Folha de São Paulo, terça-feira, 15 de novembro de 2005
Pôr fim ao governo Lula
Afirmo que o governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional. Corrupção tanto mais nefasta por servir à compra de congressistas, à politização da Polícia Federal e das agências reguladoras, ao achincalhamento dos partidos políticos e à tentativa de dobrar qualquer instituição do Estado capaz de se contrapor a seus desmandos.
Afirmo ser obrigação do Congresso Nacional declarar prontamente o impedimento do presidente. As provas acumuladas de seu envolvimento em crimes de responsabilidade podem ainda não bastar para assegurar sua condenação em juízo. Já são, porém, mais do que suficientes para atender ao critério constitucional do impedimento. Desde o primeiro dia de seu mandato o presidente desrespeitou as instituições republicanas. Imiscuiu-se, e deixou que seus mais próximos se imiscuíssem, em disputas e negócios privados. E comandou, com um olho fechado e outro aberto, um aparato político que trocou dinheiro por poder e poder por dinheiro e que depois tentou comprar, com a liberação de recursos orçamentários, apoio para interromper a investigação de seus abusos.
Afirmo que a aproximação do fim de seu mandato não é motivo para deixar de declarar o impedimento do presidente, dados a gravidade dos crimes de responsabilidade que ele cometeu e o perigo de que a repetição desses crimes contamine a eleição vindoura. Quem diz que só aos eleitores cabe julgar não compreende as premissas do presidencialismo e não leva a Constituição a sério.
Afirmo que descumpririam seu juramento constitucional e demonstrariam deslealdade para com a República os mandatários que, em nome de lealdade ao presidente, deixassem de exigir seu impedimento. No regime republicano a lealdade às leis se sobrepõe à lealdade aos homens.
Afirmo que o governo Lula fraudou a vontade dos brasileiros ao radicalizar o projeto que foi eleito para substituir, ameaçando a democracia com o veneno do cinismo. Ao transformar o Brasil no país continental em desenvolvimento que menos cresce, esse projeto impôs mediocridade aos que querem pujança.
Afirmo que o presidente, avesso ao trabalho e ao estudo, desatento aos negócios do Estado, fugidio de tudo o que lhe traga dificuldade ou dissabor e orgulhoso de sua própria ignorância, mostrou-se inapto para o cargo sagrado que o povo brasileiro lhe confiou.
Afirmo que a oposição praticada pelo PSDB é impostura. Acumpliciados nos mesmos crimes e aderentes ao mesmo projeto, o PT e o PSDB são hoje as duas cabeças do mesmo monstro que sufoca o Brasil. As duas cabeças precisam ser esmagadas juntas.
Afirmo que as bases sociais do governo Lula são os rentistas, a quem se transferem os recursos pilhados do trabalho e da produção, e os desesperados, de quem se aproveitam, cruelmente, a subjugação econômica e a desinformação política. E que seu inimigo principal são as classes médias, de cuja capacidade para esclarecer a massa popular depende, mais do que nunca, o futuro da República.
Afirmo que a repetição perseverante dessas verdades em todo o país acabará por acender, nos corações dos brasileiros, uma chama que reduzirá a cinzas um sistema que hoje se julga intocável e perpétuo.
Afirmo que, nesse 15 de novembro, o dever de todos os cidadãos é negar o direito de presidir as comemorações da proclamação da República aos que corromperam e esvaziaram as instituições republicanas.
Fonte: Folha de São Paulo
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LULA NOMEIA MANGABEIRA UNGER MINISTRO EXTRAORDINÁRIO
Brasília, 5 out (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou ministro extraordinário para Assuntos Estratégicos o filósofo Roberto Mangabeira Unger, que seria titular de uma secretaria que não foi aprovada pelo Congresso, informou hoje o "Diário Oficial".
O decreto publicado no "Diário Oficial" estabelece que o escritório que o filósofo ocupará substituirá o atual Núcleo de Assuntos Estratégicos, vinculado à Presidência, e com isso, tecnicamente, não é criado um novo ministério.
Segundo fontes do Palácio do Planalto, a nomeação não requer aprovação parlamentar, e o Governo evita o risco de ser rejeitada.
Em 26 de setembro, o Senado anulou um decreto ditado por Lula através do qual se criava a Secretaria de Planejamento a Longo Prazo, cuja direção foi assumida por Mangabeira Unger em junho.
A decisão do Senado representou uma inesperada derrota para o Governo, e, segundo analistas, foi uma prova da fragilidade da ampla coalizão formada por Lula para o segundo mandato.
O novo decreto indica que o cargo ocupado por Mangabeira Unger terá como tarefas o planejamento a longo prazo, a definição das opções estratégicas do país e a articulação entre Governo e sociedade civil com o objetivo de traçar um plano de desenvolvimento para os próximos 15 anos.
O agora ministro extraordinário para Assuntos Estratégicos trabalhará em conjunto com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). EFE
