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20 junho 2024

𝗗𝗶𝗲𝗱 𝗦𝘂𝗱𝗱𝗲𝗻𝗹𝘆 (2022)

 




BITCHUTE

MEGA



Died Suddenly é um filme de 2022 sobre a vacina contra a Covid-19 produzido pelo teórico da conspiração de extrema direita Stew Peters. Ele promove a teoria infundada de que as vacinas contra a Covid-19 estão fazendo com que indivíduos saudáveis ​​desenvolvam coágulos sanguíneos mortais, sugerindo que isso é prova de que as "elites globais" estão usando as vacinas contra a Covid-19 para despovoar o planeta como parte de uma conspiração mais ampla para estabelecer um regime global totalitário.


16 maio 2023

Quantos morreram por causa de vacina da AstraZeneca contra a Covid?

 

O número de processos abertos na justiça na Grã-Bretanha dá um retrato: são dezenove por morte e 364 por sequelas graves. Vilma Gryzinski:

A questão é tão politicamente explosiva que todas as respostas podem induzir a erro. A turma que ficou contra a vacina fala, nos Estados Unidos, em muitos milhares e até milhões de mortes. Do lado oposto, um site médico sustenta que, com 270 milhões de americanos vacinados, houve apenas três mortes – uma hipótese improvável que tornaria as vacinas contra a Covid-19 as mais seguras da história.

Talvez um dos indicadores esteja na Grã-Bretanha, onde foi maciça a vacinação com a fórmula desenvolvida pioneiramente pela universidade de Oxford em colaboração com o laboratório anglo-sueco AstraZeneca: o número de processos de famílias que pedem indenização por parentes que morreram ou sofreram sequelas graves e cujos casos foram admitidos pela justiça. São dezenove no primeiro caso e 364 no segundo.

É um número muito baixo, considerando-se que a vacinação cortou radicalmente os índices de letalidade e permitiu a reabertura do país, diminuindo assim as terríveis consequências para outros tratamentos de saúde e os prejuízos materiais e emocionais sofridos por famílias sem contato, crianças sem aula, empresas sem atividade e enorme distribuição de dinheiro feita pelo governo para evitar a derrocada geral, mas que agora se reflete em inflação e endividamento, um fenômeno generalizado.

Quando se sai da frieza dos números para sua face humana, como fez o jornal Daily Mail, é de cortar o coração. A “face” mais conhecida é a de Lisa Shaw, apresentadora da rádio BBC em Newcastle. Ela morreu em maio de 2021, deixando um filhinho hoje com oito anos. Seu marido, Gareth Eve, diz que não é contra vacinas, mas também não quer deixar a história da mulher passar em branco.

Eve tem o atestado de internação do hospital onde Lisa deu entrada com “trombocitopenia trombótica induzida por vacina”. Lisa passou por uma cirurgia no cérebro para aliviar a pressão provocada pelos coágulos sanguíneos, mas acabou morrendo aos 44 anos. O atestado de óbito cita especificamente a vacina da AstraZeneca.

Coágulos sanguíneos de consequências letais também causaram a morte de Tom Dudley, de 31 anos. Ele teve múltiplos trombos e morreu três dias depois de ser internado. Os coágulos cerebrais sofridos por Jack Hurn, de 26 anos, foram qualificados de “catastróficos”. Kelly Deunley, de 38 anos, sofreu trombose venal profunda. Oli Akram Hoque estava com dores de cabeça alucinantes e vomitando sangue quando foi internado. Morreu um mês antes de completar 27 anos. Alpa Taylor tinha 35 anos quando morreu, também de AVC.

A juventude das vítimas mostra como pessoas jovens foram desproporcionalmente afetadas pelos coágulos, o que acabou levando as autoridades sanitárias a não recomendar a AstraZeneca numa faixa etária mais baixa.

A “vacina de Oxford”, como era conhecida no começo, é um imunizante “clássico”, sem interferir nos mecanismos do DNA, feita com vírus de resfriado extraído de chimpanzés e modificado em laboratório para “parecer” com as proteínas do coronavírus causador da covid-19, induzindo uma resposta imunológica que fica guardada na memória celular caso a doença real seja contraída.

O que pode dar errado? O vírus modificado atrai uma proteína chamada fator plaquetário 4 e, em um em dez mil casos, o sistema imunológico confunde-o com o vírus real, atacando-o. Os anticorpos se aglutinam anormalmente no fator plaquetário, desencadeando os trombos.

Outra sequela: a síndrome de Guillain-Barré, uma doença neurológica grave que começa com a paralisação dos membros inferiores e vai subindo, chegando em alguns casos a interferir no processo respiratório. E mais uma, a paralisia de Bell, que afeta um lado da musculatura facial.

Atestar a causa da morte relacionada com a vacina é um primeiro passo para entrar com processo por indenização. Os eventuais pagamentos serão de responsabilidade do governo britânico por causa do acordo feito com os laboratórios, da mesma forma que nos Estados Unidos: por causa da extrema emergência e da corrida que abreviou o tradicional processo de testes, eles foram eximidos de responsabilidade indenizatória.

Esse acordo, obviamente, não cobre a atual briga de produtores de vacina: a Moderna está processando a americana Pfizer e sua parceira alemã BioNTech, sob a acusação de que copiaram uma tecnologia que lhe pertencia e havia sido desenvolvida em anos de pesquisas, a do mRNA.

A emergência ainda está viva em nossa memória – embora os seres humanos tendam a apagar mais rapidamente experiências ruins. Não só nós, o público comum, não sabíamos exatamente o que estávamos enfrentando, como também os governos e até as autoridades médicas. Foram cometidos erros tanto na parte dos pró como dos antivacinas.

Pecar por excesso foi uma reação normal, mas Marty Makary, cirurgião e professor da Johns Hopkins, defendeu recentemente, perante uma subcomissão da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, que o governo americano foi “o maior perpetrador de desinformação durante a pandemia”.

“Desinformação dizendo que a Covid se propagava através de superfícies contaminadas, que a imunidade dos vacinados era muito maior do que a natural, que as máscaras funcionavam, que a miocardite era mais comum depois da infecção do que da vacina, que pessoas jovens se beneficiam da dose de reforço”.

“Isso nunca foi fundamentado, é por isso que o Centro de Controle de Doenças nunca revelou os índices de hospitalização de pessoas abaixo dos 50 anos que receberam a dose de reforço”.

Obviamente, Makary não faz o raciocínio oposto: onde estaríamos se não fosse pela vacinação em massa?

Analisar de maneira objetiva todos os dados é obrigação de quem quer – e precisa – aprender com as experiências tão extremas que a Covid-19 desencadeou. Os respectivos exageros foram tão grandes que a Califórnia chegou a aprovar uma lei que previa reprimendas a médicos como Marty Makary, que discordam das posições dominantes do “consenso científico”.

Felizmente, um juiz suspendeu o atentado à liberdade de discordar e de propor teorias alternativas, sem a qual a ciência se afunda.

Em todos os países onde a vacinação foi disponibilizada, as populações escolheram, em massa, ser imunizadas. Mesmo quem tinha consciência de que estava correndo algum risco concluiu que a doença era um perigo muito maior.

Só não vale esquecer as que fizeram o mesmo cálculo e, mesmo em pequeno número, pagaram o preço máximo.



07 junho 2022

Agora só os doentes usam máscara


SÁBADO, 23 DE ABRIL DE 2022


 Alberto Gonçalves para o Observadorvia OTambosi:

Nos últimos dias, surgiram por aí diversos vídeos ilustrativos do momento em que, durante os voos, as companhias aéreas americanas anunciaram o fim das máscaras no interior dos aviões. São testemunhos de alegria, inequívoca por parte do pessoal de bordo e, ao que me pareceu, da maioria dos passageiros. Suspeito que a alegria é precoce e, certamente, desajustada. Por um lado, aquela gente agradece a devolução de uma liberdade que, com péssimos modos, lhe fora retirada. Por outro, nem sequer foram os mandantes da imposição a retirá-la, e sim uma juíza na Flórida que decretou ilegal a imposição. O governo federal, aliás, já anunciou que tentará impugnar judicialmente tamanha libertinagem. Uma representante do sr. Biden explicou que é importante o CDC (a DGS de lá, só um nadinha mais composta) não abdicar do poder de despejar proibições em cima da ralé. E vários “especialistas” (tão ridículos quanto os de cá) esclareceram que é importante aguardar – adivinharam – mais duas semanas, as mesmas que se aguardam há dois anos.

Poder e irracionalidade, tragédia e comédia. Cito o exemplo dos EUA porque é dali que têm saído as directivas a cumprir em matéria de Covid, que depois aplicamos com superior zelo e incomparável consenso. A cabecinha do sinistro dr. Fauci, que em jovem alertava para o contágio do HIV pelo ar e em velho garantia que a vacina impediria a infecção pelo coronavírus, é o modelo de quase todas as políticas ocidentais de “combate” à Covid. Nenhuma das políticas resultou, o que não abalou as convicções de quem manda e de quem obedece. Não fosse a evolução natural do vírus, a imunidade natural e, admito, a relativa eficácia das vacinas na prevenção de doenças graves, estaríamos ainda em Abril de 2020. Cheiinhos de medo, muitos cidadãos permanecem em Abril de 2020. Inchados com prepotência, muitos responsáveis fingem permanecer em Abril de 2020.

Não estamos em Abril de 2020. A separar-nos dessa data há um imenso cemitério, onde jazem as vítimas directas da Covid (que as “medidas” não salvaram), as vítimas de doenças graves (que a histeria condenou), incontáveis negócios (que a irresponsabilidade arruinou) e, em vala comum e decomposição avançada, as sucessivas “estratégias” dos governos para travar em vão o bicho. Dos confinamentos à abolição da venda de livros, dos jardins vedados à vacinação de criancinhas, as “estratégias” caíram uma a uma, sem um pedido de desculpas ou o reconhecimento dos erros. Descontadas certas metástases residuais, nos lugares particularmente bárbaros sobrou a máscara.

Tinha de sobrar qualquer coisa. A máscara é o derradeiro símbolo, símbolo da “pandemia” e da tentativa de respectiva perpetuação (já notaram o amalucado gozo com que alguns dizem “a pandemia ainda não acabou”?). As vacinas, que de repente dividiram a humanidade entre devotos e hereges, perderam estatuto tão depressa quanto perdem validade: a lengalenga de que a vacinação nos devolveria a uma vida normal sumiu quando sumiram as tendas de campanha. Por razões sortidas, todas deprimentes, a normalidade não era desejável. A anormalidade prosseguiu através do farrapo na cara, afinal a melhor maneira de anunciar a persistência da Covid, de legitimar os desastres anteriores e de permitir que se continuasse a invocar a “ciência”.

Nunca a ciência, a autêntica, se vira assim pervertida e reduzida a uma palavra vazia para justificar o brutal desprezo pela realidade. Descemos a tal estádio de crendice que se um nutricionista jurar que é vegetariano, ninguém ousará reparar que ele despacha uma posta à mirandesa. O que nos impingiram ao longo destes 25 meses não tem nada de científico: é da ordem do misticismo, da feitiçaria, do pensamento mágico, do fervor religioso ou, pior, da política. Esqueçam, por favor, as conspirações: o vírus chinês constituiu apenas o pretexto ideal para governantes sem escrúpulos subjugarem de vez sociedades infantilizadas, que subitamente se descobriram mortais. Povos apavorados e dependentes tendem a conceder rédea solta ao Estado a troco de uma protecção imaginária. A máscara, um farrapinho tonto, é a bandeira dessa relação primitiva e perigosa.

Não discuto a função profiláctica da máscara, ao que constava somente destinada à protecção de terceiros. Limito-me a citar o citado dr. Fauci, a 8 de Março de 2020: “Não há motivo para usar máscara. No meio de uma epidemia, a máscara pode dar conforto, mas não protege adequadamente” (exactamente duas semanas decorridas – sempre as duas semanas –, a dra. Graça cometeu as famosas declarações acerca de as máscaras conferirem “uma falsa sensação de segurança”). Também não discuto a função profiláctica das leis que decretam a obrigatoriedade da máscara: inúmeros exemplos e comparações provam que é nula. O problema da máscara é mais fundo: se talvez não anule microorganismos, anula de certeza o portador.

Uma pessoa sem rosto, ou de rosto coberto, não é uma pessoa inteira. Não é à toa que na Antiguidade Clássica, leia-se de 2019 para trás, era impossível transpor o check-in do aeroporto com um simples boné. O rosto identifica-nos, distingue-nos, responsabiliza-nos, liga-nos ao próximo, humaniza-nos em suma. Agora que a grotesca obrigação do açaime terminou ou, em lugarejos atrasados, se atenuou, é agradável ver a satisfação dos que regressam à liberdade. E assustam-me os que lhe são indiferentes.

Claro que, como sempre deveria ter sido, cada um usa máscara (ou pendura um regador ao pescoço) se quiser. Mas os que, sem riscos particulares e após tantos abusos e fraudes, a querem usar e o proclamam com orgulho estão a exibir uma submissão que convida múltiplas desgraças, bem maiores que a Covid. Ladrões à parte, dantes só usava máscara quem estava doente. Voltou a ser o caso. “Chalupas”, parece que é o termo.



03 junho 2021

A classe jornalística não respeita nem a vacina dos velhinhos

 

Na Bahia, a "'catchigoria" quer tomar (via Sindicato dos Jornalistas) o lugar dos velhinhos. Bruna Frascolla para a Gazeta do Povovia OTambosi.





A Bahia é um bom posto de observação para umas coisas, e um péssimo posto para outras. Para detectar mudança de governo, por exemplo, é péssima, já que a Bahia republicana não toma a iniciativa de fazer oposição ao status quo. Por outro lado, como a elite baiana não é muito dada aos maneirismos finos do Sudeste (vejam que paulista não tem seca, tem crise hídrica), amiúde temos caras-de-pau mostrando às escâncaras o que no Sudeste se disfarça.

De quanto tempo um estrangeiro precisaria para entender que o PSOL de Freixo é um partido de sindicalistas do funcionalismo público? No entanto, se visse o PSOL em campanha pelo governo da Bahia, sacaria num minuto. Afinal, que candidato a governador faz campanha falando da “URV dos técnicos” das universidades estaduais?

Agora é a vez de os jornalistas baianos jogarem luz sobre as reais intenções da categoria: os bonitos ganharam o direito de furar a fila da vacina caso tenham mais de 40 anos, e agora ameaçam uma greve de jornalismo por quererem estender a todos os jornalistas o direito de furar a fila da vacina.

Primeiro uma tal Comissão Intergestores Bipartites resolveu no dia 18 de maio que os “profissionais da comunicação” sadios com pelo menos 40 anos estariam dentro do grupo que poderia furar a fila da vacina. Muita cara de pau? Piora: no mesmo dia, o bravo Sindicato dos Jornalistas Baianos anunciou que iria lutar (sic) para poder vacinar todo jornalista.

No dia seguinte, o Ministério Público da Bahia, que em geral está ocupado em tirar o bifinho das crianças ou perseguir o Compadre Washington, desta vez fez algo de útil à sociedade e recomendou que a tal da CIB parasse de incluir meio mundo na categoria de fura-filas de vacina. O Ministério Público da Bahia fez essa recomendação em conjunto com o Federal.

Também no dia 19, o presidente da vetusta Associação Bahiana de Imprensa declarou que “não se trata de um privilégio corporativo, e sim desse reconhecimento de que a população precisa, para vencer a Covid-19, de informação de qualidade".

Para descer a ladeira rumo ao sindicalismo mais caricato, há a agora a greve no feriadão. Em protesto contra a recomendação do MP, no dia 2 de junho foi convocada uma greve de jornalistas.

Nem um pio da FACOM

Será que alguém reclamou? Nenhum luminar da FACOM deu um pio. A FACOM, também conhecida como Faconha, é a Faculdade de Comunicação da UFBa, que tem uma significativa presença no jornalismo baiano e um pouco no nacional. Se Wilson Gomes se manifestou, terá sido oralmente, porque nos buscadores não aparece nada. Que eu saiba, único jornalista da imprensa baiana a se manifestar contra esse absurdo foi James Martins, um jornalista atípico porque tem erudição e não tem diploma. Em texto intitulado “Vacina pouca, minha prioridade primeiro”, escreveu: “Pelo viés da essencialidade e da exposição, [os trabalhadores de supermercados] estão muito mais expostos que eu e a maioria dos meus colegas. Aqui na Bahia, a primeira vítima da doença foi uma empregada doméstica. Elas já estão na lista de prioridades? E os porteiros? [...] Vamos pensar juntos. Seria impossível ou inviável que algumas categorias sofressem uma triagem interna? Por exemplo, um jornalista que cobre hospitais, cemitérios, vai pra rua, etc. seria priorizado em relação a mim, que me exponho bem menos. Assim como sei de profissionais da saúde que não exercem e que já tomaram suas doses. Alunos de medicina na casa dos 20 anos, que só têm aulas online, e que também já estão vacinados. E por aí vai.”

Como uma andorinha não faz verão, podemos olhar para o grosso do jornalismo baiano e dizer que quem cala consente.

O que vai na cabeça desse povo?

Sendo eu jovem, magra e sadia, resolvi que não quero me vacinar tão cedo, porque a covid não é nenhuma aids em matéria de letalidade: é gripezinha para uns, causa mortis para outros. Tudo leva a crer que para mim seja gripezinha. Por outro lado, se as vacinas tiverem um efeito negativo no longo prazo, só descobriremos no longo prazo. Se eu tivesse motivos para achar que a covid é causa mortis para mim, estaria afobada atrás de Astra-Zeneca ou Pfizer também. Penso que jovens saudáveis devem raciocinar no longo prazo, e que velhos ou doentes devem raciocinar no curto prazo. No longo prazo, não parece uma boa ideia tomar esta vacina.

Usando os números na base do Our World in Data, foram foram documentados no Brasil desde o começo da pandemia 16,52 milhões de casos e 461.057 mil mortes de covid. Fazendo uma continha de dividir, temos que quase 0,03% dos infectados morreram. Vale frisar que esse número de infectados inclui velhinhos. Quais as chances de um jovem sadio — aqueles por quem luta o bravo sindicato — contrair covid e morrer?

A minha aposta é que eles nunca se fizeram essa pergunta. Sentem-se parte de um clã iluminado que tem como missão espalhar a Verdade dos Profetas da Divulgação (pseudo) Científica. Essa verdade simplória, talhada para intelectos rudimentares, consiste em: vai todo mundo morrer, a menos que tome “a” vacina – qualquer vacina, pois quem alega que uma vacina feita às pressas pode ser ineficaz ou prejudicial é um obscurantista antivacina. São simplórios, burros, tapados. Estão dispostos a tratar com xingamentos e slogans quem hesita, quem duvida, quem pensa.


O valor da vida humana

Agora, uma vez que eles acreditam mesmo que vai todo mundo morrer caso não tome vacina, é forçoso concluir que não estão nem aí para a vida humana. Afinal, a gente com idade ou comorbidade que deixou de tomar a vacina fica condenada à morte. Vacina para a gente bonita das redações; ao povo, brioches.

Depois, haja materiazinha furreca sobre “genocídio” para aliviar a consciência. Furam fila de vacina e não vivem sem serviçais, mas o “genocida” é o presidente. Compram drogas na mão de facção, mas o “genocídio da juventude negra” vai na conta da polícia. Não respeitam ninguém, e pisam no pescoço do povo por qualquer ninharia. Que não queiram ser respeitados, portanto.




09 agosto 2020

Guzzo: "O fosso aumenta". (09/08/2020)



A calamidade que mais importa é a do ensino básico na rede pública de educação. J. R. Guzzo, via Estadão:



De todas as tragédias trazidas pela covid-19 ao Brasil uma das mais angustiantes é a devastação que a necessidade de combater o vírus está causando nas escolas. Esqueça um pouco a universidade e os colégios particulares; a calamidade que mais importa é a do ensino básico na rede pública de educação. Estudam ali, hoje, cerca de 50 milhões de crianças e adolescentes. Basicamente, não tiveram aulas em 2020 – e estão simplesmente condenados a perder o ano. É claro que os governos sempre podem assinar um papel fazendo todo mundo passar para o ano seguinte do currículo. Mas é impossível ensinar alguém por decreto. O que esses 50 milhões de garotos não aprenderam em 2020 não será mais aprendido; a matéria que não foi dada pode ser socada em cima dos alunos, em forma de ensino “condensado”, quando as escolas voltarem a funcionar, mas uma hora perdida é uma hora perdida. Não há como criar o tempo de novo.

Tudo o que esses 50 milhões de jovens não precisam, hoje ou em qualquer época, é perder um ano de escola. São os mais pobres – e, portanto, a imensa maioria – e os que mais precisam adquirir conhecimento para ter alguma oportunidade objetiva de levar uma vida melhor que a dos seus pais. Como observou um editorial recente de O Estado de S. Paulo, citando palavras do secretário-geral da ONU, não há nenhuma esperança de se reduzir as desigualdades sociais, econômicas e culturais sem fornecer educação de qualidade aos jovens – é aí que está “o grande equalizador”. Não há distribuição de dinheiro, ou de casas, ou de “quotas” capaz de substituir o avanço que a educação pode trazer para a condição social de um ser humano; não há “programas sociais”, nem “políticas públicas”, com a potência que uma boa instrução tem para possibilitar o acesso ao trabalho mais bem remunerado, às oportunidades de realização pessoal e ao conjunto de condições que compõem uma existência distante da pobreza.

A perda do ano letivo de 2020 é com certeza uma das piores notícias que a questão social poderia receber no Brasil de hoje. Não há nenhum causador mais efetivo de pobreza, desigualdade, concentração de renda e injustiça do que a falta de instrução que castiga a maioria da população brasileira. Num país em que a atividade econômica está sofrendo como nunca, e continuará a sofrer nos próximos meses, a distância entre os brasileiros vai se tornar maior ainda do que já é. Não apenas os jovens das classes mais modestas sofrem um prejuízo real e imediato. Os alunos das escolas particulares, de um jeito ou de outro, vão acabar aprendendo mais durante este período de desgraça – e o fosso, em vez de diminuir, vai crescer.

Ouve-se falar muito, desde o início da paralisação trazida pela epidemia, da utilização de novos métodos de ensino, baseados no computador, que permitam um ensino a distância mais efetivo; fala-se em “inclusão digital”, “escolas virtuais” e outros portentos. Mas isso tudo, na vida real, tem significados diferentes de acordo com o dinheiro que as pessoas têm no bolso. O “ensino remoto” é uma coisa para a moçada que está em escolas particulares onde se cobram mensalidades de R$ 5 mil, ou por aí. Para a massa dos estudantes da rede pública é completamente outra. As duas realidades não têm praticamente nada a ver entre si. Como ensinar por computador alguém que não tem computador? Como dar aulas pela internet onde não há internet? De novo: está se falando de 50 milhões de alunos. Não há a menor possibilidade de que seja mantida a distância, já muito grande, que os separa dos que estudam na rede particular. Ela vai ficar muito pior, e a conta vai aparecer no futuro.


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