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27 março 2025
03 março 2025
Mitologia Grega em 3 volumes
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18 janeiro 2025
28 novembro 2024
06 junho 2024
Medeia (Eurípedes)
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03 dezembro 2023
O riso do riso - Roberto Damatta
O mito de origem do riso conta o seguinte: No começo do mundo, os homens não sabiam rir. Mas o Diabo enviou o riso para o mundo e apareceu aos homens com a máscara da alegria. Eles o acolheram com agrado, rindo e gargalhando, é claro. Não passou muito tempo e o riso tirou a sua máscara alegre e começou a refletir sobre o mundo e os homens. Surgiu então a crueldade da sátira, intolerável para os poderosos.
*
Hitler e Goering, fundador da Gestapo, comandante da força aérea, viciado em morfina e ladrão de obras de arte, estão no topo de uma torre de rádio em Berlim onde avistam toda a cidade. Hitler diz que ele gostaria de fazer alguma coisa para colocar um riso nos tristes rostos dos berlinenses. Goering reflete por um instante e sugere: Por que você não pula?
Nota diabólica: essa anedota foi ouvida e quem a contou foi investigado, perseguido e detido por membros da SS. Acabou num campo de concentração. Todos riram, mas quem foi identificado como originador ou criador da piada morreu.
*
Seria interessante, conforme lembra meu aluno e amigo Alberto Junqueira, inventar uma piada capaz de matar de rir, como fez o grupo Monty Python, num esquete em 1969. No decorrer da chamada 2.ª Guerra (1939-1945), um humorista inglês inventou "a piada mais engraçada do mundo". Era uma anedota tão boa que, depois de ler sua criação, ela o matou de rir. A esposa, vendo-o imóvel com um papel na mão, leu a piada e sucumbiu. Abriu-se uma investigação e a Scotland Yard confirmou a letalidade do chiste. Mesmo tentando neutralizar a letalidade da anedota, todos os policiais que a leram, morreram de rir. Em guerra, o caso foi levado ao Departamento de Inteligência Militar (que Groucho Marx dizia ser uma contradição em termos) e matou muitos oficiais. Logo, a piada foi usada no campo de batalha. Os combatentes liam em voz alta a piada traduzida cientificamente para o alemão e eles riam até morrer. Nem Hitler e seus nazistas tentaram criar uma contrapiada igualmente mortal, mas produziram anedotas pífias. Quando, num interrogatório, um oficial inglês contou a piada, tanto o agente da Gestapo quanto o seu superior da SS morreram de rir. O serviço secreto alemão, cuja inteligência era - conforme afirmava um dos meus professores - inigualável, já que só quem era muito, mas muito inteligente falava essa língua de gênios musicais e filósofos, fez a sua piada. Transmitida, ela não fez ninguém rir. Com a explosão da paz, a piada letal foi finalmente enterrada num túmulo oficial como a "piada desconhecida". Era demasiadamente perigosa e, mesmo no futuro, poderia continuar matando as pessoas de rir.
Talvez seja o momento de revivê-la para que ela possa ser lida pelos que não acreditam que falam uma língua singular e têm hábitos e crenças surpreendentemente naturais para si, mas absurdas para outros. Sem a existência de língua, cultura e valores, ninguém morre de rir. Ou melhor, não há riso.
*
Corremos o risco de morrer de rir. Aliás, todas as vezes que rimos, morremos mais um pouco. Agora, rir de um delegado de polícia, de um general, de um governador, de um prefeitinho de merda, de um professor ou de qualquer pessoa importante, é um risco.
Quantas vezes, você leitor ou leitora, riu do seu pai? Aposto que você ri com mais facilidade da senhora sua mãe e da gostosa da sua irmã do que do seu pai e do seu irmão idiota, cujo sonho é ser campeão mundial de surfe. Da empregada, rimos a todo momento. Algumas são pagas para fazer parte das comédias do nosso cotidiano nacional pós-escravocrata e definitivamente anti-igualitário. Quando o Lula inventou um ministério quase do tamanho de uma pequena cidade, ele criou sem saber uma bela piada. Mas em vez de nos matar de rir, ela nos mata de vergonha.
*
Uma faceta importante da hipocrisia é não rir do pai, do padre, do rabino, do professor e dos medalhões em geral, mesmo quando eles dizem a coisa mais gozada do mundo ou produzem algo incompatível com seus papéis.
- Obrigado, meu filho, por você não ter rido de mim quando soltei aquele pum sem querer...
- Esquece pai. Ainda bem que só eu sei e eu lhe prometo guardar o segredo - papai peidou - para o resto da minha vida. Forever, repetiu sério em inglês - aquela língua que naquele tempo ainda dava alguma seriedade ao mundo.
- Brigado filho.
Não havia passado cinco minutos e o filho respeitoso já havia falado do episódio para todo mundo, acrescentando ao pum paternal detalhes e minúcias de gargalhar.
*
- Você topa jantar comigo hoje à noite? Perguntou Fabio pela quinta vez, torcendo as mãos suadas.
Marilena que estava lendo um jornal, focada na chamada crise hídrica, a mais nova do nosso amado Brasil, que caminha a passos de Pantagruel para Crise Perfeita, jogou-o no banco. Em seguida, olhou para a cara assustada de Fabio e disse sorrindo, com o pensamento na declaração do ministro de Minas e Energia:
- Suas chances são iguais às do racionamento de eletricidade: 17%!
- Maravilha! Respondeu um exultante Fabio que, como todos os ministros e governadores, sabia que o melhor era transformar os 17 em 100%.
FONTE: Estadão
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Roberto Damatta
29 julho 2013
William Blake - A Europa apoiada pelos Africanos, Americanos e Asiáticos
William Blake - Europe Supported By Africa and America 1796
Mircea Cantor - Europe Supported by Africa and Asia after William Blake (2009)
O mito das três raças trata-se de uma noção desenvolvida tanto no senso comum quanto em obras de autores como Darcy Ribeiro que afirma que a cultura e sociedade brasileiras foram constituídas através de influências culturais de três raças: a européia (i.e. portuguesa), a africana e a indígena.
Isto é considerado um "mito" por críticos a esse tipo de pensamento por diversos fatores, entre eles:
- esta idéia de certa maneira minimiza a violência da dominação colonialista exercida pelos portugueses nos povos ameríndios e africanos, colocando a situação de colonização como um relativo equilíbrio de três forças, quando de fato há um desequilíbrio claro e extremo.
- há um ataque à idéia de raça enquanto fator definidor de cultura. Há quem diga que raça não existe, aliás.
- mesmo falar de "três culturas" - e mesmo de "três culturas em desequilíbrio" - seria problemático por que é incorreto considerar os indígenas brasileiros e os povos africanos escravizados como uma coisa só: o que é homogeneizado na visão européia na realidade são milhares de grupos diferentes cada um com seus costumes etc.
Várias obras literárias reforçam a ideia do mito das três raças. Entre elas podemos citar Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre (relação entre negros e brancos) e O Guarani, de José de Alencar (relação entre índios e brancos). O documentário O Povo Brasileiro, dirigido por Darcy Ribeiro, é um exemplo de registro da ideia desse mito.
Apesar do mito das três raças tentar caracterizar a formação da sociedade brasileira, muitos de seus partidários não deixam de considerar que, embora haja no Brasil uma grande miscigenação, as diferentes raças brasileiras, no dia a dia, ainda convivem com uma realidade de preconceito. Chico Buarque, um dos colaboradores do documentário O Povo Brasileiro, fez a música A mão da limpeza, juntamente com Gilberto Gil para mostrar ao seu público que o racismo não tem sentido de ser utilizado.
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O mito das cinco raças
O mito das cinco raças esta presente na obra "Os trabalhos e os dias" do poeta Hesíodo, considerado o maior poeta grego, atrás apenas do grande Homero. Este mito fala da decadencia da humanidade, dividindo-a em cinco idades, cada qual sempre pior que sua antecessora.
Hesiodo denominou inicialmente apenas quatro raças que viveram em quatro periodos distintos. Cada raça representando um metal. Elas vão do metal mais nobre ate o menos valioso, sendo assim as quatro raças são:
Raça do ouro
I
Raça de prata
I
Raça de bronze
I
Raça de ferro
I
Raça de prata
I
Raça de bronze
I
Raça de ferro
A primeira raça, a do ouro, viveu no tempo em que o titã Cronos reinava. Naquela epoca a humanidade não conhecia dor, sofrimento ou velhice, quando chegava a hora de um mortal morrer sua partida era serena e calma. Estes homens não precisavam trabalham pois a terra sozinha ja lhes dava tudo que precisavam para seu sustento. Os tempos de ouro porem chegaram ao fim, os homens desta raça se tornaram daemons (demonios) embora a palavra tivesse um sentido bem diferente da qual conhecemos atualmente. Eles eram seres benevolos, espiritos que intercediam pelo bem da humanidade.
Apos o desaparecimento da raça do ouro se deu inicio a raça de prata, estes viviam por cém anos ate alcançar a flor da idade, mas depois disso pouco viviam e logo desciam ao reino de Hades. Eram justos entre si mas não faziam sacrificios aos deuses, não os construiam templos, nem os honraram e por isso esta raça também chegou ao seu fim.
A terceira raça era composta pelos homens de bronze, fortes e musculosos, viviam para as guerras, eram violentos e incontrolaveis. No fim acabaram destruindo a si mesmos, matando-se uns aos outros em suas crueis guerras.
A quarta raça era a de ferro, a nossa raça. Nela tanto o bem quanto o mal se mesclam, não a respeito entre as pessoas e a corrrupção e maldade andam de mãos dados com a caridade e o amor. Nesta raça os deuses não mais andam entre os homens, e assim Hesíodo explica o porque dos deuses não mais estarem presentes entre os homens na grecia antiga.
Ao terminar de classificar a humanidade nestas quatro raças o poeta percebeu que os hérois não se encaixavam em nenhuma delas e por isso criou uma quanta, a raça dos hérois. Localizada entre a idade do bronze e a do ferro. Era nesta gloriosa epoca em que os deuses se relacionavam com mortais gerando os semi-deuses, foi nela em que Hercules, Perseu, Teseu e tantos outros viveram. A raça dos hérois teve seu fim na guerra de Troia, sendo Aquiles e Odysseu os ultimos hérois.
Sendo assim a nova divisão das raças ficou:
Raça do ouro
I
Raça de prata
I
Raça de bronze
I
Raça dos hérois
I
Raça de ferro
I
Raça de prata
I
Raça de bronze
I
Raça dos hérois
I
Raça de ferro
O mito das cindo idades como ja dito mostra a decadencia da raça humana, esta que se iniciou a partir do momento em que Pandora abriu a caixa que prendia todos os espiritos maleficos que se espalharam pelo mundo e estão a atormentar a humanidade ate os dias atuais. Juntamente com estes espiritos a esperança também foi libertada, mas nem mesmo ela pode impedir nosso declinio ate a idade de ferro.
Fontes:
Mitologia grega Vol I - Junito de Souza Brandão
Os trabalhos e os dias - Hesíodo
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