classes” marxista cria uma certa fractura social, que na verdade já existe em alguma medida, mas tem um alcance limitado, porque estas classes já vivem mesmo largamente separadas. Mas o feminismo divide literalmente a humanidade ao meio e coloca um parte contra a outra em permanência. Assim, o feminismo foi renovado e tornado ainda mais radical. Podemos questionar como foi possível renovar um movimento que tinha caído num descrédito tão grande. Isso acontece porque novas gerações entram em acção na sociedade e, por regra, ignoram quase tudo o que veio antes delas. Desta forma, estas gerações são facilmente manipuladas pelos velhos revolucionários, que na verdade são dos poucos que compreendem como funcionam as transformações sociais.

O feminismo de terceira vaga não se limita a pedir igualdade de direitos, o que já era algo com uma grande dose de falsidade, mas exige uma reparação histórica pelas injustiças cometidas às mulheres. É impressionante como o argumento podia ser rebatido em grande parte ou mesmo até invertido, bastando lembrar como as mulheres foram largamente poupadas ao esforço da guerra ao longo dos milénios. Mas foi possível implementar a fraude porque a industria da comunicação social, as universidades, o mundo do espectáculo, as editoras e demais instâncias culturais passaram a responder a umas poucas vozes. Assim, em pouco tempo cria-se a ilusão de que está ocorrendo uma grande transformação social, o que depois se transforma numa profecia auto-realizada, dado o estado atomístico em que as pessoas se encontram, tendo pouco mais liberdade do que colocar em prática o desejo mimético.

Os efeitos desta terceira vaga de feminismo têm sido catastróficos. Hoje, muitos homens morrem de medo das mulheres e acham que nunca poderão fazer o suficiente para aliviar uma data de culpas históricas que receberam à nascença. Isto quer dizer que temos já uma ou duas gerações que praticamente já não conhecem o sexo oposto a não ser de forma esquemática e enviesada. De certa forma, o preservativo é o símbolo perfeito para ilustrar estas gerações, que necessitam de uma protecção para se aproximar do outro sexo, tal o perigo que ele encerra. Ao mesmo tempo, as mulheres talvez estejam mais vulneráveis aos predadores sexuais do que em qualquer outra altura, porque estes não se preocupam com as convenções sociais e os outros homens não imaginam que têm a função de proteger as mulheres.

Mas o pior deu-se ao nível da alteração da percepção do valor da vida. A contradição de certa forma estava embutida na proposta humanista, que foi em muito ajudada pelo liberalismo tornado ideologia política, que é o eterno capacho dos socialistas. O ser humano que se torna no critério último, na prática vai impor-se sobre o outro. Assim, a mulher que não é mais obrigada a conceber, caso venha a ser mãe é porque já está a fazer uma concessão ao filho. Neste contexto incontestado, o aborto tornar-se-ia, mais tarde ou mais cedo, num direito libertador. Aquelas pessoas que são contra o aborto porque este significa a morte de um ser humano não percebem que este argumento tem pouca ou nenhuma eficácia em sociedades em que o feminismo se implantou quase como se fosse senso comum. Depois de se espalhar a ideia de planeamento familiar, cada vida humana é fruto da liberdade do casal, caso contrário é considerada uma irresponsabilidade. Assim, a liberdade de escolha antecede e, aparentemente, afigura-se como superior à própria vida humana.

Mas isto não é auto-contraditório? Sim, porque o valor da liberdade humana deriva da própria existência humana, pois só quem é vivo pode decidir. Contudo, o ser humano tem a capacidade de se abstrair da experiência real e apenas considerar uma parcela, podendo depois tomá-la como absoluta. E a abstraccão não tem que ficar por aqui e, por isso, o aborto está longe de ser o limite. O império da liberdade humana exigirá, pela sua própria natureza demente, que o infanticídio e a pedofilia façam parte dos direitos humanos.





15 novembro 2022

O caso da mocinha não-alienada




A mocinha não-alienada compra um livro sobre um marido que senta o cacete na esposa, força ela a ter sexo com ele numa relação de submissão física, bate com a cinta, enforca com a gravata e dá uns bons murros no rosto delicado dela.

Depois de ler o dito livro, a mocinha não-alienada o guarda na estante, ao lado de Laranja Mecânica, um outro livro, indicado pela professorinha de Sociologia, que conta a história de uma gangue de jovens que espancam um sem-teto idoso, tacam pedras em mulheres e estupram duas meninas com extrema violência.

Já é tarde. Mocinha não-alienada tem que terminar de assistir o episódio de Game of Thrones. Sabe qual é? Aquele seriado que é regado à tomadas rápidas de estupros, violência sexual e torturas de mulheres. Eufórica e excitada, ela não pode perder o último episódio.

No dia seguinte, mocinha não-alienada levanta cedo pra garantir um lugar confortável na sala de aula. É o dia em que seu professorzinho make-love-not-war de Filosofia passará o filme Ensaio Sobre a Cegueira, de Saramago, no qual mulheres cegas acabam sendo forçadas a fazer sexo com velhos, com cenas que vão de meninas até idosas sofrendo estupros coletivos.

Satisfeita com um dia produtivo na escola, mocinha não-alienada chega em casa exausta — mas psicologicamente pronta, sem abalo emocional, pois ainda precisa terminar a resenha do best-seller Memórias de Minhas Putas Tristes, que o professor de Literatura passou, sobre um velho que quer fazer sexo com uma jovem virgem enquanto ela dorme.

As horas vão passando e mocinha não-alienada percebe que o debate presidencial americano vai começar. Enquanto guarda suas lições na escrivaninha do quarto, todo decorado com pôsters de Ernesto Che Guevara — o ditador que estuprava burguesas ricas e queria exterminar negras — já deixa a TV no canal privado da BBC, emissora que tem as mesmas opiniões de Mocinha não-alienada.

Eis então que mocinha não-alienada escuta Hilary Clinton lembrando que Donald Trump disse, uns 20 anos atrás, como ele gosta de vaginas, mas não é muito chegado em gordas.
De repente, mocinha não-alienada sente que precisa entrar no Facebook pra escrever um post sobre como Trump odeia e apóia a violência contra mulheres, e que somente o feminismo, movimento que ela coordena no grêmio estudantil, é capaz de barrar discursos machistas como esses.

Não sabe que pokemon é este? Eu dou a dica: pelo dedo se conhece o leão.

(Do Facebook de Guilherme Gama: https://www.facebook.com/guilherme.gama.31)



07 maio 2022

aborto

 




O aborto é um ato terrível, assassinato de bebês ainda na barriga.
Todavia, não sou a favor de que a lei o proíba, por uma razão pragmática: cristãs não abortam, mas mulheres progressistas e feministas abortam a rodo. É bom que o façam. Não queremos que elas se multipliquem.



CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO

Art. 2º A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro.

O Código Civil estipula, como marco inicial da personalidade (em sentido subjetivo) da pessoa natural, o momento do nascimento com vida. Com isso, o Direito Civil brasileiro filia-se à corrente natalista, que se contrapõe à corrente concepcionista, segundo a qual a personalidade da pessoa humana inicia-se no momento da concepção. Embora o Código Civil brasileiro tenha seguido indiscutivelmente a corrente natalista, a parte final do dispositivo “põe, a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro”. Vale dizer: embora não seja ainda dotado de personalidade em sentido subjetivo, isto é, de aptidão genérica para ser titular de direitos e obrigações, o nascituro tem alguns de seus interesses (futuros e eventuais) protegidos, desde logo, pela ordem jurídica. Por exemplo, o Código Civil admite que seja feita doação ao nascituro (art. 542) e reconhece vocação hereditária a pessoas “já concebidas” no momento da abertura da sucessão (arts. 1.798,1.799, I, e 1.800, § 3º). A legislação especial também está repleta de exemplos de proteção aos interesses do nascituro. O Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n. 8.069/1990), por exemplo, declara expressamente, em seu art. 26, parágrafo único, a possibilidade de reconhecimento de paternidade, mesmo antes do nascimento. A doutrina discute se tais hipóteses configuram tecnicamente “direitos do nascituro”, como afirma literalmente o art. 2º do Código Civil, ou mera expectativa de direito, a depender de um fato futuro (nascimento com vida) para produzir efeitos. Se o nascituro não detém personalidade, parece claro que não pode ser titular de direitos de nenhuma natureza. Tampouco a expectativa de direito é categoria que possa encontrar aqui adequada aplicação. Na expectativa de direito, o direito não existe por completo, mas já existe o sujeito, o que, no caso do nascituro, tecnicamente inexiste. O que ocorre em relação ao nascituro, a rigor, é a proteção objetiva pela ordem jurídica de interesses futuros e eventuais que poderão vir a se converter em direitos no momento do nascimento com vida do seu titular. Esses interesses futuros e eventuais do nascituro são protegidos objetivamente pela ordem jurídica, em atenção à probabilidade de que o titular venha a existir em breve e por razões de conveniência social. Questão que tem suscitado amplo debate na sociedade brasileira diz respeito à chamada proteção jurídica dos embriões, especialmente em face dos procedimentos de fertilização in vitro. Os embriões somente se tornam nascituros no momento em que são implantados no útero materno. Por isso, não gozam de personalidade, nem sequer têm interesses futuros e eventuais tutelados pela legislação. Ainda assim, há autores que sustentam que os embriões in vitro têm direito à vida e ao tratamento digno, por serem potencialmente pessoas humanas. A proposta deve ser examinada com extrema cautela, porque poderia criar obstáculo jurídico insuperável à discussão de temas importantíssimos, como as pesquisas com células-tronco e a descriminalização do aborto. A melhor abordagem aqui parece ser a imposição, em procedimentos de fertilização e pesquisas científicas que possam resultar no descarte de embriões humanos, de deveres de segurança e cuidado compatíveis com a especial natureza dos embriões, sem, contudo, pretender lhes atribuir personalidade jurídica. Nessa direção, o Enunciado n. 2 da I Jornada de Direito Civil afirma: “Sem prejuízo dos direitos da personalidade nele assegurados, o art. 2º do Código Civil não é sede adequada para questões emergentes da reprogenética humana, que deve ser objeto de um Estatuto próprio”. (Fonte: Código Civil Comentado)
 

25 maio 2016

A escravidão da mulher



Por Carlos Ramalhete

A maior vítima do mundo moderno – fruto das revoluções Industrial e Francesa – foi indubitavelmente a mulher. A nova sociedade burguesa, separando o local de trabalho do de moradia, não apenas forçou as mulheres a uma dupla jornada, como as tornou duplamente prisioneiras. A casa, não mais um local de produção como nas eras agrárias anteriores, tornou-se uma gaiola onde se condena as mulheres a passar a vida espanando, varrendo e cuidando de um espaço ínfimo e fechado. Ao mesmo tempo, as que foram forçadas ao trabalho externo – predominantemente nas classes baixas – passaram a ter de abandonar os filhos e o lar para ajudar o marido a levar pão para casa.

Esta situação insustentável durou da virada do século 19 a meados do século passado, gerando o feminismo, solução errada para um problema real. Mulheres de classe média, desinteressadas por homens ao ponto de adotar como lema “a mulher precisa de um homem tanto quanto um peixe de uma bicicleta”, as primeiras líderes feministas esforçaram-se não por reconstruir um espaço para o feminino no mundo, mas por masculinizar a mulher.

Sua tacanha visão burguesa, limitada ao exíguo lar de classe média, fê-las ver com inveja a dupla escravidão da mulher de classe baixa e instar suas seguidoras a lançar-se ao famigerado “mercado de trabalho”, adotando, elas também, a dupla jornada.

Conseguiram. Hoje não apenas se espera que a mulher pobre seja forçada a um emprego tão pouco recompensador quanto operar o caixa de um supermercado, como se faz o mesmo com a mulher de classe média. Desde cedo ela é incentivada a procurar uma profissão rentável, a tornar-se uma profissional independente.

Ora, é tão trágico que a mulher seja independente como que o homem o seja. Um depende do outro. A interdependência do matrimônio, já ferida pela sociedade burguesa ao arrancar o homem do lar para ir ganhar o seu pão longe dele, sofreu um golpe ainda mais feroz. E este golpe é ainda mais doloroso, por ir contra as lealdades naturais da mulher. Um homem suporta, a contragosto, separar-se da família por todo o dia. Para uma mulher, abandonar seus filhos é negar sua razão de ser.

Urge aproveitar as oportunidades geradas pela sociedade pós-industrial para recriar a forma natural de produção, em que cada lar é uma sociedade não apenas de vida, como de produção e comércio. Maridos e mulheres, trabalhando juntos e educando os filhos na sua profissão, formam uma microssociedade muito mais feliz e realmente independente que qualquer delírio feminista.




Publicado no jornal Gazeta do Povo.


Carlos Ramalhete é professor.



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...