A Focinheira
(Trilussa, poeta italiano)
– Sabe que sou fiel e afeiçoado, dizia o Cão ao Homem, e disposto a tudo, mesmo a ser sacrificado cumprindo as suas ordens.
Isto posto, quero falar, agora, com franqueza:
a focinheira põe-me deprimido;
por que não dá-la ao Gato, que é fingido,
apático e traidor por natureza?
apático e traidor por natureza?
O Homem responde:
– Mas a focinheira lembra sempre a existência de um patrão
que te protege e, de qualquer maneira, é quem te ampara e te garante o pão.
que te protege e, de qualquer maneira, é quem te ampara e te garante o pão.
– Já que assim é, dito por não dito! corrige o Cão,
desculpe-me a besteira.
desculpe-me a besteira.
E, desde aí, com ar convicto, passou a falar bem da focinheira...
LA MUSAROLA
Trilussa (Carlo Alberto Salustri)— Tu sai ch'io so' fedele e affezzionato
— diceva er Cane all'Omo — e sempre pronto
a zompà addosso a chi te fa un affronto,
a costo puro de morì ammazzato.
Tutto questo va be': ma francamente
'sta musarola nun me piace affatto;
perché, piuttosto, nu' la metti ar Gatto,
che nun t'è amico e nun t'ajuta in gnente? —
L'Omo rispose: — Ma la legge è legge:
eppoi 'sta musarola, a l'occasione,
dimostra l'esistenza d'un padrone
che t'assicura un pane e te protegge. —
— S'è come dichi, basta la parola, —
je disse er Cane. E infatti, da quer giorno,
come j'annava quarchiduno intorno
diceva bene de la musarola.

