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02 dezembro 2023

O previsível lamento da mulher promíscua

 


domingo, 27 de janeiro de 2013 


Testemunho duma mulher chamada "Nancy", comentando para este blogue. Com informação e comentários daqui.



Vocês mulheres que planeiam encontrar "O Tal" e contrair matrimónio com ele, POR FAVOR, oiçam o que eu vos tenho a dizer. Mais do que TUDO, quem me dera que eu tivesse tido esta informação valiosa - da forma como os homens pensam do sexo e das mulheres promíscuas - quando eu era adolescente.
Se algum dia tiver uma filha, vou-lhe educar com esta preciosa lição de vida. Sinto que só agora, com 29 anos, é que estou a aprender a verdade acerca dos homens. Os meus olhos foram finalmente abertos. Como é que eu pude ser tão cega no passado?!

Sinto-me incrivelmente triste; estou a viver uma vida cheia de arrependimento. Actualmente encontro-me casada com um homem maravilhoso - o sonho de qualquer mulher. Primeira impressão: atraente, musculado, alto, macho alfa, excelente comunicador. Impressão duradoura: amoroso, preocupado, gentil, provedor, amante excepcional. As mulheres atiram-se aos seus pés, mas ele rejeitou as outras e escolheu-me.

Infelizmente, eu não me guardei para ele; fui promíscua quando era solteira, e o meu passado sexual está a colocar uma pressão ENORME sobre o nosso relacionamento. Este é o único ponto que gera algum tipo de discussão entre nós. Ele ama-me e toma conta de mim, mas ele não me respeita. Eu oro e espero que sejamos capazes de ultrapassar isto. O teu passado [sexual] tem MUITA importância, e invariavelmente ele retornará para te assombrar.

Quando eu e o meu marido começamos a namorar, ele disse-me que tinha problemas com mulheres promíscuas; como tal, ele perguntou-me que tipo de vida eu tinha levado quando era solteira. Eu não revelei o número total [de amantes] mas disse apenas que "Não tive relações sexuais com muitos homens". Dentro do meu círculo de amizades o meu número era considerado abaixo da média, mas numa escala global, é um número verdadeiramente alto.

[ed: Quando ela fala no seu passado sexual, é muito comum a "mulher moderna" - aquela que está sob o feitiço da ética sexual vigente - colocar-se a ela mesma como a única pessoa cujo comportamento sexual era moralmente aceitável dentro do seu grupo de amigas. O problema é que esse tipo de argumento, para os homens, soa a algo como "Eu era a única pessoa honesta dentro da prisão" ou "Eu era a única pessoa sã dentro do manicómio"]

Na altura, o meu marido ficou satisfeito com a minha resposta, mas seis meses mais tarde o tópico voltou a ser falado; ele queria o número exactoEu fiz o que muitas mulheres fazem e menti. O número que eu lhe disse deixou de fora 10 outros amantes que eu tinha tido, mas mesmo assim ele ficou verdadeiramente enojado comigo. No entanto, ele ficou comigo.

Finalmente, e seis meses depois, revelei toda a verdade e confessei o número exacto de amantes que tinha tido. Na altura, ele ficou MUITO próximo de acabar com o nosso relacionamento uma vez que não só eu era uma promíscua [inglês "slut"], como era também uma mentirosa - o que era ainda pior. Danificar a confiança num relacionamento é a PIOR coisa que se pode fazer.

Ele ficou visivelmente zangado por lhe "atirar areia para os olhos" ao tentar passar a imagem de que eu era melhor do que realmente era, mas eu só não queria ser julgada pelo meu passado. Queria primeiro que ele me conhecesse como pessoa, me amasse e me aceitasse pelo que sou hoje. Ele disse que o que eu tinha feito era injusto porque ele havia-se apaixonado por mim . . . . . mas odiava o meu passado. Não havia a menor chance dele se envolver comigo se soubesse com quantas pessoas eu havia dormido.

Passado que está um ano ele continua comigo, e recentemente casamo-nos. Actualmente ele sabe tudo sobre mim. O meu passado é vergonhoso e embaraçoso, mas sabe bem ser totalmente franca e aberta com ele. Já não há mais segredos e ele faz todos os possíveis para me amar e aceitar por aquilo que eu sou.  Ele sabe que sou uma boa pessoa e uma esposa amorosa com muito para oferecer. Ele apenas deseja que eu tivesse feito melhores escolhas no passado.

Há dias que são mais difíceis de superar quando ele não pára de pensar no que eu fiz. Sinto-me mal e fico a pensar como ele poderia ter tido qualquer mulher no mundo - uma mulher mais inocente - mas ele está preso a mim. Mercadoria estragada.

* * * * * * *

É perfeitamente compreensível que algumas mulheres fiquem genuinamente perturbadas com o facto dos homens usarem de modo mais severo o passado sexual da mulher contra ela do que a forma como as mulheres usam o passado sexual dos homens contra eles. Mas é assim que as coisas sãoComo se diz no Fórum Mundo Realista, "biologia supera ideologia". Tentar envergonhar os homens chamando-os de - por exemplo - "inseguros" não vai mudar nada.

Mesmo que seja gerada suficiente pressão social para silenciar a normal aversão que os homens têm por mulheres promíscuas (quando se fala em relacionamento sério), eles nunca deixarão de se sentir incomodados com a "quilometragem sexual" da sua futura ou actual esposa (do mesmo modo que a esposa ficará genuinamente perturbada se o marido se despedir do emprego e passar os dias a jogar Playstation - quer ela verbalize ou não a sua frustração).

Quando se fala da história sexual a honestidade é sempre a melhor opção - especialmente quando existe uma míriade de formas através da qual a verdade pode vir ao de cima. Se o teu passado sexual faz com que percas alguém que tu realmente gostas, mais vale cedo do que tarde. E não penses que o passar do tempo irá de alguma forma ajudar, visto que a realização de ter sido deliberadamente enganado durante muito tempo irá certamente endurecer ainda mais o coração do homem contra a mulher.

Esconder o passado é, logisticamente, muito difícil, e, ao mesmo tempo, psicologicamente muito cansativo.

O feminismo não acabou com a dualidade de critérios na sexualidade: os homens continuam a sentir aversão por mulheres com uma experiência sexual considerável. E porquê? Porque quanto mais promíscua for a mulher, maiores são as probabilidades do homem passar 20 anos da sua vida a sustentar  filhos que ele PENSA serem seus - algo que, obviamente, não é do seu interesse. Devido a isto, os homens olham para o passado sexual da mulher como uma previsão válida para o seu comportamento futuro.

A nossa sociedade penaliza as mulheres que se preservam e que exigem algum tipo de compromisso sério antes de se entregarem sexualmente aos homens. Isto está muito longe de ser fácil, mas a mulher só tem duas escolhas:

Escolha A: Esperar

Escolha B: Ceder.

A Nancy, que é um exemplo trágico da Escolha B, resolveu agora partilhar a sua história como testemunho das consequências dessa escolha.

Para os homens, a mensagem é mesma já repetida por várias pessoas: se têm planos de casar e formar uma família, é aconselhável tentar saber o quanto antes que estilo de vida sexual a futura esposa levava, e quantos parceiros sexuais ela já teve. E, como diz uma mulher neste site, "Se nós [as mulheres] dizemos 5, então isso quer dizer 20. Se nós dizemos 2, então queremos dizer 8, e se nós dizemos que tu és o primeiro, então isso quer dizer que já nem nos lembramos dos nomes dos nossos parceiros sexuais".

Pronta para casar.


27 março 2023

O Lupanar (Augusto dos Anjos)



O lupanar



Ah! Por que monstruosíssimo motivo
Prenderam para sempre, nesta rede,
Dentro do ângulo diedro da parede,
A alma do homem polígamo e lascivo?!
Este lugar, moços do mundo, vêde:
É o grande bebedouro colectivo,
Onde os bandalhos, como um gado vivo,
Todas as noites, vêm matar a sede!
É o afrodístico leito do hetairismo,
A antecâmara lúbrica do abismo,
Em que é mister que o gênero humano entre,
Quando a promiscuidade aterradora
Matar a última força geradora
E comer o último óvulo do ventre!

23 fevereiro 2023

A suposta prostituição de Dona Marcela


A primeira-dama Marcela Temer foi comparada a uma prostituta pela mídia. Uma mulher fiel e recatada hoje é "inferior" a uma prostituta.

Carlos Ramalhete



Até o momento em que escrevo – 25.X.2016 – o Brasil teve duas primeiras-damas belíssimas, Dona Maria Teresa Goulart e Dona Marcela Temer. Curiosamente, como o marido da primeira era de esquerda ela é ignorada ou elogiada pela imprensa de hoje, que tanto pende àquela direção que mais parece ter a perna esquerda muito mais curta que a direita. Mentira tem perna curta, mesmo, mas cria eu serem ambas no caso. Já Dona Marcela é chamada de tudo quanto é besteira, não só pela imprensa quanto pelas hordas de minions avermelhados que replicam farsescamente o bestialógico vomitado primeiramente pelas plumas de aluguel da grande imprensa.

Se a grande imprensa ridiculariza a primeira-dama, tratando-a ironicamente como “bela, recatada e do lar” por crer erroneamente na universalidade das conotações negativas que têm entre as esquerdas a beleza, o recato e – horresco referens! – o lar, os minions vermelhudinhos das redes sociais, diferenciados dos MAVs por cumprirem seu papel por pura estupidez servil, sem treinamento nem pagamento, vão bem mais longe.

Eu, pessoalmente, acho divertido, porque assim eles me dão ensejo a digressões completamente alheias ao cerne dos fatos políticos, como a que ora estalo os dedos para escrever, podendo ilustrá-la com belas fotos de Dona Marcela e ainda ridicularizar um pouco os tão merecedores minions escarlate (enquanto no início dos tempos atuais o Pimpinela Escarlate salvaria nobres dos selvagens fazendo-se de playboy, em seus estertores os minions escarlate gritam “mas é mesmo uma pywtta” a cada vez que têm o desprazer de ver uma mulher que jamais olharia para eles sem fazer uma deliciosa carinha de nojo, correndo em seguida à revista Playboy para celebrar mais uma tentativa inconclusa de reprodução).

Partamos, pois, alegremente, a explicar de onde vem que não só os “minions” vesmelhusquinhos, mas também suas consortes “mínimas”, de vasta cobertura tricóide subaxilar, consigam inventar isso de Dona Marcela ser prostituta. Dir-se-ia tratar-se de mera reclamação de preço – ela seria uma prostituta fora do alcance do proletariado concursado que ganha apenasmente seus vinte mil temers por mês para falar asneiras a público cativo nas arrã, “universidades (!)”, arrã-arrã, “públicas (?!)” arrã-arrã-arrã, “brasileiras (??!!). Mas não. Mais ainda quando, como já foi apontado magistralmente neste mesmo sítio internético, todos os minions esquerdunculóides têm o reflexo condicionado de dizer “prostitutas são pessoas maravilhosas e o melhor exemplo de vida” sempre que ouvem referências a elas, até mesmo tratando apenas de questões de filiação no contexto de brigas de trânsito. Não, não mesmo.

A resposta está alhures, sendo fartamente encontradiça nos rituais de reprodução de “minions” e “mínimas” enrubescentes.

Sabemos todos, ou ao menos sabemos todos os que temos algum sucesso que seja no trato com o sexo oposto, seja esta sapiência consciente ou não, que todas as mulheres procuram uma única coisa e todos os homens uma outra única coisa, em nada equivalente, e daí os mal-entendidos constantes entre ambas estas espécies. O problema é que aquilo que elas querem, na clássica questão freudiana ou na prática, pode ter milhões de formas díspares, enquanto o que os homens queremos é bem menos multiforme. Explico.

Quando Papai do Céu nos criou, cerca de 5777 anos atrás pela contagem dos judeus (que os cristãos não são bobos de se meter a contar muito a sério essas coisas, que só servem para atrair comentaristas que escrevem tudo em capislóque), Ele nos fez homem e mulher, mas, mais ainda, Ele nos fez membros de tribos de caçadores-coletores. Assim, o que interessa naturalmente ao homem, aquilo que está no hardware masculino, é a condição que garante que a moça desejada vá conseguir carregar seu filho até o fim da gravidez e sobreviver pra tomar conta dele até ele se virar por conta própria. Não se trata da capacidade de ser irritante ao reclamar da torneira pingando, nem de autossuficiência (numa tribo de caçadores-coletores sequer existe palavra para isso. Em português mesmo a ideia é tão recente que precisamos juntar duas palavras para enunciá-la). 

Trata-se, senhoras e senhores, por incrível que possa parecer, de saúde. Simples assim.

O homem vai procurar uma moça jovem, porque jovens são a priori mais saudáveis (cabelos amarelos indicam baixa idade em muitos grupamentos), vai querer que ela faça oingo-boingo nos lugares certos quando anda, que seja simétrica de rosto e de corpo, que cheire bem, que tenha bons quadris largos de parideira e fartas tetas de amamentadora, e por aí vai. Quem iria imaginar, hein?

É claro que pode haver, e há, farta interferência nesse processo vinda de outros níveis de funcionamento do homem: o social (que vai fazer com que haja quem ache legais essas sobrancelhas de palhacinho à la Marcos Feliciano com que algumas moças andam se enfeiando, por exemplo, ou que seja atraído por mocinhas esquálidas que mais lembram aspargos desidratados) e o sobrenatural (a graça divina de não se casar com aquelas moças que se tomarem banho quente viram canja) são os principais entre eles.

Já a mulher, ah, a mulher… Já dizia Tom Jobim, a “mulher é outro bicho”. Ela vai procurar o sujeito que garanta que o filho dela ainda tenha pai vivo quando nascer depois de longos nove meses, e que consiga manter inteiros ela e o moleque até que seja o moleque quem bate na porta e mata o desavisado, como numa propaganda de seriado. E o que é isso, num contexto de caçadores-coletores? É, amiguinhos e amiguinhas, uma cousa assaz simples: é o poder.

Toda mulher busca o poder. É por isso que ela tem essa capacidade espantosa de perceber assim que entra num recinto quem gosta de quem, quem tem inveja de quem, quem gostava de alguém e brigou etc. É por isso que elas ficam falando disso (sem jamais contar tudo, claro) por horas a fio, e é por isso que elas têm inimigas íntimas, não amigas de verdade (no sentido masculino do termo). Deus as criou especialmente antenadas na hierarquia social para que elas pudessem apostar no macho cuja liderança duraria mais, no cara que não estava às beiras de ser estraçalhado numa cerimônia que o Freud descreveu feito a cara peluda dele etc.

Mas o poder, dir-me-iam vossas augustas excelências, é algo iminentemente social. O poder ocorre, lembrar-me-iam os senhores, dentro de várias hierarquias sociais simultâneas, com o detentor de poder num dado nível numa dada hierarquia sendo ao mesmo tempo detentor de poder de outro nível noutra hierarquia. O cara que no clube de suíngue manda muito, por exemplo, na boca de fumo apanha na cara e ainda sai de lá com o apelido de Cornélio tatuado na testa. Responder-vos-ia eu que isso faz com que o componente social que se soma à base natural da busca de parceiro pela moça vá necessariamente ser muitíssimo mais forte que entre os homens. Toda mulher busca poder, mas…

O que é poder?

Para uma determinada moça é a força física: o corpo esculpido por horas de malhação e litros de esteróides até o pingulim do moço ficar microscópico e o bíceps dar três do cérebro.

Para outra moça, é a segurança de o cara ser o dono do mercadinho do bairro desde que ela nasceu e sempre votar no candidato que ganha.

Para ainda outra, é a fortaleza de alma do cara que manda todo mundo às favas e vai viver de vender pulseiras de miçanga, com o calcanhar todo rachado, dormindo no mesmo calçadão em que oferece sua “arte” (sim, senhores, hippies de praça têm uma vida amorosa bastante intensa).

Para ainda uma outra, poder é o dinheiro que ela nunca teve (e, por isso, escapa-lhe completamente que se Dona Marcela suspirar dizendo “o Havaí é lindo” aparecerão magicamente em seu belo colo passagens gratuitas de primeira classe com tudo incluído para o Havaí para a família toda, e ela terá o desprazer de ter que dizer “não quero”).

Para outra, ainda, poder é a aparência e a emoção, e um cara que cometa estelionatos em série para andar de Mercedes é o ideal.

Para outra, tadinha, o poder que conta é o do intelecto, e ela ficará embevecida ouvindo e lendo a produção de seu amado enquanto cozinha o fígado de galinha com arroz classe C que foi o que deu pra comprar este mês. Essa casa com professores e intelectuais, inclusive comunistas. Depende só de quem chegar primeiro.

E, finalmente, para outra o que conta é o poder em estado bruto: “Pois também eu sou um homem sujeito a outro, tendo soldados às minhas ordens, e digo a um: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu servo: Faze isso, e ele o faz.” (Mt 8,8-9). Foi esta a sagaz escolha de Dona Marcela. Ao invés de buscar o poder em seus sucedâneos e sinais, ela o buscou – e encontrou – em estado bruto, e usou provavelmente também de maneira farta de seu próprio poder de mulher núbil e belíssima para conquistar o coraçãozinho seco do poderoso chefão que veio a tornar-se o Presidento.

Mas as mulheres não entendem os poderes que as demais reconhecem, e chamam de prostituta à que reconhece o poder do dinheiro, de louca ou porca a que se casa com o intelectual ou com o hippie da praça, de interesseira à mulher do estelionatário ou do dono do armazém, de imediatista e carnal à que se casa com aquele que se fez eunuco pelo reino de Schwarzenegger. A outra origem do triste epíteto de prostituta é a visão marxista, que deturpa a sociedade ao ponto de ver relações “de classe” – uma besteira artificial e irreal – como as únicas verdadeiras, fazendo com que qualquer tipo de fidelidade a alguém de classe “superior” seja percebida como “prostituição” por supostamente violar as lealdades de classe em favor de uma lealdade individualista que sabotaria a própria classe. Ou seja: para esses imbecis furunculosos, Dona Marcela seria prostituta na exata medida em que fosse fiel ao marido. Valha-me Deus!

A prostituta, no senso estrito do termo, de modo geral é a mulher que após ter sido abusada sexualmente na infância tornou-se incapaz de unir sexo e emoção (no contexto é a única resposta que pode evitar que enlouqueça) e, por aparentemente não ter as emoções afetadas pelo aluguel por hora do próprio corpo, considera que aquele é apenas um emprego que paga melhor que caixa de supermercado. Normalmente, na cabeça dela, inclusive, é um emprego “de esperar marido”, e o sonho dela é que venha um sujeito com o tipo de poder que ela reconhece e a leve para casa. Pobrezinha; cada dia que ela passa nessa linha de trabalho diminui tremendamente as chances de isso um dia ocorrer.

São as “vadias” e feministas, as “mínimas” rubrevascas, todavia, que mais incentivam a criação real de prostitutas de verdade, que elas mesmas no fundo sabem ser algo muito distinto da distinta Dona Marcela. Elas o fazem pela hipersexualização da criança, que aumenta tremendamente o risco dos abusos que estão na origem da maioria dos casos de prostituição. Elas o fazem por pregar como normal e mesmo desejável que haja uma muralha entre o sexo e a emoção, como as pobres prostitutas criaram por sobrevivência.

E, finalmente, elas o fazem por pregar que a mulher jamais deveria unir-se verdadeiramente em matrimônio, sim afogar seus sonhos naturais e viver, dia após dia, a tristeza e a solidão desesperada da prostituta. Que Deus tenha piedade delas.


29 abril 2019

Devassa (Luiz Felipe Pondé)





De quatro, ela gemia. Por trás, ele a penetrava e doía. O amor anal é sempre selvagem e mais íntimo do que todos os outros. Gemia de dor, as lágrimas escorriam pelos lábios. Ele puxava seus cabelos loiros com força. Sentia-se uma cadela, momento supremo, pedia que a tratasse por cachorra. Um filósofo diria: eis a mulher. 

Finalmente sentindo-se objeto, como sempre quis. Finalmente alguém que não a respeitava. Espécie em extinção, homem que não pede licença. As mulheres ainda vão sonhar com o tempo que faltavam com o respeito com elas nas ruas. 

Ao final, veste-se. A roupa branca trai sua função social: médica. Já no hospital, sorri para seus pequenos pacientes indefesos. Pediatra bem-sucedida. 

Na TV, uma entrevista com uma chatinha condena o comercial da cerveja “Devassa” como sendo exploração da mulher. Nossa médica gostosa, do alto de seu salto e de sua roupa branca, sonha em ser de novo objeto no dia seguinte. O amor anal a deixa ali onde ela quer estar: no lugar do objeto. Nenhuma mulher é mais amada do que a que é objeto de alguém. E ela pensa: “como essas chatinhas atrapalham minha vida”. Escondida por baixo das roupas brancas, uma espécie caçada: a devassa. A mulher que gosta de homem e não é histérica. 

A lembrança ainda escorria em suas pernas. Criada num mundo ignorante sobre sexo, porque o confunde com província da “biopolítica”, nossa heroína do amor anal demorou a descobrir o que se sabe desde a Pré-história. Fala-se “penetrar uma mulher” porque a anatomia imita a vida do afeto: o amor é invasão da vida. 

Dedico esses aforismos imorais a ela.



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