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01 junho 2022

Kallistos Ware sobre o desenvolvimento histórico do culto aos ícones


Kallistos Ware, um dos mais conhecidos teólogos ortodoxos orientais contemporâneos, confirma que o culto aos ícones é uma tradição pós-constantiniana, de origem pagã.

«Foi somente em passos lentos que o uso de ícones tornou-se estabelecido na Igreja. Reagindo contra o seu ambiente pagão, os primeiros cristãos estavam ansiosos por enfatizar acima de tudo o caráter exclusivamente espiritual do seu culto, e procuraram evitar qualquer coisa que pudesse ter sabor de idolatria: "Deus é Espírito, e aqueles que O adoram devem adorá-Lo em espírito e verdade" (João 4:24). A arte cristã primitiva – como encontrada, por exemplo, nas catacumbas romanas – mostra uma certa relutância em retratar Cristo diretamente, e Ele era na maioria das vezes representado de forma simbólica, como o Bom Pastor, ou como Orfeu com a sua lira, ou afins. Com a conversão de Constantino e o progressivo desaparecimento do paganismo, a Igreja tornou-se menos hesitante no uso da arte, e por volta do ano 400 dC tornou-se uma prática aceite representar nosso Senhor não somente através de símbolos mas diretamente. Nesta data, no entanto, ainda não existe nenhuma evidência que sugira que as imagens na igreja eram veneradas ou honradas com quaisquer expressões exteriores de devoção. Elas não eram neste período objetos de culto, mas o seu propósito era decorativo e instrutivo.

Mesmo nesta forma restrita, no entanto, o uso de ícones despertou protestos por parte de alguns escritores do século IV, em particular Eusébio de Cesareia (†339), cujas objeções podem ser encontradas na sua carta a Constantia Augusta, a irmã de Imperador Constantino. Eusébio defendeu que um ícone deve representar necessariamente a imagem "histórica" ​​de Cristo, a "forma" da Sua humilhação; esta, no entanto, foi suplantada, uma vez que a humanidade de Cristo foi assumida na glória divina e agora existe num estado que não pode ser representada em pinturas e cores. Um ícone pintado de Cristo, concluiu, é tanto desnecessário como enganador.

O primeiro tipo de ícone que recebeu veneração não era religioso, mas secular - o retrato do imperador. Este era considerado como uma extensão da presença imperial, e as honras que eram mostradas ao imperador em pessoa eram prestadas também ao seu ícone. Incenso e velas eram queimados diante dele, e como um sinal de respeito os homens inclinavam-se até ao chão perante ele, tal prostração era normalmente descrita pelo termo proskynesis [1]. Este culto da imagem imperial remonta aos tempos pagãos: com a conversão do imperador ao Cristianismo ele foi prontamente aceite pelos cristãos, e não houve qualquer objeção levantada por parte das autoridades eclesiásticas.
Se os homens dispensam tal respeito à imagem do governante terreno, não devem mostrar igual reverência à imagem de Cristo o Rei celestial? Foi uma inferência óbvia e natural, mas não foi uma inferência que foi feita de uma só vez. Na verdade, proskynesis  foi mostrado para com as relíquias dos santos e da Cruz antes de começar a ser mostrado para com o ícone de Cristo. Foi só no período seguinte a Justiniano - durante os anos 550-650 - que a veneração dos ícones em igrejas e casas particulares tornou-se aceite na vida devocional dos cristãos orientais. Pelos anos 650-700 foram feitas as primeiras tentativas por escritores cristãos de fornecer uma base doutrinal para este crescente culto de ícones e de formular uma teologia cristã da arte. De particular interesse é a obra, que sobrevive apenas em fragmentos, de Leôncio de Neápolis (em Chipre), rebatendo críticas judaicas.
A veneração dos ícones não foi aceite em todos os lugares sem oposição. No final do século VI foram feitos protestos em extremos geográficos distantes, em ambos os casos fora dos limites do Império Bizantino - a Ocidente, em Marselha, e a Oriente, na Arménia.»

(Extraído de “Christian Theology in the East,” in A History of Christian Doctrine, editado por Hubert Cunliffe-Jones [Philadelphia: Fortress Press, 1980], pp. 191-92)

Poderia pensar-se que o rio da tradição apostólica, se existe, é mais limpo e puro perto da origem. No entanto, em relação à veneração de imagens observa-se exatamente o contrário: rejeição unânime nos padres sub-apostólicos e durante os primeiros séculos; controvérsias a partir do século V e por fim o que era uma abominação transforma-se na "ortodoxia" em finais do século VIII.

Cada um deve, pois, decidir se opta pelas Escrituras e pela tradição unânime dos quatro primeiros séculos ou pelos costumes pagãos e pelas elucubrações dos filósofos às quais se costuma recorrer neste assunto para demonstrar o indemonstrável e justificar o injustificável.


Nota do tradutor

[1] O Concílio II de Niceia (787), enquanto reserva para Deus a latria, usa este termo proskynesis para o culto aos ícones. Em contraste, a maioria das 60 vezes que o verbo proskyneô  aparece no Novo Testamento, corresponde à honra devida a Deus. Igualmente o termo “adorador” (grego proskynêtês) foi usado pelo Senhor para referir-se ao culto devido só a Deus: João 4:23.

17 fevereiro 2022

O Novo Testamento Interlinear e Analítico Grego-Português




O Novo Testamento Interlinear e Analítico Grego-Português é uma contribuição inédita aos estudiosos da Bíblia em língua portuguesa, um importante auxílio ao intérprete no primeiro passo para a exegese do Novo Testamento.

Em segundo lugar, a contribuição inédita se deve ao cuidadoso trabalho de tradução e revisão. Dele resultaram duas entrelinhas e um texto final primoroso. Desse modo, o pesquisador acompanhará desde a tradução palavra por palavra até a redação final. Uma exegese cuidadosa, porém, não dispensará a análise apresentada e obterá proveito no uso do aparato crítico. O resultado será um estudo bíblico de mais qualidade e fiel às Escrituras.





17 junho 2016

Augustus Nicodemus - Exposição de João 14.1-14



TEXTO SAGRADO: João 14.1-14

1 Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. 
2  Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. 
3  E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também. 
4  E vós sabeis o caminho para onde eu vou. 
5  Disse-lhe Tomé: Senhor, não sabemos para onde vais; como saber o caminho? 
6  Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. 
7  Se vós me tivésseis conhecido, conheceríeis também a meu Pai. Desde agora o conheceis e o tendes visto. 
8  Replicou-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta. 
9  Disse-lhe Jesus: Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai? 
10  Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras. 
11  Crede-me que estou no Pai, e o Pai, em mim; crede ao menos por causa das mesmas obras. 
12  Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai. 
13  E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. 
14  Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei. 





Baixe o e-book e a pregação: http://fiel.in/casa-do-pai





Augustus Nicodemus, um dos principais expositores de nosso país, foi convidado para pregar na plenária da Conferência The Gospel Coalition, nos EUA. Nicodemus expôs o texto de João 14:1-14 sobre a casa do Pai e o caminho até lá em cinco pontos: (1) Jesus diz para não os discípulos não preocuparem; (2) Razões para não se preocuparem; (3) O Caminho para a casa do Pai; (4) Alegrando-se no Pai aqui e agora; (5) Continuando o ministério de Jesus. 



Pregado por Augustus Nicodemus Lopes na Conferência The Gospel Coalition no dia 13 de abril de 2015. © 2015 The Gospel Coalition, Inc. Original: http://resources.thegospelcoalition.o...


Tradução: Matheus Fernandes. Revisão: Vinícius Musselman Pimentel. © 2015 Voltemos ao Evangelho. Todos os direitos reservados. Original: fiel-in/casa-do-pai 

Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, seu ministério e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.






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05 novembro 2015

Augustus Nicodemus - Exposição de João 14.1-14



TEXTO SAGRADO: João 14.1-14

1 Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. 
2  Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. 
3  E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também. 
4  E vós sabeis o caminho para onde eu vou. 
5  Disse-lhe Tomé: Senhor, não sabemos para onde vais; como saber o caminho? 
6  Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. 
7  Se vós me tivésseis conhecido, conheceríeis também a meu Pai. Desde agora o conheceis e o tendes visto. 
8  Replicou-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta. 
9  Disse-lhe Jesus: Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai? 
10  Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras. 
11  Crede-me que estou no Pai, e o Pai, em mim; crede ao menos por causa das mesmas obras. 
12  Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai. 
13  E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. 
14  Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei. 





Baixe o e-book e a pregação: http://fiel.in/casa-do-pai





Augustus Nicodemus, um dos principais expositores de nosso país, foi convidado para pregar na plenária da Conferência The Gospel Coalition, nos EUA. Nicodemus expôs o texto de João 14:1-14 sobre a casa do Pai e o caminho até lá em cinco pontos: (1) Jesus diz para não os discípulos não preocuparem; (2) Razões para não se preocuparem; (3) O Caminho para a casa do Pai; (4) Alegrando-se no Pai aqui e agora; (5) Continuando o ministério de Jesus. 



Pregado por Augustus Nicodemus Lopes na Conferência The Gospel Coalition no dia 13 de abril de 2015. © 2015 The Gospel Coalition, Inc. Original: http://resources.thegospelcoalition.o...


Tradução: Matheus Fernandes. Revisão: Vinícius Musselman Pimentel. © 2015 Voltemos ao Evangelho. Todos os direitos reservados. Original: fiel-in/casa-do-pai 

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