CAPÍTULO 11
Por que ser moral ou
ético?
Um oficial da polícia da cidade de Nova York recentemente foi notícia com o seguinte ato assombroso: ao se deparar com 35.000 dólares de lavagem de dinheiro de drogas quando fazia a sua ronda sozinho, pegou-os rapidamente e... entregou-os como prova! A mídia em peso deu destaque a esta história do tipo "Homem Morde Cachorro". Repórteres se atropelaram elogiando a sua honestidade. O prefeito condecorou-o com uma medalha por sua integridade. Também fiquei animado com a história — tendo ouvido o suficiente sobre policiais que recebiam propinas — até ouvir o policial contar por que fizera aquilo, Ele pensou em ficar com o dinheiro, confessou, mas então deu-se conta de que a sua aposentadoria valia muito mais. Disse que não quis arriscar-se a perdê-la se fosse apanhado. "Por que pôr em risco a minha segurança financeira por trinta e cinco mil?", ponderou. Isso me fez pensar duas vezes. Perguntei a mim mesmo o que esse policial teria feito se tivesse encontrado uma grana bem maior que a sua aposentadoria. Seguindo o seu raciocínio, teria ficado com ela sem pensar duas vezes.
Se o prefeito queria distribuir medalhas, deveria ter gravado franqueza em vez
de integridade na que concedeu a esse policial. O oficial, pelo menos, teve a
coragem de dizer a verdade. Mas o seu raciocínio moral não é bem o que eu
daria como exemplo aos meus filhos. O que ele estava realmente dizendo era:
"Obedecerei à lei enquanto eu tiver mais vantagem obedecendo do que desobedecendo."
Para mim, essa não foi a parte mais assustadora da história. O que me alarmou foi que ninguém mais pareceu ter detectado a incorreção do que o homem
de farda dissera. Pareço ter sido o único a notar, o único preocupado com o fato de que fazer a coisa certa pelo motivo errado não torna uma pessoa íntegra.
Os seus motivos, assim como os seus feitos, devem ser honestos. A integridade envolve uma lealdade irrestrita a princípios, não um cálculo frio das vantagens a serem tiradas. Pegar um dinheiro que pertence a quem quer que seja é
errado, independentemente da quantia envolvida. Essa história foi sobre um
policial potencialmente desonesto, cujo preço não fora alcançado.
Não quero desmerecê-lo completamente, já que ele devolveu o dinheiro. De
uma maneira menos severa, talvez eu dissesse que ele apenas se expressou
mal em sua explicação à imprensa. Mas você deveria ficar consternado pelo
baixo padrão moral que passamos a aceitar. A regra aqui — não roubar — é
uma regra básica que deveria ser mais bem compreendida pela sociedade em
geral, inclusive por aqueles que cuidam do cumprimento da lei e pela mídia. No
entanto, a mídia foi rápida em tratar como celebridade essa pessoa sem nem
mesmo analisar a essência do que ela havia feito e dito.