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10 dezembro 2024

Roberto Alvim (quinta-feira, 16/01/2020)

 





Roberto Alvim

“A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional, será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional, e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes do nosso povo – ou então não será nada.”

Joseph Goebbels

"Die deutsche Kunst der kommenden Jahrzehnte wird heroisch sein, sie wird stählern romantisch sein, sie wird objektiv und frei von Sentimentalität sein, sie wird national sein mit großem Pathos und ebenso zwingend und bindend – oder sie wird nicht sein."



 

01 junho 2022

A Infelicidade do Século – Alain Besançon (2000)

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Descrição do livro

Abordando duas questões vinculadas entre si, o nazismo e o comunismo, o especialista em Ciências Sociais, Alain Besançon, traça, em ‘A Infelicidade do Século’, um painel detalhado sobre a tomada do poder pelo comunismo do tipo leninista e pelo nazismo do tipo hitlerista, explicitando suas diferenças e semelhanças, sem abrir mão das análises histórica e política de ambos os regimes.

FONTE: Lê Livros


10 outubro 2021

Os motivos de Stalin para o pacto Ribbentrop-Molotov (28/10/2020)

 Por Fábio Blanco


O diplomata soviético Vyacheslav Molotov se encontra com Hitler. WIKIMEDIA COMMONS / QUAPAN

O diplomata soviético Vyacheslav Molotov se encontra com Hitler.

 WIKIMEDIA COMMONS / QUAPAN



O pacto Ribbentrop-Molotov deixou os comunistas perplexos. Após mais de uma década de luta anti-fascista, de repente, seu líder máximo, Stalin, firmara um acordo com Hitler, no sentido de ambos países absterem-se de atacarem-se mutuamente.

O acordo, chamado de não-agressão, na verdade, representava um acerto de agressão conjunta à Europa. Além de dividirem a Polônia (país que fica entre as duas potências) ao meio, a Alemanha ficava livre para atacar a parte ocidental e a Rússia os países da parte oriental. Significou, portanto, uma combinação entre duas ditaduras que, inclusive, passaram, a partir dali, a bajular-se mutuamente.

Diante da notícia do pacto, comunistas do mundo inteiro, em um primeiro momento, ficaram perdidos. Eles não sabiam como conciliar tudo aquilo que pregavam com essa nova demonstração de amizade entre dois ferrenhos inimigos. No entanto, logo as explicações começaram a surgir. Delas, nasceram algumas teorias que tentavam explicar quais foram os motivos para uma aliança tão inusitada.

A primeira delas é a mais romântica. Por ela, Stalin, refletindo os ideais comunistas, teria agido em favor da paz. Como os comunistas sempre tiveram um discurso contra as guerras, inclusive tendo abandonado a primeira Guerra Mundial, seu líder, ao firmar um pacto de não-agressão com a Alemanha, estaria apenas colocando em prática aquilo que sua ideologia pregava. No entanto, isso seria crível, não fosse o pacto secreto de divisão da Europa que fora feito junto ao acordo principal, além dos expurgos e toda a violência praticada por Stalin, inclusive contra os próprios membros de seu partido e de seu exército. Um homem com a índole de Stalin jamais trabalharia pela paz, a não ser que a paz lhe trouxesse algum benefício.

Uma segunda versão é mais realista. Por ela, o objetivo de Stalin era manter Hitler ocupado em uma guerra com as democracias ocidentais. Ele sabia que, ao invadir a Polônia, Inglaterra e França viriam em defesa do país do presidente Ignacy Mościcki e isso deflagraria uma guerra entre eles. No entanto, não é certo que Stálin tivesse tanta convicção disso, afinal, Inglaterra e França já haviam falhado na defesa da Áustria e da Espanha e, praticamente, entregaram a Tchecoslováquia para a Alemanha. O próprio Hitler estava convicto de que britânicos, conduzidos por Chamberlain, e franceses, liderados por Daladier – ambos que já haviam dado sinais claros de fraqueza – vacilariam mais uma vez. Stalin não poderia apostar tão alto em algo tão incerto.

De qualquer forma, se aceitarmos que Stalin queria colocar as potências ocidentais em conflito, devemos nos perguntar por qual motivo ele faria isso. Uns dizem que seria para atacá-las depois, outros falam que seu objetivo era esperar que a guerra criasse uma convulsão social nesses países, o que possibilitaria a promoção neles de processos revolucionários em favor do comunismo. Ambas possibilidades são aceitáveis, afinal, o primeiro caso cabia bem à personalidade de Stalin, o segundo aos objetivos declarados do movimento comunista.

Pode ser que a versão mais corrente, que é aquela que atribui o pacto ao gênio político de Stálin, afirmando que ele sabia que a URSS não estava pronta para uma guerra que era inevitável e, portanto, teria firmado o acordo, a fim de adiá-la por algum tempo tenha algum sentido. O único porém é que, quando da Operação Barbarossa, pela qual a Alemanha invadiu o território russo, tudo leva a crer que Stalin fora pego de surpresa. Portanto, as duas versões não se conciliam. Se ele fez o pacto para ganhar tempo, não poderia ser pego de surpresa. Se ele fora pego de surpresa, então o pacto representaria uma verdadeira confiança nas intenções de Hitler, o que denotaria uma grande inocência de sua parte, o que é, apesar de tudo, bastante difícil de acreditar.

Ainda assim, é possível especular sobre os motivos de Stalin não parecer preparado. A confiança na amizade de Hitler não faz sentido. O que pode ter, na verdade, acontecido, é que Stalin apenas tenha calculado mal o tempo. Historiadores afirmam que a URSS, na verdade, estava se preparando para empreender um ataque à Alemanha, porém, esperava fazer isso apenas em 1942. Stálin não acreditava, na verdade, que Hitler o atacaria antes de derrotar a Grã-Bretanha e, por isso, não teria se preparado corretamente para a invasão alemã ocorrida em 1941.

Isso leva-nos a uma outra versão, que aquela trazida por Suvorov, em seu livro, “O grande culpado”. Nela, o autor afirma que realmente Stalin fez o pacto para adiar o confronto com os nazistas, porém, seu intuito seria surpreender Hitler em um ataque à Alemanha em território polonês. Isso só não teria acontecido porque Hitler, informado por seu serviço secreto, fora mais rápido e acabara atacando primeiro. No entanto, segundo Suvorov, há fartos documentos que mostram que a URSS já estava pronta para o seu próprio ataque. Isso deixaria claro que o acordo entre as potências seria uma forma, na verdade, de Stalin enganar Hitler, o que faria dele o grande responsável pela Segunda Guerra Mundial, o que os comunistas e simpatizantes, os grandes divulgadores da história, jamais aceitariam.

O fato é que, com exceção da primeira, todas essas versões possuem algum sentido. Se perguntarem para mim, o que eu acho, diria que não acredito na inocência de Stalin. Acredito, sim, que ele queria colocar os países do Ocidente em guerra, seja para depois atacá-los quando já em frangalhos, seja para promover neles suas revoluções. Também não descarto a possibilidade de Stálin ter feito o acordo para surpreender todos com um ataque surpresa soviético. A única versão que descarto totalmente é a que diz que Stalin trabalhava pela paz. Isso já é demais!



Duas semanas depois que a Alemanha invadiu a Polônia em 1º de setembro de 1939, a União Soviética invadiu a Polônia pelo leste, com Adolf Hitler e o ditador soviético Josef Stalin dividindo a Polônia e os Estados Bálticos com base em um protocolo secreto no pacto Molotov-Ribbentrop assinado em 23 de agosto de 1939.



08 junho 2021

A intolerância perante a intolerância transformou nazistas em celebridades

 

Defender a liberdade de expressão é impedir que as melhores intenções abram a porta aos piores intencionados. João Pereira Coutinho via FSP por OTambosi



Nos debates sobre a liberdade de expressão, há sempre um sábio que cita a Alemanha nazista. Raciocínio do sábio: se a Alemanha tivesse leis que banissem discursos de ódio, jamais os nazistas teriam tido a chance para espalharem as suas mensagens sinistras. A conclusão do sábio é muito simples: os nazistas subiram ao poder porque a tolerância perante a intolerância cavou sua própria sepultura.

É um pensamento interessante, que só peca por ser historicamente errado. A República de Weimar proibia o “discurso de ódio”, para usar a expressão da moda. E vários nazistas famosos, como Joseph Goebbels, foram processados por proclamações antissemitas. Mais: quando olhamos para o jornal nazista Der Stürmer, ele foi repetidamente confiscado pelas autoridades. O seu editor, Julius Streicher, foi duas vezes preso. Resultado? O partido nazista, um grupelho desprezível em inícios da década de 1920, foi ficando cada vez mais célebre por causa desses processos. Quando a Grande Depressão chegou, Hitler e seu gangue estavam prontos para subir no palco. Se existe uma moral nessa história, não é que a tolerância perante a intolerância acabou com a democracia.

Paradoxalmente, a lição é outra: a intolerância perante a intolerância fez com que os nazistas se tornassem célebres – e, aos olhos de certos marginais como eles, vítimas da perseguição política. Eis uma das histórias que Andrew Doyle relembra no seu Free Speech and Why it Matters: o tempo censório em que vivemos acredita que, pela supressão de certas ideias (nas universidades, nos jornais, na internet etc.), os seus autores serão devolvidos ao esquecimento. Fatalmente, o que acontece é a consagração desses autores, que se transformam em vítimas – ou melhor, em mártires da liberdade de expressão.

Mas o ensaio de Doyle, um dos mais inteligentes que li sobre a matéria, oferece outras lições aos novos censores. Sobretudo aos que acreditam que pela punição do discurso livre será possível defender os direitos de certos grupos ou minorias. Perante essa fantasia, o autor formula a questão fatal: será que os direitos das minorias, hoje, são melhor defendidos em países que restringem a liberdade de expressão? Ou, pelo contrário, esses direitos são melhor preservados em regimes que levam a sério a liberdade de expressão?

Pessoalmente, tenho poucas dúvidas: ser transexual nos Estados Unidos, onde existe a Primeira Emenda, é mil vezes preferível a ser trans no Irã ou na Arábia Saudita. Mas o ponto não é só empírico, é também histórico: foi a liberdade de expressão que deu visibilidade e legitimidade à luta pelos direitos das minorias. Se essa liberdade não existisse, não haveria visibilidade, nem legitimidade, nem sequer direitos para ninguém.

É possível argumentar que certas formas de discurso podem ofender e até violentar sensibilidades diversas. Casos de difamação, calúnia ou incitamento à violência podem e devem ser sancionados pela lei. O que não é possível nem legítimo é atribuir ao Estado a capacidade de suprimir certas ideias ou opiniões simplesmente porque alguém, algures, as considera repugnantes e uma fonte de desconforto ou sofrimento.

Em primeiro lugar, pessoas diferentes tendem a sentir repugnância, e desconforto, e até sofrimento por coisas diferentes. Para usar o exemplo paródico de Andrew Doyle, eu todos os anos sinto repugnância, desconforto e até sofrimento na hora de pagar impostos (não é paródia, não, é verdade). Mas isso não me dá o direito de bombardear o Ministério da Economia ou de sequestrar o ministro. O mundo, na sua vasta imperfeição, não existe para me fazer as vontades.

Por outro lado, confiar a um governo uma espécie de política de gosto sobre o que pode ser dito ou escrito na arena pública parte sempre do pressuposto otimista de que as causas do momento, como a justiça social ou a política de identidade, serão eternas. Podem não ser. E, uma vez oferecida a chave da repressão legal, futuros governos podem encontrar novos e imprevistos alvos. Um exemplo, bem lembrado por Andrew Doyle: em 1936, o Partido Trabalhista britânico fez aprovar legislação para proibir as marchas fascistas de Oswald Mosley. Na década de 1980, Margaret Thatcher usou essa mesma legislação para prender os mineiros em greve. Moral da história? Defender a liberdade de expressão é, antes de tudo, impedir que as melhores intenções abram a porta aos piores intencionados.



19 junho 2018

Os Outros Schindlers – Agnes Grunwald-Spier


Os Outros Schindlers – Agnes Grunwald-Spier

Descrição do livro

Enquanto seis milhões de judeus eram assassinados pelo regime nazista, alguns eram salvos graças à solidariedade de não judeus, cujas consciências não lhes permitiam olhar com indiferença para seus semelhantes. Por seus atos, muitos foram homenageados pelo Yad Vashem como “Justos entre as Nações”. Quando bebê, a própria autora deste livro foi salva dos horrores de Auschwitz por um homem desconhecido e hoje é curadora do Holocaust Memorial Day Trust. Ela reuniu as histórias de trinta pessoas que resgataram judeus, trazendo uma nova visão do motivo de essas pessoas estarem dispostas a colocarem suas vidas em risco por seus semelhantes. Com prefácio de Sir Martin Gilbert, um dos maiores especialistas no assunto, este é sem sombra de dúvida um relato enaltecedor de como algumas ações generosas podem realmente fazer diferença num mundo de verdadeiros horrores como os criados por Adolf Hitler e o seu Terceiro Reich.




27 julho 2016

O Diário de Anne Frank – Anne Frank





Descrição do livro

A jovem Anne Frank escreveu em seu diário toda a tensão que a família Frank sofreu durante a Segunda Guerra Mundial. Ao fim de longos dias de silêncio e medo aterrorizante, eles foram descobertos pelos nazistas e deportados para campos de concentração. Anne inicialmente foi para Auschwitz, e mais tarde para Bergen-Belsen. Seu diário destaca sentimentos, aflições e pequenas alegrias de uma vida incomum, problemas da transformação da menina em mulher, o despertar do amor, a fé inabalável na religião e, principalmente, revela a rara nobreza de um espírito amadurecido no sofrimento. Um retrato da menina por trás do mito.






FONTE: Lê Livros


09 maio 2015

A tradição teutônica e as raízes ocultistas do nazismo – Parte 1

Por Heitor de Paola

Persiste (na atualidade) uma idéia, amplamente estimulada por certo gênero sensacionalista de literatura [1], de que os nazistas eram principalmente inspirados por agentes ocultos que operavam desde antes de seu advento (...) resultando num fascínio pós-guerra. Este fascínio é talvez invocado pela irracionalidade e políticas macabras e pelo curto domínio continental do Terceiro Reich. (...) Para o jovem observador (atual) o naciona-socialismo freqüentemente é tido como um misterioso interlúdio da história.
Nicholas Goodrick-Clarke

Se acreditarmos em absurdos, cometeremos atrocidades.
Sarvepalli Rahda Krishnan





Os historiadores comumente se referem às fontes do nazismo como oriundas apenas de filosofias racionais nascidas do Iluminismo. No entanto, creio que seja muito mais derivada de uma reação à racionalidade do Iluminismo, assim como o comunismo, que não abordarei com profundidade neste momento. Ambos são reações à ascensão da burguesia, dos ‘comuns’, dos sans-culottes [2] ao cenário político e à racionalidade e pragmatismo capitalistas, à democracia e à liberdade individual. Tanto os comunistas como os nazistas construíram, a ferro e fogo, sociedades tão aristocráticas como as do Ancien Régime, com a diferença de que esta ‘aristocracia’ não tinha por base as mesmas falsas premissas da antiga nobreza, baseada no sangue e na ‘unção por Deus’. Foi John Locke o primeiro a advertir: ‘os reis também são homens’, em nada diferem dos demaisE acrescento eu: a ‘unção por Deus’ não passou de uma falácia inventada pelos chefes francos e endossada por papas que freqüentemente ‘esqueciam’ os Mandamentos Sagrados de Jesus e do Velho Testamento. Por esta - e outras razões - o verdadeiro clero cristão recolheu-se às ordens monásticas, onde foi resguardada a filosofia antiga e a riqueza da filosofia medieval.

Comunismo e nazismo substituíram os três Estados (nobreza, clero e burguesia) por um regime baseado em apenas duas classes: a ‘Nova Classe’ (apud Milovan Djilas) de aristocratas, e um povo escravo e ‘sub-humano’ ou, como diria Orwell, os membros do partido e os proles [3] e ao mesmo tempo tentaram fundar novas ‘religiões’. Os comunistas, conforme a premissa marxista de que a religião é o ópio do povo, tentaram uma nova religião ateísta, um verdadeiro ópio, o dos intelectuais (apud Raymond Aron), os nazistas fizeram renascer antigos mitos germânicos de uma raça superior, do Valhalla e Wotan. Ambos tentaram matar Deus. E um povo sem Deus ‘não é que não acredite em nada, mas acredita em tudo’, como disse Chesterton, inclusive em absurdos (Rahda Krishnan). Foi Dostoiévsky quem disse: ‘se Deus não existe, tudo é permitido’ – o Gulag, as câmaras de gás nazistas, o terror comunista russo e chinês, Pol Tot, etc.
Os substitutos do Deus judaico-cristão foram fórmulas mágicas totalmente irreais e esotéricas. Ocultismo, misticismo, charlatanismo, orientalismo e crenças pseudo-científicas orientais como hatha-yoga, herbanismo, re-encarnações, não apenas são partes inerentes ao movimento nacional-socialista como estão entranhados em seu âmago e serão explicitadas ao longo deste texto. Antes, porém, é necessário examinar brevemente aquele que os nazistas chamavam de Mestre.
Friedrich Nietzsche: precursor do nazismo?


Muito do que Nietzsche escreveu é perfeitamente aproveitável pelo nazismo, mas nem tudo. Há certas passagens insuportáveis, que levaria uma pessoa a um campo de concentração se as repetisse durante o ‘Reich de mil anos’. Um dos pais dos totalitarismos do século XX, Nietzsche, é pródigo em condenar a civilização burguesa do século XIX como decadente, conservadora, mole, sem valor, e não merecedora da dura herança nórdica dos germanos. Tanto nazistas como marxistas fazem beicinho ao falar a palavra ‘burguês’ [4]. O desprezo de Nietzsche (assim como dos marxistas) pelo século XIX, seus ataques à Cristandade, aos movimentos humanitários e ao governo parlamentar evidenciam a revolta contra a razão e a liberdade. O que mais quereria um seguidor de Hitler senão a criação de um partido que unisse ambas as ideologias: um nacional-socialismo? No Anticristo afirmou Nietzsche:

A igualdade das almas perante Deus, esta mentira, (...) esta bomba anarquista em que se tornou a última revolução, a idéia moderna é o princípio da destruição de toda a ordem social – isto é dinamite cristã.
A paixão pelo refazer, renovar, nascer de novo, encontrados em todos os movimentos revolucionários, especialmente entre a elite revolucionária é encontrada com os nazistas e nas palavras de Nietzsche. Mas o uso da palavra ‘revolução’ é uma das maiores mentiras já inventadas pela humanidade. Entende-se como um movimento para o futuro, quando não passa de um retorno ao passado aristocrático:
A democracia tem sido em todos os tempos a forma pela qual a força organizada foi perdida... O liberalismo, ou a transformação da humanidade em gado... A moderna democracia representa a forma histórica de decadência do Estado... Os dois partidos opostos, socialistas e nacionalistas – ou como forem chamados nos diferentes países da Europa – se merecem, inveja e vagabundagem são as forças motivacionais de ambos.
Acrescenta Brinton (loc.cit.): cristianismo e democracia são ambos demonizados e citados como parceiros preparando a destruição da velha sociedade antecipando a nova. Pergunto: de que velha e nova sociedade falava Nietzsche? Não seria da velha e corrupta sociedade aristocrática e da nova sociedade da igualdade perante a lei, ao rule of Law e o direito dos abjetos ‘comuns’ escolherem livre e periodicamente seus governantes sem ‘sangues nobres’ mas iguais aos eleitores, e tirá-los do poder quando agem contrários à vontade dos eleitores? Os europeus centrados em si mesmos jamais tomaram conhecimento das inserções pelos Founding Fathers e framers da Constituição Americana, de checks and balances que refreassem a democracia plena que viam como um perigo a ser evitado, mas através de processos legais e não autoritários e aristocráticos [5].
É necessário perguntar: será que a liberdade e a democracia são realmente valores primariamente cristãos, ou já se encontravam no Velho Testamento, a Torah? Os judeus já conheciam a liberdade e a ampla discussão das Escrituras milênios antes do nascimento de Jesus. A liberdade e os princípios da democracia são valores judaico-cristãos. Não estaria aí uma das razões do antissemitismo?
O ‘suposto assassino de Deus’ diz com toda clareza: ‘(os judeus) são parasitas, decadentes, e responsáveis pelos três grandes males da civilização moderna: cristianismo, democracia e marxismo’. Sua famosa expressão ‘vontade de poder’ sugere ausência de piedade, agressão, política de expansionismo, perfeitamente ilustradas pela ascensão de Hitler ao poder. Nietzsche detestava a democracia, o pacifismo, o individualismo, o cristianismo, as idéias humanitárias e adorava autoridade, pureza racial, espírito guerreiro e uma dura vida.


Como seria de esperar numa mente corroída pela sífilis terciária, Nietzsche era prenhe de paradoxos, como sua visão dos alemães e dos judeus oscilava freqüentemente. Num de seus surtos de antipatia pelos seus conterrâneos alemães, disse:

Confesso que os alemães são meus inimigos. Desprezo toda sorte de conceitos obscuros, toda sorte de covardia para decidir entre sim e não. Por quase mil anos eles se enrolaram e confundiram tudo que tocaram. Quando eu penso em alguém contrário a todos meus instintos, o resultado é sempre um alemão. (...) A estupidez anti-francesa e anti-polonesa, a estupidez romântico-cristã, a estupidez teutônica, a estupidez antissemita..... (...)
Os antissemitas não perdoam aos judeus por terem intelecto e fortuna. Antissemitismo: outro nome para a incompetência e para a destruição do que está bem feito. (...) Que benção são os judeus entre os alemães! Notem a obtusidade, o grossos cabelo amarelo, os olhos azuis e a falta de intelecto estampada em sua face, a linguagem, o comportamento... entre os alemães... (...) Os judeus são, sem sombra de dúvidas a raça mais pura, mais forte e mais inteligente da Europa atual.
Estas são precisamente as qualidades atribuídas pelos nazistas ao caráter völkish dos arianos! Bem se vê que os nazistas não podiam aceitar Nietzsche em bloc. Pelo contrário, quando ele falava como os nazistas, era considerado o profeta que possui a verdadeira visão do futuro, quando discorda, é apenas um mortal do qual não se pode esperar que se eleve acima de seu tempo e ambiente [6]. Certamente os nazistas aproveitaram das obras de Nietzsche o que lhes interessava e censuraram o resto!

Notas:

[1] Alguns exemplos: The Holcroft Covenant, de Roberto Ludlum, The ODESSA File, de Frederick Forsyth eOs Meninos do Brasil, de Ira Levin. Há livros sobra a incessante busca de Martin Borman, sobre uma possível sobrevivência de Hitler, etc. Mesmo que não seja esta a intenção dos autores os livros estimulam as fantasias sobre o fascínio de um nazismo super-poderoso que renasceu dos escombros da I Guerra Mundial. Esta observação nada tem a ver com os reais grupos de neonazistas.

[2] Sans-Culottes (do francês "sem calção") era a denominação dada pelos aristocratas aos artesãos, trabalhadores e até pequenos proprietários participantes da Revolução Francesa a partir de 1771, principalmente em Paris. Recebiam esse nome porque não usavam os elegantes culottes, espécie de calções justos que apertavam no joelho que a nobreza vestia, mas uma calça de algodão grosseira. Na época da Revolução Francesa, a calça comprida era o típico traje usado pelos burgueses.
[3] É preciso notar que a primeira tentativa de criar uma sociedade assim foi dos próceres mais privilegiados da Revolução Francesa como Robespierre, Danton, etc. Embora fossem tragados pelo Terror criado por eles, Napoleão o fez em seu lugar.
[4] Crane Brinton: The National Socialists Use of Nietzsche, Journal of the History of Ideas, Vol. 1, No. 2 (Apr., 1940), pp. 131-150 Published by: University of Pennsylvania Press. Os trechos de Nietzsche aqui citados são da seleção deste artigo de Brinton.
[5] Ao menos até o governo Obama que tende a se tornar imperial.


[6] Mutatis mutandis o mesmo ocorre com os marxistas e Marx: a teoria marxista básica, da evolução do capitalismo criando suas próprias contradições para a revolução proletária, não foi respeitada em nenhum país comunista. Os dois maiores países comunistas foram duas economias predominantemente agrárias: Rússia e China.


Publicado no jornal Visão Judaica, de Curitiba.



Fonte: 




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