É importante preocuparmo-nos, nós que
escrevemos, embora esporadicamente, na intentio
lectoris (termo emprestado de Umberto Eco in "Os Limites da
Interpretação). Se o que você "quis dizer" não é entendido, não
haverá feedback1 e seu escrito foi vão - pelo menos para aquele
leitor.
O foco que observo, em especial, na leitura e interpretação da
Bíblia pelas linhas protestante (anglicanos, luteranos, presbiterianos),
evangélica (batistas, adventistas, congregacionais) e pentecostal
(asssembleianos, iurdianos) é o que o texto "diz" ou "quer
dizer", desprezando-se o leitor. Assim, um livro tão antigo, multiautoral
e diverso (história, poesia, romance, leis) necessita do auxílio de capazes
teólogos-hermeneutas que orientarão o leitor/ouvinte a entender aquele texto,
em especial no cuidado com o que seja literal e não literal (simbologia direta:
o Cordeiro, ou indireta: o deus que opera agora nos filhos da desobediência).
A liberdade de interpretação na leitura –
a par das confissões de fé e manuais de doutrina, estando os batistas na
vanguarda, embora não sem imperfeição, pois ainda usam o termo “doutrina” para se
referir a sua própria interpretação das Escrituras – é o grande avivamento
esperado desde a Reforma: o ser inteligente, leitor, submisso mentalmente à sua
consciência, moral e espiritualmente ao Livro Sagrado e ao Espírito de Deus,
esse ser lê a Escritura e dela tira ensinamentos para a sua vida.
Poderão haver abusos dessa leitura livre? Como
não! Mas as próprias igrejas oficiais não vêm abusando da interpretação durante
toda a sua história, em especial no impedimento do pleno envolvimento da mulher
no ensino, pastoreio e administração da res
ecclesiasticae?
Leitor livre, intérprete livre. Agora. Ou
precisaremos de uma nova reforma.
1 Feedback. Palavra emprestada do inglês que indica, na teoria da comunicação, um processo através do qual o emissor de uma mensagem obtém uma reação do receptor, o que lhe permite verificar a eficiência de sua
comunicação. (Dicionário
de Linguística de Sérgio Biagi Gregório).
