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21 março 2014

Os senões da vacina contra o HPV


A partir de março, a vacina contra o HPV entra oficialmente no calendário nacional de imunizações e passa a ser ofertada às meninas de 11 a 13 anos. Até o momento, parece ser uma unanimidade os benefícios da vacina que se destina a prevenir o vírus HPV, ligado à quase totalidade do câncer do colo de útero. Não é bem assim. Embora não haja grandes estudos demonstrando a falta de segurança da vacina, existem relatos pelo mundo de doenças graves atribuídas a ela como a síndrome de Guillain-Barré, falência ovariana, uveítes, além de convulsões e desmaios. Isso levou o governo do Japão a não mais recomendar a vacina. No último congresso de prevenção quaternária, em novembro último, o médico de família e comunidade Rodrigo Lima fez uma apresentação sobre os senões da vacina contra o HPV. Desde então, o assunto tem repercutido nas redes sociais e em grupos de discussão sobre saúde da família.



Lima não é nenhum daqueles radicais dos movimentos antivacinas. Fui atrás de cada um dos argumentos que ele utilizou na apresentação e todos me pareceram bem embasados. A seguir, trechos de um texto que Rodrigo Lima escreveu esclarecendo dúvidas que surgiram sobre o assunto:


“Quando a gente pensa na possibilidade de tomar uma vacina para evitar uma doença, eu considero que devemos fazer algumas perguntas: (1) Já temos alguma estratégia efetiva na prevenção da doença? O que a vacina traz de novo? (2) A vacina realmente funciona? (3) Ela é segura? (4) Vale a pena substituir a estratégia anterior pela vacina? Então, vou tentar organizar uma resposta para as questões.

“1. Já temos alguma estratégia efetiva na prevenção do câncer de colo uterino? Temos sim. E quase todo mundo conhece: é o famoso papanicolau, ou citopatológico cérvico-uterino (popularmente conhecido como “preventivo de câncer de colo”). É muito raro uma mulher apresentar câncer se realizar o papanicolau na periodicidade recomendada (anualmente, e após dois exames normais com intervalo de um ano, o exame passa a ser recomendado a cada três anos). Sabem por quê? Porque o câncer de colo de útero é uma doença de evolução muito lenta (normalmente em torno de dez anos), e o papanicolau permite que detectemos formas precursoras do câncer (ou seja, alterações nas células que ainda não são cânceres).


“O papanicolau está recomendado para as mulheres de 25 a 64 anos, e deve ser realizado inclusive em mulheres que recebem a vacina, pois ela não protege contra todos os tipos de HPV. Então, se temos um exame confiável, barato e disponível para todas as mulheres do país, o que nos faria mudar de estratégia, partindo para usar uma vacina que não exclui a necessidade de realizar o mesmo exame ao longo da vida? O que essa vacina traz de novo?


“2. A vacina realmente funciona? Depende. Para quê? Vamos lá. O HPV é um vírus transmitido através do contato sexual. Por isso, alguns pesquisadores tiveram uma ideia: se conseguíssemos evitar a infecção pelo HPV não teríamos mais câncer de colo uterino. Faz sentido, certo? Mas essa hipótese tem alguns probleminhas. O primeiro problema está em como evitar a infecção. A transmissão do HPV é sexual, e basta o contato íntimo mesmo sem penetração para que a passagem do vírus aconteça [portanto, não caia na conversa de que camisinha garante o “sexo seguro”]. Então a melhor maneira de evitar a transmissão seria a abstinência sexual (tem até um estudo clássico nesse tema que descobriu que freiras não têm câncer de colo uterino). Como a abstinência não costuma ser uma prática muito popular então a gente tem que pensar em outra coisa.


“Considerando que o vírus vai acabar circulando mesmo por aí, a solução mais óbvia seria vacinar as pessoas contra ele. O problema é que o HPV possui mais de 100 subtipos, e as vacinas ainda não conseguem cobrir todos eles, embora cubram os principais. Isso significa que mesmo que a vacina proteja alguém contra os subtipos que ela cobre, ela ainda permite que outros subtipos provoquem o câncer. Ou seja, ela não dá 100% de certeza de que as mulheres não terão câncer de colo uterino. A propaganda não explica isso, né? Mas é por esse motivo que a bula da vacina avisa que a vacinação não exclui a necessidade de que a mulher continue realizando o papanicolau.


“E tem mais: nem toda infecção pelo HPV provoca câncer. Na verdade, a minoria delas faz isso. Então mais importante do que se preocupar com a infecção, parece mais importante acompanharmos se a infecção evolui para lesões perigosas ou não, né? Ou seja: dá-lhe papanicolau nessa disputa, ganhando de lavada da vacina.


“Outra coisa: a eficácia da vacina foi verificada apenas em meninas sem vida sexual. E o HPV é tão frequente na população que podemos dizer que se alguém já iniciou sua vida sexual, a chance de ter sido contaminado pelo vírus é de quase 100%. Ou seja, se a pessoa não é mais virgem, tomar a vacina não vai fazer nenhum efeito, porque a resposta que ela provoca no organismo não elimina os vírus que já estejam lá, apenas evitaria o contágio. No entanto, muitos médicos têm recomendado a vacina nestas pessoas, o que é contrário até às recomendações do próprio fabricante.


“Nem vou discutir os efeitos da vacina na mortalidade, porque nem deu tempo ainda de estudarem isso direito. Como eu falei, o câncer de colo uterino é de evolução muito lenta, e acaba só sendo perigoso para mulheres que não fazem o papanicolau na periodicidade recomendada. Mas aí algumas pessoas argumentam: “Poxa, ok, mas se ela evitar a infecção já faz algum benefício, né? Afinal de contas, mal não vai fazer.” Será? Vamos adiante.


“3. Ela é segura? Há alguma controvérsia. Apontando a segurança da vacina nós temos os estudos feitos pelos fabricantes e as recomendações do CDC (órgão do governo dos EUA). No entanto, temos alguns casos de doenças mais graves, ao ponto de existirem processos correndo na França movidos por vítimas da vacina, e casos semelhantes levaram o governo do Japão a não mais recomendar a vacina. Doenças como síndrome de Guillain-Barré, falência ovariana, uveítes, além de sintomas como convulsões e desmaios têm sido associados à vacina, mas essa relação ainda não foi demonstrada em grandes estudos.


“Então vamos supor que isso aconteça em uma menina a cada 30 mil que sejam vacinadas (a proporção é baseada nas notificações de efeitos adversos do CDC, chamada de VAERS, e está disponível na internet). Será que compensa o risco, mesmo que seja baixo, de ter uma doença grave, se a vacinação não é melhor do que a estratégia que temos hoje para controlar o câncer de colo uterino (o papanicolau)?


“4. Vale a pena substituir a estratégia anterior pela vacina? Pra mim não compensa. Só de imaginar uma filha minha com paralisias causadas por uma vacina dessas, eu descarto a ideia rapidinho. Pretendo promover uma educação sexual boa para minhas filhas, para que saibam que precisam se proteger usando preservativo (até porque outros problemas como gravidez indesejada, HIV, hepatite B, entre outros, estão batendo na porta o tempo todo). E acima de tudo, demonstrar sempre a importância de fazer o papanicolau na periodicidade recomendada. Se conseguir, duvido que elas sofram desse mal. E sem essa vacina cara e suspeita. Minhas pacientes e suas famílias receberão a mesma recomendação.”


É isso. A intenção de publicar o texto do Rodrigo não é alarmar a população nem iniciar um movimento contra a vacina que em breve estará na rede pública. É claro que antes de tomar a decisão de incorporar a imunização ao calendário, o Governo Federal se municiou de informações confiáveis sobre a segurança da vacina. Mas, como tudo na vida, não existe unanimidade. E eu acho importante que os pais tenham informações plurais sobre o assunto.


(Cláudia Collucci, Folha.com)


Nota 1: Gostei dos esclarecimentos e da franqueza do Rodrigo Lima. Apenas discordo da postura dele no item 4. Se o HPV (e outras DSTs) é transmitido mesmo sem penetração, é um risco muito grande confiar na camisinha. Prefiro ensinar e incentivar minhas filhas a se preservarem para o casamento (na esperança de que o futuro marido delas tenha feito a mesma coisa). No contexto monogâmico matrimonial heterossexual é que está o verdadeiro sexo seguro criado por Deus (limpo e isento de riscos de infecção, sem contar os problemas emocionais). Mas, como diz Lima, “abstinência não costuma ser uma prática muito popular”, ainda mais quando o governo e a mídia promovem campanhas de vacinação (em que estão envolvidos milhões de reais...), por um lado, e a depravação e a promiscuidade, por outro, numa atitude contraditória e hipócrita. Se se seguissem as receitas bíblicas do verdadeiro sexo seguro, não estaríamos colhendo os frutos amargos da promiscuidade. [MB]

Nota 2: Na área da saúde, sempre é bom ter uma segunda opinião, e esta me foi enviada pelo amigo médico Dr. Eduardo Vieira: "Acho que esse texto tem maior potencial de desinformação que de informação. O HPV é uma realidade, sua distribuição é ubíqua e infelizmente pode ser letal. Se fingirmos que por não 'sermos' do mundo não há necessidade de vacinar nossas juvenis, é por esquecer que estamos nele e todos podem ser-lhe suscetíveis, principalmente as mulheres." E me fez pensar por outro ângulo: a menina se preservou virgem até o casamento, mas se casou com um rapaz que, na adolescência/juventude, foi promíscuo e depois se converteu e buscou a pureza que deve caracterizar a vida de um cristão. Digamos que ele tenha o HPV e não saiba. Ela poderá correr riscos. Assim, a decisão de vacinar ou não deve ser ponderada pelos pais da menina, levando em conta todos os fatores. [MB]

Fonte: Criacionismo

02 dezembro 2012

Idolatria e ficção no século 21

Em pleno planejamento, “Liga da Justiça o filme” promete reunir os mais famosos super-heróis da editora DC Comics num único filme cheio de efeitos especiais e de enorme bilheteria nos cinemas. Seu diretor declarou recentemente em entrevista que “os personagens da Liga da Justiça são relacionados aos antigos deuses gregos e esse é meu ponto de referência”.[1] Seria idolatria assistir a histórias de super-heróis? A mitologia é cheia de deuses equivalentes. Thot, Odin, Hermes e Mercúrio foram adorados como sendo a mesma entidade por diferentes povos, conforme a opinião geral de antropólogos como Mircea Eliade. Zeus, Júpiter, Baal e Teshub parecem ser os mesmos em diferentes povos. Antropólogos concordam que Vênus ou Afrodite é a adaptação da Astarote de Canaã, chamada na suméria de Inana. São esses mesmos deuses que na Bíblia são chamados de obra de mão humana, manifestações de demônios que deveriam ser destruídos. Os deuses gregos que foram combatidos pela pregação dos apóstolos (At 19:35, 36) parecem ter correspondentes no mundo dos super-heróis.

Mulher Maravilha é de uma ilha mítica de amazonas, onde as guerreiras têm frequentes encontros com os deuses. Ela foi feita do barro e a vida lhe foi dada pelos deuses. Sua roupa é sensual e leva as cores da América do Norte, apesar de ela ser grega. Frequentemente, a Mulher Maravilha é retratada invocando o nome da rainha das deusas gregas, dizendo “grande Hera!” Ela oferece incenso aos deuses e luta com seres mitológicos. Seu nome, Diana, é de uma deusa muito popular na Roma antiga, identificada como Artemis, a deusa da caça e da Lua. Diana era a deusa da caça, e em Éfeso era um tipo de deusa mãe virginal. Seus adoradores foram inimigos dos apóstolos.

Aquaman, que comanda os seres marinhos, frequentemente é retratado com o tridente de Netuno. Atualmente, seu visual com barba e cabelos longos lembra ainda mais o deus mitológico marinho chamado pelos gregos de Posseidon.

O super-rápido Flash, em seu visual original, usava um elmo com asas em homenagem ao deus Hermes, o veloz mensageiro dos deuses.

Lanterna Verde usa a luz para materializar objetos. Apolo era um deus grego da luz e da arte. Apolo também era arqueiro, e há um arqueiro na LJ.

Os gregos tinham um deus da guerra chamado Ares, Marte para os Romanos. A Liga da Justiça tem um marciano chamado Caçador de Marte!

O deus Efesto, o ferreiro, pode ser equiparado ao personagem Cyborg e a ciência que trabalha com metais e máquinas.

Os deuses egípcios Ísis e Hórus estão presentes por meio de personagens como Gavião Negro e Mulher Gavião, por vezes retratados como alienígenas. Gavião é um arqueólogo que recebeu a reencarnação e os poderes do faraó Queóps. Gavião Negro e Mulher Gavião são um casal que prometeu se encontrar em todas as reencarnações.

Batman já foi comparado ao sombrio deus Hades,[2] pois os dois são do trio principal de personagens, e Hades mora no submundo, assim como Batman tem seu esconderijo numa caverna.

Superman é por vezes associado a Zeus/Júpiter: eles voam, são os líderes e se disfarçam de pessoas comuns e indefesas para andar entre os homens. Zeus é por si só uma paródia pagã de Jesus. Veja como ele é descrito por um crítico da série “O Reino do Amanhã”, considerada um grande clássico da DC Comics: “Extrapolando o fato de o Superman ter sido o primeiro dos super-heróis, aquele que fez nascer os demais, uma espécie de ‘Zeus’, simbolicamente falando, Waid apresenta-o assumindo uma autoridade paternalista, um veterano por trás das atitudes mais enérgicas adotadas para consertar o mundo a qualquer custo”.[3]

Mitologia, religião e espiritualismo são as inspirações da DC Comics que chama seus três personagens principais – Superman, Batman e Mulher Maravilha – de “Trindade”. Entre seus heróis também está o Espectro, um ser ancestral que possui o corpo de  homens usando-os como médiuns pelos quais desencadeia sua vingança, sendo o último deles o próprio Lanterna-Verde,[4] fato que lembra muito o Templo de Apolo e seus videntes, de acordo com a comparação que já fizemos entre o deus Apolo e o Lanterna-Verde. Mas Espectro teria um papel ainda mais interessante na principal obra de HQ dos anos 1990, Kingdom Come (O Reino do Amanhã, em português), um título que no original se trata de um trocadilho lembrando a expressão do Pai Nosso e a escatologia do reino de Deus implantado na Terra. A revista foi um sucesso mundial, com desenhos realistas de Alex Ross e texto de Mark Waid. Sendo uma alusão direta à literatura cristã escatológica,[5] fãs reconhecem nela uma versão com super-heróis do Apocalipse da Bíblia.[6] Nela, o Espectro como um espírito sai do vitral da igreja, do meio de imagens de santos, e dá visões do fim ao pastor Norman MacCay, que descreve os acontecimentos com textos bíblicos. O personagem do pastor MacCay foi desenhado com a aparência do pai do desenhista, um pastor protestante na vida real, fato que mostra o quanto os autores desses super-heróis são influenciados por suas crenças e de onde tiram suas ideias.[7]

Em Reino do Amanhã, o Coringa matou centenas de pessoas explodindo os amigos do Superman no planeta diário, incluindo a famosa Lois Lane. Preso, o Coringa está indo a julgamento quando é morto por um herói que ajudou o Superman. Esse herói chamado Magog é julgado e inocentado, o que causa desgosto no senso de justiça de Superman, que se retira, deixando o mundo por si mesmo.

O mundo sem Superman se parece com a tipologia de Jesus deixando a Terra, até porque, no momento de caos, em O Reino do Amanhã, ele voltará para salvar e reunir seus “anjos”. Magog é um personagem encomendado para essa estória, com aparência de bode. Ele é um herói, mas, na Bíblia, Magog é um símbolo para os inimigos do povo de Deus. Compreende a inversão?

Com a retirada de Superman, todos os velhos heróis da LJ se aposentam e vão ficando velhos, e uma nova geração de heróis aniquila o mal, mata ou prende todos os vilões concedendo um tipo de “milênio de paz” ao mundo, embora na revista seja um período bem mais curto. Entre esses novos heróis estão nomes muito sugestivos como Dama Demônio, Demônio Azul II e 666. Superman é mostrado na estação espacial do Lanterna Verde reunindo os heróis numa mesa esmeralda, o que lembra muito as visões celestiais.


Quando o mundo se torna ameaçado pela nova geração de heróis, Superman retorna influenciando sua velha equipe, que com muitos conflitos internos se reúne para uma última grande batalha. Um armagedom da DC Comics! E o que se concluí ao longo dessa minissérie? Nas palavras dos especialistas em quadrinhos, “a crença em ídolos, líderes e forças superiores é lentamente posta abaixo ao longo da história. Obcecadas com seus próprios objetivos, as figuras centrais se desmoronam em decepção”.[8]

Então é essa a colaboração dos super-heróis? Depois que o religioso se torna mito e o mito se torna ficção, o que sobra? O ateísmo?

O Reino do Amanhã termina com um último grande apelo à idolatria, parodiando Satanás que é solto para seduzir as nações após o milênio. Lex Luthor consegue dominar a mente do Capitão Marvel, que luta com Superman tentando impedi-lo de salvar a todos. Por fim, o próprio Capitão Marvel salvará os homens e matará a maioria dos super-heróis numa explosão nuclear, e o Superman assumirá seu papel de novo messias na ONU dirigindo a humanidade.

De fato, sabemos sobre a origem do personagem do Capitão Marvel que ele recebe seus poderes invocando um bruxo chamado Shazan, que cultua estátuas de Salomão, Aquiles, Atlas, Hércules e Hermes, que dão poderes a um menino para ele se tornar o Capitão Marvel. Percebeu que Salomão foi sutilmente reduzido a um mito? Mas, na maioria das vezes, essas estátuas são mostradas apenas como ídolos com aparência demoníaca.

Contrariando a história de Abrão na Bíblia, que foi chamado por Deus para “sair” de Ur dos Caldeus, o mais poderoso mágico do universo DC é um arqueólogo que vai até as ruínas de Ur e encontra uma ordem de bruxos que lhe dá um capacete e um amuleto que o transformam no herói conhecido como Senhor Destino. Ele não é o único mágico “herói” membro da LJ. Há também Zatana, uma ilusionista sempre desenhada com decotes e roupas sensuais. Ela aprendeu magia do pai, que foi amaldiçoado por um demônio.[9]

Tornado Vermelho é um robô possuído pelo espírito de um alienígena, e Vixen é uma africana que usa um colar ou totem feito pela entidade espiritual Ananse.[10] No mundo dos quadrinhos e filmes de heróis, um deus, espírito ou alienígena é muitas vezes a mesma coisa. Vixen incorpora o “espírito” de todos os animais ao tocar no totem. A explicação pseudocientífica é que ela adquire em forma humana os poderes genéticos desses animais, mas não passa de puro espiritismo, mais uma vez baseado na idolatria pagã. Poucos sabem que Ananse é um mito de tribos africanas que conta a história de um “deus homem-aranha” que, para satisfazer o “deus dos céus”, desce à Terra em sua teia e engana os animais e os seres  planeta.

A equipe de heróis mais jovens e adolescentes da DC Comics é conhecida como Titãs ou Jovens Titãs, ou no desenho do Cartoon Network, Teen Titans. Na mitologia, os Titãs são deuses que se rebelaram e foram jogados no inferno pelos olímpicos, o que seria o nosso equivalente aos demônios.

Entre os Teen Titans se destaca Raven, uma moça de aparência EMO com capa de druida e um pingente em forma de terceiro olho na testa. Raven ou Ravena é filha de uma humana com um demônio chamado Trigon, e luta pelo bem usando seus poderes mágicos, entre eles sair do próprio corpo. Nas revistas, Raven morreu e ressuscitou; seu espírito foi invocado em sessões espíritas, entre outras práticas satanistas.[11]

Obviamente, se os heróis são ocultistas na LJ, não esperaríamos menos de seus inimigos da Legião do Mal. Solomon Grundy é um zumbi, fruto de alguém que ressuscitou num pântano de Gothan City, com todos os espíritos maus mortos ali incorporados nele.Giganta é uma gorila evoluída em mulher.[12] Até mesmo Lúcifer faz parte dos personagens da DC Comics e tem sua própria revista, onde é desenhado como um bem apresentado anjo loiro.

Magia é a origem dos poderes de muitos dos super-heróis da DC Comics junto com a identidade ligada à mitologia ou a seres alienígenas. Grant Morrison, que trabalhou em alguns dos maiores projetos da DC Comics, entre eles Batman e Superman, admite a equivalência dos super-humanos com a mitologia. Ele chegou a lançar um livro sobre a história dos quadrinhos intitulado Superdeuses.

Ele não foi o primeiro a perceber que os deuses só haviam sido vestidos de roupa colante e capa colorida: “Quando você vê fãs vestidos como seus heróis favoritos em convenções de quadrinhos, você está vendo o mesmo tipo de culto que foi desempenhado uma vez no antigo mundo pagão, onde celebrantes se trajavam como seus objetos de culto e ordenavam seus dramas em festivais e cerimônias.”[13]

Se os personagens da DC Comics são apenas ficção, por que haveria algum perigo? Paulo deixa claro que os deuses e os ídolos não são deuses reais, mas estão ligados a homenagem aos demônios!

“Que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Ou que o ídolo é alguma coisa? Antes digo que as coisas que eles sacrificam, sacrificam-nas a demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios. Não podeis beber do cálice do Senhor e do cálice de demônios; não podeis participar da mesa do Senhor e da mesa de demônios. Ou provocaremos a zelos o Senhor? Somos, porventura, mais fortes do que Ele? Todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas edificam” (1Co 10:19-23).

Será que convém participar do universo obscuro dos super-heróis?

O universo DC Comics é totalmente repleto de bruxaria. A magia proibida na Bíblia (At 19:19) esteve entre os pecados abomináveis (Dt 18:10), objetada junto com a consulta aos mortos (Lv 20:27), outra prática comum nas histórias de super-heróis que muitas vezes morrem e voltam à vida. Mágicos na Bíblia sempre são os enganadores, ilusionistas e rivais dos profetas e apóstolos. Assim foi com os magos de faraó em oposição a Moisés, os magos de Nabucodonosor que competiam com Daniel ou com Simão, o mágico que enganava nos dias dos apóstolos. Na Bíblia, magia é a prática de buscar os poderes e as ilusões do diabo (veja At 13:8-10).

Mas às vezes a magia tenta ser justificada com um disfarce de ciência. No universo DC Comics, os “deuses” são as raças mais evoluídas e imortais no Universo, não necessariamente algo como um “Criador”. O Big Bang é tudo, e os heróis que voltam no tempo apenas veem uma misteriosa mão segurando o cosmos que está nascendo.

Os Novos Deuses são uma raça criada após uma batalha cósmica, dando origem ao planeta do bem, Nova Gênese, e o planeta do mal, Apokolips. Nova Gênese é governada pelo Pai Celestial, um velho imortal com um cajado na mão. Ele é chamado de Isaya, que lembra o nome Isaías, cujo significado é “Jeová é Salvação”. Esse imortal deu seu filho, conhecido como Sr. Milagre, para o líder de Apokolips, Darkside (nome que significa “lado negro”). Darkside, por sua vez, deu seu filho para ser criado pelo Pai Celestial, sendo chamado de Órion. Semelhança com a Bíblia?

Sr. Milagre, o filho do Pai Celestial, vive entre os demônios de Apokolips, mas foge, vindo à Terra e se passando por humano, adotado por um artista de circo e se tornando um “escapista” conhecido como Sr. Milagre.[14] Ele chegou a ser retratado como um escapista crucificado de cabeça para baixo, típico deboche satanista para a cruz de Cristo. É simplesmente blasfêmia!

Dizer que os super-heróis são diferentes dos ‘deuses pagãos’ porque os super-heróis são apenas projeções da imaginação humana seria dar realidade aos deuses que na verdade são exatamente a mesma coisa, segundo a Bíblia. Portanto, não há diferença nenhuma!

Na sociedade pós moderna, o termo “ídolo” está tão banalizado que o usamos sem pensar nas reais consequências. Temos ídolos na música, ídolos do cinema e da TV, e ídolos do esporte. Eles demandam tempo e atenção e, por isso, na realidade, tornam-se deuses. Alguns os servem e cultuam e não pouco dinheiro é devotado a eles. A todos os cristãos é bom lembrar: “Quando não conhecíeis a Deus, servíeis aos que por natureza não são deuses. Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?” (Gl 4:8, 9).



Referências:

[13] Christopher Knowles, Nossos Deuses Usam Colante, citado por Iuri A. Reblin em http://www.espacoacademico.com.br/086/86res_reblin.htm

FONTE: Criacionismo



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