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21 agosto 2024

Dissidentes do Islã, os melhores aliados do Ocidente

ESCRITO POR GIULIO MEOTTI | 11 JULHO 2016 

Ayaan Hirsi Ali, autora que teve de fugir da Holanda para os EUA.

O Islã, alerta o autor de best-sellers argelino Boualem Sansal, irá dividir a sociedade européia. Em uma entrevista concedida à mídia alemã, esse corajoso escritor árabe pintou um quadro da Europa subjugada pelo Islã radical. De acordo com Sansal, os ataques terroristas em Paris e Bruxelas estão direcionados ao modo de viver ocidental: "vocês não conseguem nem derrotar os fracos estados árabes, então eles trouxeram os quintas colunas para que o Ocidente se autodestrua. Se tiverem sucesso a sociedade cairá".

O Sr. Sansal, que vem sendo ameaçado de morte, pertence a um crescente contingente de dissidentes muçulmanos. Eles compõem o melhor movimento de libertação para milhões de muçulmanos que aspiram praticar sua fé pacificamente, sem terem que se submeter aos ditames de fundamentalistas e fanáticos. Esses muçulmanos dissidentes aspiram alcançar a liberdade de consciência, coexistência entre religiões, pluralismo na esfera política, direito de criticar o Islã e respeito à vigência do estado de direito. Para o mundo islâmico a mensagem dos muçulmanos dissidentes pode ser devastadora. É por isso que os islamistas estão à caça deles.

São sempre indivíduos que fazem a diferença, como por exemplo: Lech Walesa, que fez toda a diferença. A União Soviética foi derrotada por três pessoas apenas: Ronald Reagan, o Papa João Paulo II  e os dissidentes. Quando o professor Robert Havemann faleceu na Alemanha Oriental, poucos ficaram sabendo. Este corajoso crítico do regime estava confinado em prisão domiciliar em Grünheide, sob os cuidados da Stasi. Mas o velho professor jamais se deixou intimidar. Ele continuou lutando pelos seus ideais.

O herói do anticomunismo tchecoslovaco, Jan Patočka, morreu sob pesado interrogatório policial. Patočka pagou com a vida o preço do silenciamento. Suas palestras brilhantes foram reduzidas a um seminário clandestino. A despeito de ser impedido de publicar, ele continuou trabalhando clandestinamente em um minúsculo apartamento.

Caçado pela KGB, Alexander Solzhenitsyn escreveu os capítulos do Arquipélago de Gulag entregando-os a amigos de confiança, de modo que nenhum deles tinha posse do manuscrito completo. Em 1973 havia apenas três cópias da obra. Quando a polícia política soviética extorquiu a datilógrafa Elizaveta Voronyanskya, para que ela delatasse um dos esconderijos, acreditando que a obra-prima estava perdida para sempre, ela se enforcou.

Hoje uma nova Cortina de Ferro está sendo construída pelo Islã contra o resto do mundo e os novos heróis são os dissidentes, os apóstatas, os heréticos, os rebeldes e os descrentes. Não é mera coincidência que a primeira vítima de uma fatwa tenha sido o escritor indiano/britânico Salman Rushdie, de família muçulmana.

Pascal Bruckner chamou-os de "os livres pensadores do mundo muçulmano". Nós devemos apoiá-los  a todos os dissidentes. Porque se de um lado os inimigos da liberdade vêm de sociedades livres, aqueles que se ajoelham diante dos agentes de Alá, por outro alguns dos mais corajosos defensores da liberdade vêm dos regimes islâmicos. A Europa deveria dar apoio financeiro, moral e político a esses amigos da civilização ocidental, enquanto a nossa desonrosa elite, educada e intelectual, está ocupada difamando-os.

Por exemplo, o autor argelino Kamel Daoud, que chamou a Arábia Saudita de "ISIS que deu certo", recentemente causou uma confusão, sendo acusado de "islamofobia", por ter dirigido sua fúria contra um povo ingênuo, que ele diz ignora o abismo que separa o mundo muçulmano da Europa.

Outro exemplo, o jurista Afshin Ellian, exilado iraniano, atualmente na Holanda, trabalha na Universidade de Utrecht, e depois do assassinato de Theo Van Gogh, é protegido por guarda-costas. Após o massacre de Charlie Hebdo, enquanto a mídia europeia se empenhava em culpar os cartunistas "idiotas", Ellian promovia um apelo: "não deixem que os terroristas determinem os limites da liberdade de expressão".

Outra dissidente e autora corajosa, Ayaan Hirsi Ali teve que fugir da Holanda para os EUA, onde ela rapidamente se tornou uma das intelectuais mais proeminentes.

O prefeito marroquino de Roterdã Ahmed Aboutaleb, também vive sob proteção da polícia. Recentemente ele sugeriu aos seus 'companheiros' muçulmanos que protestavam contra as liberdades que encontraram no Ocidente que "fizessem as malas e se f...". Um cristão, heroico defensor dessas liberdades na Holanda, Geert Wilders, está sendo julgado sob a acusação de "discriminação". "Estou na prisão", disse ele, referindo-se aos locais seguros que ele tem que se esconder, "e eles passeiam por aí livremente".

Muitos desses dissidentes são mulheres. Shukria Barakzai, política e jornalista afegã, declarou guerra aos fundamentalistas islâmicos depois que polícia religiosa do Talibã a espancou por ela ter ousado sair sozinha sem uma escolta masculina. Um homem bomba detonou os explosivos amarrados ao seu corpo perto do carro dela, matando três pessoas. Kadra Yusuf, uma jornalista somali, se infiltrou em mesquitas de Oslo para criticar energicamente os imãs, principalmente no tocante à mutilação genital feminina, que sequer é exigida no Alcorão ou nos hádices (relatos sobre a vida de Maomé). No Paquistão, Sherry Rehman pediu "uma reforma nas leis paquistanesas que tratam da blasfêmia". Ela arrisca sua própria vida todos os dias. Ela é considerada pelos islamistas "adequada para ser morta" por ser mulher, muçulmana e ativista secular. A autora e psiquiatra síria/americana, Wafa Sultan, também foi considerada "descrente" merecendo morrer.

Recentemente o jornal Le Figaro publicou uma longa lista de personalidades muçulmano/francesas ameaçadas de "execução". "Colocadas sob permanente proteção policial, consideradas traidoras por fundamentalistas muçulmanos, vivem um inferno. Aos olhos dos islamistas, a liberdade dessas pessoas é um ato de traição à ummah (comunidade)". Elas são escritoras e jornalistas da cultura árabe/muçulmana que criticam a ameaça islamista e a violência inerente do Alcorão. Elas estão sozinhas contra o islamismo que usa o terrorismo concreto das Kalashnikovs e também contra o terrorismo intelectual que as submete à intimidação da mídia. Vistas como "traidoras" em suas comunidade, elas são acusadas pelas elites do Ocidente de "estigmatização".

A jornalista francesa Zineb El Rhazoui tem mais guarda-costas do que muitos ministros do governo de Manuel Valls e, por medida de segurança, vem mudando de casa com frequência nos últimos meses em Paris. Para esta jovem estudiosa, natural de Casablanca, que trabalha na revista semanal francesa Charlie Hebdo,caminhar pelas ruas de Paris se tornou algo inimaginável. Em 7 de janeiro de 2015 uma fatwa foi emitida que diz: "matem Zineb El Rhazoui para vingar o profeta".

Ameaças contra outra dissidente Nadia Remadna, não vêm de Raqqa na Síria, mas de sua própria cidade: Sevran, em Seine-Saint-Denis. Elas refletem a crescente influência dos islamistas nos territórios perdidos da República Francesa. Por qual "crime" ela foi considerada culpada? Ela criou a "Brigada das Mães" para combater a influência islamista sobre jovens muçulmanos.

O professor de filosofia, Sofiane Zitouni, teve que pedir demissão do emprego em uma escola muçulmana/francesa por conta do "islamismo insidioso".

O jornalista e ensaísta francês/argelino Mohamed Sifaoui, autor de diversas investigações sobre círculos islamistas, é vítima de dupla ameaça. Ele é alvo primordial tanto de fundamentalistas quanto dos "tolerantes" grandes inquisidores. Sentenciado a dois anos de prisão pelo regime argelino por ofensas à imprensa", depois assediado por islamistas, Sifaoui pediu asilo político na França em 1999, jamais voltando a por os pés na Argélia. Desde então Sifaoui tem visto sua foto e nome juntamente com as palavras "le mourtad", o apóstata em websites islamistas, o que quer dizer que ele está marcado para morrer. A proteção policial francesa em torno dele tem sido total desde 2006, quando ele defendeu a liberdade de expressão da revista satírica francesa Charlie Hebdo.

Cerca de quinze testemunhas prestaram depoimento a favor da revista Charlie Hebdo. Entre elas se encontrava o falecido ensaísta muçulmano/tunisiano Abdelwahab Meddeb, que teve a coragem de desafiar todo o establishment muçulmano/francês que tentou calar a revista Charlie Hebdo. Meddeb queria mostrar que "não se tratava de ninguém contra o Islã e sim o Islã evoluído contra o Islã atrasado."

Também na França, Hassen Chalghoumi, o corajoso imã de Drancy, prega usando um colete a prova de bala. Quando ele sai na rua cinco policiais o acompanham armados com armas semiautomáticas. Isso não está situado fora da Linha Verde de Bagdá, está sim no centro de Paris. Chalghoumi apoiou a proibição do uso das burcas; fez uma visita sem precedentes ao memorial do Holocausto em Jerusalém; prestou homenagem às vítimas da redação da revista Charlie Hebdo se posicionou a favor de um diálogo com os judeus franceses.

Naser Khader, muçulmano liberal com cidadania dinamarquesa, que defendeu "uma reforma muçulmana", autor do livro "Honra e Vergonha", está sendo ameaçado de morte por grupos islâmicos.

Na Itália, o escritor Magdi Cristiano Allam, natural do Egito, vive sob proteção de guarda-costas por ter criticado o Islã político. O editor adjunto do principal jornal da Itália, Corriere della Sera, Sr. Allam, publicou um livro cujo título apenas já seria o suficiente para por sua vida em perigo: "Viva Israele."

Ibn Warraq vive atrás de um pseudônimo desde que escreveu o influente livro "Porque Eu Não Sou Muçulmano".

O blogueiro palestino Walid Husayin também é uma raridade. Na prisão por ter "satirizado o Alcorão, ele publicou recentemente um livro na França sobre sua experiência nos territórios palestinos, onde seu "ateísmo" quase lhe custou a vida.

Na Tunísia há um punhado de produtores de cinema e intelectuais que lutam pela liberdade de expressão, especialmente depois que o líder secular da oposição Chokri Belaid, foi assassinado. Também Nadia El Fani, diretora de "Ni Allah ni maître" ("Nem Alá Nem Mestre"), e Nabil Karoui, diretor da TV Nessma, estão ameaçados de morte e sendo processados, acusados de "blasfêmia". A "Primavera Árabe" na Tunísia não se transformou em um inverno islamista, como em outros lugares, isso graças principalmente a esses dissidentes.

Esses heróis sabem o que aconteceu com seus antecessores em "a guerra contra os intelectuais árabes". Escritores como Tahar Djaout foram mortos em 1993 pelos islamistas na Argélia, bem como o jornalista Farag Foda, famoso pelas fortes sátiras sobre o fundamentalismo islâmico. Antes de seu assassinato, Foda foi acusado de "blasfêmia" pela grande mesquita de al-Azhar. Uma dozena de blogueiros bengaleses também foram assassinados a sangue frio pelos islamistas pelo "crime" de "secularismo".

No ano passado o Presidente do Egito Abdel Fattah al- Sisi defendeu a reforma do Islã e a maneira como é ensinado, o clérigo do Islã sunita Sheikh Ahmed al Tayeb, chefe da Universidade al-Azhar do Cairo, centro do Islã sunita, se pronunciou da mesma maneira. E ele disse isso nada menos do que em Meca. Os conservadores do Egito fizeram de tudo para abafar o caso – pelo menos por enquanto.

Há contudo cada vez mais dissidentes se manifestando com sucesso, liderando com coragem e visão de futuro. Nos EUA M. Zuhdi Jasser, autor de "A Battle for the Soul of Islam" (Uma Batalha Pela Alma do Islã) e médico, criou o American Islamic Forum for Democracy. No ano passado mais de duas dezenas de personalidades muçulmanas promoveram um apelo "para abraçar uma interpretação pluralista do Islã, rejeitar todas as formas de opressão e abusos cometidos em nome da religião".

No Canadá Raheel e Sohail Raza fundaram "Muslims Facing Tomorrow", onde se encontra o Professor Adjunto de Ciência Política da Universidade de Western Ontario, Salim Mansur que diz o que pensa.

No Reino Unido Maajid Nawaz dirige a influente Quilliam Foundation e Shiraz Maher, que deixou a organização islamista, Hizb-ut-Tahrir, agora trabalha como Senior Fellow no International Center for the Study of Radicalization no King's College em Londres.

Estes são apenas alguns dos poucos heróis de hoje. Outros tiveram que ser deixados de fora; há muitos nomes para serem incluídos.

A orgulhosa e dolorosa resistência desses "rebeldes de Alá" é um dos mais belos testamentos dos nossos tempos. Esses "rebeldes de Alá" também são a única e real esperança de reforma para o mundo islâmico -- e de preservar a liberdade para todos nós.


Publicado no site do The Gatestone Institute.



Giulio Meotti, editor cultural do diário Il Foglio, é jornalista e escritor italiano.


Tradução: Joseph Skilnik



27 julho 2023

O feminismo como a grande causa revolucionária

Fonte: http://www.sweetjuniperinspiration.com/2013/05/my-favorite-dads-from-anti-suffrage.html


Por Mário Chainho
(11/09/2016)

O feminismo não começa na inveja, ao contrário do que muitos pensam. A inveja existe “desde sempre”, ao passo que o feminismo é um fenómeno relativamente recente na História.

Na realidade, como quase todos os fenómenos sociais, o feminismo teve as suas origens nas classes mais invejadas, ou seja, em certas elites que no final do séc. XIX começaram a defender algumas “causas”, como a das sufragistas. No fundo, era uma resposta à sufocante mentalidade burguesa embora vinda também, em grande parte, dos próprios burgueses enfadados com a vida e que facilmente encontravam emoção nas ideias revolucionárias.

A sociedade burguesa criou inúmeras contradições e esta foi apenas mais uma. A sociedade tinha um nível de riqueza nunca visto antes e, por isso, foi dado às mulheres o privilégio de não terem de trabalhar. Mas num mundo de aparências, um privilégio não aproveitado é visto como uma afronta, e rapidamente se constituiu numa espécie de obrigação. Por outro lado, o privilégio dos homens serem os únicos votantes enfrentava dois empecilhos na sociedade burguesa: por um lado, o homem já não cumpria mais a função de chefe e defensor da família, sendo essas funções cada vez mais desempenhadas pelo Estado; por outro lado, isso contrariava a ideologia da “igualdade”, que deixava de ser uma “igualdade perante Deus” para ir se transformando numa fantasia de igualitarismo social. Assim, é natural que que o alargamento do direito de voto às mulheres tenha sido a principal bandeira do início do feminismo, porque era a solução mais lógica para as contradições existentes. Na realidade, há quem nem chame esta primeira fase de feminismo, por parecer uma coisa tão diferente e muito mais decente que o feminismo tardio, mas há uma factor comum, que é a confusão inocente e propositada de alguns factores, como a assinalada confusão entre privilégio e obrigação.

O feminismo na primeira metade do século XX não tinha condições para ampliar o seu espectro de reivindicações e de se espalhar pela população. É fácil de perceber porquê, dado que nas duas guerras mundiais foram os homens que tiveram o “privilégio” de ir morrer em massa nos conflitos. Apenas depois da Segunda Guerra Mundial e de se ter espalhado a ideia de uma paz perpétua kantiana foi possível começar a reivindicar para as mulheres os mesmos direitos que os homens tinham. Podemos questionar se a Guerra Fria não podia ter colocado um freio nisto mas, se olharmos com atenção, vemos que não. Depois de se ter percebido os efeitos das armas atómicas e nucleares, ficou patente que as armas tinham um poder tão grande que o os seres humanos tinham um papel irrelevante, quer fossem homens ou mulheres. Isto na realidade não era bem assim, mas de certa forma criou a ideia de que as armas modernas tinham igualado as mulheres aos homens.

O feminismo do pós-guerra (ou segunda onda do feminismo, como por vezes é chamado) já não tem apenas uma certa dose de contradição embutida, o que é quase inevitável em qualquer proposta real, mas é essencialmente uma fraude. É até incompreensível que tão pouca gente tenha se dado conta de que a suposta libertação das mulheres era na realidade uma escravidão de facto, onde havia uma pequena dose de liberdade para alguns caprichos. Primeiro, o direito das mulheres trabalharem em todo o tipo de postos era, como é óbvio, o fim de um privilégio, mesmo que este possa ser sentido com incómodo. Em segundo lugar, a mulher era libertada da “escravidão da natureza”, e já não era mais obrigada a ser mãe e podia ser “o que ela quisesse”. Mas isto era feito com o auxílio da ciência, o que criava uma situação peculiar e que ainda hoje pouca gente quer perceber.

A ciência moderna possibilitou que existisse uma coisa chamada “planeamento familiar”, que hoje é um considerado quase que universalmente como um bem inegável. Mas o planeamento familiar quer dizer, primeiro que tudo, que os filhos já não são uma dádiva de Deus (ou da natureza) mas são fruto de uma escolha deliberada dos pais. Parecia uma milagrosa libertação do ser humano dos ciclos impostos pela natureza, e agora cumpria-se a proposta humanista da soberania do “eu”. De início, o planeamento familiar foi usado sobretudo para limitar o número de filhos, ou seja, ao invés dos casais terem 7, 8 ou mais filhos, passavam a ter apenas 2 ou 3. Mas, vendo bem, para quê ter 2 ou 3 filhos quando se pode ter apenas um? As famílias libertavam-se supostamente da natureza, mas tinham agora de viver numa sociedade estruturada cada vez mais pelas ciências, em que praticamente “tudo o que não era proibido se tornava obrigatório”. Os bens de consumo irrelevantes criados pela ciência e pela tecnologia obrigavam também que as pessoas adiassem cada vez mais a paternidade e se dedicassem a períodos cada vez mais extensos de futilidade. Assim, as mulheres que na idade média começavam a ter filhos pelos 14 anos, no pós-guerra já começavam a ser mães pelos 24, e mais recentemente serão mães (quando o são) mais por volta dos 34 anos. Por essa altura as mulheres já devem ter perdido as ilusões de que iriam ser todas administradoras de grandes empresas e percebem que andaram a desperdiçar os seus melhores anos a fazer coisas que apenas lhes criam uma sensação de vazio.

O feminismo parecia ser uma coisa em extinção no início dos anos 90. Por um lado, a parte mais folclórica do feminismo – mulheres queimando soutiens e não fazendo depilação – era ridicularizada. Por outro lado, o modo de vida moderno, anti-família e cheio de 'stress', tornava-se cada vez mais desconfortável. Havia uma certa vontade de “voltar atrás” e foram tempos em que papa João Paulo II tinha algum impacto na sociedade apelando a um modo de vida mais “conservador”.

Contudo, a causa feminista tinha um potencial revolucionário enorme e não foi descartada assim facilmente. A clássica “luta de classes” marxista cria uma certa fractura social, que na verdade já existe em alguma medida, mas tem um alcance limitado, porque estas classes já vivem mesmo largamente separadas. Mas o feminismo divide literalmente a humanidade ao meio e coloca um parte contra a outra em permanência. Assim, o feminismo foi renovado e tornado ainda mais radical. Podemos questionar como foi possível renovar um movimento que tinha caído num descrédito tão grande. Isso acontece porque novas gerações entram em acção na sociedade e, por regra, ignoram quase tudo o que veio antes delas. Desta forma, estas gerações são facilmente manipuladas pelos velhos revolucionários, que na verdade são dos poucos que compreendem como funcionam as transformações sociais.

O feminismo de terceira vaga não se limita a pedir igualdade de direitos, o que já era algo com uma grande dose de falsidade, mas exige uma reparação histórica pelas injustiças cometidas às mulheres. É impressionante como o argumento podia ser rebatido em grande parte ou mesmo até invertido, bastando lembrar como as mulheres foram largamente poupadas ao esforço da guerra ao longo dos milénios. Mas foi possível implementar a fraude porque a industria da comunicação social, as universidades, o mundo do espectáculo, as editoras e demais instâncias culturais passaram a responder a umas poucas vozes. Assim, em pouco tempo cria-se a ilusão de que está ocorrendo uma grande transformação social, o que depois se transforma numa profecia auto-realizada, dado o estado atomístico em que as pessoas se encontram, tendo pouco mais liberdade do que colocar em prática o desejo mimético.

Os efeitos desta terceira vaga de feminismo têm sido catastróficos. Hoje, muitos homens morrem de medo das mulheres e acham que nunca poderão fazer o suficiente para aliviar uma data de culpas históricas que receberam à nascença. Isto quer dizer que temos já uma ou duas gerações que praticamente já não conhecem o sexo oposto a não ser de forma esquemática e enviesada. De certa forma, o preservativo é o símbolo perfeito para ilustrar estas gerações, que necessitam de uma protecção para se aproximar do outro sexo, tal o perigo que ele encerra. Ao mesmo tempo, as mulheres talvez estejam mais vulneráveis aos predadores sexuais do que em qualquer outra altura, porque estes não se preocupam com as convenções sociais e os outros homens não imaginam que têm a função de proteger as mulheres.

Mas o pior deu-se ao nível da alteração da percepção do valor da vida. A contradição de certa forma estava embutida na proposta humanista, que foi em muito ajudada pelo liberalismo tornado ideologia política, que é o eterno capacho dos socialistas. O ser humano que se torna no critério último, na prática vai impor-se sobre o outro. Assim, a mulher que não é mais obrigada a conceber, caso venha a ser mãe é porque já está a fazer uma concessão ao filho. Neste contexto incontestado, o aborto tornar-se-ia, mais tarde ou mais cedo, num direito libertador. Aquelas pessoas que são contra o aborto porque este significa a morte de um ser humano não percebem que este argumento tem pouca ou nenhuma eficácia em sociedades em que o feminismo se implantou quase como se fosse senso comum. Depois de se espalhar a ideia de planeamento familiar, cada vida humana é fruto da liberdade do casal, caso contrário é considerada uma irresponsabilidade. Assim, a liberdade de escolha antecede e, aparentemente, afigura-se como superior à própria vida humana.

Mas isto não é auto-contraditório? Sim, porque o valor da liberdade humana deriva da própria existência humana, pois só quem é vivo pode decidir. Contudo, o ser humano tem a capacidade de se abstrair da experiência real e apenas considerar uma parcela, podendo depois tomá-la como absoluta. E a abstraccão não tem que ficar por aqui e, por isso, o aborto está longe de ser o limite. O império da liberdade humana exigirá, pela sua própria natureza demente, que o infanticídio e a pedofilia façam parte dos direitos humanos.





26 abril 2023

Distorcendo a Bíblia para oprimir cristãos

Fonte da imagem: AQUI


O Alcorão diz na surah 9, ayah 29 para que os maometanos lutem e subjuguem "o Povo do Livro" (judeus e cristãos), "até que eles paguem o jizya com submissão voluntária e sintam-se totalmente subjugados."

Numa nova e perversa alteração à opressão que os cristãos sofrem no Médio Oriente, um eminente clérigo egípcio está a usar um Jesus islamizado para promover os objetivos do totalitarismo islâmico.

Vez após vez, os muçulmanos, especialmente aqueles que vivem no Egito, projetam o pensamento islâmico sobre os cristãos: por exemplo, as igrejas coptas foram acusadas de fazer contrabando e armazenamento de armas como forma de tomar o poder na nação (quando na verdade as mesquitas é que são regularmente reveladas como sítios onde armas ilegais são armazenadas para a jihad).
Para além disso, os coptas foram também acusados e raptar e torturar as moças coptas que se convertem ao Islã (quando na verdade os muçulmanos que se convertem ao cristianismo - os apóstatas - é que são regularmente espancados, aprisionados e até assassinados); são até acusados de dar apoio aos ataques suicidas sempre que a igreja fala de coptas que foram martirizados (porque no Islã, ser mártir normalmente significa sacrificar a própria vida numa "guerra santa").
Ficamos a saber que, agora, um clérigo do Egito - o mesmo que insiste que os maridos maometanos devem odiar as suas esposas não-maometanas - proclamou que o Senhor Jesus era contra a separação entre a igreja e o estado, e que Ele apoiava a ideia da jizya - o tributo ordenado pelo Alcorão que os não-muçulmanos conquistados, ou dhimmis, são obrigados a pagar aos seus senhores "com submissão voluntária" (Alcorão 9:29).
O sheik Yusuf Burhami, o mais visível líder do movimento Salafi do Egito - que, depois da destituição da Irmandade Muçulmana, tornou-se no partido islamista o primeiro a tentar impor a Sharia na nova constituição - emitiu recentemente uma fatwa em árabe alegando que a declaração bíblica atribuída ao Senhor Jesus - "Dai a César o que é de César, e dai a Deus o que é de Deus" (Mateus 22:21) -, não pode significar que Ele apoiava a separação entre o estado e a igreja, como acreditam muitos cristãos, "porque", nas palavras de Burhami, "a separação entre o estado e a religião contradiz os textos do Alcorão."
Como exemplo, Burhami cita o Alcorão na sua fatwa, incluindo versos tais como "Verdadeiramente, este assunto pertence inteiramente a Alá" (Alcorão 3:154), que, segundo os interpretadores islâmicos ortodoxos, significa que todos os assuntos terrenos - todas as leis – devem ser decididas por Alá (e, desde logo, a natureza totalitária da lei Sharia).
Burhami diz ainda: “é impossível que o Messias - que a paz esteja com Ele - apele para uma separação entre o estado e a religião; isto significa que a política seja governada sem a Sharia de Alá.”
Em vez disso, segundo o líder salafi, o "Verdadeiro" Jesus - o "Jesus" muçulmano", Isa, que é um defensor daSharia - fez essa alegação para confirmar que as populações conquistadas têm que pagar o tributo - jizya; ou, no contexto da discussão do Senhor Jesus relativa à imagem de César numa moeda, os judeus do primeiro século estavam na obrigação de pagar o tributo aos romanos. 
Logo, ao darem a César o que era de César - e, como segundo Burhami, não há separação entre a religião e o estado -, os judeus já estariam a dar a Deus o que era de Deus visto que é Deus (ou "Alá") que ordenou a pagar o tributo. Segundo o partido salafi do Egito, isto era o significado das palavras do Senhor Jesus.
No pano de fundo da fatwa de Burhami existem apelos crescentes para que os cristãos do Egito paguem ojizya ao estado, tal como historicamente sempre o fizeram (e tal como ordena o Alcorão) à medida que vigilantes maometanos se encontram atualmente a forçá-los a fazer através da violência.
O Alcorão diz na surah 9, ayah 29 para que os maometanos lutem e subjuguem "o Povo do Livro" (judeus e cristãos) "até que eles paguem o jizya com submissão voluntária e sintam-se totalmente subjugados." Se os maometanos quiserem seguir esta passagem à letra - a entre todos os maometanos, os salafis são os que mais tentam seguir o Alcorão à letra - para além de terem de pagar o tributo, é exigido aos cristãos coptas que se "sintam totalmente subjugados," o que se encontra muito longe deles serem cidadãos com direitos iguais no Egito, mas bem mais perto deles serem cidadãos de terceira categoria em seu próprio pais.

Entretanto, se os maometanos tais como Burhami estão a projetar os piores traços do Islã para os cristãos (e para o Senhor Jesus), os ocidentais estão estão a projetar os melhores traços da civilização ocidental (ironicamente, provenientes do cristianismo) - tais como a tolerância e o pluralismo - para os maometanos e desde logo são incapazes de acreditar na triste realidade do sofrimento cristão sob a espada do Islã.


Do The Commentator.

Tradução: Blog Perigo Islâmico

Por que as feministas odeiam Costanza Miriano


Um livro de auto-ajuda fundamentado em princípios da Bíblia Hebraica - escrito por uma jornalista de 43 anos, casada e mãe de 4 filhos - que aconselha as mulheres a serem submissas aos seus maridos está causando uma comoção internacional por parte de  feministas de todo o mundo.

O livro, com o nome de "Cásate y sé sumisa", traduzido para "Casa-te e Sê Submissa", causou também a ira duma figura política espanhola com nome de Ana Mato, que segundo o The Telegraph, disse: "acho isto desapropriado e desrespeitoso para as mulheres."

Não parece que a Ana Mato tenha explicado o que há de "desrespeitoso" em ser submissa ao marido.

Segundo uma reportagem, desde o princípio do livro a autora Costanza Miriano declara às mulheres que, "nós não somos iguais e não reconhecer isto é garantir uma fonte de sofrimento." Ela aconselha também às mulheres a forma de lidar com os maridos dentro do casamento:

"Tens que te submeter a ele. Se tiveres que escolher entre o que tu gostas e o que ele gosta, escolhe em favor dele... quando o teu marido te disser algo, ouve com atenção como se fosse Deus a falar contigo".

Miriano, que está há 15 anos casada com o mesmo homem, explicou às suas leitoras que:
"O marido não resiste a esposa que o respeita, que reconhece a sua autoridade, e que se dedica de forma leal a ouvi-lo, permanecendo do seu lado."

Partes do livro que aconselham as mulheres a lidar com problemas domésticos não foram traduzidos para o inglês:

"Se não és uma cozinheira experiente ou a dona de casa perfeita, qual é o problema se ele assim o disser? Diz que ele tem razão, e que é verdade, e que vais aprender.
Quando ele observar a tua doçura e a tua humildade, bem como o teu esforço para te tornares mais na pessoa que ele quer, ele também mudará. (...) As mulheres esquecem-se que não podem ter tudo: trabalhar como um homem e ficar em casa como uma mulher. O poder não foi feito para as mulheres."

Francisco Javier Martinez, o Arcebispo de Granada, chamou o livro de "muito interessante, do ponto de vista cristão", mas o mesmo deixou os grupos feministas espanhóis enraivecidos, levando a que algumas viessem às ruas e rasgassem cópias do livro. Ativistas do grupo Anonymous deram também a sua opinião sobre o livro através duma mensagem de vídeo, qualificando-o de "misógino" e "opressor". Uma ativista disse o seguinte: "estamos fartas de ver a Igreja a olhar para nós como meros objetos feitos para satisfazer os homens, reproduzir e limpar".

Numa entrevista dada à BBC, Miriano defendeu a sua posição explicando que quando fala da mulher ser submissa no seu livro, ela não está a caracterizar a submissão como algo de negativo.

"Não gosto da forma como a palavra é entendida em inglês, mas eu não a uso com conotação negativa; ela é uma palavra extraída do Livro de Efésios e de maneira nenhuma significa ser um tapete do marido. Eu uso-a no sentido etimológico de ser alguém abaixo, ou debaixo, fornecendo apoio tal como uma coluna apoia o telhado visto que nós, como mulheres, somos mais fortes. Nós somos capazes de colocar a personalidade na relação. João Paulo II escreveu que a mulher tem o gênio e o talento do relacionamento, e como tal, nós somos capazes de ser o coração da família. A submissão é uma coisa muito, mas muito boa para a a mulher."

Quando lhe foi perguntado do porquê da ministra da Saúde Espanhola querer que o livro seja retirado, ela explicou que se calhar ela tem problemas com a palavra "casar".

"Sinceramente, não sei. Eu pensava que era por causa da palavra "sumisa" [submissa] mas fiquei a saber que há muitos livros com a palavra "sumisa" que são vendidos nas lojas espanholas, tais como 'Diario de una sumisa'. Portanto acho que o problema talvez seja com a palavra 'cásate' [case-se] visto que ser submissa ao marido é visto como algo terrível. Não sei bem porquê."

A mesma autora escreveu um livro com o título de "Marry Her and Die for Her" (Case-se Com Ela e Morra Por Ela), mas não há notícia de manifestações masculinas acusarem-na de promover a morte dos homens.

Respondendo a uma questão do porquê algumas mulheres ficarem tão zangadas com o livro, ela disse:

"Talvez nós não sejamos livres da necessidade de sermos reconhecidas. Quando uma mulher está em paz com ela mesma, e está totalmente realizada, ela não tem necessidade de ter reconhecida e como tal, ela pode escolher tomar uma posição de menor autoridade, não no sentido de ser o tapete mas sim no sentido de ser uma coluna."

Quando lhe perguntaram se o seu livro alegava que o feminismo havia destruído o casamento, ela respondeu:

"Eu trabalho. Sou jornalista durante o dia, e à noite escrevo livros. Tenho 4 filhos. Acho que as mulheres que querem os mesmos direitos que os homens têm falta de imaginação e ambição, uma vez que nós somos tão diferentes dos homens."

Ao tentar explicar o porquê do livro de Miriano se ter tornado tão popular na Espanha e na Itália, Sam Owen, psicólogo e profissional ligado aos relacionamentos, disse que isso prende-se com o desmoronar da sociedade:

"Atualmente há muitas casas só com um parente e muitas famílias desfeitas, e os casais que ainda estão juntos tendem a ser pais ou avós. Se as pessoas têm um desejo ardente pelo casamento à moda antiga é porque muitos deles funcionaram muito bem. Quando se fala dos papéis dentro dum casamento, nós somos uma sociedade perdida.
Devido ao mundo em rápida mudança, ao desejo de colocar as mulheres iguais aos homens, e ao desejo de ter tudo - crianças, uma carreira bem sucedida e um marido satisfeito - os maridos e as esposas sentem-se confusos em torno do seu papel dentro do casamento e dentro da unidade família, e isto cria discórdia."


* * *

Comentário do Mídia Sem Máscara:
As feministas acabam sempre por revelar a sua natureza comunista sempre que uma mulher se atreve a dar uma opinião que não está de acordo com "O Partido".

Se algumas mulheres se sentem felizes competindo com os homens dentro e fora do casamento, que o façam - ninguém as impede. Por outro lado, se as mulheres se sentem satisfeitas e felizes em serem as "colunas" que apoiam o "teto" do casamento (isto é, submissas ao seu marido), então a escolha destas mulheres deve ser respeitada. Se estas mesmas mulheres escolhem escrever sobre a sua experiência de serem submissas ao homem que amam, então elas não podem sofrer ataques por parte das feministas.

Segundo o feminismo, as mulheres são livres para dar a sua opinião, desde que sua opinião esteja de acordo com a ideologia.
Imaginem a comoção internacional caso um homem (padre, de preferência) tentasse censurar um livro só porque não concorda com a tese do mesmo. Mas é precisamente isso que as feministas estão a fazer ao tentarem censurar um livro só porque não concordam com a sua mensagem.

Isto revela de modo bem óbvio que o feminismo é um movimento inimigo da liberdade de expressão, e, como tal, todas as pessoas que valorizam a liberdade devem-se colocar contra o feminismo.


Tradução do Blog O Marxismo Cultural



VEJA "Nós sufocamos os homens" AQUI

29 agosto 2020

Cobrir as mulheres: uma poderosa arma dos islamistas

Fotografias de Cabul dos anos de 60, 70 e 80. Você verá muitas mulheres sem véus. Aí veio o Talibã e fez com que elas se cobrissem por inteiro.


Primeiramente as mulheres foram obrigadas a usar véus.

Feito isso, os islamistas iniciaram a jihad contra o Ocidente.





Laurence Rossignol, Ministra da Família, Juventude e Direitos das Mulheres da França, incitou a ira no tocante à proliferação do véu islâmico em seu país ao comparar as mulheres que usam lenços de cabeça com os "negros americanos que aceitaram a escravidão". Concomitantemente, Elisabeth Badinter, uma das feministas mais famosas da França, chegou a defender o boicote contra as empresas européias ligadas à moda, como a Uniqlo e a Dolce & Gabbana, que estão desenvolvendo vestuário islamicamente correto (em 2013, os muçulmanos gastaram US$ 266 bilhões com vestuário e a cifra poderá atingir US$484 bilhões até 2019).

Uma nova tendência também está emergindo na cultura popular ocidental, cultura esta praticamente desconhecida da mídia há uma década: mulheres usando lenços de cabeça também estão presentes em programas de TV como o MasterChef.

A cultura predominante já considera "normal" as mulheres com lenços de cabeça. Recentemente a companhia aérea Air France solicitou às funcionárias que usassem véus enquanto estiverem no Irã. Recentemente o governo italiano cobriu as esculturas de nus no Museu Capitolino de Roma durante a visita do Presidente do Irã Hassan Rouhani, em sinal de "respeito" no tocante às suas suscetibilidades.

No mundo árabe/islâmico, no entanto, durante um longo período, as mulheres que se cobriam eram a exceção.

É difícil de acreditar que até o início dos anos 1990, a maioria das mulheres na Argélia não usavam véus. Em 13 de maio de 1958 na Place du Gouvernement em Argel, dezenas de mulheres arrancaram seus véus. Minissaias inundaram as ruas.

A revolução iraniana reverteu essa tendência: o primeiro véu apareceu no início dos anos 1980 juntamente com a ascensão dos movimentos islâmicos nas universidades argelinas e nos bairros pobres. A hijab foi distribuída pela embaixada iraniana em Argel.

Em 1990, a Argélia estava à beira de um longo período de medo e morte: a guerra civil, com o fantasma da invasão islâmica (100.000 mortos). As pessoas sabiam que algo terrível estava para acontecer, bastava ver o número de véus nas ruas.

A primeira vítima da guerra islamista na Argélia foi Katia Bengana, uma menina que se recusou a usar o véu. Mesmo com os carrascos apontando as armas para a sua cabeça ela permaneceu fiel aos seus princípios. Em 1994, Argel acordou, literalmente, com pôsteres islamistas colados nos muros anunciando a execução de mulheres sem véus. Nos dias de hoje pouquíssimas mulheres ousam sair de casa sem a hijab ou o xador.

Veja as fotografias de Cabul dos anos de 1960, 1970 e 1980 e você verá muitas mulheres sem véus. Aí veio o Talibã e fez com que elas se cobrissem por inteiro. A emancipação no Marrocos foi desencadeada pela Princesa Lalla Aisha, filha do Sultão Mohamed Ben Youssef, que se autodenominou rei tão logo o país proclamou a independência. Em abril de 1947, Lalla fez um pronunciamento em Tânger, as pessoas ficaram estupefatas com aquela menina sem véu. Em questão de semanas, mulheres por todo o país se recusaram a usar o véu. Hoje o Marrocos é um dos países mais liberais do mundo árabe.

No Egito, nos idos dos anos de 1950, o Presidente Gamal Abdel Nasser foi à TV para zombar do pedido da Irmandade Muçulmana para cobrir as mulheres. Tahia, sua esposa, não usava véu, nem nas fotos oficiais. Hoje, de acordo com a estudiosa Mona Abaza, 80% das mulheres egípcias já usam véus. Somente nos anos 1990 foi que a rígida versão wahhabista do Islã chegou ao Egito, trazida por milhões de egípcios que foram trabalhar na Arábia Saudita e nos demais países do Golfo. Enquanto isso, os movimentos políticos islamistas foram ganhando terreno. Logo as mulheres egípcias começaram a ostentar o véu.

No Irã, a tradicional manta preta que cobre as mulheres iranianas da cabeça aos tornozelos inundou o país, comandado pelo Aiatolá Khomeini. Ele afirmou categoricamente que o xador é a "bandeira da revolução" e a impôs a todas as mulheres.

Em 1926, portanto cinquenta anos antes, o Xá Reza providenciou proteção policial às mulheres que optassem por não usar o véu. Em 7 de janeiro de 1936, o Xá ordenou a todas as professoras, esposas de ministros e funcionários do governo que "aparecessem com roupas européias". O Xá pediu a sua mulher e filhas que não usassem o véu em público. Estas e outras reformas no estilo ocidental foram apoiadas pelo Xá Muhammad Reza Pahlavi, que sucedeu seu pai em setembro de 1941, instituindo o banimento de mulheres cobertas em público.

Na Turquia, Mustafa Kemal Ataturk discursava entusiasticamente para as multidões femininas, estimulando-as a darem o exemplo: tirar o véu significa agilizar a necessária reaproximação entre a Turquia e a civilização ocidental. Durante cinquenta anos, a Turquia recusou o véu, até 1997, quando o governo encabeçado pelo islamista Necmettin Erbakan revogou o banimento do uso do véu em lugares públicos.

Erdogan, atual presidente da Turquia, usou a bandeira do véu para impulsionar a desenfreada islamização da sociedade turca.

Por outro lado, o Presidente da Tunísia Habib Bourguiba, emitiu uma circular banindo o uso da hijab em escolas e repartições públicas. Ele chamou o véu de "detestável farrapo", promovendo seu país a um dos mais evoluídos das nações árabes.

Não foi apenas o mundo muçulmano que, por um longo período, recusou esse símbolo. Antes do alastramento do Islã radical, a minissaia, um dos símbolos da cultura ocidental, também podia ser vista em todo o Oriente Médio. Há muitas fotografias que nos lembram deste longo período: aeromoças da companhia aérea afegã usando saias, sem véus (que ironia a Air France de hoje querer que elas usem o véu); o concurso de beleza que o Rei Hussein da Jordânia organizou no Hotel Philadelphia; o time de futebol feminino iraniano; a atleta síria Silvana Shaheen; as mulheres líbias, sem véus, marchando pelas ruas; as estudantes da Universidade Palestina Birzeit e as jovens egípcias na praia (naquela época, o burkini seria rejeitado como se fosse uma gaiola).

Então em meados dos anos 1980, de repente, tudo mudou. A Lei Islâmica (Sharia) foi introduzida em diversos países, as mulheres no Oriente Médio foram colocadas em uma prisão portátil e na Europa voltaram a usar o véu para recuperar sua "identidade", vale dizer, a recusa em assimilar valores ocidentais e a islamização de muitas cidades européias.

Em primeiro lugar as mulheres foram obrigadas a usar véus, feito isso, os islamistas iniciaram a jihad contra o Ocidente.

Primeiramente nós traímos essas mulheres ao aceitarmos sua escravidão como uma "liberação", aí a Air France começou a vestir as mulheres com véus enquanto estivessem no Irã em sinal de "respeito". Fora tudo isso, também é bastante revelador a hipocrisia da maioria das feministas ocidentais, sempre de prontidão em repudiar os cristãos homofóbicos e o machismo nos EUA, mas permanecem caladas no tocante aos crimes sexuais do Islã radical. Nas palavras da feminista Rebecca Brink Vipond: "eu não vou morder a isca de defender um chamamento para que as feministas deixem de lado seus objetivos nos Estados Unidos para abordarem problemas nas teocracias muçulmanas". São as mesmas feministas que abandonaram Ayaan Hirsi Ali, a corajosa dissidente do Islã, holandesa/somali, a sua própria sorte mesmo depois que ela conseguiu se refugiar nos EUA: elas impediram que ela discursasse na Universidade de Brandeis.

Por quanto tempo mais iremos manter o banimento à mutilação genital feminina (FGM)? Um estudo que acaba de ser publicado nos Estados Unidos indica que permitir certas formas mais "leves" de mutilação feminina, que afeta 200 milhões de mulheres ao redor do mundo, é mais "culturalmente sensitivo" do que a proibição da prática e que um ritual de um "cortezinho" nas vaginas das meninas poderia evitar a prática de uma mutilação mais radical. A proposta não foi apresentada por Tariq Ramadan ou algum tribunal islâmico do Sudão e sim por dois ginecologistas americanos Kavita Shah Arora e Allan J. Jacobs, que publicaram o estudo em uma das mais importantes revistas científicas, o Journal of Medical Ethics.

O estudo é um testemunho que vai às profundezas, assinalando até que ponto se pode chegar, de acordo com o que o "novo filósofo" francês Pascal Bruckner, chamou de "as lágrimas de homens Brancos", com seu masoquismo, covardia e relativismo cínico. Então por que também não justificar o apedrejamento islâmico de mulheres acusadas de adultério? É como se nós não conseguíssemos capitular rápido o suficiente.



Giulio Meotti, editor Cultural do diário Il Foglio, é jornalista e escritor italiano.

Publicado no site do The Gatestone Institute.

Tradução: Joseph Skilnik



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