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Folha de S. Paulo, terça-feira, 9 de junho de 1981, página 15.
Dez milhões de doses
vieram da Bélgica
Rio (Sucursal) – Chegaram ontem à
Fundação Osvaldo Cruz, no Rio, os primeiros 10 milhões de doses de vacinas
contra poliomielite compradas de um laboratório particular da Bélgica, em
substituição à encomenda de 70 milhões de doses que seriam fornecidas pela
Iugoslávia, que apresentaram contaminação.
As vacinas belgas, produzidas pelo
laboratório Rit (Shith e Kline), serão submetidas a testes de controle de
qualidade no Rio, que morarão três semanas, sendo depois enviadas a Brasília,
para distribuição nacional. A primeira dose da campanha de vacinação Sabin será
aplicada em agosto, e a segunda, em outubro, com um atraso de dois meses,
devido ao problema encontrado nas vacinas iugoslavas.
Da Bélgica ainda virão outros 60 milhões de doses necessárias ao cumprimento do programa, que prevê a aplicação de 25 milhões de doses em agosto e quantia igual em outubro, reservando-se 20 milhões de doses para reforço e atendimento de possíveis aumentos na demanda.
O chefe do Departamento de Virologia da Fiocruz, Herman Schatzwayr, explicou que os testes de controle de qualidade compreendem várias análises, incluindo a aplicação da vacina em macacos.
Os primeiros 10 milhões de doses, segundo ele, custarão 16 milhões de dólares, mas o Brasil não chegou a ter prejuízo com o laboratório Torlak, da Iugoslávia, porque não pagou nada. "O pagamento é feito mediante a entrega da encomenda e como nós a recusamos por causa da contaminação, a compra não chegou a se efetivar".
"Esta foi a primeira vez que ocorreu contaminação de vacina antipólio comprada no Exterior", disse ele, "e nós só não encomendamos nova partida ao laboratório iugoslavo porque este não teria tempo para nos atender até agosto. Para o próximo ano, pode ser que as vacinas sejam fornecidas pela Torlak. Para isso, basta que vença a concorrência que o Brasil vai abrir, como já aconteceu este ano".
Segundo Herman Schatzwayr, que esteve na Iugoslávia para comunicar oficialmente a decisão brasileira, as vacinas foram contaminadas pelo fungo "Penicilium SP", não prejudicial ao homem.