Não estatize meus sentimentos, pra seu governo o meu estado é independente. (Legião Urbana in Baader Meinhof-Blues)
TEXTO
1
O
sujeito vai ao psiquiatra
– Doutor – diz ele – estou com um
problema: Toda vez que estou na cama, acho que tem alguém embaixo. Aí eu vou embaixo da cama e acho que tem alguém em cima. Pra baixo, pra
cima, pra baixo, pra cima. Estou ficando maluco!
–
Deixe–me tratar de você durante dois anos, diz o psiquiatra. Venha três vezes
por semana, e eu curo este problema.
–
E quanto o senhor cobra? – pergunta o paciente.
–
R$ 120,00 por sessão – responde o psiquiatra.
–
Bem, eu vou pensar – conclui o sujeito.
Passados
seis meses, eles se encontram na rua.
–
Por que você não me procurou mais? – Pergunta o psiquiatra.
–
A 120 paus a consulta, três vezes por semana, durante dois anos, ia ficar caro
demais, ai um sujeito num bar me curou por 10 reais.
–
Ah é? Como? Pergunta o psiquiatra.
O
sujeito responde:
–
Por R$ 10,00 ele cortou os pés da cama...
Moral
da História:
MUITAS
VEZES O PROBLEMA É SÉRIO, MAS A SOLUÇÃO PODE SER MUITO SIMPLES!
HÁ
UMA GRANDE DIFERENÇA ENTRE FOCO NO PROBLEMA E FOCO NA SOLUÇÃO.
TEXTO
2
O
sofrimento criado pela própria pessoa
Na sua primeira consulta, o senhor
de meia-idade, bem tratado, trajando com elegância um austero terno escuro
Armani, sentou-se com uma atitude educada porém reservada e começou a relatar o
que o trazia ao consultório. Falava bastante baixo, com uma voz controlada,
comedida. Percorri a lista de perguntas normais: descrição da queixa, idade,
formação, estado civil...
–
Aquela vagabunda! gritou ele, de repente, a voz espumando de raiva. – A peste
da minha mulher! EX-mulher, agora. Ela estava tendo um caso em segredo! Depois de
tudo o que eu fiz por ela. Aquela... aquela... PIRANHA! – Sua voz foi ficando
mais alta, mais furiosa e mais cheia de veneno, enquanto ele repassava queixas
e mais queixas contra a ex-mulher ao longo dos vinte minutos seguintes.
A sessão estava chegando ao final. Percebendo
que ele estava só ganhando ímpeto e que poderia facilmente continuar a falar
daquele jeito por horas, tentei redirecioná-lo.
– Bem, a maioria das pessoas tem
dificuldade para se ajustar a um divórcio recente; e sem dúvida esse é um
assunto do qual poderemos tratar em sessões futuras – disse eu, em tom
conciliador. – Por sinal, há quanto tempo está divorciado?
– Há dezessete anos, completos em
maio.
Fonte: Dr. Howard C. Cutler in “A Arte da Felicidade”, tradução de Waldéa Barcellos, pela Martins Fontes.
TEXTO
3
Quem
cala consola
Certa noite, estando eu em viagem,
veio-me à presença um cidadão a quem eu acabara de conhecer. Na verdade, nem me
lembrava direito do seu nome, mas ele já me havia ouvido antes, poucas vezes...
Chegou-me, de repente, e pediu conselhos, gostaria que eu ouvisse os seus
problemas.
Relatou-me fatos sobre sua esposa, o
quanto se achava oprimido pelas crises emocionais dela, pela cobrança, por acusá-lo
de um passado nada recomendável da vida dele, mas que ele vinha tentando curar
as feridas provocados por si na sua esposa e filhos... Falou-me da luta por que
vinha passando, entre tantas coisas, problemas no trabalho...
Enquanto ele falava, eu tentava
pensar em algo para dizer-lhe. Nada. Tentava consolá-lo e ele já estava com
olhos marejados de lágrimas... E eu, impotente, calado, sem uma palavra sequer
para dizer. Pedi a Deus, Deus calou-se!
Por fim, ele sorriu-me... Agradeceu
o meu silêncio. Sempre que tentava desabafar, alguém vinha com sermões, etc...
E eu fiquei calado, somente ouvindo-o. E já se sentia melhor, muito melhor.
Abraçou-me, sorriu-me um sorriso reverente e foi-se.
Fonte: Experiência particular do Tio Celo, em algum lugar do passado (relógio
arminiano, claro).
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