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30 novembro 2015

Estas são as posturas erradas que causam doenças


Uma boa postura não está somente relacionada à aparência, mas, principalmente, à saúde.
Há pessoas que passam o dia todo sentadas de forma curvada ou carregam peso por muito tempo – o que é péssimo para o corpo, já que tende a ficar dolorido com a pressão.
Por falar em dor, quando ela atinge o pescoço e o trapézio, é porque se colocou muito apoio nas últimas vértebras cervicais ou passou muito tempo olhando para a frente.
Sem falar que atividades praticadas de forma inadequada causam mau jeito e dores.




É no trabalho, geralmente, que fazemos as piores “barbeiragens” em termos de postura.
A postura que deixa a barriga saliente, como mostra a imagem abaixo (lado esquerdo), é, sem dúvida, uma das posições mais erradas, além de ser esteticamente péssima.



Essa e tantas outras escolhas levam a gravíssimas lesões.
Procure deixar a coluna sempre reta – lembrando que exercícios físicos são excelentes para disciplinar nosso corpo.
Veja nossas dicas para adotar uma postura correta:



1.  Sentado: se você está sentado, a melhor postura é manter a coluna reta, ombros para trás e para baixo.
2.  Em pé: se você estiver em pé, mantenha o abdome contraído e o peito estufado. Isso estabiliza o corpo.
3.  Caminhando: se estiver caminhando, mantenha a cabeça erguida e o pescoço reto, evitando olhar para baixo.





14 agosto 2013

O calvário de Badan Palhares

Acusado de fraudar o laudo da morte de PC Farias e enrolado com a CPI do Narcotráfico, o legista é hostilizado nas ruas e perde clientes no seu laboratório

Cesar Guerrero e Gustavo Maia, de Campinas (SP)
Reportagem de 1999



                                                                                                               Edu Lopes
“Faria tudo novamente e da mesma forma. Suzana se matou’’ Badan Palhares, no seu laboratório de análises

As hostilidades tornaram-se rotineiras na vida de Badan Palhares. Foram muitas, desde a primeira acusação de que teria fraudado o laudo da morte de Paulo César Farias, o tesoureiro da campanha do ex-presidente Fernando Collor. Na esteira desse caso, seu nome também foi citado na CPI do Narcotráfico e alguns deputados que investigam o crime organizado em Alagoas pretendem, neste mês, pedir o indiciamento de Badan. “A quebra do sigilo bancário mostra que, um ano após a morte de PC, ele aumentou em mais de dez vezes seus recursos pessoais”, afirma o deputado Robson Tuma (PFL-SP).

Passaram-se exatos quatro anos do crime e a vida de Badan virou do avesso. Certa vez, caminhava pela praia, em Santos, litoral de São Paulo, quando uma senhora o desancou em público e pediu sua prisão. Diante da condenação, tentou se defender: “A senhora ainda vai me pedir desculpas um dia”, respondeu. Em Natal, no Rio Grande do Norte, um taxista mais exaltado bradou que ele deveria estar se defendendo em vez de aproveitar as férias. Quando é reconhecido em locais públicos de Campinas, onde mora, os comentários ao pé do ouvido são constrangedores. “Nunca imaginei que minha vida mudaria tanto”, diz.

Aos 56 anos, Badan Palhares não é nem sombra daquele legista que atuou em casos de repercussão internacional, como os massacres do Carandiru, em 1992, e Eldorado de Carajás, em 1996. Foi dele também a reconstituição facial da ossada do carrasco nazista Joseph Mengele, em 1985. Hoje, perdeu prestígio e credibilidade. O Departamento de Medicina Legal da Universidade de Campinas, que ajudou a criar, foi extinto. O movimento em seu laboratório de análises, que faz necrópsias e biópsias, despencou. Badan continua recebendo R$ 2,3 mil como professor da Unicamp, o mesmo valor que ganha como legista do IML de Campinas. Somando todas as fontes de renda, estima-se que seus vencimentos fiquem em torno de R$ 12 mil. “É menos do que já ganhei, mas o suficiente para manter o padrão de vida de minha família”, afirma.

Os dissabores profissionais também nocautearam a saúde de Badan Palhares. Em 30 de março de 1999, sofreu um enfarte. Depois de submeter-se a um exame de cateterismo, não quis tomar conhecimento da área atingida pelo ataque. Como prevenção, o legista caminha de cinco a oito quilômetros diariamente e toma várias medicações para controlar a função cardíaca, além de calmantes para dormir. Em novembro, durante os trabalhos da CPI do narcotráfico, em Campinas, foi internado por conta de uma crise renal. “Disseram até que era fingimento”, relembra. A família também sentiu o baque. A mulher Elisabeth, 50 anos, teve crises nervosas e foi constantemente medicada com calmantes. Os filhos Rhodrigo, 24 anos, e Carolina, 22, hibernaram no silêncio. Evitam o assunto. A única manifestação aconteceu através da imprensa. Escreveram dois artigos em jornais de Campinas para defender o pai, com os seguintes títulos: A luta deveria ser de todos e O que dá Ibope não se publica. “Nossa família ficou muito mais unida depois das acusações”, constata o legista.

                                                                 Edu Lopes
Badan Palhares em seu laboratório: o volume de trabalho caiu afetando o faturamento de 1999

“FUI OMISSO” Hoje, Badan Palhares procura juntar o que sobrou para retomar sua rotina. Ele leciona medicina legal na Unicamp de segunda a quinta-feira e, aos finais de semana, cumpre plantões no IML de Campinas. O restante do tempo é dedicado ao laboratório. Em meio à agenda atribulada, a família ganhou um espaço cativo. Aos domingos, o churrasco tornou-se um evento sagrado. O legista recebe os parentes mais próximos e os amigos que restaram em seu sítio em Santo Antônio de Posse, na região de Campinas. A propriedade pertenceu a seu pai. “Acho que fui omisso na convivência com os filhos, por causa do meu trabalho. Não os vi crescer. Procuro recuperar esse tempo perdido nessas confraternizações”, explica.

Distante das reuniões dominicais em torno de uma carne assada, Badan tem uma outra missão: ele tenta convencer a opinião pública de que seu laudo sobre a morte de PC Farias é correto. Quando é convidado, faz palestras justificando sua versão. No sábado 27, falou para uma platéia de 200 pessoas no auditório de um hotel em Águas de São Pedro, no interior de São Paulo. Apresentou fotografias e, depois de uma hora de explicações, recebeu aplausos. “Eu tenho a necessidade de mostrar para as pessoas tudo o que fiz em Maceió”, diz. “Não devo nada para ninguém. Vou até o fim para provar a verdade.”
                           Edu Lopes
“A família ficou mais unida depois das acusações. Hoje passo mais tempo com eles’’ Badan Palhares, na sua chácara em Santo Antonio de Posse


SALTO NA RENDA Mas há outros problemas nessa trajetória. O relatório da CPI do Narcotráfico, que fica pronto este mês, aponta discrepâncias nas declarações de imposto de renda de Badan. O sub-relator da Comissão, Robson Tuma, acredita que Badan será indiciado. De acordo com o deputado, as informações da Receita Federal dão conta de que esses recursos saltaram de R$ 12 mil, no ano de 1995, para R$ 158 mil em 1996. Em sua cruzada para provar inocência, o legista entregou à Justiça um documento de 189 páginas, reafirmando a tese de que Suzana Marcolino cometeu suicídio, depois de matar PC Farias. O documento é assinado pelos dez peritos que participaram da investigação, logo após o crime cometido em 23 de junho de 1996. “Seria muito mais cômodo se o meu trabalho apontasse um duplo homicídio. Mas eu sou um perito, minha função é analisar os fatos”, afirma.

O laudo produzido pela equipe de Badan foi contestado em um inquérito da polícia alagoana. Os oito seguranças de PC, que estavam na casa de Guaxuma na noite do crime, foram indiciados. Se a Justiça considerá-los culpados, estará reconhecendo que houve falhas no laudo da equipe de Badan Palhares. Só então ele poderá ser processado por falsa perícia. Um de seus maiores opositores é o professor de medicina legal da Universidade Federal de Alagoas, George Sanguinetti. “Ele dirigiu o laudo para provar a sua falsa tese”, acusa Sanguinetti. “Não tenho dúvidas de que foi um duplo homicídio”, completa.

Apesar da concentração de denúncias contra Badan Palhares, havia mais nove peritos trabalhando no caso. “Todos tinham a mesma responsabilidade”, garante o perito criminal Carlos Alberto Zerbetto, que integrou o grupo que assinou o laudo. O legista Gerson Odilon, outro integrante da junta, vai ainda mais longe. “É uma injustiça o que fazem contra ele. Eu trocaria de lugar com Badan porque também coloquei meu nome naquele documento”, afirma. Apesar de todos os contratempos, Badan afirma que não se arrepende de nada. “Faria tudo novamente e da mesma forma”, garante.

Colaborou Cláudia Carneiro, de Brasília





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