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28 fevereiro 2025

O pobre de direita se liberta

 

Por que os truques populistas de Lula funcionam cada vez menos. Rodolfo Borges e Deborah Sena para a Crusoé:

A intelectualidade brasileira se iludiu durante décadas com a ideia de que uma pessoa pobre não poderia — e nem deveria — ter valores de direita.


A base do raciocínio é humilhante: quem passa por dificuldade econômica deveria esperar — implorar? — pela ajuda do Estado.

Os resultados das últimas eleições no Brasil deixaram claro que essa lógica não existe, e o principal partido de esquerda do país sente os efeitos dessa realidade nas urnas — e na popularidade de seu maior expoente.

As últimas pesquisas de institutos como Quaest, AtlasIntel, Datafolha e CNT/MDA mostraram que a decadente popularidade de Lula perdeu força entre o eleitorado de baixa e média renda, alvo histórico do PT.

E isso mesmo após o governo petista aquecer a economia brasileira com gastos irresponsáveis, o que levou ao crescimento artificial do PIB e à redução recorde do desemprego.

Mais pobres

A pesquisa CNT/MDA divulgada na terça-feira, 25, indicou desaprovação de 35% de Lula no eleitorado mais pobre, que ganha até dois salários mínimos, onze pontos percentuais a mais desde novembro de 2024.

Em maio de 2023, no início do governo, a desaprovação entre os mais pobres era de apenas 19%.

O mesmo levantamento diz que a maior qualidade de Lula para 20,1% dos brasileiros é "cuidar dos pobres" — outros 36,5% não enxergam nenhuma qualidade no petista e 21,7% dizem que seu maior defeito é ser "desonesto".

Quer dizer, o discurso do presidente ainda reverbera em parte do país, mas parece perder força eleitoral.

O fato é que o truque de distribuir benesses não funcionou desta vez.

E nada foi mais eloquente sobre esse descolamento entre um governo que alega defender os pobres e a população mais humilde do que a reação nas redes sociais de trabalhadores informais que se viram na mira da sanha arrecadatória de Lula ao saber da ampliação do monitoramento do Pix.

Aplicativos

A distância entre os trabalhadores e o petismo, criado sob a alegação de defendê-los, já tinha se manifestado de forma contundente na tentativa da regulamentação do trabalho por aplicativo.

Entregadores e motoristas protestaram Brasil afora contra a pretensão de burocratizar seu oficio, e restou ao ministro do Trabalho, Luiz Marinho, fantasiar com a possibilidade de os cambaleantes Correios substituírem o Uber no caso de a plataforma estrangeira deixar o Brasil por falta de condições de atuar.

Os aplicativos deram uma alternativa de liberdade — ainda que sem segurança nenhuma — aos brasileiros, que têm demonstrado, desde a reforma trabalhista do governo Michel Temer, em 2017, repúdio aos sindicatos, formando filas todo ano para pedir dispensa da contribuição, que deixou de ser obrigatória.

Os evangélicos

O filósofo Luiz Felipe Pondé, que trata do assunto "pobre de direita" há quase uma década, definiu esse perfil de brasileiro na expressão “ter que ir atrás do prejuízo e trabalhar”.

Esse seria uma contraponto à perspectiva esquerdista de aguardar — ou proporcionar — o auxílio estatal.

Essa perspectiva de autonomia e liberdade proporcionadas pela desburocratização — e o consequente barateamento — das contratações e das possibilidades de trabalho parece ter encontrado em certo ideário evangélico o ambiente perfeito para se disseminar.

"O ambiente de muitas das igrejas evangélicas estimula a disciplina pessoal e a resiliência dos fiéis, promove a cultura do empreendedorismo, fortalece a atuação de redes de ajuda mútua e incentiva o investimento em instrução profissional", diz o antropólogo Juliano Spyer em Povo de Deus (Geração).

Spyer, que promove outro livro sobre o mesmo assunto, intitulado Crentes: pequeno manual sobre um grande fenômeno (Record), diz que a igreja ajuda a promover o "fim do alcoolismo e consequentemente da violência doméstica, fortalecimento da autoestima, da disciplina para o trabalho e aumento do investimento familiar em educação e nos cuidados com a saúde", o que "geralmente conduz à ascensão socioeconômica".

"Os ressentidos"

O sociólogo Jessé Souza lançou, em 2024, um livro um pouco mais carregado na tinta ideológica para tratar diretamente do Pobre de Direita (Civilização Brasileira).

O subtítulo da obra fala em "vingança dos bastardos" e questiona: "O que explica a adesão dos ressentidos à extrema direita?".

Souza parte do princípio de que as classes populares "não têm nada a ganhar com Bolsonaro, só a perder, especialmente sob o ponto de vista econômico objetivo".

O sociólogo ignora que Jair Bolsonaro não apenas distribuiu benefícios aos mais pobres, por ocasião da pandemia de Covid, como colheu frutos eleitorais disso, ainda que insuficientes para vencer Lula em 2022.

O autor de Pobre de Direita parte daquela premissa clássica da intelectualidade nacional, de que apenas a esquerda sabe "cuidar" dos pobres — ignorando, também, que, enquanto concede um benefício com uma mão, Lula aumenta a dívida pública, a inflação e os juros com a outra —, e aposta na moralidade como fator para explicar por que os "ressentidos" estariam votando contra seus próprios interesses.

"Há um abismo"

Seja por valores morais ou econômicos, a batalha pelos corações dos mais pobres está sendo travada dentro de igrejas evangélicas.

Nos últimos meses, Lula sancionou leis pera criar o Dia Nacional da Pastora Evangélica e do Pastor Evangélico e o Dia Nacional da Música Gospel, sempre com muitas orações e poses para a posteridade.

O presidente também incorporou expressões como "graças a Deus" em seus discursos e enviou emissários, como o advogado-geral da União, Jorge Messias, à Marcha para Jesus.

Mas a estratégia de aproximação não parece estar surtindo efeito — os evangélicos são a parcela da população que mais reprova seu governo —, e isso é admitido até por quem se dispôs a ajudar o petista na missão.

"Há um abismo entre o que nós evangélicos pensamos e o que o PT pensa", disse a Crusoé o deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ), que esteve com Lula na sanção da lei do Dia Nacional da Música Gospel e acabou virando alvo de protesto dos evangélicos depois de tentar ajudar o petista.

Otoni perdeu nesta semana a disputa pelo comando da Frente Parlamentar Evangélica para Gilberto Nascimento (PSD-MG), apoiado pelos aliados de Bolsonaro.

"Se Lula quiser pelo menos ser ouvido por nós, precisa se afastar do identitarismo do seu partido e começar a governar sem que essas pautas progressistas pautem seu governo. Ele é presidente de uma nação majoritariamente conservadora", disse o deputado.

"Nossos valores são mais caros que qualquer benefício que recebamos do governo. Nenhum governo vai comprar os evangélicos com comida ou programas sociais", completa.

"Vai na fé"

O fator "evangélicos" se tornou tão relevante para a política e a economia brasileiras que levou uma gestora de recursos a elaborar um relatório para mapear a influência eleitoral da religião no país.

"A gente estava tentando entender por que a popularidade do Lula estava baixa numa conjuntura que era amplamente favorável", diz Paulo Coutinho, um dos autores do relatório "Vai na fé! O impacto eleitoral do crescimento dos evangélicos", da Mar Asset Management, que chamou a atenção dos investidores do país em janeiro.

"Se você pegar a foto hoje, é muito favorável: um PIB que cresce mais de 3%, menor taxa de desemprego, massa salarial não para de crescer, a renda ampliada cresce num ritmo de 5% nos últimos dois anos. Se você me falasse isso há dois anos, eu diria que o Lula ia estar com a popularidade lá em cima", diz Coutinho.

O relatório afirma o seguinte: "Observamos uma relação robusta entre a presença de igrejas evangélicas e o perfil de votação. O PT e partidos de esquerda recebem menos votos em municípios com maior presença evangélica. Essa tendência é consistente entre estados e regiões".

O CNPJ das igrejas

Diante da defasagem de números do Censo sobre os evangélicos (os últimos são de 2010), os analistas da Mar Asset Management tentaram quantificar o crescimento desse segmento social por meio da abertura de igrejas.

E descobriram que "entre 2010 e 2024 o número de igrejas de denominação evangélicas com CNPJ ativo dobrou, chegando a mais de 140 mil templos em 2024".

"O ritmo de expansão permaneceu surpreendentemente constante. Em todos os ciclos presidenciais desde 2010, foram registradas, em média, cerca de 5 mil novas aberturas de templos por ano", diz o relatório.



O futuro

Com base nesse cenário, os autores do relatório se aventuram a projetar o futuro:

"Em 2022, a conversão de votos entre a população não evangélica em Lula foi a maior da história. Mesmo assumindo que isso se repetisse, o maior número de evangélicos no país já seria suficiente para garantir a vitória de um candidato de direita em 2026."

Os autores do relatório estimam que a proporção da população evangélica no Brasil aumentará de 22% em 2010 para 35,8% em 2026.
Direita

Uma vitória da direita dependerá, contudo, do candidato que se apresentar em 2026.

Bolsonaro está inelegível até 2030 e, enquanto tenta reverter a condenação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), também batalha para impedir que alternativas cresçam à sua sombra.

O desentendimento entre os opositores de Lula é a melhor chance — talvez a única — de o petista se manter no poder apesar de boa parte do país mostrar que já está farta de sua forma de governar.






11 fevereiro 2025

RODA VIVA | JOSÉ MÚCIO MONTEIRO | 10/02/2025





O Roda Viva entrevista José Múcio Monteiro Filho, ministro da Defesa.

O ano de 2024 terminou com muitas especulações sobre a possível saída de José Múcio Monteiro do Ministério da Defesa, mas ele permanece no cargo e participa, ao vivo, do Roda Viva. Nesta edição, participam da bancada de entrevistadores: Geralda Doca, repórter do jornal O Globo; Cézar Feitoza, repórter do jornal Folha de S.Paulo; Raquel Landim, colunista do UOL; Monica Gugliano, colunista do Estadão; e César Felício, repórter especial e colunista do Valor Econômico.
Com apresentação de Vera Magalhães, as ilustrações em tempo real são de Luciano Veronezi.



05 setembro 2024

'Tenho medo é do isolamento', desabafa Lula (15/01/2003)

 Fonte: O Estado de S. Paulo -  quarta-feira, 15/01/2003, Folha A6


Presidente responde ao serviço de segurança, que tenta, em vão, afastá-lo do assédio popular


LEONÊNCIO NOSSA e GILSE GUEDES




BRASÍLIA – Em mais um dia de afagos e autógrafos aos eleitores que amanhecem no portão do Palácio do Alvorada, o presidente Luís Inácio Lula da Silva rebateu com um desabafo os argumentos do serviço de segurança da Presidência de que sua integridade física pode estar em risco com tanto assédio popular. Lula voltou a afirmar que tem grande satisfação em envolver-se no corpo-a-corpo com populares e revelou que tem apenas um medo: o de ficar "isolado".

Com o bom humor e a boa vontade que sempre dispensa às pessoas que esperam por sua chegada ou sua saída do Alvorada, o presidente repetiu que pretende manter esse estilo. Ao ser indagado se não tinha medo de possíveis problemas no empurra-empurra, respondeu: "Medo de quê? Eu gosto disso. Tenho medo é do isolamento".

O medo da solidão dos palácios governamentais é sempre um fantasma que acompanha os presidentes da República. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso chegou a comentar várias vezes que sua agenda era sempre cheia, mas a solidão batia à porta muitas vezes.

Logo que assumiu, há pouco mais de dez dias, Lula também confidenciou a assessores que manteria, sim, a proximidade com o povo porque não queria ficar isolado em palácios. 

Enquanto recebia beijos e abraços de eleitores, ontem de manhã, ao lado da primeira-dama Marisa Letícia, o presidente comentou também que as dores no ombro direito – por causa de uma bursite – estão passando e, por isso, a intervenção cirúrgica está, pelo menos até agora, descartada pela equipe médica.

Congresso – Sobre a mobilização do seu partido para garantir a vitória do deputado João Paulo (SP) na eleição da presidência da Câmara e assegurar, assim, uma base parlamentar mais sólida, Lula deixou claro que isso ainda não o preocupa. E afirmou que a construção de uma base coesa no Congresso é uma questão de tempo e, no jogo político, não deve haver precipitação. "O (novo) Congresso ainda nem tomou posse. Não podemos colocar o carro na frente dos bois. Não vamos ser precipitados", disse.

Campos – Ao comparecer ontem ao velório do senador Lauro Campos (PDT-DF), um ex-petista, o presidente disse que os políticos sempre respeitaram o parlamentar pelo seu "comportamento ético e ideológico". O corpo do senador, que morreu vítima de complicações de um enfarte, na segunda-feira, em São Paulo, foi velado no Congresso e contou com a presença de vários parlamentares.

"A minha relação com Lauro Campos era muito antiga, desde 1981. Eu penso que os políticos de Brasília e do Brasil poderiam ter discordância com Lauro Campos do ponto de vista ideológico. Mas, certamente, todos que o conheciam o respeitavam pelo seu comportamento ético, compromissos ideológicos e dignidade", afirmou Lula.

O senador, que morreu aos 74 anos, deixou o PT para ingressar no PDT depois de discordar da condução política do partido.






19 junho 2024

Filho da democracia violentada, o verdadeiro monstro é Lula

 



Acredito na redenção. Acredito que até criminosos são capazes de se arrependerem. Por experiência própria, acredito na conversão. Mas ao ver duas falas recentes de Lula sobre o aborto, duas falas desse ser abjeto, esse canalha, esse monstro que só a muito custo chamo de “humano”, percebo quão débil ainda é a minha crença na redenção, no arrependimento e na conversão.

Numa entrevista recente, o degenerado que preside o Brasil disse, primeiro, que os bebês que nascem de estupros são monstros. Depois, ao se referir ao autor do PL 1.904, que trata o aborto de uma bebê de 22 semanas pelo que ele é, assassinato, Lula sugeriu que, se a filha do deputado Sóstenes Cavalcante fosse estuprada, ele seria a favor do procedimento homicida.

A canalhice retórica é evidente, mas se fosse apenas isso não seria nenhuma novidade. Lula é e sempre foi um vertedouro de asneiras. A diferença, neste caso, é que a asneira denuncia uma visão de mundo que vai muito além do esquerdismo, do marxismo, do progressismo ou de qualquer outra caixinha em que você queira incluir Lula e sua legião. Desta vez Lula mostra que, por inspiração do tinhoso, odeia a Criação e rejeita qualquer noção de amor que vá além daquilo que lhe ensinaram os súcubos consequencialistas.

Não, Lula. Não, lulistas que me leem e que em breve correrão para a caixa de comentários deste texto, usando pseudônimos ridículos porque, afinal, faz parte da cartilha diabólica abdicar da sua identidade única e divina e se manifestar por meio de imposturas. Não: bebês que nascem de estupros não são monstros. São bebês. São vida. São bem. São amor em potencial. “Onde não há amor, coloca amor e encontrarás amor”, diz São João da Cruz. Muito mais do que uma frase de agenda de adolescente, essa é uma verdade incrustrada em nosso coração. Isto é, para quem ainda tem um.

Legião aborteira

Lixo. Um homem que acumula dentro de si tudo o que as ideologias macabras têm de pior e que, graças a essa capacidade de absorver o que há de pior no ser humano, preside o Brasil pela terceira vez. Um lixo que acredita que o homem é meramente o lobo do homem. Um lixo que acredita, veja só!, um bilionário qualquer pretende colonizar Marte para ficar longe dos trabalhadores. Um lixo que se chama um bebê recém-saído do ventre materno de “monstro”. Que tipo de mente corrompida é capaz de dizer uma coisa dessas, meu Deus? - pergunto para o apartamento vazio e logo respondo: Lula. Lula que chafurda nos excrementos ideológicos do chiqueiro palaciano em que vive. Será que se dá conta, o pobre-diabo?

Mais do que isso, será que se dá conta de que, a despeito da maldade que nos rodeia e que se manifesta por meio de gritos histéricos de jornalistas-aborteiras que chegam até a chorar – a chorar! – pela vontade de matar um bebê, ainda há no mundo quem pratique o amor, o sacrifício, a abnegação de ou criar uma criança que seja fruto de uma violência ou então entregar essa vida, esse bem, esse amor em potencial a uma família que dele há de cuidar da melhor maneira possível? Que pergunta estúpida, a minha. Claro que não!

Lula e sua legião aborteira só querem saber de festa & prazer, de alegria, de dinheiro, de cosquinha nos genitais, de soluções fáceis para problemas complexos, de trocas de favores, de perversidades justificadas com o carimbo do Ministério da Saúde. Correndo o risco de soar repetitivo, repito: para essa laia, a ideia de uma vida de sacrifício está fora de cogitação. A Cruz, aquela que a gente aprende que tem que carregar, é tratada por essa gente com escárnio. Afinal, o diabo lhes promete mais: vida mansa, poder e até imortalidade – tudo sem o peso da madeira sobre os ombros.

Para finalizar, digo que não é à toa que Lula “Lixo” da Silva tenha sido feito líder de 200 milhões de brasileiros, num processo que teve a influência nefasta de outra lixarada, desde os tecnocratas e burocratas embriagados com a própria “astúcia” até milhões de anônimos que consagram suas vidas à ideia idiótica de prazer. Nisso, aliás, Lula tem razão quando disse recentemente que “não acaba” porque representa as aspirações de parte do povo brasileiro. A pior parte: aquela que não hesita em se perder e em destruir a si mesmo em troca da ilusão demoníaca de estar conquistando o mundo inteiro.


FONTE: LEIA ISSOGAZETA DO POVO 

07 março 2024

Governo Lula fala em genocídio em Gaza enquanto defende infanticídio no Brasil

 


J.R. GUZZO 05 MARÇO 2024 3min de leitura


FONTE


O Brasil teve cerca de 80.781 estupros em 2023 – um dos números mais vergonhosos que o Estado, o ente sagrado de Lula e do PT, para mostrar o seu fracasso na tarefa essencial de assegurar a segurança da mulher brasileira. “As mulheres”, na propaganda do governo, foram uma das maiores descobertas do presidente – só ele mesmo, com o seu gênio fora do comum, poderia ter revelado ao mundo que as mulheres existem e tinham de ser salvas do massacre que vinham sofrendo no governo anterior.

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A cifra é 15% pior que a de 2022, quando as mulheres, segundo a esquerda, estavam sendo exterminas no Brasil. Na verdade, todos os tipos de crime ficaram piores neste último ano, como resultado da opção permanente da esquerda nacional em favor dos criminosos.

A solução que o governo Lula quer dar para essa calamidade é precisamente a mesma que você pode estar imaginando: matem os bebês.

O pior, porém, não está exatamente no número escandaloso dos estupros. Como sempre acontece, o governo Lula não consegue reagir a uma tragédia sem propor duas tragédias, e foi isso que houve mais uma vez – nunca erram o alvo quando se esforçam para atirar nos feridos. Não há números exatos, mas a estimativa mais usada é de que até 5% dos estupros resultam em gravidez no Brasil – o que daria 3.500 bebês não desejados.

A solução que o governo Lula quer dar para essa calamidade é precisamente a mesma que você pode estar imaginando: matem os bebês. Não foi o presidente da República quem teve essa ideia, e nem houve uma decisão oficial a respeito; aliás, não poderia mesmo haver, do ponto de vista legal, embora essas coisas, hoje em dia, possam ser resolvidas em certos tribunais de Brasília. Mas é pior: os autores da decisão, uma “nota técnica” do Ministério da Saúde, são dois gatos gordos da equipe da ministra Nísia Trindade, que tentaram emplacar a sua ideia por baixo pano. É a desordem se juntado à infâmia.

A “nota” foi logo suspensa ao se ver o horror que tinham proposto: pelas suas instruções, os serviços médicos oficiais seriam autorizados a praticar aborto contra fetos já com nove meses de vida. O entendimento atual prevê um prazo máximo de 21 semanas para o aborto legal – uma regra já perturbadora, quando se leva em conta que a criança, a essa altura, tem todos os seus órgãos funcionando. Mas os operadores atuais do governo na saúde acham que isso não é suficiente; querem aborto até o último dia da gravidez. Aí é puro e simples assassinato. Pior que isso, só autorizando a eliminação do feto depois do nascimento.

O mais sinistro em toda essa trama é que o Ministério da Saúde e a sua titular não suspenderam a decisão por acharem que ela está errada. Foi porque não contavam fazer isso agora; acham, possivelmente, que dariam armas para a “extrema direita”. A mídia amiga fez ainda pior. Tratou o episódio como uma mera “trapalhada”, ou um “equívoco”, e não como uma proposta de crime. Para o presidente Lula, então, foi uma beleza.

Há meses ele se especializou em denunciar, a cada cinco minutos, o “genocídio de crianças” na operação militar de Israel na faixa de Gaza. Seu governo, enquanto isso, prega o infanticídio explícito para até 3.500 seres vivos.


22 maio 2023

Sem sentido: Lula vai ao Japão defender a Argentina e fugir de Zelensky

 

Uma política externa que acumula erros amadores e desnecessários, mesmo considerando-se que o Brasil tem que se equilibrar na questão da guerra. Vilma Gryzinski:


O que o Brasil ganhou com a participação do presidente Lula da Silva como um dos convidados da cúpula do G7?

É triste ter que responder que absolutamente nada. Ou talvez uma comprovação, a nível mundial, de que está tudo errado. Até o New York Times, tão pró-Lula que publicou um editorial dizendo que o “futuro do mundo” dependia da eleição presidencial brasileira do ano passado, teve um ataque de sinceridade e o chamou de “aliado próximo” da Rússia.

Mesmo pelos padrões de comprometimento moral e político criados pelo apoio implícito da política externa brasileira à Rússia — revelado, mais uma vez, nas críticas plantadas na imprensa à “narrativa ucraniana”, como se invasão e atrocidades múltiplas fossem fruto de imaginação —, foi um fiasco.

Tentar culpar Volodymyr Zelensky pela reunião que não houve, acusá-lo de fazer “uma proposta de rendição” da Rússia — imaginem um sindicalista que não sabe que quaisquer discussões começam com exigências lá em cima — e dizer que ficou “chateado” foram atitudes infantis que não esconderam o verdadeiro ânimo do presidente e da diplomacia brasileira no momento.

E como entender a campanha intensiva que ele tem feito em favor, não da Argentina, mas de seu amigo Alberto Fernández?

A gratidão de Lula ao presidente argentino, que o visitou na época da prisão, é um sentimento compreensível, mas não justifica a falta de noção de usar o palanque global para defender a seguinte posição: “O endividamento externo de muitos países, que vitimou o Brasil no passado e hoje assola a Argentina, é causa de desigualdade gritante e crescente, e requer do Fundo Monetário Internacional um tratamento que considere as consequências sociais das políticas de ajuste”.

Tradução: a Argentina não tem culpa nenhuma pelas alucinadas políticas baseadas nas bondades no Estado indutor, defendido pelo presidente no mesmo discurso, e na multiplicação dos benefícios criados pela escola de expectativas irracionais. A dívida descontrolada, acompanhada pelo trágico empobrecimento da população, foi culpa do malvado FMI. Os sucessivos governos argentinos, coitadinhos, não têm nada a ver com isso.

É necessário reconhecer que o Brasil, sob qualquer governo, tem uma posição obrigatoriamente complexa em relação à guerra da Ucrânia. O imperativo moral é claro, mas os interesses pragmáticos, incluindo a dependência dos fertilizantes russos, não podem ser desprezados.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, está numa situação mais dependente ainda: o petróleo russo, mais barato por causa do boicote europeu, é um dos combustíveis, literalmente, do crescimento acelerado da economia que ele promove.

O que fez Modi? Primeiro, não fugiu da raia. Aceitou a proposta de um encontro bilateral com Zelensky — mesmo com o ucraniano fazendo cara de tempo fechado. E abriu o encontro com um discurso eloquente, lembrando como os estudantes indianos que fugiram da Ucrânia no início da guerra descreveram a dor e o sofrimento do país invadido. Individualizou a questão, mostrou compaixão e não reclamou da pressão “descabida” por um encontro — o ridículo adjetivo inventado pelo Itamaraty para justificar por que Lula amarelou. Modi mudou de posição? Não. Fez papelão? Não.

Diplomatas e assessores do presidente, aparentemente embriagados pelo slogan autoelogioso “o Brasil voltou”, não perceberam que os Estados Unidos e aliados, ao convidarem países como o Brasil e a Índia, queriam criar um ambiente propício a posições mais sensíveis sobre a Ucrânia. Não era preciso necessariamente dar uma grande guinada, apenas aqueles gestos que fazem parte do balé da diplomacia.

Lula estava mais preocupado com a Argentina, a ponto de “achar” espaço na agenda para interceder, de novo, em favor do vizinho num encontro com a diretora do FMI, Kristalina Georgieva.

Diante do desastre de imagem que foi a rejeição a Zelensky, o entorno saiu plantando que Lula havia colocado horários disponíveis para “receber” o presidente ucraniano e não foi correspondido. Alguém acreditou?

Mestre do jogo de cintura e da política de contato físico, Lula muito provavelmente se sairia bem e tomaria a iniciativa de partir para o abraço — a técnica de inteligência emocional que Zelensky usa com governantes de quem se sente mais próximo, como o primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, um substituto sem graça de Boris Johnson, com quem o ucraniano tinha uma intimidade de contar piadas de caserna.

Lula foi mal orientado ou tomou a iniciativa de vetar o encontro bilateral? Em qualquer hipótese, saiu perdendo.

As atenções mundiais se focam onde quer que Zelensky esteja, mas no Japão os holofotes foram maiores por causa dos dramáticos acontecimentos dos últimos dias. Primeiro, os Estados Unidos liberaram aliados europeus para ceder caças F16 à Ucrânia, o objetivo de todos os esforços diplomáticos de Zelensky nos últimos meses. Holanda e Dinamarca já prometeram 45 aviões.

Logo em seguida, e provavelmente para disputar o foco com o ucraniano no Japão, o chefe mercenário russo Ievgueni Prigozhin anunciou a tomada definitiva de Bakhmut.

Ainda há focos de resistência, mas a sorte parece selada. Pelo menos Vladimir Putin acredita nisso: elogiou o Grupo Wagner pela conquista, “com apoio da artilharia e da aviação da frente sul” — um acréscimo necessário, considerando-se como Prigozhin tem sapateado na cabeça dos comandantes convencionais.

Militarmente, a queda da cidade quase 100% destruída não tem relevância vital. Sua importância é mais simbólica. Por que tantas vidas ucranianas foram sacrificadas para defender um lugar que não muda o rumo da guerra, contrariando os conselhos dos Estados Unidos?

Essa foi uma posição unânime dos comandantes militares — são eles que decidem questões assim, deixando a Zelensky o papel de trabalhar diplomaticamente pela propagação da causa ucraniana e pelo fornecimento de armamentos — um papel que cumpre muito bem, tendo voltado de Hiroshima coberto de promessas de apoio inquebrantável e mais dinheiro para a defesa do país.

Aviso a quem já se meteu até a colocar a Crimeia num acordo de “paz”: o povo está do lado da resistência — 85% dos ucranianos são contra concessões territoriais “mesmo que por causa disso a guerra dure mais”.

A rejeição inclui 89% da população que fala ucraniano e 76% dos que falam russo (como Zelensky: o presidente precisou aprimorar o ucraniano, que só falava fluentemente, antes da guerra, quando não estava sob tensão, segundo contou sua mulher). Até os “russos” ficam contra a Rússia quando veem o que ela faz.

“Não tem mais um único soldado ucraniano em Bakhmut, pois paramos de fazer prisioneiros”, jactou-se Prigozhin. “O que tem é um grande número de corpos de ucranianos”.

Assumir publicamente crimes de guerra teria sido uma adesão à “narrativa ucraniana”?

22 abril 2023

Quem é o Brasil no concerto das nações

 

O projeto de paz lulístico não foi adiante, e o país fica agora virando as páginas da partitura para quem toca os pratos. A crônica de Orlando Tosetto para a Crusoé:


Imagine o amigo que o príncipe regente de Andorra visse na Guerra do Paraguai uma oportunidade de aumentar a relevância do seu país no tabuleiro internacional e se metesse a formular e anunciar um “plano de paz” para o conflito, aproveitando-se da sua neutralidade. E que esse plano fosse muito simples: o Brasil ceder o Mato Grosso a Solano López. E que o príncipe andorrano fosse além e ainda pusesse no Brasil uma parte da culpa pela guerra, talvez por ostentar diante da grama rala paraguaia nosso mato tão grossão, tão cheio de veios.

Bem comparando, essa foi a ideia que o nosso jamais assaz louvado presidente apresentou ao mundo para resolver a pamonha lá na Ucrânia: que ela cedesse a Crimeia à Rússia. E deu seus motivos. O primeiro é que, convenhamos, uma Crimeia a mais, uma Crimeia a menos, que diferença faz? O segundo é que ela, Ucrânia, também não tem nada de inocente nessa história. Alguma coisa ela há de ter feito para ser assim invadida, bombardeada, massacrada; de algum modo ela atiçou a Rússia. Ostentou uma Crimeia, pavoneou uma Odessa, sabe-se lá. De graça é que não foi.

O projeto de paz lulístico não foi adiante: por qualquer motivo inexplicável, a Ucrânia, seus aliados e a Otan não aceitaram esse plano sem jaças. Pelo contrário: até insinuaram, maldosamente, que o Brasil não está neutro, que está dormindo demais no barulho (e que barulho) da Rússia, quem sabe em troca de uma miçanga de gás, de um espelhinho de fertilizante. Pegou mal com a Ucrânia, com a Otan, com todo o mundo, menos com a Rússia.

Depois disso, o senhor presidente foi à China e lá, cercado por crianças que lhe sorriam com flores nos braços — tal e qual sem dúvida aconteceria se ele resolvesse dar uma volta pela Praça XV ou pelo Largo da Concórdia —, ele disse que o Brasil apoia essa história de China una, porque a China é, sim, uma só (o que, na conversa da China, significa que Taiwan é menos que uma, é nenhuma). Pegou mal de novo, desta vez com Taiwan, com o Japão, com a Coreia do Sul, com os Estados Unidos, com os pacifistas e até com os veganos.

Por fim, o senhor presidente aceitou receber o chanceler russo, que veio ver também outros países relevantes da região, outros players pesados como Venezuela, Nicarágua e Cuba, todos governados por gente muito cara ao coração do novo governo velho. E aceitou receber o chanceler não meramente como amigo, mas sim como alguém de casa: como o jornalista Duda Teixeira bem notou nesta revista, o chanceler aportou na terra brasilis em trajes de casual friday. Chegou guapo, de tênis e agasalho, e murmura-se que foi só a muito custo que o convenceram a não ir jantar no Alvorada de havaianas, bermuda e camisa regata. Murmuram, mas, da minha parte, vejo nisso um gesto simpático: nossa fama de terra acolhedora não é casual. Ganhamos em carinho o que talvez percamos em formalidade, mas tudo bem, a gente prefere assim mesmo.

E, mesmo assim, pegou mal outra vez. Os países que até há pouco eram nossos amigos reclamaram muito do Brasil aparecer por aí de braço dado com China e Rússia, todo simpático às aspirações delas, todo deferente, todo lencinhos, flores e risadinhas abafadas. Conhecendo o Brasil, tiraram o país de trouxa.

Mas não, não, não é nada disso. A verdade é que, no concerto das nações, o Brasil fica virando as páginas da partitura para quem toca os pratos. No simpósio das nações, o Brasil é o cara que vai e volta da cozinha com as garrafas térmicas de café. No teatro das nações, o Brasil recebe gorjetas nas portas dos camarotes. No baile das nações, o Brasil é o gordão meio bobo que usa calças pula-brejo e é largado na sala das crianças. No tabuleiro das nações, o Brasil é a cocada que sobra.

Pelo visto, nossa volta ao teatro das nações, nosso retorno do ostracismo começou com o pé esquerdo.

* * *

“Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos”, disse, pela pena do Machado, o bom Brás Cubas.

O Brasil – Marcela boa, Marcela humilde, Marcela sempre sorridente, Marcela Amélia, Marcela do trisal – amará China e Rússia por muito mais tempo e custará, comparativamente, muito menos.

23 janeiro 2023

Lula quer “incluir os pobres no orçamento”, mas só como pagadores de impostos

 

  • J.R. GuzzoPorJ.R. Guzzo
  • 23/01/2023 15:47


 

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil


Uma das maiores piadas deste novo governo que ameaça o país, todos os dias, com uma crescente coleção de medidas que não vai tomar, é a sua intenção de “incluir os pobres no orçamento”. É o mais recente achado da caixa de promessas que o presidente Lula mantém sempre aberta, como os paxás que vão jogando moedas para o povão durante os seus passeios pela rua. Incluir os pobres - sério? Os pobres, se Lula perguntasse alguma coisa para eles, diriam não doutor, muito obrigado; a gente preferia ser excluído do orçamento brasileiro. Nós já estamos lá, desde sempre, mas como a turma que paga imposto - e, nisso aí, o governo não vai aliviar ninguém em nada, a começar pelos pobres. Lula prometeu durante a campanha eleitoral que ia fazer exatamente isso: isentar do Imposto de Renda os que ganham até 5.000 reais por mês. A promessa era falsa. O governo já avisou que não vai haver isenção nenhuma.

Se Lula está mesmo interessado em encontrar pobres para receber os seus donativos, por que não começa por aí, entre os que ganham até 5.000 reais por mês? É um jeito infalível para encontrar gente que tem pouco ou nada no bolso. Mas os pobres de Lula só existem no mundo de suas fantasias. Na vida real, eles são esses que estão pagando imposto de renda – e que não vão pagar nem um tostão a menos no “governo popular” que está aí. Lula, o PT e a esquerda plantada em torno deles vão continuar a fazer, muito simplesmente, o que sempre fizeram: concentração de renda em favor das castas superiores do Estado brasileiro e em favor, é claro, dos seus próprios bolsos. Fazem isso transferindo riqueza da população para a máquina pública, através da cobrança de imposto - 3 trilhões de reais arrecadados em 2022, para os cofres da União, dos Estados e dos municípios. Na verdade, acham que essa montanha de dinheiro é pouco; querem mais.

Lula prometeu durante a campanha eleitoral que ia fazer exatamente isso: isentar do Imposto de Renda os que ganham até 5.000 reais por mês. A promessa era falsa. O governo já avisou que não vai haver isenção nenhuma

Os brasileiros que são pobres de verdade, e não os do palavrório da esquerda, têm anos de deserto pela frente. Não há o mais remoto vestígio de alguma medida, uma única que seja, que possa resultar em algum benefício prático, real e compreensível para qualquer um deles. Até agora, de fato, tudo o que Lula e o seu Sistema estão fazendo e prometem fazer na área econômica, ou em qualquer área, tem possiblidade nula de melhorar alguma coisa na vida de alguém. O que poderiam ter feito no mundo das realidades, e segundo a sua promessa, era parar um pouco de tirar dinheiro do bolso do pobre, com o IR. Nada disso. Lula foi dizer na Argentina, mais uma vez, que quer criar uma moeda “latino-americana” e o seu ministro da Fazenda fala em boicotar produtos de empresas politicamente incorretas”; o resto é daí para baixo. Quantos reais a mais no bolso o cidadão vai ter com isso tudo, ou com as promessas de censurar as redes sociais, as implicâncias para com os militares ou o uso do “todes” e “todes” nas comunicações oficiais? Três vezes zero.


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