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25 julho 2024

Guerra de gênero e negação da natureza humana

 



O texto lança um pouco de luz sobre a longa história de negação da natureza humana e confronta alguns dogmas dessa nossa estranha época na qual a questão do que é uma mulher se tornou uma provocação. Catarina Rochamonte para O Antagonista:


O tradicional jornal suíço Neue Zürcher Zeitung (NZZ) publicou uma matéria muito interessante, assinada pelo jornalista científico Reto U. Schneider, sobre a atual batalha de gênero, a qual, segundo o autor, teria começado com uma falsa suposição por parte das feministas.

O oportuno texto lança um pouco de luz sobre a longa história de negação da natureza humana e confronta alguns dogmas dessa nossa estranha época na qual “a questão do que é uma mulher se tornou uma provocação.”

O artigo nos remete aos idos de 1978, por ocasião de uma conferência do renomado entomólogo e biólogo norte-americano, Edward O. Wilson, conhecido por seu trabalho com ecologia, evolução e sociobiologia.

Conforme a narrativa do jornalista, no momento em que o pesquisador da Universidade de Harvard estava prestes a começar sua palestra, “uma dúzia de jovens subiram ao palco, derramaram uma jarra de água sobre sua cabeça e gritaram: ´Racista Wilson, você não pode se esconder”.

O estranho protesto tinha a ver com o fato de que Wilson estava atento em relação às novas teorias da biologia evolutiva que explicavam de forma plausível diferenças há muito observadas entre os sexos.

Na palestra intitulada “Humano: Da Sociobiologia à Sociologia”, o pesquisador sugeriu que olhássemos para os seres humanos “como se fôssemos zoólogos de outro planeta completando um catálogo de espécies sociais na Terra”.

Com isto, explica Schneider, “um debate de longa data sobre a natureza dos seres humanos e, portanto, também sobre a natureza dos homens e das mulheres atingiu o seu clímax”.

Embora à época não se duvidasse da relação entre os instintos, os impulsos e os reflexos que surgiram ao longo da evolução e o comportamento social dos animais, os seres humanos eram apartados dessa apreciação e as ciências sociais abordavam o comportamento humano como se não houvesse condicionantes biológicos a serem considerados.

“Foi amplamente aceito nas universidades que as pessoas nascem como uma tábula rasa e são moldadas exclusivamente pela educação e pelas experiências. Ao mesmo tempo, isso significava que homens e mulheres diferiam entre as pernas, mas não entre as orelhas. Todo comportamento típico de gênero seria resultado de influências sociais”, observa Reto U. Schneider.

Behaviorismo X psicologia evolucionista

O jornalista científico do NZZ explica que, quando Edward O. Wilson deu a sua palestra no Sheraton, a psicologia estava sob forte influência do behaviorismo, doutrina segundo a qual os seres humanos nascem como um conjunto de reflexos simples que se transformam em uma personalidade por meio da educação e de outras influências externas.


Essa parecia ser então uma linha de pesquisa sensata, principalmente ao se considerar os descalabros morais causados por teorias que atribuíram características inatas a grupos de pessoas.

“Esterilizações forçadas, escravatura e genocídio: os piores atos da humanidade foram justificados por uma suposta inferioridade hereditária de certas partes da sociedade. Foi, portanto, considerado repreensível considerar que os comportamentos típicos de grupo também poderiam ter raízes genéticas”, explica Schneider.

A despeito disso, a sociobiologia de Edward O. Wilson apresentava-se como uma linha de pesquisa distinta do behaviorismo, desbravando um campo de investigação que hoje é chamado de psicologia evolucionista e que se tornou um ramo frutífero da ciência.

A sociologia e o negacionismo biológico

Ocorre que a psicologia evolucionista parece ter sido solenemente ignorada nas ciências sociais. Isso guarda relação estreita com aquilo que hoje se chamada de ideologia de gênero:

“A tese do gênero exclusivamente construído socialmente só pode ser mantida se for introduzida uma exceção absurda para a nossa espécie, nomeadamente que, em contraste com todos os outros animais, a evolução humana parou no pescoço. É como dizer que os genes contêm o projeto do corpo, mas não o cérebro”, argumenta Schneider.

A hipótese do gênero como construção social pressupõe a negação de uma relação entre as diferentes anatomias dos sexos e as suas inclinações, o seu comportamento. Mas a psicologia evolutiva mostra que essa relação existe.

As mãos se desenvolveram ao longo da evolução para agarrar e os olhos para ver. Da mesma forma, o cérebro também desenvolveu adaptações que provaram ser benéficas para a nossa vida social, pois o cérebro não faz menos parte da biologia humana do que as mãos ou os olhos.

As diferenças entre os gêneros resultaram do fato de as mesmas adaptações não terem sido consideradas benéficas para os homens e para as mulheres.

Se, em média, os corpos masculino e feminino diferem em muitos aspectos, não é surpreendente ou inaceitável supor que o cérebro também funcione de modo distinto, afinal, o cérebro é uma parte do corpo.

Ser diferente não é ser inferior

As feministas, explica ainda o autor do referido artigo, tinham bons motivos para cortar pela raiz a ideia das diferenças entre os cérebros dos homens e das mulheres, pois sempre que tais diferenças foram postuladas no passado, elas o foram em detrimento das mulheres.

“Os homens têm naturalmente mais força do que as mulheres, logo, devem dominá-las”. Isso é uma falácia naturalista. Falácia naturalista é a tendência que muitas pessoas têm de derivar da natureza o que é bom e moralmente correto.

Foi com essa falácia que os homens tentaram durante muito tempo impedir a igualdade das mulheres. A melhor forma de se contrapor a ela não é negando o fato de que os homens são mais fortes, mas negando a consequência ética equivocada que se tenta tirar desse fato.

As mulheres, de fato, foram julgadas intelectualmente inferiores, além de dependentes, passivas, instáveis, etc. Isso as manteve injustamente afastadas, por muito tempo, do estudo acadêmico, da política e de muitas atividades profissionais nas quais se provaram posteriormente muito competentes.

A socióloga francesa Christine Delphy argumentou corretamente quando afirmou que “até agora, a diferença física serviu apenas como pretexto para o exercício do poder de um sexo sobre o outro”, mas ela forçou a barra e saiu da descrição factual para o ativismo político quando complementou que a consequência disso era que a “destruição das diferenças de gênero equivale à destruição da hierarquia”.

Feminismo e negação das diferenças de gênero

A rejeição feminista de qualquer influência biológica no comportamento de gênero foi radical e intransigente.

“Para separar o corpo dos papéis de gênero, as pessoas começaram a falar sobre sexo biológico (sexo) e sexo social (gênero). À primeira vista, isto tornou a discussão mais fácil porque o gênero, ou seja, o gênero social, tinha agora sido retirado linguisticamente da biologia. Mas a nova classificação tinha um problema óbvio: o gênero social, que também incluía comportamento, pensamento e sentimentos, está intimamente ligado ao cérebro”, escreve Reto U. Schneider.

A escritora francesa Simone de Beauvoir já havia dito em 1949: “Você não nasce mulher, você se torna mulher”. Ou seja, para a companheira de Jean Paul Sartre, o conceito “mulher” seria carente de essência, artificial, sempre definido pelo seu opressor: o homem e, portanto, socialmente construído.

A distinção que Beauvoir estabelece entre sexo (dado natural) e gênero (construção social), negando relevância à determinação que o primeiro impõe sobre o segundo é, sem dúvida, prelúdio da visão de mundo radical e absurda que se convencionou chamar de ideologia de gênero, segundo a qual o dado natural pode ser ignorado e negado em favor do sentimento, do desejo, da vontade do homem que quer se construir socialmente como mulher ou vice-versa, a despeito das determinações que a biologia lhes impõe.

Embora não se possa culpar a escritora pelo uso posterior que se fez da sua famosa frase, convém notar que ao existencialismo ateu – pano de fundo filosófico de toda sua obra – é inerente esse risco de abolir qualquer consciência de determinação natural do ser humano.

Reto U. Schneider aponta que a frase de Beauvoir foi constantemente repetida de diversas formas na revista feminista “Emma”, fundada em 1977, cuja fundadora e editora-chefe Alice Schwarzer escreveu em 1984: “A base da minha consciência feminista continua sendo a compreensão de que ‘masculinidade’ e ‘feminilidade’ não são inatas, mas sim adquiridas.”

O articulista explica que essa visão se estendia a todas as características psicológicas e cognitivas, incluindo a vida amorosa. Ele cita outra frase da editora-chefe da revista Emma: “A sexualidade não é algo inato, não é da natureza, mas da cultura.”

Segundo as feministas, portanto, diferenças inatas não existem. O negacionismo foi tão longe ao ponto de Alice Schwarzer escrever sobre a superioridade física “instilada” nos homens.

As diferenças de gênero foram consideradas uma ameaça pelas feministas. Antes mesmo de qualquer resultado, a própria investigação das diferenças proposta pela sociobiologia foi considerada um tabu e a disciplina passou a ser vista como um “instrumento de propaganda das forças políticas conservadoras e reacionárias” , conforme se lê na revista feminista Emma

A despeito da ideologia das feministas da década de 70 e da atual militância woke, a afirmação de que a sexualidade não é algo inato é uma afirmação absurda do ponto de vista biológico.

Comportamentos típicos de gênero

O jornalista suíço prossegue o seu artigo elencando alguns estudos que mostram a existência de comportamentos típicos de gênero. Citarei apenas alguns, a título de curiosidade.

Óbvio que a influência mútua entre fatores sociais e biológicos é um pressuposto incontornável. Isso, porém, não torna ocioso o exame dos fatores biológicos. Outra obviedade é que toda regra tem exceção. Por exemplo, constatar que homens são, via de regra, mais forte e mais alto que as mulheres, não significa que não haja determinadas mulheres mais fortes e mais altas que determinados homens. Isso também vale para tipos de comportamentos.

Dito isso, sigamos com a apresentação de algumas diferenças comportamentais típicas de gênero:

1 – Homens são mais violentos

Tanto quanto se sabe pela história, os homens foram mais violentos do que as mulheres em todos os tempos e em todos os lugares. O tamanho do corpo seria, segundo e explicação de Schneider, um dos principais indícios de que essa diferença tem raízes biológicas. “Em média, os homens são mais altos e mais fortes que as mulheres. É difícil explicar esta diferença na estrutura corporal sem assumir que a luta desempenhou um papel importante na história evolutiva do homem”. O corpo mais forte seria, por assim dizer, o comportamento violento encarnado.

A explicação biológica de determinados comportamentos não implica determinismo. Ninguém está indefeso à mercê de seus genes. O ser humano é dotado de consciência e liberdade e, como já foi dito, a cultura, o sistema político, a riqueza material, ou seja, os fatores sociais também influenciam o nosso comportamento. Mas a influência da biologia permanece.

2 – Homens querem mais sexo do que as mulheres

Segundo Schneider, “todos os estereótipos desprezíveis sobre homens e sexo parecem ser estatisticamente verdadeiros.” Eles “querem mais sexo com mais mulheres, masturbam-se com mais frequência, pensam em sexo com mais frequência, têm mais casos e consomem mais pornografia”

Por mais que isso não soe bem, importa notar que reconhecer diferenças de gênero não é o mesmo que tirar conclusões sobre os indivíduos com base nas características gerais reais ou supostas: “É um princípio das democracias liberais que cada pessoa tem o direito de ser vista e tratada como um indivíduo – especialmente se não corresponder à maioria em determinadas características”.

Mas qual seria a explicação biológica para essa diferença do comportamento sexual entre homens e mulheres? O investimento diferenciado dos sexos na reprodução:

“Para os homens, em casos extremos, são cinco minutos de sexo e uma colher de chá de esperma. Para as mulheres, porém, um óvulo precioso, nove meses de gravidez, um parto perigoso e um bebê que precisa ser amamentado por muito tempo.

Isto significa que os homens seriam capazes de aumentar o número de filhos se os seus cérebros estivessem equipados com tendências que o levassem a fazer muito sexo com muitas mulheres. As mulheres, por outro lado, não podiam aumentar o seu número de filhos com muito sexo; só podiam dar à luz um filho a cada nove meses”.

A permanência da diferença de desejo sexual sugere que não se trata de algo que possa ser eliminado socialmente, embora possa e deva ser algo trabalhado de modo a não prejudicar as mulheres, animalizar os homens e conduzir a catástrofes domésticas.

O cérebro, masculino e feminino, sofreu uma série de adaptações durante a nossa filogenia: “a forma como agimos é, em última análise, o resultado de debates confusos entre estes impulsos biológicos, por vezes conflitantes, e as experiências que acumulamos”.

O gênero não é uma construção social

O gênero não é uma construção social. Se as diferenças de gênero se devessem apenas a influências sociais, elas diminuiriam à medida que a igualdade aumenta num país, mas pesquisas recentes mostram que não é isso que está acontecendo.

Schneider cita um estudo que mostra, por exemplo, que com o aumento da igualdade, as mulheres não têm maior probabilidade de seguir uma carreira técnica ou científica, mas menos probabilidade, apesar dos cursos de robótica e das aulas de aritmética para mulheres:

“Na Finlândia, um dos países mais progressistas do mundo, de acordo com o Índice Global de Disparidades de Gênero, pouco mais de vinte por cento das mulheres escolhem uma carreira relacionada com a tecnologia ou a ciência”.

Isso nos leva a outra diferença estável de gênero: homens são mais interessados em coisas e mulheres mais interessadas em pessoas. Aliás, a filósofa e santa Edith Stein, já havia explicado isso de maneira primorosa:

“A atitude da mulher tem em vista o pessoal-vivente e visa o todo. Cuidar, velar, conservar, alimentar e promover o crescimento: esse é seu desejo natural, genuinamente maternal. O inanimado, a coisa lhe interessa, precipuamente, na medida em que está a serviço do pessoal-vivente: menos em si mesma”, escreveu Stein no seu livro A mulher, sua missão segundo a natureza e a graça.

Um homem ou uma mulher comum

A constatação de que a evolução fez coisas diferentes nos cérebros das mulheres e nos cérebros dos homens é importante para que os sexos opostos se compreendam, se respeitem e se complementem.

Infelizmente os jovens não estão sendo educados para entenderem essas diferenças, mas para renegá-las.

Cada pessoa deve ter liberdade para expressar seu gênero de uma forma individual e única, mas “os jovens também deveriam aprender que, para a maioria das pessoas, a identidade sexual está intimamente ligada ao sexo biológico. E devem estar preparados para as diferenças evolutivas quando encontrarem o sexo oposto como um homem ou uma mulher comum”.

10 maio 2024

Café Filosófico: Desejo sexual masculino e feminino









Ao longo da vida, conforme passam por diferentes experiências, homens e mulheres vão construindo um repertório sexual próprio, e a forma como o seu desejo se manifesta em cada fase vai mudando. A ideia de que o desejo não funciona da mesma forma para homens e mulheres parece já aceita, mas ainda há desafios na busca por uma vida sexual satisfatória tanto para elas quanto para eles. Neste Café Filosófico, a médica psiquiatra Carmita Abdo e o médico urologista João Afif Abdo falam sobre as nuances do desejo sexual masculino e feminino e as dificuldades mais comuns que homens e mulheres enfrentam. Gravado nos dias 21 e 28 de junho de 2013.


10 abril 2024

O Divórcio foi o tiro fatal do feminismo

 

“Quando um divórcio passa a ser apenas questão de tempo é sinal de que a sociedade está gravemente doente.”

Sim, o divórcio é a escravidão de nosso ego e nossos vícios se travestindo de liberdade!

Zé do Posto22/08/2021
10 min


Texto original escrito em 19/09/2017, revisado e atualizado em 22/08/2021:




Este texto não é uma verdade absoluta, apenas tem a finalidade momentânea de questionar a mutação social gradual e o uso do Deus Mercado para fins progressistas, o que mostra que o Capitalismo é apenas um sistema econômico e não uma bandeira política, tanto que até o mais vermelho dos esquerdistas (como Xi Jinping) parou de combatê-lo de fato.


Antes de discutirmos "divórcio", temos que discutir o que é Casamento. A instituição do casamento formal remonta do Direito Romano, do conceito de Pater Familias, onde cada família se regia com poderes de autoridade política e se estendiam para além dos laços sanguíneos daquele clã. Através da instituição do casamento os nomes e propriedades das famílias eram perpetuados e, na antiguidade, o poder familiar era muito grande sendo o casamento a oportunidade de firmar alianças entre clãs, buscando pouco a pouco uma hegemonia de poder.


Vamos nos ater ao "casamento cristão", já que a nossa civilização é essencialmente Cristã, mesmo pessoas que não são religiosas ou cristãs vivem sob o padrão civilizacional do Cristianismo.


Sob essa perspectiva, o casamento é um sacramento, uma união espiritual entre filhos de Deus para constituir família à luz do evangelho. Na Idade Média, a Igreja institucionalizou o matrimônio, inseriu Cristo na família e lhe deu a bênção nupcial, valorizando também a condição feminina - o que podemos ver na etimologia de "Matrimônio" (que vem de mãe, matriarcado).


"A constituição de uma família - da idade média à pré-modernidade - era o principal objetivo dos indivíduos, por diversos motivos, desde a manutenção de patrimônio e poder até a realização do amor romântico.”



Até meados da década de 70 era muito comum que as famílias se organizassem, impreterivelmente, com a mulher em casa cuidando do lar e da prole e o homem trabalhando para prover materialmente a família, tarefas delineadas rigorosamente e com o amor e a parceria como amálgama.


À mulher cabe a diplomacia e a serenidade para administrar os conflitos do cotidiano e manter a família sob seu julgo moral, sob sua supervisão e autoridade, em decorrência disso o poder da “mãe” é tão influente, inclusive em querelas judiciais pela guarda dos filhos. Ao homem cabe a proteção e a segurança exercendo, portanto, o papel de autoridade máxima da unidade familiar, o papel do "pai". Um homem alijado de sua masculinidade - seja desprestigiado pela esposa, destituído de poder material ou desonrado perante a sociedade - é uma autoridade fraca e aquela família estará em iminente ameaça.


A família em harmonia é aquela onde ambos se completam e sua presença constante garante à instituição familiar um sólido alicerce contra quaisquer ataques subversivos ou influências perniciosas do ambiente externo. Por isso há a necessidade de que os pensamentos e objetivos dos nubentes sejam os mesmos, algo muito complicado de se conseguir num presente onde o individualismo é tão exaltado.


A partir do final da década de 80 e início da década de 90, quando o divórcio – até então tratado como um tabu – passou a ser introduzido pouco a pouco na vida cotidiana, este papel firmemente delineado passou a se distorcer até ruir por completo.


"O divórcio é o resultado de conflitos que surgem quando o casal toma rumos individuais de pensamento e objetivos e passam a medir forças entre si, muito em razão da cultura onde estão imersos."


Pouco a pouco deixou de ser um tabu se tornando banal e, por conseguinte, banalizando a instituição do casamento em seu âmago. Ora, casar-se, até então, era uma decisão delicada que implicava em assumir um compromisso sério para o resto da vida, as pessoas costumavam ser bastante cautelosas em relação a isso. Os matrimônios eram precedidos de longos anos de namoro e noivado e, ainda assim, nada era garantia de sucesso.

E foi superestimando essa incerteza que as nossas queridas feminazistas conseguiram emplacar o divórcio e pulverizar o matrimônio, sempre com um discurso eivado de desfaçatez e sofisma, prometendo mundos e fundos mas entregando também uma dívida salgada.

Os direitos da mulher em um processo de separação são bastante generosos, justiça seja feita, pela sua primazia na guarda dos filhos. Ocorre que o homem não pode trabalhar para simplesmente dar todo o seu salário em pensão alimentícia, isso iria ferir de morte o princípio da razoabilidade, pois ele renunciaria o fruto de seu trabalho em prol de terceiros, razão pela qual o legislador estabeleceu um teto para a quantia a ser paga, normalmente 1/3 dos vencimentos.

Agora, sejamos sinceros: qual a possibilidade de uma pessoa sustentar uma casa com 1/3 do valor que outrora recebia integralmente? Nenhuma, isto é óbvio! E qual foi a solução? O Mercado de Trabalho, é claro!

Até então a inserção da mulher no mercado de trabalho era muito mais tímida e restrita às áreas estereotipadas como escolas primárias, serviço social e algumas poucas áreas profissionais liberais, e normalmente abandonavam a carreira quando se casavam para dedicarem-se ao outrora nobre papel de esposa, poucas continuavam trabalhando, normalmente quando eram muito pobres e tinham que ajudar a manter a casa.

Quando o nicho que lhes ofertava trabalho ficou saturado, elas se viram obrigadas a buscar qualificação e competir com homens em outras áreas, e é ai que vem a parte mais espinhosa deste texto: ESTA FOI A PIOR COISA QUE PODERIA TER ACONTECIDO.





Calma, feminazis e manginas! Antes de me chamarem de misógino, maxxxista, faxxxista e taxxxista, tenham a decência de ler todo o texto e pensarem com o pouco de massa encefálica que vos resta. Lembrem-se de que se prosseguiram até aqui foi porque leram a nota que escrevi no início do texto.


Vamos explicar porque o ingresso artificial da mulher no mercado de trabalho foi uma coisa péssima, sem passionalidade, apenas com racionalidade.

1. Aumento absurdo e abrupto na oferta de mão de obra


Lembro-me que teci uma crítica bem forte à Reforma Trabalhista do Vampirão Temer, especialmente por conta da nova lei de imigração.Havia dito que flexibilizar as relações de trabalho com uma iminente oferta de mão de obra oriunda de países miseráveis – pessoas que aceitariam quaisquer cláusulas absurdas em um contrato de trabalho pois estavam fugindo de uma situação de miséria – era uma receita certa para a desgraça.


Em uma escala parecida isso aconteceu quando os divórcios se multiplicaram e só não resultou em uma explosão de desemprego porque o Brasil estava com a economia em ascensão pela abertura do mercado e a estabilização da hiperinflação. Ainda assim o número de postulantes ao mercado é infinitamente superior ao número de vagas, o que implica num poder de barganha descomunal do empregador e na redução média de salários, agravadas por um ônus que originalmente não era das mulheres: o de prover a família.


Em países ricos isso não foi um problema porque a economia acompanhou esse crescimento. Muitas pessoas enxergaram uma oportunidade de abrir seus negócios e, ao invés da economia implodir, ela cresceu de maneira formidável.

2. Dupla jornada


Toda mulher reclama disso, sejam as conservadoras ou até mesmo as feminazis. O que foi conquistado não é uma mera “ocupação do espaço masculino” e sim um acúmulo desse ônus com as atribuições de uma mãe de família. O homem executivo continua sendo o que era antes, já a mulher executiva não deixou de ser a mãe das crianças para se dedicar exclusivamente à carreira, chega em casa e precisa dar atenção aos filhos no pouco tempo que tem, atenção esta que é exigida pelos filhos e quase que exclusivamente à mãe, justamente por sua condição de mãe.


No que isso tudo implica? Desde uma maior oneração da Previdência Social - uma vez que as mulheres tendem a se afastarem muito mais do que os homens, especialmente por gravidez e doenças com os filhos nos primeiros anos de vida – até na procrastinação e, em alguns casos mais extremos, desistência de ter filhos, sendo estes preteridos pela carreira.


O resultado disso vemos em duas partes do globo: no Brasil a Previdência incha e – aliados aos inúmeros calotes de grandes empresas e roubos do governo – quebra, dando a desculpa perfeita para uma reforma que manterá o mesmo esquema de pirâmide e forçará as pessoas a trabalharem mais ainda. Já na Europa, a população nativa diminui vertiginosamente, cumprindo assim a agenda do Clube de Roma para reduzir a população do planeta.

3 . Amplificação da Hipergamia


Embora o fato da mulher assumir uma posição carreirista não ser o principal insumo da hipergamia – esse posto ainda pertence às Redes Sociais – o fato da mulher estar em um ambiente de competição com homens inibe a essência colaborativa da mulher em suas funções tradicionais e é muito comum que essa competição seja levada também ao lar, passando ela a enfrentar o marido por não ter mais a mesma admiração de outrora por ele, tudo isso graças a inflação dos padrões de “alfa” e “beta” dela, que passa a ter nota de corte superior, já que ela tem contato com homens de maior projeção social e elas mesmas podem obter esse poder (quem conhece a natureza da mulher sabe que isso é uma conta que não fecha).

4. Terceirização do pátrio poder


Eis que finalmente chegamos no ponto mais diabólico das consequências desse novo arranjo familiar: a terceirização do papel de pai e mãe.


Aqui foi dado o tiro de misericórdia na família cristã, uma vez que com os pais preocupados demais em trabalhar para ganhar dinheiro tendem a transferir o mister de educar os filhos para as escolas e outros agentes sociais. E o Estado se molda de maneira a permitir esse avanço inexoravelmente, haja vista que as escolas de tempo integral são metas do Plano Nacional de Educação além de todos os acadêmicos da pedagogia corroborarem com pensamento daquele velho asqueroso chamado Paulo Fezes, que outorga ao professor um papel muito maior daquilo que lhe é cabido.


Por mais que os docentes sejam doutrinados a doutrinar, é recorrente a reclamação de alguns que, em poucos minutos de lucidez, bradam pela omissão das famílias e do acúmulo de obrigações, apenas um dos muitos problemas da educação brasileira. O cerne é: quando os pais deixam de ser referência, alguém será: um professor, um YouTuber, um funkeiro ou qualquer um que lhe capture a atenção.


E tudo começou com a simples e inocente inserção do tema divórcio numa trama paralela de um personagem pequeno na novela da Rede Goebbels, que logo tornou a ser abordado em outra novela com um personagem maior, depois foi tema de programas jornalísticos e, em meio ao preconceito superestimado, o politicamente correto se encarregou de incutir na mente das pessoas que aquilo era “fruto da modernidade”, taxando de “troglodita” todos aqueles que a ele se opusessem.





Assim também foi com a promiscuidade, a gravidez na adolescência e hoje se repete com essa repulsiva propaganda homossexual divulgada na mídia, tudo acontecendo de forma lenta e gradual, rumo a um caminho sem volta, tal qual Gramsci apregoava em seus cadernos do cárcere.


E por que é impossível reverter tudo isso? Aqui temos um casamento indissociável entre o politicamente correto e o liberalismo: mesmo que uma mulher deseje abandonar a carreira para se tornar uma dona de casa ela somente conseguiria se fosse rica o bastante para continuar terceirizando o pátrio poder (por meio de babás, brinquedos caros etc), uma vez que é impossível manter o caro padrão de vida atual quando abdica de suas atividades remuneradas e, ainda que renuncie também a este alto padrão, seria trucidada pelas opiniões estigmatizadas e depreciativas em relação às donas de casa.


Algumas correntes apontam isso como uma espécie de “Feminismo de 5ª Onda”, onde o empoderamento é o de capturar a vida de dona de casa com o luxo de uma princesa e a proteção que o Estado lhe deu por meio de leis e de narrativas pró-mulher.


Sem contar a supersexualização da sociedade, o que dispensa a necessidade de compromisso para que pessoas tenham relações sexuais de maneira promíscua. O trágico resultado disso é que os relacionamentos se tornaram extremamente voláteis e materialistas, as decisões sobre casamento hoje estão bem inconsequentes e a essência dessa instituição está cada vez mais falida.


Tudo isso é apenas a metástase do câncer que se alastra nas relações interpessoais há décadas! Acho praticamente impossível reverter a situação deste ponto em que chegou, o feminismo venceu a guerra dos sexos.



09 abril 2024

O que é ser um homem?



Feministas, SJWs, MGTOWs, PUAs, Incels. Alfas, betas, gamas, sigmas.

Todos esses movimentos e siglas geram confusão e ofuscam algo que na verdade é um pouco mais simples.

Em primeiro lugar, esqueçamos esta classificação dos homens entre "alfas", "betas" e "gamas". Não porque tal diferenciação não exista em certo sentido, é claro que existem diferentes personalidades de homens, mas porque colocados desta forma falsamente hierárquica geram uma distorção.

De fato, podemos observar que o próprio nome "beta" faz parte de uma campanha de propaganda destinada a desvalorizar o homem comum monogâmico e elevar o "pegador". Tanto o feminismo quanto o masculinismo são culpados disto. 

Desde quando o valor de um homem está relacionado com o número de vaginas que pegou?

Casanova ficou famoso por pegar várias mulheres, mas seu legado intelectual é nulo.

Nikola Tesla era celibatário convicto, e contribuiu com grandes invenções (de fato, ele parece ter relacionado o celibato com a gestação de melhores ideias). 

É claro, a maioria dos homens não está nem em um nem em outro extremo. O mal chamado "beta" é apenas o homem médio, não necessariamente desejado pela maioria das mulheres, mas tampouco celibatário, e em última análise, a base da civilização.

Dito de outra maneira: alguém tem que consertar os canos furados e as goteiras e desentupir as privadas. E estes homens também precisam casar e se reproduzir. Por que, só por não serem saxofonistas musculosos, deveriam ser destinados a ser vítimas de "divorce-rape" ou virar "incels"?

A monogamia tradicional era um sistema que beneficiava os "betas" sobre os "alfas" e sobre as mulheres hipergâmicas. Agora que esse sistema está ruindo, o que acontecerá? 

Nem todos os homens podem ser "alfas" desejados por todas, assim como nem todas as mulheres são supermodelos desejadas por todos os homens. E daí?   

O que define um homem não são seus hábitos sexuais ou mesmo o interesse que despertam nas mulheres. Ser homem é, basicamente, fazer coisas.

A identidade da mulher está basicamente ligada com a sua aparência, com o jeito que ela é e age. São, nesse sentido, mais superficiais. Baste ver que redes como Instagram são principalmente femininas e se destinam a mulheres que gostam de se mostrar. Os temas de discussão e de interesse das mulheres são quase sempre: moda, aparência, relacionamentos.  

Já o homem tem uma gama bem mais variada de interesses e se mede por aquilo que realiza.

Observe que a maioria das atividades criativas são realizadas por homens. E não falo apenas das artes ou das ciências, muito embora homens sejam responsáveis por talvez 90% das mais importantes obras nestas áreas, mas de quase tudo.  

Quem é que se dedica seu tempo livre a produzir cerveja artesanal, a editar o conteúdo de sites como Wikipedia, a criar programas de computador, se não homens? Os "nerds" nesse sentido, mesmo rejeitados pelas mulheres, representam também um tipo de masculinidade típica. 

Homem que é homem não se importa com o que as mulheres pensam dele.

Homem que é homem é um criador.

Homem que é homem bebe uísque e cerveja e ocasionalmente vinho, não drinques multicores com nomes esquisitos.

Homem que é homem não tem como principal objetivo de vida o de foder com o maior número possível de vagabundas. 

Homem que é homem é responsável por sua esposa, sua família e pelos filhos que cria.

Homem que é homem é quem cria e mantém as civilizações.

Porém... O homem precisa da mulher. Ambos tem o seu destino e a sua necessidade, e portanto o movimento "MGTOW" tampouco é solução nenhuma.

O que é preciso é ignorar tanto o masculinismo e o feminismo, e voltar a uma sociedade mais ordenada, na qual um sexo não compete contra o outro, mas onde cada um tem o seu valor. 

Que tal?



MGTOWs, outro erro?




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