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13 setembro 2024

Hino da Proclamação da República



Hino da Proclamação da República

"Seja um pálio de luz desdobrado.
Sob a larga amplidão destes céus
Este canto rebel que o passado
Vem remir dos mais torpes labéus!
Seja um hino de glória que fale
De esperança, de um novo porvir!
Com visões de triunfos embale
Quem por ele lutando surgir!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!

Nós nem cremos que escravos outrora
Tenha havido em tão nobre País...
Hoje o rubro lampejo da aurora
Acha irmãos, não tiranos hostis.
Somos todos iguais! Ao futuro
Saberemos, unidos, levar
Nosso augusto estandarte que, puro,
Brilha, ovante, da Pátria no altar!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!

Se é mister que de peitos valentes
Haja sangue em nosso pendão,
Sangue vivo do herói Tiradentes
Batizou este audaz pavilhão!
Mensageiros de paz, paz queremos,
É de amor nossa força e poder
Mas da guerra nos transes supremos
Heis de ver-nos lutar e vencer!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!

Do Ipiranga é preciso que o brado
Seja um grito soberbo de fé!
O Brasil já surgiu libertado,
Sobre as púrpuras régias de pé.
Eia, pois, brasileiros avante!
Verdes louros colhamos louçãos!
Seja o nosso País triunfante,
Livre terra de livres irmãos!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!"


22 janeiro 2023

Alto comando convoca reunião; "dossiês" contra novo comandante já circulam





Thaís Oyama

22/01/2023 09h07


A crise entre o Exército e o governo Lula não deve acabar tão cedo. 

Há pelo menos dois motivos que apontam para o seu prosseguimento.

O primeiro é que a suspensão da nomeação do tenente-coronel Mauro Cid para chefiar o 1º Batalhão de Ações e Comandos em Goiânia— pedida pelo presidente Lula e rejeitada pelo agora ex-comandante do Exército, Júlio César de Arruda — não é o único ponto de atrito entre o governo e a Força em termos de gestão de pessoal.

Dois outros nomes, cujas atuações nos episódios de 8 de janeiro estão sob análise, tendem a causar fricções de igual ou maior intensidade nessa relação "fraturada", como descreveu ontem o ministro da Defesa, José Múcio: o do comandante do Batalhão de Guarda Presidencial (BGP), tenente-coronel Paulo Jorge Fernandes da Hora, e o do general Gustavo Henrique Dutra de Menezes, chefe do Comando Militar do Planalto, um dos oito comandos militares de área do Brasil.

O segundo motivo que tende a alimentar a crise é a forma como o nome do general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, que substituiu Arruda no comando do Exército, foi recebida na Força, em especial entre tenentes e capitães. Desde ontem, quando seu nome foi anunciado, passaram a circular nos grupos de WhatsApp de oficiais textos apócrifos citando supostas interferências do militar com vistas a favorecer a carreira de parentes no Exército. Recortes do discurso feito pelo general na quarta-feira em que ele, diante da tropa formada, defendeu o reconhecimento do resultado das urnas, também foram alvo de crítica da parte de oficiais bolsonaristas.

A escolha do general Tomás não seguiu o critério de antiguidade que havia feito com que, no mês passado, Lula apontasse para o posto o general Arruda. 

Por essa régua, ignorada também pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, o nome do novo comandante do Exército deveria ser o do general Valério Stumpf. Como chefe do Estado Maior do Exército, Stumpf não tem o comando direto de tropas. Já Tomás era chefe do Comando Militar do Sudeste. 

Dos dois militares que podem se transformar em novos pivôs da crise entre o Exército e o governo, o primeiro, tenente-coronel Fernandes, chefia o batalhão responsável pela segurança do Palácio do Planalto, invadido e depredado no dia 8.

O segundo, o general Dutra, como chefe do Comando Militar do Planalto, é o responsável oficial pelo envio dos tanques blindados Guarani que impediram o Batalhão de Choque da Polícia Militar do Distrito Federal de esvaziar o acampamento de bolsonaristas radicais em Brasília na noite da invasão às sedes dos Três Poderes. 

O episódio do bloqueio dos tanques, presenciado pelo ministro da Justiça Flávio Dino na noite daquele domingo, foi um dos que mais irritou o presidente Lula, entre as ações e inações do Exército nos episódios de 8 de janeiro. 

A pressão do governo pela responsabilização dos dois militares e a resistência do Exército em puni-los deverá ser a próxima tarefa espinhosa a ser abraçada pelo ministro Múcio, que vem fazendo o papel de algodão entre cristais na crise entre o governo e a Força.

No final da tarde da última sexta-feira, o ministro recebeu uma ligação do presidente Lula cobrando dele uma atitude diante da informação de que o tenente-coronel Cid, ex-principal ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, iria comandar uma tropa de pronto emprego num batalhão a 200 quilômetros de Brasília. A resistência do general Arruda em suspender a designação do coronel foi a gota d'água para a sua destituição do comando do Exército.

O presidente Lula soube da nomeação do ex-homem de confiança de Bolsonaro por meio de reportagem do site Metrópoles divulgada na sexta de manhã. A reportagem apontava as suspeitas de que o militar pagava contas da família de Bolsonaro com dinheiro vivo — dinheiro que as investigações apuram se saíam ou não de saques de cartões corporativos.

O batalhão que o tenente-coronel Cid comandaria é uma das pontas de lança do Comando de Operações Especiais, brigada de elite do Exército treinada para operações sensíveis e emergenciais.

Os convites para a posse do coronel no comando do batalhão, marcada para o dia 9 de fevereiro, já haviam sido distribuídos. Agora, caberá ao general Tomás, como novo comandante do Exército, arcar com a revogação da sua designação. Tomás é amigo de longa data do pai de Cid, o general Mauro Cesar Lourena Cid.

Amanhã, o Alto Comando do Exército, colegiado formado por 16 generais quatro estrelas, irá se reunir pela primeira vez sob a gestão do novo comandante. A reunião ocorrerá de forma presencial e é fruto de convocação extraordinária — como é extraordinária a situação em que se encontra a Força.




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