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22 março 2025

Como o câncer se desenvolve






Como surge o câncer?


O câncer surge a partir de uma mutação genética, ou seja, de uma alteração no DNA da célula, que passa a receber instruções erradas para as suas atividades. As alterações podem ocorrer em genes especiais, denominados proto-oncogenes, que a princípio são inativos em células normais. Quando ativados, os proto-oncogenes tornam-se oncogenes, responsáveis por transformar as células normais em células cancerosas.






As células que constituem os animais são formadas por três partes: a membrana celular, que é a parte mais externa; o citoplasma (o corpo da célula); e o núcleo, que contém os cromossomos, que, por sua vez, são compostos de genes. Os genes são arquivos que guardam e fornecem instruções para a organização das estruturas, formas e atividades das células no organismo. Toda a informação genética encontra-se inscrita nos genes, numa "memória química" - o ácido desoxirribonucleico (DNA). É através do DNA que os cromossomos passam as informações para o funcionamento da célula.

O processo de formação do câncer é chamado de carcinogênese ou oncogênese e, em geral, acontece lentamente, podendo levar vários anos para que uma célula cancerosa prolifere-se e dê origem a um tumor visível. Os efeitos cumulativos de diferentes agentes cancerígenos ou carcinógenos são os responsáveis pelo início, promoção, progressão e inibição do tumor. 

A carcinogênese é determinada pela exposição a esses agentes, em uma dada frequência e em dado período de tempo, e pela interação entre eles. Devem ser consideradas, no entanto, as características individuais, que facilitam ou dificultam a instalação do dano celular. Esse processo é composto por três estágios: 

• Estágio de iniciação: os genes sofrem ação dos agentes cancerígenos, que provocam modificações em alguns de seus genes. Nessa fase, as células se encontram geneticamente alteradas, porém ainda não é possível se detectar um tumor clinicamente. Elas encontram-se "preparadas", ou seja, "iniciadas" para a ação de um segundo grupo de agentes que atuará no próximo estágio.




 Estágio de promoção: as células geneticamente alteradas, ou seja, "iniciadas", sofrem o efeito dos agentes cancerígenos classificados como oncopromotores. A célula iniciada é transformada em célula maligna, de forma lenta e gradual. Para que ocorra essa transformação, é necessário um longo e continuado contato com o agente cancerígeno promotor. A suspensão do contato com agentes promotores muitas vezes interrompe o processo nesse estágio. Alguns componentes da alimentação e a exposição excessiva e prolongada a hormônios são exemplos de fatores que promovem a transformação de células iniciadas em malignas.




• Estágio de progressão: se caracteriza pela multiplicação descontrolada e irreversível das células alteradas. Nesse estágio, o câncer já está instalado, evoluindo até o surgimento das primeiras manifestações clínicas da doença. Os fatores que promovem a iniciação ou progressão da carcinogênese são chamados agentes oncoaceleradores ou carcinógenos. O fumo é um agente carcinógeno completo, pois possui componentes que atuam nos três estágios da carcinogênese.




10 maio 2024

Café Filosófico: Desejo sexual masculino e feminino









Ao longo da vida, conforme passam por diferentes experiências, homens e mulheres vão construindo um repertório sexual próprio, e a forma como o seu desejo se manifesta em cada fase vai mudando. A ideia de que o desejo não funciona da mesma forma para homens e mulheres parece já aceita, mas ainda há desafios na busca por uma vida sexual satisfatória tanto para elas quanto para eles. Neste Café Filosófico, a médica psiquiatra Carmita Abdo e o médico urologista João Afif Abdo falam sobre as nuances do desejo sexual masculino e feminino e as dificuldades mais comuns que homens e mulheres enfrentam. Gravado nos dias 21 e 28 de junho de 2013.


06 maio 2022

A medicina do passado - 27 fotos


1- Máscaras utilizadas por médicos durante a Peste Negra. Os bicos guardavam substâncias aromatizadas.




2- Crianças em um Pulmão de Aço antes do advento da vacina contra a poliomielite. Muitas crianças viveram por meses nessas máquinas, mas nem todas sobreviveram. 1937

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3- Danos causados por um espartilho a uma caixa torácica. Século 19

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4- Remédio feminino do Dr. Kilmer. Era descrito como “O grande purificador do sangue e regulador do sistema”.

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5- Bronzeando bebês no Asilo de Órfãos de Chicago para compensar o raquitismo. 1925

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6- Mulher com perna artificial com vergonha de mostrar o rosto. 1890-1900

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7- Mão protética de madeira. 1800

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8- Alguns itens utilizados para disfarçar lesões faciais – a mais antiga cirurgia plástica (literalmente?)

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9- Garrafa de transfusão de sangue. Inglaterra, 1978

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10- Aparelho para coluna vertebral do Dr. Clark. 1878

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11- Exame neurológico com um dispositivo elétrico. 1884

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12- Prótese de perna

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13- Kit dos cirurgiões da Guerra Civil dos Estados Unidos

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14- Sala de fisioterapia de Walter Reed. Anos 20

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15- Garoto numa espécie de cadeira (cama) de rodas antiga. 1915

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16- Ferramenta obstétrica para ensinar estudantes de medicina e parteiros sobre o parto. 1700-1800

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17- Tratamento para escoliose de Lewis Sayre

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18- Antigo desfibrilador

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19- Cadeira de parto usada até os anos de 1800

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20- Facas de cirurgia. China, 1801-1920

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21- Modelo anatômico. Os médicos não podiam tocar os corpos das mulheres, então utilizavam este modelo para descrever e apontar locais das dores.

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22- Técnico(a) de enfermagem de radiologia. Primeira Guerra Mundial, 1918

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23- Um dos primeiros procedimentos cirúrgicos utilizando éter como anestesia. 1855-1860

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24- Palestra num auditório médico. Chicago, 1900

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25- Tratamento para insanidade típico do século 19 e início do 20. Os pacientes eram envolvidos com lençóis molhados e dispostos em fileiras

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26- Leonid Rogozov, o único cirurgião em uma expedição na Antárctica, realizando uma cirurgia em si mesmo depois de sofrer de apendicite. 30 de abril de 1961

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27- Edward Mordrake – o homem com uma face demoníaca (como o próprio Edward dizia) atrás da cabeça que, bizarramente, não podia comer ou falar, mas podia sorrir e chorar. Edward se matou aos 23 anos, pois nenhum cirurgião era capaz de remover o rosto extra.

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Fonte: Tudo Interessante

12 abril 2020

NOÇÕES BÁSICAS DE PRIMEIROS SOCORROS








ABORDAGEM ABCDE

A: estabilizar manualmente a coluna cervical e avaliar a consciência e realizar a abertura das vias aéreas

B: verificar a respiração

C: circulação

D: avaliar disfunções neurológicas

E: exposição e controle do ambiente


26 novembro 2018

AUTORIDADES DE SAÚDE ALERTAM QUE A PRÓXIMA PANDEMIA DE SUPERBACTÉRIAS VAI MATAR "MILHÕES"


…e as nações não estão fazendo nada para impedir isso.

Quando você pensa de uma pandemia, surtos de doenças globais como a gripe espanhola, que matou 50 milhões no início de 1900 ou a pandemia mais recente HIV / AIDS são o que normalmente vêm à mente. No entanto, alguns especialistas estão alertando que a próxima pandemia virá de uma fonte inesperada - e é algo que poderia ser evitado se os países tomarem as devidas precauções agora.

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que é consultora da Organização Mundial da Saúde em iniciativas para a saúde pública, alertou que os cuidados de saúde e gastos públicos enfrentarão “consequências desastrosas” se a higiene básica hospitalar não melhorar e o uso de antibióticos não for melhor reprimido.

O grupo disse que as superbactérias podem matar 2,4 milhões de pessoas até 2050; as bactérias resistentes a antibióticos já são responsáveis ​​por milhares de mortes, matando mais de 33.000 europeus apenas em 2015. A OCDE afirmou que o custo do tratamento dessas infecções pode subir para cerca de 3,5 bilhões de dólares, em média, por ano em cada um dos países analisados. O grupo disse que os países já estão gastando cerca de dez por cento de seu orçamento de saúde em tratamento de bactérias resistentes a antibióticos.

A líder de saúde pública da OCDE, Michele Cecchini, disse: “As bactérias resistentes a antibióticoscustam mais do que a gripe, mais do que o HIV, mais do que a tuberculose. E vão custar ainda mais se os países não implementarem ações para resolver esse problema".

No coração deste problema está o uso excessivo de antibióticos, e estamos sendo atingidos de todos os ângulos. Os médicos prescrevem antibióticos para vírus, que não respondem a tais medicamentos, e também estão entrando em nossos corpos por meio da agricultura e de produtos animais que recebem esses medicamentos. Como resultado, muitas cepas de bactérias estão se desenvolvendo capazes de resistir aos efeitos dos antibióticos.

A resistência já é incrivelmente alta em países de baixa e média renda, com 60% das infecções bacterianas vistas em lugares como o Brasil, a Rússia e a Indonésia, já resistentes a um ou mais antibióticos. O crescimento dessas infecções deverá ser 47 vezes mais rápido em 2030.

Especialistas alertam que mesmo pequenos cortes de cozinha, pequenas cirurgias e infecções como pneumonia podem se tornar mortais. O grupo também expressou preocupação com a resistência aos antibióticos de segunda linha e de terceira linha, que eles dizem que vão aumentar em 70% até o ano 2030. Esses tipos de antibióticos devem ser reservados para os piores cenários, mas os médicos já estão usando mais deles quando deveriam estar usando menos, e isso é ver algumas das melhores opções de emergência disponíveis agora, tendo um grande sucesso.

Como esta pandemia da superbactéria pode ser evitada?

A OCDE afirma que a única maneira de evitar esse desastre de superbactérias é implementando mudanças generalizadas na área da saúde imediatamente. Por exemplo, eles enfatizam que os profissionais de saúde precisam fazer um esforço melhor quando se trata de higiene nos hospitais, lavando as mãos regularmente e instituindo regras de segurança mais rígidas.

Testes mais rápidos para determinar se as infecções são virais ou bacterianas também podem fazer uma grande diferença, já que os antibióticos são completamente inúteis no primeiro caso. Outra abordagem que pode ser útil é a prescrição tardia, o que implica exigir que os pacientes esperem três dias antes de tomar as prescrições de antibióticos. Isso é aproximadamente a quantidade de tempo que uma infecção viral levaria para seguir seu curso. Nos estudos desta abordagem, dois terços dos pacientes que receberam prescrições de antibióticos atrasados ​​nunca acabaram por recolher o seu medicamento, o que significa que não tomaram quaisquer antibióticos desnecessários e exacerbaram o problema.

Segundo Cecchini, essas mudanças poderiam custar apenas dois dólares por pessoa a cada ano, pagando-se dentro de alguns meses, além de economizar bilhões de dólares e milhões de vidas até meados do século.


 

30 janeiro 2017

Comida e Sociedade – Henrique Carneiro & Café Filosófico: Gula entre vícios e virtudes

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Descrição do livro


Comida e Sociedade – uma história da alimentação abrange mais que uma história dos alimentos, de sua produção, distribuição, preparo e consumo. O que se come é tão importante quanto quando se come, onde se come e com quem se come. Além de questões políticas ou macroeconômicas, a alimentação revela a estrutura da vida cotidiana em um de seus núcleos mais íntimos e compartilhados. Necessidade e prazer, a alimentação reveste-se de significados múltiplos, constitui identidades regionais, nacionais, étnicas e religiosas.

FONTE: Lê Livros



30 novembro 2015

Estas são as posturas erradas que causam doenças


Uma boa postura não está somente relacionada à aparência, mas, principalmente, à saúde.
Há pessoas que passam o dia todo sentadas de forma curvada ou carregam peso por muito tempo – o que é péssimo para o corpo, já que tende a ficar dolorido com a pressão.
Por falar em dor, quando ela atinge o pescoço e o trapézio, é porque se colocou muito apoio nas últimas vértebras cervicais ou passou muito tempo olhando para a frente.
Sem falar que atividades praticadas de forma inadequada causam mau jeito e dores.




É no trabalho, geralmente, que fazemos as piores “barbeiragens” em termos de postura.
A postura que deixa a barriga saliente, como mostra a imagem abaixo (lado esquerdo), é, sem dúvida, uma das posições mais erradas, além de ser esteticamente péssima.



Essa e tantas outras escolhas levam a gravíssimas lesões.
Procure deixar a coluna sempre reta – lembrando que exercícios físicos são excelentes para disciplinar nosso corpo.
Veja nossas dicas para adotar uma postura correta:



1.  Sentado: se você está sentado, a melhor postura é manter a coluna reta, ombros para trás e para baixo.
2.  Em pé: se você estiver em pé, mantenha o abdome contraído e o peito estufado. Isso estabiliza o corpo.
3.  Caminhando: se estiver caminhando, mantenha a cabeça erguida e o pescoço reto, evitando olhar para baixo.





04 março 2015

Heterocromia


Algumas pessoas preferem olhos castanhos, outras preferem azuis, outras verdes e tem qté aquelas que preferem em tons de cinza. Característica genética, a cor dos olhos é algo que não se pode escolher, você nasce assim.

Mas e pessoas que possuem duas cores diferentes de olhos?
Você provavelmente já viu isso em algum animal, como gatos ou cachorros, mas há pessoas que também possuem essa característica um tanto incomum.
A Heterocromia é uma mutação genética que faz com que o indivíduo tenha cores diferentes em cada olho, ou até mesmo duas cores no mesmo olho.
Como dito antes, a condição é uma questão genética, mas é possível obtê-la por meio de lesões, derrames e até pela conhecida síndrome de Waardenburg.
Alteração relativamente rara, ela afeta cerca de 11 em cada 1.000 pessoas na América e não é sinônimo de fraqueza genética, ou seja, uma pessoa que tenha Heterocromia não ficará necessariamente cega ou terá qualquer tipo de problema de visão, podendo viver nornalmente.
Existem 3 tipos de Heterocromia:

 A Heterocromia central, que faz com que o olho possua um círculo de pigmentação diferente da "predominante". Esse cícrculo geralmente fica envolvendo a pupíla, mas pode se localizar em outras partes mais externas da íris.


A Heterocromia sectorial é semelhante à central, mas nessa, uma cor diferente da "predominante" aparece em forma de "manchas" na íris, mas igualmente, apresenta duas pigmentações no mesmo olho.


O terceiro tipo talvez seja o mais chocante e o mais fácil de ser observado. Na Heterocromia completa, cada olho possui uma pigmentação distinta, mas diferente do outro olho.
As diferenças podem ser das mais variadas, sendo um olho castanho e outro azul, ou um azul e outro verde, ou um castanho e outro cinza, e assim por diante.



Eu pessoalmente acho a heterocromia completa algo exóticamente lindo, e vocês?


29 abril 2014

Como realmente funciona o sistema de saúde americano



Sempre que há um debate sobre sistemas de saúde e sobre como seria a medicina em um ambiente de genuíno livre mercado, rapidamente alguém menciona os EUA como sendo o exemplo mais óbvio deste arranjo.

O problema é que a comparação é obtusa. 

É verdade que os EUA não possuem um sistema público de saúde de estilo europeu (seja ele o modelo Beveridge da Inglaterra ou da Espanha, no qual o estado se encarrega de prover serviços de saúde em troca do pagamento de impostos, seja ele o modelo Bismarck da Alemanha e da Áustria, no qual o estado obriga os cidadãos a comprarem um seguro privado obrigatório e altamente regulado), mas isso não implica que o sistema americano esteja livre da atuação estatal.  Muito pelo contrário, como será visto.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que os resultados observados no sistema de saúde americano são um tanto deploráveis: o gasto total com a saúde nos EUA chega a 17% do PIB — quase o dobro do que gasta a maioria dos países europeus —, mas isso não fez com que seus resultados fossem espetacularmente superiores.  Sim, o sistema de saúde americano está na vanguarda da implantação de novas tecnologias, bem como no uso da medicina preventiva, mas esses elementos diferenciais não parecem justificar o gigantesco custo excessivo.  Por esse prisma, o debate sobre a superioridade da saúde pública europeia em relação à americana pareceria definitivamente encerrado: uma qualidade análoga pela metade do preço.

Porém, as coisas não são tão simples quanto os números sugerem.  O sistema de saúde americano — como explico em detalhes extensos em meu livro Una revolución liberal para España — está longe de ser o representante de um arranjo de livre concorrência.

Para começar, pelo lado da oferta, a concorrência entre médicos praticamente não existe.  O mercado de médicos é artificialmente cartelizado.  Para ser médico, você tem de ser aceito pelo conselho profissional da categoria, o qual tem interesse em manter baixo o número de médicos, pois isso eleva artificialmente seus salários.  Adicionalmente, um médico tem de adquirir diversos tipos de licenças, sem as quais ninguém pode exercer a medicina.  A criação de hospitais também sofre o mesmo tipo de regulamentação, o que dificulta o surgimento de hospitais baratos que poderiam concorrer com os já estabelecidos.  Já as seguradoras de saúde são, em sua grande maioria, proibidas pelo governo de concorrer entre si além das fronteiras estaduais.  Várias seguradoras não podem ofertar seus serviços em mais de um estado do país.

Mas a coisa piora.

Pelo lado da demanda, 90% dos gastos em saúde ocorrem por meio de canais que não são o paciente: mais especificamente, ocorrem pelas seguradoras e pelo estado.  Para se ter uma ideia desse despautério, na Espanha, o gasto público com saúde totaliza 6,9% do PIB.  Na União Europeia, 8,2%.  Nos EUA, como dito, o gasto total é 17%.  Dado que 90% desses 17% são gastos que não são desembolsados pelo paciente, temos que 15,3% dos gastos em saúde nos EUA são terceirizados.  Ou seja, nem mesmo a Espanha apresenta um grau tão elevado de socialização da demanda como os EUA.

Mais especificamente, de cada 100 dólares gastos na saúde americana, 45 dólares são desembolsados pelas seguradoras, outros 45 dólares pelos programas estatais Medicare (programa de responsabilidade da Previdência Social americana que reembolsa hospitais e médicos por tratamentos fornecidos a indivíduos acima de 65 anos de idade) e Medicaid (programa financiado conjuntamente por estados e pelo governo federal, que reembolsa hospitais e médicos que fornecem tratamento a pessoas que não podem financiar suas próprias despesas médicas), e apenas 10 dólares são desembolsados pelo próprio paciente.

Dito de outro modo, de cada 100 dólares gastos na saúde, o paciente — que é quem está realmente recebendo os serviços — arca com um custo de apenas 10 dólares.  Quem paga os 90 restantes?  O resto de seus compatriotas — seja por meio do Fisco, seja por meio de suas apólices de seguros, que compreensivelmente ficam a anualmente mais caras.

Nos EUA, portanto, não há uma correspondência entre custos e benefícios.  E dado que as seguradoras são obrigadas pelo governo a cobrir até mesmo consultas de rotina, os preços das apólices seguem em disparada.  Se você fizer algo tão simples e corriqueiro quanto um exame de sangue — que é coberto pelos planos de saúde e pelos programas Medicare e Medicaid —, é comum o hospital cobrar um preço astronômico do governo ou da seguradora, a qual, por causa disso, irá aumentar os preços das apólices.

Nesse arranjo, o incentivo para aumentar os gastos é o mesmo que ocorreria se milhões de pessoas fossem a um mesmo restaurante, pedissem individualmente os pratos que quisessem e, no final, dividissem igualmente entre todos a fatura total.

E, com efeito, o estudo mais completo já realizado até o presente momento sobre os custos excessivos da saúde americana não deixa espaço para dúvidas: a explosão dos custos se deve essencialmente a um crescimento descontrolado da demanda (direcionada sobretudo à medicina preventiva), a qual é capaz de suportar preços crescentes devido ao fato de que ninguém — governo, seguradoras e pacientes, como explicado acima — tem o incentivo de reduzir seus gastos.  Por mais que a oferta aumente, a demanda cresce a uma velocidade superior, o que multiplica os preços.

Vale ressaltar que, naquelas áreas do sistema de saúde americano em que não há esta socialização dos gastos — porque os programas estatais ou os seguros não cobrem —, não se observa nenhum crescimento anormal dos custos.  Este é o caso, por exemplo, dos serviços de odontologia ou das cirurgias oculares a laser, cujos custos caem ano após ano.

Na Europa, onde a saúde pública é "gratuita" para o usuário (embora seja cara para os pagadores de impostos), não ocorrem consequências similares a essas dos EUA simplesmente porque os políticos e burocratas que comandam o setor racionam os serviços que os cidadãos podem receber (os famosos cortes de gastos para a saúde, sobre os quais muito se fala atualmente, sempre foram uma prática estrutural do sistema; apenas se tornaram mais visíveis agora por causa da crise).  No Velho Continente, os donos da saúde dos cidadãos europeus não são eles próprios, mas sim os políticos e burocratas que organizam o sistema segundo seus gostos, necessidades e interesses.  Daí a frequente ocorrência de fenômenos como listas de espera, adoção tardia de novas tecnologias, tratamentos e medicamentos não cobertos, aglomeração de pacientes etc.

Dito de outra forma: os incentivos perversos para a demanda que levam a uma hipertrofia dos gastos em saúde nos EUA também existem na Europa, só que, na Europa, os políticos controlam severamente a oferta e impedem que os gastos disparem.  É como se, ao chegarmos a um restaurante, o dono do estabelecimento limitasse a quantidade e a qualidade daquilo que cada comensal pode pedir: por mais que pudéssemos e quiséssemos pedir mais e melhores pratos, não poderíamos.

Mas, afinal, que foi o motivo que levou a tamanha socialização da demanda por serviços de saúde nos EUA?  A criação dos programas estatais Medicare e Medicaid, em 1966, contribuíram substancialmente para as distorções.  Mas o principal incentivo foi criado em 1954: as empresas passaram a poder descontar no imposto de renda e na contribuição para a Previdência Social todos os gastos associados à aquisição de um plano de saúde para seus empregados.  Ou seja, caso as empresas pagassem planos de saúde para seus empregados, elas ganhariam descontos tanto no IRPJ quanto na contribuição para a Previdência Social.

Isso gerou uma consequência não-prevista.  Os incentivos para que todo o gasto em saúde fosse canalizado para os seguros adquiridos por empresas para seus empregados se tornaram enormes.  Isso, por conseguinte, elevou substancialmente a demanda por planos de saúde, os quais foram obrigados pelo governo a cobrir uma enorme variedade de serviços, inclusive aqueles associados à medicina preventiva.  Os custos das apólices obviamente dispararam. 

Apenas imagine quanto custaria o seguro do seu carro caso o governo obrigasse as seguradoras a cobrir serviços como troca de óleo e reabastecimento.  Nos EUA, é exatamente isso o que ocorre para os planos de saúde.  E tudo começou porque as empresas, muito corretamente, queriam reduzir seus gastos com tributos diretos, um confisco estatal que nem sequer deveria existir.  Um perfeito exemplo de como uma intervenção estatal (impostos sobre a renda) gerou uma grande distorção (redução dos lucros das empresas) que, por sua vez, levou à criação de uma medida aparentemente mitigadora (incentivos fiscais para planos de saúde).  No final, todo sistema de saúde ficou desarranjado.

Essa socialização de 90% dos gastos em saúde nos EUA — toda ela induzida pelo intervencionismo estatal — é a principal responsável pela hipertrofia dos preços.  Os EUA não são de maneira alguma um exemplo de livre mercado no sistema de saúde.  Em um arranjo de livre mercado e livre concorrência, os gastos para consultas de rotina são financiados pela própria poupança do paciente, e somente aqueles eventos de natureza extraordinária e catastrófica são cobertos por planos de saúde.

O que o sistema americano ilustra perfeitamente são os efeitos potencialmente devastadores do estatismo, inclusive quando em doses aparentemente inócuas.
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Leituras complementares:

Juan Ramón Rallo é diretor do Instituto Juan de Mariana e professor associado de economia aplicada na Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.  É o autor do livro Los Errores de la Vieja Economía.


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