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A mocinha não-alienada compra um livro sobre um
marido que senta o cacete na esposa, força ela a ter sexo com ele numa relação
de submissão física, bate com a cinta, enforca com
a gravata e dá uns bons murros no rosto delicado dela.
Depois de ler o dito livro, a mocinha
não-alienada o guarda na estante, ao lado de Laranja Mecânica, um outro livro,
indicado pela professorinha de Sociologia, que conta a história de uma gangue
de jovens que espancam um sem-teto idoso, tacam pedras em mulheres e estupram
duas meninas com extrema violência.
Já é tarde. Mocinha não-alienada tem que
terminar de assistir o episódio de Game of Thrones. Sabe qual é? Aquele seriado que é
regado à tomadas rápidas de estupros, violência sexual e torturas de mulheres.
Eufórica e excitada, ela não pode perder o último episódio.
No dia seguinte, mocinha não-alienada levanta
cedo pra garantir um lugar confortável na sala de aula. É o dia em que seu
professorzinho make-love-not-war de Filosofia passará o filme Ensaio Sobre a
Cegueira, de Saramago, no qual mulheres cegas acabam sendo forçadas a fazer
sexo com velhos, com cenas que vão de meninas até idosas sofrendo estupros
coletivos.
Satisfeita com um dia produtivo na escola,
mocinha não-alienada chega em casa exausta — mas psicologicamente pronta, sem
abalo emocional, pois ainda precisa terminar a resenha do best-seller Memórias
de Minhas Putas Tristes, que o professor de Literatura passou, sobre um velho
que quer fazer sexo com uma jovem virgem enquanto ela dorme.
As horas vão passando e mocinha não-alienada
percebe que o debate presidencial americano vai começar. Enquanto guarda suas
lições na escrivaninha do quarto, todo decorado com pôsters de Ernesto Che
Guevara — o ditador que estuprava burguesas ricas e queria exterminar negras —
já deixa a TV no canal privado da BBC, emissora que tem as mesmas opiniões de
Mocinha não-alienada.
Eis então que mocinha não-alienada escuta
Hilary Clinton lembrando que Donald Trump disse, uns 20 anos atrás, como ele
gosta de vaginas, mas não é muito chegado em gordas.
De repente, mocinha não-alienada sente que
precisa entrar no Facebook pra escrever um post sobre como Trump odeia e apóia
a violência contra mulheres, e que somente o feminismo, movimento que ela
coordena no grêmio estudantil, é capaz de barrar discursos machistas como
esses.
Não sabe que pokemon é este? Eu dou a dica:
pelo dedo se conhece o leão.
(Do Facebook de Guilherme Gama: https://www.facebook.com/guilherme.gama.31)
