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12 março 2025

China restringe liberdade religiosa (14/06/1981)

 


Gerardo Mello Mourão,

de Pequim


Folha de S. Paulo, 14/06/1981



No momento em que o mundo democrático começa a abrir um crédito de confiança às balbuciantes aberturas de Pequim no sentido de melhorar o teor de liberdade do regime, o governo chinês volta, inopinadamente, aos insuportáveis tipos de intolerância religiosa dos tempos da Revolução Cultural, que os povos civilizados e os próprios chineses julgavam sepultada e revogada. É tão grosseira, tão insólita e tão irrazoável a nota data a público sexta-feira pela agência oficial "Xinhua", atribuída a um bispo da chamada "Associação Patriótica Católica Chinesa", contra a Santa Sé, que a melhor coisa que se pode fazer para não deixar mal o governo chinês, é supor que não lhe cabe responsabilidade por essa inepta e estapafúrdia declaração, que recoloca o problema da liberdade religiosa e da própria coexistência da China com os países civilizados no mesmo nível do terrível e vergonhoso período de trevas dos tempos de Lin Piao e do "Bando dos Quatro".


Há algumas semanas noticiou-se, como um acontecimento auspicioso para a própria respeitabilidade política da China, que o governo de Pequim autorizara a viagem de um venerando bispo chinês, monsenhor Dominique Deng, a Hong Kong, para tratamento de saúde. O bispo é um velho príncipe da Igreja, aureolado pelo martírio na defesa da fé e da liberdade religiosa. Era titular ordinário da Arquidiocese católica de Cantão, quando foi preso, nos anos cinquenta, por acusações semelhantes às que pesam contra outro eminente prelado da Igreja, o santo bispo de Xangai, monsenhor Gon Pin Mei, um octogenário, que apodrece no cárcere há cerca de trinta anos, em regime de incomunicabilidade, que foi torturado, publicamente humilhado, exposto à multidão em trajes menores, e condenado. Tudo isso sob o pretexto de que aconselhava os jovens de sua diocese a não se alistarem como voluntários na Guerra da Coreia, "contra os imperialistas norte-americanos". Apesar de tudo isso haver ocorrido nos dias do antigo regime, nos tempos compreensivelmente atribulados dos primeiros anos da Revolução quando os ânimos eram mais exacerbados e as coisas não haviam amadurecido, o martírio do prelado continua. Hoje a República Popular é aliada dos "bem-amados amigos americanos", e o bispo de Xangai devia mesmo ser considerado um precursor desse novo tipo de convivência com os imperialistas de ontem. Mas isto é outra história.


NA PRISÃO


A libertação do bispo de Cantão, dom Dominique Deng, em junho do ano passado, depois de 22 anos de cárcere, trouxe alguma esperança com vistas à restauração da liberdade religiosa, pelo menos no mesmo ritmo lento e gradual com que começa a ser permitido o exercício de outros direitos humanos na China, em modestas rações de permissividade. Vinte e dois anos de prisão num cárcere chinês, para um jovem, deve ser um teste espantoso de resistência física e psicológica. Era – supõe-se  uma prisão modelo. Nas celas de dois metros por dois metros e meio estão alojadas doze pessoas, e a cama é um estrado comum, sobre o qual durante a noite se estendem umas estreitas faixas de algodão "matelassé", de quarenta, talvez de trinta centímetros. Sobre cada uma delas é que dorme um prisioneiro, supondo-se que todas as celas tenham o conforto das que me foram exibidas como padrão. Durante o dia, os presos fazem o trabalho forçado em diversas oficinas, sob regime de rigoroso silêncio. Quando indaguei do diretor porque os presos não conversam entre si, referindo-me à repulsa de todos os mestres da moderna ciência penitenciária a esse tipo de condenação ao silêncio, o atencioso camarada me respondeu que eles não falam porque não querem, e porque estão conscientizados de seus deveres, sabendo que a conversa pode atrapalhar a eficiência do trabalho. E assim, Deus nos ajude. Mas isto é outra história.


O caso é que o bispo de Cantão foi solto, talvez para não morrer na cadeia. Estava com a saúde extremamente abalada. Ele mesmo diria a meu amigo Billy Sixton, correspondente do "Newsday", quando este perguntava por seus 22 anos de cárcere: "22 anos, 4 meses e 22 dias. Faço questão até desses dias, porque cada hora ali foi terrivelmente dura".


VISITA A ROMA


Uma vez libertado, dom Dominique Deng foi acolhido pelos sacerdotes e pelos fieis de sua antiga diocese, e restaurado por eles, embora arregimentados na chamada Associação Patriótica Católica Chinesa, em seu antigo sólio cantonês. As autoridades chinesas não criaram dificuldades, imaginando que o bispo se dobrara à nova situação, e se integrara, docilmente, na Igreja cismática criada pelo Estado. Foi até concedida uma licença especial a dom Dominique Deng para ir tratar-se em Hong Kong, onde os recursos hospitalares são mais efetivos do que na China. De Hong Kong, o bispo de Cantão, atendendo aos seus deveres canônicos, e ao convite pessoal do santo Padre, viajou a Roma, para a visita "ad vincula", a que são obrigados todos os ordinários diocesanos. No Vaticano, João Paulo segundo o recebeu com a emoção fraterna que se devia a um mártir da fé, e todos os jornais do mundo estamparam a fotografia histórica e comovedora da cena em que o bispo de Roma desceu do sólio para beijar a face do bispo de Cantão, marcada pela dor. As lágrimas do Papa molharam o rosto de seu irmão chinês, e o episódio histórico deste reencontro na Santa Sé reacendeu as esperanças do mundo na volta da liberdade religiosa à República Popular da China, até como um reflexo da humanização e democratização do sistema político, sob a direção de um dos estadistas mais lúcidos de nosso tempo, o sr. Deng Xiaoping. 


China ignora acordo com Vaticano e nomeia bispo alinhado ao Partido Comunista





07 março 2025

Joan Osborne - One Of Us




If God had a name, what would it be
And would you call it to His face
If you were faced with Him in all His glory
What would you ask if you had just one question

Yeah, yeah, God is great
Yeah, yeah, God is good
Yeah, yeah, yeah, yeah, yeah

What if God was one of us
Just a slob like one of us
Just a stranger on the bus
Trying to make His way home

If God had a face, what would it look like
And would you want to see
If seeing meant that you would have to believe
In things like Heaven and in Jesus and the Saints
And all the Prophets and...

Yeah, yeah, God is great
Yeah, yeah, God is good
Yeah, yeah, yeah, yeah, yeah

What if God was one of us
Just a slob like one of us
Just a stranger on the bus
Trying to make His way home

Tryin' to make His way home
Back up to Heaven all alone
Nobody callin' on the phone
'Cept for the Pope maybe in Rome

Yeah, yeah, God is great
Yeah, yeah, God is good
Yeah, yeah, yeah, yeah, yeah

What if God was one of us
Just a slob like one of us
Just a stranger on the bus
Trying to make His way home

Just tryin' to make his way home
Like a holy rolling stone
Back up to Heaven all alone
Just tryin' to make his way home
Nobody callin' on the phone
'Cept for the Pope maybe in Rome



Confissão de Fé Batista de 1689







 

Confissão de Fé de Westminster

 








Santo Inácio de Antioquia (Cartas)

 

DOWNLOAD


26 setembro 2024

Che Guevara diz que pratica fuzilamento na ONU - discurso de 1964





“Nós temos que dizer aqui o que é uma verdade conhecida, que temos expressado sempre diante do mundo: fuzilamentos, sim! Fuzilamos, estamos fuzilando e seguiremos fuzilando até que seja necessário. Nossa luta é uma luta até a morte. Nós sabemos qual seria o resultado de uma batalha perdida e os vermes também têm de saber qual é o resultado da batalha perdida hoje em Cuba. E vivemos nessas condições por imposição do imperialismo norte-americano. Isso, sim, mas assassinatos não cometemos, como comete neste momento a polícia política venezuelana que, creio, recebe o nome de Digepol se não estou mal informado. Essa polícia cometeu uma série de atos de barbárie, de fuzilamentos, ou melhor, de assassinatos, e depois atirou os cadáveres em alguns lugares (…)”



Do blog de Reinaldo Azevedo (VEJA, 17/03/2014 às 15:25)


Che Guevara: Anatomia de um psicopata




11 setembro 2024

O "CONCÍLIO DE ROMA" DE 382 E O DECRETO FANTASMA DE DÂMASO SOBRE O CÂNON BÍBLICO

 

Papa Dâmaso I


FONTE

O que foi exatamente o "Concílio de Roma" de 382 d.C.? E como é que ninguém ouviu falar dele antes do século XVIII?

O único registo que temos deste "Concílio" vem de um códice do século VIII, conhecido como códice de Ragyndrudis, que contém um manuscrito habitualmente intitulado como "Decretum Gelasianum". O texto completo está aqui: link.

- Os capítulos I e II são interessantes, listam as atas do suposto Concílio de Roma de 382, ​​junto com o cânon bíblico.

- Os capítulos III-V são menos pertinentes, listam alguns decretos do Papa Gelásio I (492-496). No entanto, também a credibilidade destes decretos é duvidosa, porque o texto menciona factos que ocorreram após 496 d.C., data da morte de Gelásio (ver abaixo).

Este documento é confiável?

Ao que tudo indica este documento é uma completa fraude, por quatro razões:

1) Não existe nenhuma consciência do "Decreto de Dâmaso" ao longo da história. Existem várias figuras históricas que não estão cientes deste Decreto sobre o cânon bíblico. Isso inclui Jerónimo, que naquela época estava a produzir a sua tradução da Bíblia em Latim, conhecida como Vulgata Latina. Jerónimo negou explicitamente a canonicidade dos livros apócrifos incluídos no suposto decreto de Dâmaso e introduziu juízos depreciativos sobre estes livros que ecoariam pelos séculos seguintes. Nenhum dos Padres Latinos (para não mencionar os Padres Gregos) demonstra qualquer conhecimento de um decreto sobre o Cânon das Escrituras; nunca o referenciam, ou mesmo sugerem estar cientes da sua existência. É também óbvio que os teólogos medievais até ao tempo do Cardeal Caetano no século XVI não têm ideia da sua existência, citando o cânon do AT como Martinho Lutero faria, e não como o "Papa Dâmaso do Concílio de Roma de 382" fez.

2) Não há nenhuma evidência do Concílio. Não há registo histórico na antiguidade de qualquer Concílio realizado em Roma no ano de 382! Tão simples quanto isso. Temos histórias eclesiásticas detalhadas da Antiguidade Tardia, com descrições de concílios, sínodos e procedimentos da igreja. Não há nenhum registo de um concílio realizado em Roma em todo o século IV, sob o Papa Dâmaso ou qualquer outro. No entanto, temos registos de concílios de cidades menos significativas, como Cartago, realizados nos séculos III, IV e V.

3) A era das falsificações. No período de 500-1000 d.C., sabe-se que o Papado se envolveu numa vasta gama de falsificações documentais, para provar que era a igreja suprema (na verdade a única) em todo o mundo, que o seu bispo era o Pastor Universal e que tinha direito de governar temporalmente e conquistar reinos mundanos como bem entendesse. A existência deste documento reforça o direito do Papado em todas estas reivindicações.

4) Evidência textual de falsificação. O próprio texto mostra sinais de falsificação. Uma das melhores análises críticas foi feita por F. C. Burkitt em 1913:

Burkitt observou que:

- O texto supostamente datado de 382, ​​contém uma citação de um livro de Santo Agostinho escrito em 416.

- A parte atribuída ao Papa Gelásio I (492-496) contém factos que ocorreram após 496.

- A existência e a data deste "Concílio de Roma" foi alegada pela primeira vez em 1794. Em outras palavras, uma falsificação criada pela primeira vez na Idade Média foi reutilizada uma segunda vez como evidência forjada, por um polemista romano do século XVIII.

Burkitt escreve:

«Todos os cinco capítulos pertencem à mesma obra original, que não é um decreto ou carta genuína de Dâmaso ou Gelásio, mas uma produção literária pseudónima da primeira metade do século VI (entre 519 e 553)»

https://www.tertullian.org/articles/burkitt_gelasianum.htm

Entretanto, na realidade paralela da apologética católica podem se ler coisas deste tipo:

O cânon das Escrituras, Antigo e Novo Testamento, foi fixado definitivamente no Concílio de Roma em 382, sob a autoridade do Papa Dâmaso I

Como se o bispo de Roma tivesse poder para impor às outras igrejas alguma coisa por decreto...



04 setembro 2024

Igreja de Covardes

Por Rodrigo Constantino | 01/07/2020







Como um cristão pode manter sua fé e seus rituais num mundo cada vez mais secularizado e materialista? Como um americano que professa a fé cristã é capaz de encarar o enorme preconceito vindo da elite cosmopolita? É possível se manter fiel a Jesus Cristo e seus ensinamentos nesse meio insalubre? Essas são as questões colocadas por Matt Walsh em seu primeiro livro, cujo título já mostra a que veio: Church of Cowards [Igreja de covardes]. Trata-se de um chamado de despertar para os cristãos complacentes.

Independentemente da crença ou não em Cristo, o livro é instigante para todo público, ainda que direcionado basicamente aos cristãos. Num mundo em que extremistas de esquerda chegam a pregar a derrubada de estátuas de Jesus por simbolizarem a “supremacia branca”, parece crucial entender o que está em jogo.

As palavras de Walsh são bem duras, um soco na cara daqueles que se dizem cristãos, mas não praticam nada dos ensinamentos de Cristo. Ele abre com uma provocação: alienígenas que desejassem destruir o legado cristão ficariam decepcionados de encontrar seus supostos representantes na América atual, fracos demais, autocentrados e efeminados. A matança nem valeria muito a pena, diz, pois não teria um rival à altura.

Frustrados, esses inimigos iriam embora sem esmagar o estilo cristão de vida, pois não encontrariam nada parecido. Eles descobririam que aquilo que pretendiam eliminar já está morto mesmo, restando somente uma carcaça em seu lugar. “Está claro que nós não vivemos mais numa nação cristã”, constata o autor, mesmo que algo como 70% da população professe ser cristã.

Walsh menciona os casos de perseguição a cristãos mundo afora, amplamente ignorados pela mídia e pelo próprio povo. Quase ninguém liga, mas esses são cristãos verdadeiros, dispostos a morrer pela Igreja, pela fé em Cristo. Só que tudo acontece longe demais para ser notado, tanto em geografia como em experiência. Do conforto da civilização ocidental, os supostos cristãos tomam como garantida a sobrevivência do cristianismo. E nada fazem contra a guerra promovida contra sua Igreja.

A perseguição a cristãos hoje é das maiores da história. Afeganistão, Somália, Sudão, Paquistão, Coreia do Norte, Líbia, Iraque, Iêmen, Irã, Egito: nestes e em tantos outros países os cristãos costumam ser presos, torturados, espancados, estuprados e mortos, além de impedidos de professar com liberdade sua fé. Suas igrejas são destruídas, e muitos precisam arriscar a vida para adorar a Deus em encontros secretos. Eles vivem em constante perigo.

Nada disso soa real para quem vive no conforto americano, tendo de enfrentar apenas idiotas que xingam os crentes. Para Walsh, não há exagero em afirmar que o cristão americano médio nunca abandonou uma só coisa importante por Cristo, mesmo que Ele tenha dito para largar tudo e segui-Lo, abraçar o sofrimento, carregar sua cruz. O cristão moderno, na tranquilidade americana, não parece tão disposto ao real sacrifício por sua fé.

Ao contrário desses casos mundo afora, porém, Walsh diz que ninguém está parando os cristãos americanos além deles próprios. Criam justificativas para não serem religiosos de fato, deixando-se consumir pelo conforto. Um guerreiro de Cristo que não se deixa intimidar, que não se conforma com a passividade, é uma “bomba nuclear” no arsenal divino. Infelizmente, constata o autor, há pouquíssimos com esse perfil no país.

Desta forma o trabalho dos perseguidores de Cristo fica bem facilitado. Basta deixar cada um ser arrogante e cheio de si, acomodado e acovardado, para que a Igreja vá desaparecendo gradualmente, sem luta. A receita tem sido bem-sucedida: “Não apele ao medo deles; apele para sua luxúria, sua preguiça, sua gula, sua vaidade, seu orgulho, seu tédio. E os veja caírem como moscas no fogo”.

A Igreja está morrendo de inanição, de dentro para fora. “O verdadeiro perigo que enfrentamos não é a perseguição cataclísmica e violenta, mas o lento abandono da Verdade. Foi o que aconteceu com a cristandade no Ocidente”. Apatia é a palavra que define melhor os crentes de hoje. Eles criaram uma bolha de autoengano e nela vão flutuando rumo ao Inferno. “O cristão moderno pensa que acreditar que ele é cristão é suficiente para torná-lo cristão”, lamenta Walsh.

Poucos questionam o quanto de fato a fé em Deus é relevante para suas vidas. A maioria mantém essa fé como uma espécie de utensílio esquecido no canto do quarto, uma raquete velha, um tipo de hobby a ser praticado de vez em quando. Falta coragem. A reverência ao sagrado foi retirada das igrejas, cada vez mais locais “agradáveis”, feitos para encontros sociais ou mensagens de autoajuda. Não há sequer mais o silêncio que força um encontro interior, a contemplação, mas sim barulho, muito barulho. “Nossa abordagem casual, falsa e egoísta da fé resultou em desastre”, fulmina Walsh.

Não é preciso ser cristão para apreciar a essência da mensagem do livro. Inseridos num ambiente extremamente secular e mesmo anticristão, o “default” é todos se tornarem mais ou menos seculares e materialistas. Se nem os cristãos forem capazes de remar contra essa maré, para enaltecer o sagrado frente ao profano, então nem há mais razão para temer os inimigos de fora: os valores cristãos, fundadores do Ocidente, já foram deixados de lado pelos próprios ocidentais.

“É fácil ser virtuoso em nosso mundo porque adotamos virtudes fáceis. Aplaudimos a nossa bondade, mas não custa nada ser ‘bom’ nos tempos modernos”, alfineta Walsh. Quando observamos tanta sinalização de virtude nas redes sociais, fica claro que ele tem um ponto. Mas para defender o Bom, o Belo e o Verdadeiro, é preciso muito mais do que isso, do que um “lacre” no Twitter. É preciso coragem, a virtude mais básica, e uma disposição pelo sacrifício em nome da Verdade, o que é algo bem raro. Isso soa incompatível com quem busca autoestima em vez de gratidão a Deus.

O narcisismo da era moderna é um grande aliado de Satã nessa batalha. Para amar Deus e lutar pela Igreja, Walsh entende que é crucial focar naquilo que é eterno, não no efêmero. Quantos estão dispostos a fazer essa escolha?


02 setembro 2024

Não Ponha um Ponto Final onde Deus pôs uma Vírgula - Shiva Ryu

 





Sinopse


Fenômeno de vendas na Coreia do Sul, este livro nos inspira a reconhecer o que é realmente importante, abrir o coração e desfrutar a beleza da vida. Contando histórias provocativas e poéticas, ele nos revela um mundo cheio de beleza e sabedoria, em que basta uma mudança de perspectiva para encontrarmos o caminho para a realização. Por vezes, a vida nos leva por um caminho que não estava em nossos planos, mas que é precisamente o que nosso coração anseia. Num primeiro momento, acreditamos que essas mudanças são obstáculos que a vida nos impõe, mas depois descobrimos que existe um plano por trás de tudo e que é possível extrair esperança e aprendizado até das situações mais difíceis. Entremeando situações de sua vida atribulada, parábolas de diversas tradições espirituais e histórias da literatura mundial, Shiva Ryu divide conosco suas experiências e percepções sobre a verdadeira grandeza da vida.





21 agosto 2024

SuperInteressante, Especial: Cabala







Cabala – Os Segredos do Misticismo Judaico

Primeiros passos

Todos os nomes da cabala

A um passo da eternidade

Por dentro do Zohar

Códigos Secretos


Safed, cidade sagrada

Sabedoria para todos

Em defesa da Cabala Pop

Em nome da tradição

Cabalistas em fuga

Rituais mágicos

O caminho das pedras

Os códigos escondidos na bíblia hebraica

Como funciona a Árvore da Vida


Porque as celebridades adoram a cabala




AQUIAQUI, AQUI

Islâmicos defendem casamento de adultos com crianças

Maomé consumou seu casamento
 com Aisha quando ela tinha 9 anos


O CII (Conselho da Ideologia Islâmica) do Paquistão defendeu o casamento de adultos com crianças ao decidir que as leis civis do país que proíbem esse tipo de união não são islâmicas. 



Ao final de uma reunião na semana passada, o CII comunicou que, de acordo com o Islã, não há idade mínima para o casamento. 


Acrescentou, contudo, que o rukhsati (a consumação do casamento, ou seja, o primeiro relacionamento sexual do casal) só é permitido quando marido e mulher atingirem a puberdade.

O CII é uma entidade constitucional que assessora o Legislativo, mas não tem prerrogativa de aprovar leis.

Pela legislação paquistanesa, a idade mínima para o casamento é de 18 anos para homens e de 16 para mulheres.

A manifestação do Conselho da Ideologia teve como base a vida conjugal de Maomé. O profeta teve 12 mulheres, e a sua preferida era Aisha, com quem se casou quando ela estava seis ou sete anos. O rukhsati ocorreu quando Aisha tinha 9 anos e ele, 50.

O Paquistão é uma república parlamentarista islâmica. Tem mais de 170 milhões de habitantes — mais de 95% deles são islâmicos.

Maulana Mohammad Khan Sheerani, presidente do CII, afirmou que a governo precisa mudar a lei do casamento para torná-la mais compatível com os fundamentos do islamismo, permitindo, inclusive, que o homem possa se casar com mais de uma mulher.
Paraíso islâmico



Fonte: Paulo Lopes

SERMÃO DA SEXAGÉSIMA - Padre Antonio Vieira



Jean Francois Millet "The sower" 



LUCAS 8

1 E aconteceu, depois disso, que andava em todas as cidades e vilas, pregando e anunciando as boas novas[1] do Reino de Deus; e os doze iam com ele,
2 e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios;
3 e Joana, mulher de Cuza, superintendente de Herodes, e Suzana, e muitas outras que ministravam-lhe com seus bens.
4 E, ajuntando-se uma grande multidão, e vindo ter com ele gente de todas as cidades, disse por parábolas[2]:
5 Um semeador[3] saiu a semear a sua semente[4],[5], e, quando semeava, caiu alguma junto do caminho e foi pisada, e as aves[6] do céu a comeram.
6 E outra caiu sobre a rocha e, nascida, secou-se, pois que não tinha umidade.
7 E outra caiu entre espinhos, e, crescendo com ela os espinhos, a sufocaram;
8 E outra caiu em boa terra e, nascida, produziu fruto, cento por um. Dizendo ele estas coisas, clamava: Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça.
9 E os seus discípulos o interrogaram, dizendo: Que parábola é esta?
10 E ele disse: A vós vos é dado conhecer os mistérios[7] do Reino de Deus, mas aos outros, por parábolas, para que, vendo, não vejam e, ouvindo, não entendam.
11 Esta é, pois, a parábola: a semente é a palavra de Deus;
12 e os que estão junto do caminho, estes são os que ouvem; depois, vem o Caluniador e tira-lhes do coração a palavra, para que não suceda que, crendo, sejam salvos.
13 e os que estão sobre a rocha, estes são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria, mas, como não têm raiz, apenas crêem por algum tempo e, no tempo da tentação, afastam-se;
14 e a que caiu entre espinhos, esses são os que ouviram, e, indo por diante, são sufocados com os cuidados, as riquezas[8] e os prazeres[9] da vida[10], e não dão fruto com perfeição;
15 e a que caiu em boa terra, esses são os que, ouvindo a palavra, a conservam num coração reto e bom e dão fruto com perseverança[11].





[1] Anunciando as boas novas. (Gr. εὐαγγελίζω). Daí, a origem da palavra “evangelizar”. Verbo formado por εὖ, advérbio que significa “bom”, “bem” + ἄγγελος, “mensagem”. Assim, a palavra significa literalmente “anunciar o bem”. Há 54 ocorrências no NT. Em Lucas, temos em Lc 1.19; 2.10; 3.18; 4.18,43; 7.22; 8.1; 9.6; 16.16; 20.1.
[2] Parábolas. (Gr. παραβολή). Há 50 ocorrências no NT. Em Lucas, temos em Lc 4.23; 5.36; 6.39; 8.4,9,10,11; 12.16,41; 13.6; 14.7; 15.3; 18.1,9; 19.11; 20.9,19; 21.29.
[3] Semeador. (Gr. σπείρω). Há 52 ocorrências no NT. Em Lc, temos em Lc 8.5(2x); 12.24; 19.21,22.
[4] Semente. (Gr. σπόρος). Há 6 ocorrências no NT: Mc 4.26,27; Lc 8.5,11; 2 Co 9.10(2x).
[5] Na Vulgata o versículo começa com “exiit qui semĭnat semināre semen suum”.
[6] Aves. (Gr. πετεινόν). Há 14 ocorrências no NT: Mt 6.26; 8.20; 13.4,32; Mc 4.4,32; Lc 8.5; 9.58; 12.24; 13.19; At 10.12; 11.6; Rm 1.23; Tg 3.7.
[7] Mistérios. (Gr. μυστήριον). Há 28 ocorrências no NT: Mt 13.11; Mc 4.11; Lc 8.10; Rm 11.25; 16.25; 1 Co 2.1,7; 4.1; 13.2; 14.2; 15.51; Ef 1.9; 3.3,4,9; 5.32; 6.19; Cl 1.26,27; 2.2; 4.3; 2 Ts 2.7; 1 Tm 3.9,16; Ap 10.7; 17.5,7.
[8] Riquezas. (Gr. πλοῦτος). Riqueza, fortuna, possessões, abundância de bens. Há 22 ocorrências no NT: Mt 13.22; Mc 4.19; Lc 8.14; Rm 2.4; 9.23; 11.12(2x),33; 2 Co 8.2; Ef 1.7,18; 2.7; 3.8,16; Fp 4.19; Cl 1.27; 2.2; 1 Tm 6.17; Hb 11.26; Tg 5.2; Ap 5.12; 18.17.
[9] Prazeres. (Gr. ἡδονή). Há 5 ocorrências no NT: Lc 8.14; Tt 3.3; Tg 4.1,3; 2Pe 2.13. Na LXX, duas ocorrências: Nm 11.8 (traduzindo ṭa‛am, sabor); Pv 17.1 (traduzindo shalvâh, tranqüilidade).
[10] Vida. (Gr. βίος). Vida, modo de viver, existência, patrimônio, bens. Há 10 ocorrências no NT: Mc 12.44 (bens); Lc 8.14(vida),43(bens); 15.12(bens),30(bens); 21.4(bens); 1 Tm 2.2(“vida”, num sinônimo com ζωή); 2 Tm 2.4 (idem a 1 Tm 2.2); 1 Jo 2.16(vida); 3.17(bens). Em Lc 15.12, pode-se traduzir βίος por “bens”. Veja ζωή – Lc 10.25, nota.
[11] Perseverança. (Gr. ὑπομονή). “pertinácia, constância, perseverança, firmeza, obstinação, persistência, teimosia, tenacidade”. Há 32 ocorrências no NT: Lc 8.15; 21.19; Rm 2.7; 5.3,4; 8.25; 15.4,5; 2 Co 1.6; 6.4; 12.12; Cl 1.11; 1 Ts 1.3; 2 Ts 1.4; 3.5; 1 Tm 6.11; 2 Tm 3.10; Tt 2.2; Hb 10.36; 12.1; Tg 1.3,4; 5.11; 2 Pe 1.6(2x); Ap 1.9; 2.2,3,19; 3.10; 13.10; 14.12. 


Sermão da Sexagésima Padre António Vieira
Pregado na Capela Real, no ano de 1655

Semen est verbum Dei. S. Lucas, VIII, 11.

I
E se quisesse Deus que este tão ilustre e tão numeroso auditório saísse hoje tão desenganado da pregação, como vem enganado com o pregador! Ouçamos o Evangelho, e ouçamo-lo todo, que todo é do caso que me levou e trouxe de tão longe.

Ecce exiit qui seminat, seminare. Diz Cristo que «saiu o pregador evangélico a semear» a palavra divina. Bem parece este texto dos livros de Deus. Não só faz menção do semear, mas também faz caso do sair: Exiit, porque no dia da messe hão-nos de medir a semeadura e hão-nos de contar os passos. O Mundo, aos que lavrais com ele, nem vos satisfaz o que dispendeis, nem vos paga o que andais. Deus não é assim. Para quem lavra com Deus até o sair é semear, porque também das passadas colhe fruto. Entre os semeadores do Evangelho há uns que saem a semear, há outros que semeiam sem sair. Os que saem a semear são os que vão pregar à Índia, à China, ao Japão; os que semeiam sem sair, são os que se contentam com pregar na Pátria. Todos terão sua razão, mas tudo tem sua conta. Aos que têm a seara em casa, pagar-lhes-ão a semeadura; aos que vão buscar a seara tão longe, hão-lhes de medir a semeadura e hão-lhes de contar os passos. Ah Dia do Juízo! Ah pregadores! Os de cá, achar-vos-eis com mais paço; os de lá, com mais passos: Exiit seminare.
Mas daqui mesmo vejo que notais (e me notais) que diz Cristo que o semeador do Evangelho saiu, porém não diz que tornou porque os pregadores evangélicos, os homens que professam pregar e: propagar a Fé, é bem que saiam, mas não é bem que tornem. Aqueles animais de Ezequiel que tiravam pelo carro triunfal da glória de Deus e significavam os pregadores do Evangelho que propriedades tinham? Nec revertebantur, cum ambularent: «Uma vez que iam, não tornavam». As rédeas por que se governavam era o ímpeto do espírito, como diz o mesmo texto: mas esse espírito tinha impulsos para os levar,não tinha regresso para os trazer; porque sair para tornar melhor é não sair. Assim arguis com muita razão, e eu também assim o digo. Mas pergunto: E se esse semeador evangélico, quando saiu, achasse o campo tomado; se se armassem contra ele os espinhos; se se levantassem contra ele as pedras, e se lhe fechassem os caminhos que havia de fazer? Todos estes contrários que digo e todas estas contradições experimentou o semeador do nosso Evangelho. Começou ele a semear (diz Cristo), mas com pouca ventura. «Uma parte do trigo caiu entre espinhos, e afogaram-no os espinhos»: Aliud cecidit inter spinas et simul exortae spinae suffocaverunt illud. Outra parte caiu sobre pedras, e secou-se nas pedras por falta de humidade»: Aliud cecidit super petram, et natum aruit, quia non habebat humorem. «Outra parte caiu no caminho, e pisaram-no os homens e comeram-no as aves»: Aliud cecidit secus viam, et conculcatum est, et volucres coeli comederunt illud. Ora vede como todas as criaturas do Mundo se armaram contra esta sementeira. Todas as criaturas quantas há no Mundo se reduzem a quatro géneros: criaturas racionais, como os homens; criaturas sensitivas, como os animais; criaturas vegetativas, como as plantas; criaturas insensíveis, como as pedras; e não há mais. Faltou alguma destas que se não armasse contra o semeador? Nenhuma. A natureza insensível o perseguiu nas pedras, a vegetativa nos espinhos, a sensitiva nas aves, a racional nos homens. E notai a desgraça do trigo, que onde só podia esperar razão, ali achou maior agravo. As pedras secaram-no, os espinhos afogaram-no, as aves comeram-no; e os homens? Pisaram-no: Conculcatum estAb hominibus (diz a Glossa).

Quando Cristo mandou pregar os Apóstolos pelo Mundo, disse-lhes desta maneira: Euntes in mundum universum, praedicate omni creaturae: «Ide, e pregai a toda a criatura». Como assim, Senhor?! Os animais não são criaturas?! As árvores não são criaturas?! As pedras não são criaturas?! Pois hão os Apóstolos de pregar às pedras?! Hão-de pregar aos troncos?! Hão-de pregar aos animais?! Sim, diz S. Gregório, depois de Santo Agostinho. Porque como os Apóstolos iam pregar a todas as nações do Mundo, muitas delas bárbaras e incultas, haviam de achar os homens degenerados em todas as espécies de criaturas: haviam de achar homens homens, haviam de achar homens brutos, haviam de achar homens troncos, haviam de achar homens pedras. E quando os pregadores evangélicos vão pregar ar a toda a criatura, que se armem contra eles todas as criaturas?! Grande desgraça!

Mas ainda a do semeador do nosso Evangelho não foi a maior. A maior é a que se tem experimentado na seara aonde eu fui, e para onde venho. Tudo o que aqui padeceu o trigo, padeceram lá os semeadores. Se bem advertirdes, houve aqui trigo mirrado, trigo afogado, trigo comido e trigo pisado. Trigo mirrado: Natum aruit, quia non habebat humorem; trigo afogado: Exortae spinae suffocaverunt illud; trigo comido: Volucres caeli comederunt illud; trigo pisado: Conculcutum est. Tudo isto padeceram os semeadores evangélicos da missão do Maranhão de doze anos a esta parte. Houve missionários afogados, porque uns se afogaram na boca do grande rio das Amazonas; houve missionários comidos, porque a outros comeram os bárbaros na ilha dos Aroãs; houve missionários mirrados, porque tais tornaram os da jornada dos Tocatins, mirrados da fome e da doença, onde tal houve, que andando vinte e dois dias perdido nas brenhas matou somente a sede com o orvalho que lambia das folhas. Vede se lhe quadra bem oNotum aruit, quia non habebant humorem! E que sobre mirrados, sobre afogados, sobre comidos, ainda se vejam pisados e perseguidos dos homens: Conculcatum est! Não me queixo nem o digo, Senhor, pelos semeadores; só pela seara o digo, só pela seara o sinto. Para os semeadores, isto são glórias: mirrados sim, mas por amor de vós mirrados; afogados sim, mas por amor de vós afogados; comidos sim, mas por amor de vós comidos; pisados e perseguidos sim, mas por amor de vós perseguidos e pisados.

Agora torna a minha pergunta: E que faria neste caso, ou que devia fazer o semeador evangélico, vendo tão mal logrados seus primeiros trabalhos? Deixaria a lavoura? Desistiria da sementeira? Ficar-se-ia ocioso no campo, só porque tinha lá ido? Parece que não. Mas se tornasse muito depressa a buscar alguns instrumentos com que alimpar a terra das pedras e dos espinhos, seria isto desistir? Seria isto tornar atrás? -- Não por certo. No mesmo texto de Ezequiel com que arguistes, temos a prova. Já vimos como dizia o texto, que aqueles animais da carroça de Deus, «quando iam não tornavam»: Nec revertebantur, cum ambularent. Lede agora dois versos mais abaixo, e vereis que diz o mesmo texto que «aqueles animais tornavam, e semelhança de um raio ou corisco»: Ibant et revertebantur in similitudinem fulgoris coruscantis. Pois se os animais iam e tornavam à semelhança de um raio, como diz o texto que quando iam não tornavam? Porque quem vai e volta como um raio, não torna. Ir e voltar como raio, não é tornar, é ir por diante. Assim o fez o semeador do nosso Evangelho. Não o desanimou nem a primeira nem a segunda nem a terceira perda; continuou por diante no semear, e foi com tanta felicidade, que nesta quarta e última parte do trigo se restauraram com vantagem as perdas do demais: nasceu, cresceu, espigou, amadureceu, colheu-se, mediu-se, achou-se que por um grão multiplicara cento: Et fecit fructum centuplum.

Oh que grandes esperanças me dá esta sementeira! Oh que grande exemplo me dá este semeador! Dá-me grandes esperanças a sementeira porque, ainda que se perderam os primeiros trabalhos, lograr-se-ão os últimos. Dá-me grande exemplo o semeador, porque, depois de perder a primeira, a segunda e a terceira parte do trigo, aproveitou a quarta e última, e colheu dela muito fruto. Já que se perderam as três partes da vida, já que uma parte da idade a levaram os espinhos, já que outra parte a levaram es pedras, já que outra parte a levaram os caminhos, e tantos caminhos, esta quarta e última parte, este último quartel da vida, porque se perderá também? Porque não dará fruto? Porque não terão também os anos o que tem o ano? O ano tem tempo para as flores e tempo para os frutos. Porque não terá também o seu Outono a vida? As flores, umas caem, outras secam, outras murcham, outras leva o vento; aquelas poucas que se pegam ao tronco e se convertem em fruto, só essas são as venturosas, só essas são as que aproveitam, só essas são as que sustentam o Mundo. Será bem que o Mundo morra à fome? Será bem que os últimos dias se passem em flores? -- Não será bem, nem Deus quer que seja, nem há-de ser. Eis aqui porque eu dizia ao princípio, que vindes enganados com o pregador. Mas para que possais ir desenganados com o sermão, tratarei nele uma matéria de grande peso e importância. Servirá como de prólogo aos sermões que vos hei-de pregar, e aos mais que ouvirdes esta Quaresma.




Fonte: Biblioteca Online de Ciências da Comunicação
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