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08 junho 2011

John Piper fala sobre batismo infantil


1.  Arrependimento e fé precedem toda ordenança e instância de Batismo no Novo Testamento

Atos 2.37-38, 41
37 E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, homens irmãos? 38 E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo; 41 De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas.

2. Não existe instância de batismo infantil na Bíblia.

E sobre batismos familiares? (Atos 16.15, 33; 1 Coríntios 1.16)
É um argumento do silêncio que crianças foram inclusas nestas três ocasiões[i]. Além disso, em Atos 16.30-33 Lucas aponta que a Palavra de Deus foi pregada a todos aqueles que foram batizados, deste modo, não sugerindo crianças, mas sim aqueles que podiam ouvir a Palavra é que foram batizados.  

Atos 16.30-33
30 “E, tirando-os para fora disse: Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar?” 31 “E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa”. 32 “E lhe pregavam a palavra do Senhor, e a todos os que estavam em sua casa”. 33 “E, tomando-os ele consigo naquela mesma hora da noite, lavou-lhes os vergões; e logo foi batizado, ele e todos os seus”.

3. Batismo É descrito por Paulo como uma expressão de fé.

Colossenses 2.11-12
11 No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo dos pecados da carne, a circuncisão de Cristo;12 Sepultados com ele no batismo, nele [isto é, o batismo] também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos.
Assim sendo, o batismo é uma expressão de fé, e o ressuscitar com Cristo que acontece no batismo acontece por virtude do batismo ser uma expressão de fé que os infantes não podem exercer.

4. O batismo é descrito por Pedro como um apelo (indagação) a Deus pela pessoa sendo batizada.

1 Pedro 3.18-21
18 Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito; 19 No qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão; 20 Os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas (isto é, oito) almas se salvaram pela água; 21 Que também, como uma verdadeira figura, agora vos salva, o batismo, não do despojamento da imundícia da carne, mas da indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo;

O batismo salva no mesmo sentido que de que é uma expressão exterior de um apelo interior a Deus, não como um mero ritual de água. Ele salva da forma que a confissão dos lábios salva em Romanos 10.9 – na medida que a confissão dos lábios é uma expressão de fé do coração.
Mas e acerca do sinal da aliança feita com os filhos dos israelitas na Velha Aliança?
Genesis 17.7-13
7 E estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência depois de ti em suas gerações, por aliança perpétua, para te ser a ti por Deus, e à tua descendência depois de ti. 8 E te darei a ti e à tua descendência depois de ti, a terra de tuas peregrinações, toda a terra de Canaã em perpétua possessão e ser-lhes-ei o seu Deus. 9 Disse mais Deus a Abraão: Tu, porém, guardarás a minha aliança, tu, e a tua descendência depois de ti, nas suas gerações. 10 Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós, e a tua descendência depois de ti: Que todo o homem entre vós será circuncidado. 11 E circuncidareis a carne do vosso prepúcio; e isto será por sinal da aliança entre mim e vós. 12 O filho de oito dias, pois, será circuncidado, todo o homem nas vossas gerações; o nascido na casa, e o comprado por dinheiro a qualquer estrangeiro, que não for da tua descendência. 13 Com efeito será circuncidado o nascido em tua casa, e o comprado por teu dinheiro; e estará a minha aliança na vossa carne por aliança perpétua.
Catecismo de Heidelberg:
[Crianças filhos de pais cristãos] pertencem à aliança e o povo de Deus… eles também devem ser batizados como um sinal da aliança, inseridas na igreja cristã e distinguidas dos filhos dos incrédulos, como era feito no Antigo Testamento pela circuncisão, em lugar do qual o batismo do Novo Testamento é apontado.
Diretório de Culto [Público] de Westminster
A descendência e posteridade do fiel nascido dentro da igreja têm por seu nascimento um interesse na aliança e direito ao selo dela e aos privilégios externos da igreja sob o evangelho, não menos que os filhos de Abraão na época do Velho Testamento…
Por que o batismo não é realizado aos filhos de pais cristãos na Nova Aliança como a circuncisão era realizada aos filhos de pais judeus na antiga aliança?

5. Porque os membros da nova aliança não são definidos por uma descendência física, como os membros da antiga aliança eram, mas pela escrita de Deus em seus próprios corações e chamando-os para si e trazendo-os ao arrependimento e fé.

De acordo com este estreitamento das pessoas da aliança para aqueles que são verdadeiramente nascidos de Deus, o novo sinal da aliança significa que a pessoa é, de fato, parte da comunidade de nascidos de novo, que é evidenciado pela fé.
Da mesma forma que uma mudança no sinal ocorreu para permitir que homens e mulheres participassem do sinal (batismo no lugar da circuncisão), assim, deixando mais claro que antes que mulheres e homens são igualmente herdeiros da salvação (1 Pedro 3.7), então também uma mudança nos recipientes do sinal aconteceu para deixar mais claro que sob a Nova Aliança o povo de Deus não é determinado por uma descendência física, mas uma transformação espiritual, evidenciada pela fé.
5.1 João Batista chamou para ser batizado aqueles que já possuíam o sinal da aliança, mostrando que um novo significado estava sendo dado ao sinal – não mais apontando para a descendência de Abraão, mas antes a descendência espiritual por meio da fé e arrependimento.
Mateus 3.7-9
 7 E, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus, que vinham ao seu batismo, dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura? 8 Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; 9 E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão.
5.2 Jesus confirmou o ministério de João e definiu os filhos de Deus não como aqueles nascidos de certos pais, mas aqueles nascidos de Deus pela fé.

João 1.12-13
12 Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; 13 Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.
5.3 Paulo elucidou que os filhos de Abraão a quem a promessa foi feita não eram aqueles nascidos de acordo com a carne, mas aqueles nascidos de acordo com a promessa. Filhos da promessa e filhos da carne não são a mesma coisa.
Romanos 9.6-8
6 Não que a palavra de Deus haja faltado, porque nem todos os que são de Israel são israelitas; 7 Nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas em Isaque será chamada a tua descendência. 8 Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência.
Gálatas 3.6-7
6 Assim como Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. 7 Sabei, pois, que os que são da fé são filhos de Abraão.
5.4. Os filhos a quem a promessa é feita são os filhos que são “chamados”, e a chamada de Deus é livre e não preso à família física.

Atos 2.39
Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar.
Tradução: Wellington Mariano
 Tradução: Pr Wellington Mariano

Encontrei esta notícia em Davar Elohim (blog do Pr. Marcelo Oliveira)


[i] A suposição de que crianças foram batizadas em batismos familiares é uma inferência, ou seja, não existe base bíblica clara e direta para tal. (Nota do tradutor)

19 agosto 2010

Dicionário Filosófico de Voltaire - Batismo























BATISMO


Palavra grega que quer dizer imersão.

Como sempre se guiam pelos sentidos, facilmente imaginaram os homens que quem lavasse o corpo também lavava a alma. Havia nos subterrâneos dos templos egípcios grandes cubas para os sacerdotes e iniciados. Desde tempos imemoriais que os hindus se purificaram nas águas do Ganges, e ainda hoje essa cerimônia está muito em voga. Da Índia passou à Judeia. Era costume entre os hebreus batizar todos os estrangeiros que abraçassem a lei judaica e não quisessem submeter-se à circuncisão. Sobre tudo batizavam-se as mulheres, que não faziam essa operação, salvo na Etiópia, onde a circuncisão era de lei. Tratava-se de uma regeneração. Criam os hebreus, como os egípcios, que o batismo dava alma nova. Consultem-se sobre o assunto Epifânio, Memonide e la Gemara.


João batizou-se no rio Jordão. Ali também ele batizou Jesus, que, conquanto nunca haja batizado ninguém, condescendeu todavia em consagrar essa cerimônia

Em si, todos os sinais são indiferentes. Confere Deus sua graça ao sinal que lhe aprouver escolher. Bem cedo tornou-se o batismo em primeiro rito e chancela da religião cristã. Contudo, embora fossem circuncidados, não se sabe ao certo se receberam o batismo os quinze primeiros bispos de Jerusalém

Muito se abusou desse sacramento nos primeiros séculos do cristianismo. Nada era mais comum que aguardar a agonia para receber o batismo. É assaz ilustrativo o exemplo do imperador Constantino. Eis como raciocinava: O batismo de tudo expurga; portanto posso matar minha mulher, meus filhos, todos os meus parentes; depois batizo-me e irei para o céu – O que efetivamente levou a prática. O exemplo era perigosíssimo. Paulatinamente foi se abolindo o vezo de esperar a morte para tomar o banho sagrado.

Sempre conservaram os gregos o batismo por imersão. Pelo fim do século VIII os latinos, havendo estendido sua religião às Gálias e à Germânia, receosos de que a imersão pudesse matar as crianças nos países frios, substituíram-na por simples aspersão, o que lhes custou numerosos anátemas de parte da igreja grega.

Perguntou-se a S. Cipriano se estavam realmente batizadas as pessoas que, em vez de tomarem o banho, eram apenas borrifadas. Respondeu ele (septuagésima sexta carta) que “achavam muitas igrejas não serem cristãs tais pessoas; quanto a ele, era de parecer que sim, bem que sua graça fosse infinitamente menor que a das imersas três vezes conforme o uso”.

Entre os cristãos, desde que um indivíduo recebia a imersão estava iniciado. Antes do batismo era simples catecúmeno. Para iniciar-se era de mister apresentar cauções, responsáveis, – a que se dava um nome correspondente a padrinho – a fim de que a igreja se certificasse da fidelidade dos novos cristãos e não fossem divulgados os mistérios. Essa a razão por que nos primeiros séculos fossem os gentios geralmente tão mal instruídos dos mistérios cristãos quanto o eram os cristãos dos mistérios de Isis e de Eleusina.

Assim se expressava Cirilo de Alexandria em seu escrito contra o imperador Juliano: “Falaria do batismo se não temesse que minhas palavras chegassem aos não iniciados”.

Data do século II o costume de batizar crianças. Era natural desejassem os cristãos que seus filhos, que sem esse sacramento seriam condenados às penas eternas, dele fossem apercebidos. Concluiu-se enfim ser necessário ministrá-lo ao fim dos oito primeiros dias de vida por ser essa entre os judeus a idade da circuncisão. Ainda conserva o costume a igreja grega, conquanto no século III o uso a tenha levado a subministrar o batismo à morte.

Quem morria na primeira semana de existência estava condenado, asseveravam os padres da igreja mais rigorosos. No século V, porém, ideou Pedro Crisólogo o limbo, espécie de inferno suavizado, e propriamente lindes do inferno, extramuros infernais, para onde iriam as criancinhas finadas sem batismo, e onde estariam os patriarcas antes da descensão de Jesus Cristo aos infernos. De sorte que desde então prevaleceu a opinião de que Cristo desceu ao limbo e não ao inferno.

Perguntou-se se, nos desertos da Arábia, poderia um cristão ser batizado com areia: respondeu-se que não. Se se poderia batizar com água impura: estabeleceu-se ser conveniente água munda, mas que em última instância servia água barrenta. É fácil ver que toda essa disciplina foi ditada pela prudência dos primeiros pastores.



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O Sagrado e o Profano - Batismo

































História exemplar do batismo




Os padres da Igreja não deixaram de explorar certos valores pré-cristã os e universais do simbolismo aquático, com o risco de os enriquecerem de significados novos, relativamente à existência histórica do Cristo. Para Tertuliano (De Baptismo III-V), a água foi a primeira “sede do Espírito divino, que a preferia então a todos os outros elementos... Foi a água a primeira que produziu o que tem vida, a fim de que nosso espanto cessasse quando ela gerasse um dia a vida no batismo... Toda água natural adquire, pois, pela antiga prerrogativa com que foi honrada em sua origem, a virtude da santificação no sacramento, se Deus for invocado sobre ela. Logo que se pronunciam as palavras, o Espírito Santo, descido dos Céus, pára sobre as águas, que ele santifica com sua fecundidade; as águas assim santificadas impregnam se, por sua vez, da virtude santificadora... O que outrora curava o corpo cura hoje a alma; o que trazia a saúde no Tempo traz a salvação na eternidade...”

O “homem velho” morre por imersão na água e dá nascimento a um novo ser regenerado. Este simbolismo é admiravelmente expresso por João Crisóstomo (Homil. in Joh., XXV, 2), que, falando da multivalência simbólica do batismo, escreve: “Ele representa a morte e a sepultura, a vida e a ressurreição... Quando mergulhamos a cabeça na água como num sepulcro, o homem velho fica imerso, enterrado inteiramente; quando saímos da água, aparece imediatamente o homem novo.”

Como se vê, as interpretações de Tertuliano e João Crisóstomo harmonizam-se perfeitamente com a estrutura do simbolismo aquático. Intervêm, contudo, na valorização cristã das águas certos elementos novos ligados a uma `história’; neste caso a História sagrada. Há, antes de tudo, a valorização do batismo como descida ao abismo das Águas para um duelo com o monstro marinho. Esta descida tem um modelo: o do Cristo no Jordão, que era ao mesmo tempo uma descida nas Águas da Morte. Conforme escreve Cirilo de Jerusalém, “o dragão Behemoth, segundo Jó, estava nas Águas e recebia o Jordão em sua garganta. Ora, como era preciso esmagar as cabeças do dragão, Jesus, tendo descido nas Águas, atacou a fortaleza para que adquiríssemos o poder de caminhar sobre os escorpiões e as serpentes”.

Vem, em seguida, a valorização do batismo como repetição do dilúvio. Segundo Justino, o Cristo, novo Noé, saiu vitorioso das Águas e tornou-se o chefe de uma outra raça. O dilúvio simboliza tanto a descida às profundezas marinhas como o batismo. “O dilúvio era, pois, uma imagem que o batismo acabava de consumar...

Assim como Noé havia afrontado o mar da Morte, onde a humanidade pecadora tinha sido aniquilada e do qual emergira, também aquele que se batiza desce na piscina batismal para afrontar o dragão do mar num combate supremo e sair dele vencedor.”

Mas, ainda acerca do rito batismal, estabeleceu se também um paralelo entre o Cristo e Adão. O paralelo Adão Cristo assume um lugar considerável já na teologia de S. Paulo. “Pelo batismo”, afirma Tertuliano, “o homem recupera a semelhança com Deus.” (De Bapt, V.) Para Cirilo, “o batismo não é somente purificação dos pecados e graça da adoção, mas também antitypos da Paixão de Cristo”. Também a nudez batismal encerra, ao mesmo tempo, um significado ritual e metafísico: o abandono da “antiga veste de corrupção e pecado da qual o batizado se despoja por Cristo, aquela com que Adão se cobriu depois do pecado”, mas igualmente o retorno à inocência primitiva, condição de Adão antes da queda. “Ó coisa admirável”, escreve Cirilo. “Vós estáveis nus aos olhos de todos e não vos envergonhastes disso. É que em verdade trazeis em vós a imagem do primeiro Adão, que no Paraíso se encontrava nu e não se envergonhava.”

Nesses poucos textos, podemos perceber o sentido das inovações cristãs: por um lado, os padres procuravam correspondência entre os dois testamentos; por outro lado, mostravam que Jesus Cristo tinha cumprido realmente as promessas feitas por Deus ao povo de Israel. Mas é importante observar que essas novas valorizações do simbolismo batismal não contradiziam o simbolismo aquático universalmente difundido. Tudo se reencontra ali: Noé e o Dilúvio tiveram como recíproco, em inúmeras tradições, o cataclismo que pôs fim a uma “humanidade” (“sociedade”), à exceção de um único homem, que se tornou o Antepassado mítico de uma nova humanidade. As “Águas da Morte” são um leitmotiv das mitologias paleorientais, asiáticas e oceânicas. A Água “mata” por excelência: dissolve, abole toda forma. É justamente por isso que é rica em “germes”, criadora. O simbolismo da nudez batismal já não é o privilégio da tradição judaico-cristã. A nudez ritual equivale à integridade e à plenitude; o “Paraíso” implica a ausência das “vestes”, quer dizer, a ausência do “uso” (imagem arquetípica do Tempo). Toda nudez ritual implica um modelo atemporal, uma imagem paradisíaca.

Os monstros do abismo são encontrados também em numerosas tradições: os heróis, os iniciados, descem ao fundo do abismo a fim de afrontarem os monstros marinhos; é uma prova tipicamente iniciática. Evidentemente, a história das religiões está cheia de variantes: às vezes os dragões montam guarda em volta de um “tesouro”, imagem sensível do sagrado, da realidade absoluta; a vitória ritual (iniciática) contra o monstro guardião equivale à conquista da imortalidade. Para o cristão, o batismo é um sacramento, pois foi instituído pelo Cristo. Mas nem por isso deixa de equivaler ao ritual iniciático da prova (luta contra o monstro), da morte e da ressurreição simbólicas (o nascimento do homem novo). Não queremos dizer com isso que o judaísmo e o cristianismo “tomaram de empréstimo” tais mitos e símbolos às religiões dos povos vizinhos; não era necessário; pois o judaísmo era herdeiro de uma pré-história e de uma longa história religiosas onde todos esses elementos já existiam. Nem sequer foi preciso que o judaísmo mantivesse “desperto” esse ou aquele símbolo, na sua integridade. Bastou que um grupo de imagens sobrevivesse, ainda que obscuramente, desde os tempos pré-mosaicos. Tais imagens e símbolos eram capazes de recobrar, a qualquer momento, uma poderosa atualidade religiosa.

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