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10 abril 2024

A Morte de Ivan Ilitch – Leon Tolstoi


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Descrição do livro

Esta obra mostra a história de um burocrata medíocre, Ivan Ilitch, um juiz respeitado que depois de conseguir uma oferta para ser juiz em uma outra cidade, compra um apartamento lá, para ele, sua mulher, sua filha e seu filho morarem. Ao ir para o apartamento, antes de todos, para decorá-lo, ele cai e se machuca na região do rim, dando início à uma doença.



01 dezembro 2023

Doutor Jivago – Boris Pasternak





Descrição do livro

Retomando a tradição grandiloquente dos romances de Tolstoi e Dostoievski através da história do médico e poeta Iúri Jivago, o autor recriou parte da história moderna da Rússia focalizando seu povo. Nascido no regime czarista, criado durante a Primeira Guerra Mundial, incapaz de controlar seu destino durante a revolução e da guerra civil entre o exército branco e o vermelho, Jivago firmou-se como um dos grandes heróis trágicos da literatura russa.





27 julho 2016

Doistoiévski - O Menino Mendigo

Ilustração alemã de uma mãe sem-teto e seus filhos na rua, antes de 1883



Este ano, quando o Natal estava próximo, passava muitas vezes na rua diante de um menino talvez de uns sete anos de idade, que eu via sempre acocorado no mesmo canto. Ainda o encontrei mais uma vez na véspera da festa. Debaixo de um frio terrível estava vestido como se fosse verão, trazendo, à guiza de xale, um pedaço de pano velho enrolado  em roda do colo. Pedia esmolas, apresentava a mão, conforme costumam fazer os pequenos mendigos de São Petersburgo. São muitos os pobres meninos enviados dessa maneira a implorar a caridade dos transeuntes, a gemer  algum estribilho que aprendem de cor. Aquele, porém, não gemia: falava ingenuamente, como qualquer novato na profissão. O olhar dele tinha um quê de franco, o que me confirmou  na convicção de tratar-se de principiante. Às perguntas que lhe fiz respondeu que tinha uma irmã doente, que não podia trabalhar; pareceu-me verdadeiro o que dizia. Além disso, somente mais tarde fiquei sabendo do número enorme de crianças que mandam mendigar daquela maneira, quando o frio é mais rigoroso. Se nada arranjarem poderão ter a certeza de serem espancados ao voltar para casa. Quando conseguir juntar alguns copeques, o pirralho dirige-se, com as mãos roxas e intumescidas, para o buraco em que um bando de vendedores de roupas usadas e de operários folgados, que deixaram a fábrica no sábado para aparecer somente na terça-feira seguinte, fartam-se a comer e beber conscientemente. Nesses buracos  as mulheres magras e surradas bebem álcool em companhia dos maridos, enquanto choramingam á porfia, as criaturinhas ainda de peito. Aguardente, miséria, sujeira, corrupção, e, antes de tudo e sobretudo, aguardente!
Apenas chegado, manda-se o menino à venda com o dinheiro mendigado, e quando chega com o álcool, divertem-se com ele fazendo-o beber uma dose que lhe corta a respiração e, subindo-lhe à cabeça, o faz rolar pelo chão, para grande gáudio de todos os presentes.
Quando o menino atinge quatorze ou quinze anos, colocam-no logo em uma fábrica, com a obrigação de entregar à família  tudo quanto ganha, gastando-o os pais em aguardente. Antes, porém, de atingirem a idade em que possam trabalhar, esses meninos se transformam em estranhos vagabundos. Andam à solta pela cidade, acabando por descobrir onde possam meter-se para passar a noite sem terem que voltar para casa. Um desses rapazolas dormiu durante algum tempo em casa de um empregado subalterno da Corte: tinha feito a cama em uma cesta, sem que o dono da casa percebesse. É claro que não demoram muito para começar a roubar. E, muitas vezes, o roubo chega a converter-se em paixão, em pequenos de oito anos que dificilmente se julgam culpados por terem os dedos demasiadamente ágeis.
Cansados dos maus-tratos dos que os exploram, fogem e não voltam mais aos buracos em que os maltratavam; preferem sofrer fome e frio e ter a liberdade de vagabundar por conta própria.
Frequentemente esses pequenos selvagens não sabem nada de nada; ignoram a que nação pertencem, não sabem onde vivem e jamais ouviram falar de Deus ou do Imperador. Muitas vezes sabe-se a respeito deles o que há de mais inverossímil, mas que, entretanto, é verdade.


Fonte: Dostoiévski. Diário de um Escritor. Rio de Janeiro: Ediouro, s/d, págs. 73-74, Ano 1876. Tradução de E. Jacy Monteiro
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