28 janeiro 2024
26 maio 2023
Quem, afinal, é Jair Bolsonaro? (E por que isso ainda importa)
PAULO POLZONOFF JR. 26 MAIO 2023 | 3min de leitura
Já escrevi por aqui que Jair Bolsonaro, ou melhor, só Bolsonaro é um personagem mais interessante do que Lula – e não o Luiz Inácio. Mais confuso, mais ambíguo, mais incoerente, mais instável. Mais complexo. Nos últimos meses, porém, essa complexidade que antes fascinava e divertia se tornou um transtorno. Uma angústia. Uma dúvida incômoda.
Passando em revista os últimos quatro anos, me dou conta do tempo que gastei, mas não desperdicei, tentando entender que Bolsonaro era esse que os apoiadores tanto defendiam. Não só. Passei esse tempo todo tentando entender também quem era esse Bolsonaro que os detratores tanto atacavam. E não foram poucas as ocasiões em que tentei entender como meus valores se relacionavam com um presidente que me agradava num dia e me irritava noutro.
Mas foi meio de um curso ministrado por meu amigo Francisco Escorsim que me vi pensando: “O que resta do Jair no Bolsonaro? Onde termina o homem e começa o personagem? Quem Bolsonaro pensa que é e quem ele é quando ninguém está olhando? Tomo café ou pego um copo d´água? O que será que vamos jantar? Como o Chico pode gostar de Coldplay? Qual a previsão do tempo para amanhã?”. Etc.
E você talvez esteja aí franzindo a testa, me xingando silenciosamente e esbravejando de si para si que esta é uma questão tardia. Afinal, Bolsonaro is no more. Quanto a isso, só posso dizer que você tem toda razão. É mesmo uma questão tardia. E talvez seja até inoportuna, levando em conta que hoje é sexta-feira. Chega de canseira. Nada de tristeza. Pega uma cerveja. Põe na minha mesa.
Uma espécie de espelho
Em minha defesa, porém, digo que é justamente agora a melhor hora para saber quem foi esse tal de Jair Messias Bolsonaro que ocupou a Presidência por quatro anos. Agora que a conclusão a que chegarmos não fará mais nenhuma diferença. Agora que as contradições e ambiguidades de Bolsonaro estão mais exaltadas do que nunca. Afinal, ele é o homem que agora fala em paz ou é o líder que, do alto de um carro de som e para uma Avenida Paulista lotada, lavou a alma dos brasileiros chamando Alexandre de Moraes de canalha?
Bolsonaro é o genocida negacionista de que tanto falam ou é o defensor da liberdade e da ciência? Ele é um covarde que optou pelo silêncio democrático ou é um golpista? Ele é honesto ou é tão corrupto quanto os outros? Ele é uma vítima do Sistema ou um simplório atrapalhado que perdeu as eleições para si mesmo? Ele é um falastrão ou um mestre na arte do xadrez 4D? Ele é o destemido capitão imbroxável ou um mito encolhido num cantinho, torcendo para que ninguém o descubra ali se fartando de pão com leite condensado?
Eu poderia ficar aqui por parágrafos e mais parágrafos opondo características de Bolsonaro, sem jamais chegar a uma imagem fácil. Unidimensional, como diria alguém mais pretensioso. E o mais interessante: sem jamais alcançar o Jair que se esconde por trás do Bolsonaro. Ou será que nessa troca ancestral da alma pelo sucesso mundano é imprescindível que o personagem anule por completo o homem?
Agora chamo o Francisco Escorsim de volta à crônica (fica aqui ao meu lado, Chico, dá um oizinho pros leitores) para dizer que, nessa busca pelo que resta de essencial e verdadeiro nos personagens, acabamos por buscar a nós mesmos. E, com alguma sorte, acabamos por entender melhor o que nos fez (faz?) defender ou atacar, apoiar ou detratar, seguir ou desprezar e acreditar ou desconfiar deste ou daquele nome. Aliás, foi só por isso que escrevi esta crônica.
28 outubro 2021
Carta de Roberto Jefferson (28/10/2021)
Do cárcere, Roberto Jefferson escreveu a seguinte carta:
ÍNTEGRA
Leia
a íntegra da carta: “O Bolsonaro era a ruptura. Foi eleito para romper com uma
velha política, que teve origem na redemocratização, toma lá dá cá, governo de
coalização, cada partido recebe um naco da administração e se remunera. E o
povo?
O
povo que se lasque.
O
Bolsonaro deveria ter aprofundado a ruptura, os choques seriam intensos, como o
rugido das ondas nas paredes rochosas dos litorais. Mas ressaqueado até que
passasse esse ciclo da lua. Quando tudo, tudo, seguiria o retorno da nova
liderança. Mas ele foi cercado pelas figuras do centrão, que o fizeram
capitular frente aos rosnados das bestas famintas de dinheiro público. E o
povo? O povo gostaria de ver as bestas enjauladas ou abatidas a tiros pelos
caçadores. Mas o presidente tentou uma convivência impossível entre o bem e o
mal. Acreditou nas facilidades do dinheiro público, Esse vício é pior que o
vício em êxtase, quem faz sexo com êxtase tem o maior orgasmo ou ejaculação que
o corpo humano de Deus pode proporcionar. Gozou com êxtase, para sempre
dependente dele. Desfrutou do prazer decorrente do dinheiro público, ganho com
facilidade, nunca mais se abdica desse gozo paroxístico que ele proporciona.
Bolsonaro
cercou-se com viciados em êxtase com dinheiro público; Farias, Valdemar, Ciro
Nogueira, não voltará aos trilhos da austeridade de comportamento. Quem anda
com lobo, lobo vira, lobo é. Vide Flávio.
Nosso
caminho é outro. Queremos um governo dos justos, que felicite e orgulhe o povo.
Um governo que não roube e não deixe roubar. Um governo que sirva o povo, não
se sirva dele. Um governo que trabalhe com o poder do amor, jamais com o amor
do poder.
Reparem,
quando eu quis construir um partido com bases nas expectativas honradas do povo
brasileiro, abri mão de lideranças viciadas em velhas práticas; Rondon,
Albuquerque, Campos, Cristiane, Benito, Armando, Arnon Bezerra etc…
Não é
fácil fazer a mudança, ela machuca até a gente, pois temos que atingir gente
que amamos, mas que se recusa a compreender os novos objetivos. Bolsonaro
precisava peitar.
Se os
filhos atrapalham, remova-os. Valdemar Costa neto e Ciro Nogueira puxam para
trás qualquer mudança de práticas, para uma nova vereda de austeridade e honra.
Ruptura com a corrupção tem um peso, leva gente que nós gostamos. Mas é o que o
povo espera.
7 de
Setembro ficou imaculado. Todo o povo saiu às ruas para dizer, eu autorizo, não
havia volta, não havia transigência com as velhas práticas. Mas por algum
motivo, Bolsonaro fraquejou. Não teve como seguir. Escrevo isso insone. Não
preguei meus olhos. Esse pensamento queimou minhas pestanas, não consegui
fechar meus olhos e dormir.
Vamos
por nós mesmos. Vamos convidar o Mourão. O PTB terá candidatura própria, quem
sabe apoiamos o Bolsonaro no segundo turno. Não é fácil afastar um filho, sei a
dor de afastar a Cristiane. Mas o projeto político está acima das concessões
sentimentais. Não se transige à tirania. Não se transige à opressão.
Não
se rende homenagens à ditadura, não se curva às ameaças dos arrogantes. Nosso
edital sinalizará um novo caminho. ‘A candidatura própria tem precedência sobre
as demais’. Gustavo, leva a carta ao general Mourão. Convide-o para a disputa a
Presidência, quem souber percorrer a terceira via, vencerá a eleição. São 5:30
horas, não preguei meus olhos. Minha cabeça está acesa e ligada. É o fogo do
Espírito Santo mostrando o caminho a se seguir.
Não
visitem mais a Carminha, ela é desembargadora, ele é da turma do Supremo. Nós
somos políticos, nossa gente é outra. Somos de outra tribo. Candidatura própria
tem precedência. 7 de Setembro é um dia inacabado, quem souber construir o
sonho de nosso povo, virará vitorioso as páginas de nossa folhinha. Deus
abençoe nossa gente. Deus proteja nosso Brasil.
Deus
é nossa força e vitória.
Abração.
Roberto Jefferson.
7 de
Setembro é dia inacabado.
O
povo foi ludibriado”.
26 junho 2021
Exército garante: os capitães não falaram (Estadão, 27/10/1987)
15 maio 2021
Discurso de Bolsonaro durante posse no Congresso (1º de janeiro de 2019)
Excelentíssimo presidente do Congresso Nacional, senador Eunício Oliveira,
Senhoras e senhores chefes de Estado, chefes de Governo, vice-chefes de Estado e vice-chefes de Governo, que me honram com suas presenças.
Vice-presidente da República Federativa do Brasil, Hamilton Mourão, meu contemporâneo de Academia Militar de Agulhas Negras,
Presidente da Câmara dos Deputados, prezado amigo e companheiro, deputado Rodrigo Maia,
Ex-presidentes da República Federativa do Brasil, senhor José Sarney, senhor Fernando Collor de Mello,
Senhoras e senhores ministros de Estado e comandantes das Forças aqui presentes,
Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge,
Senhoras e senhores governadores,
Senhoras e senhores senadores e deputados federais,
Senhoras e senhores chefes de missões estrangeiras acreditados junto ao governo brasileiro,
Minha querida esposa Michelle, da aqui vizinha Ceilândia,
Meus filhos e familiares aqui presentes – a conheci aqui na Câmara.
Brasileiros e brasileiras. Primeiro, quero agradecer a Deus por estar vivo. Que, pelas mãos de profissionais da Santa Casa de Juiz de Fora, operou um verdadeiro milagre. Obrigado, meu Deus!
Com humildade, volto a esta Casa, onde, por 28 anos, me empenhei em servir à nação brasileira, travei grandes embates e acumulei experiências e aprendizados que me deram a oportunidade de crescer e amadurecer.
Volto a esta Casa, não mais como deputado, mas como Presidente da República Federativa do Brasil, mandato a mim confiado pela vontade soberana do povo brasileiro.
Hoje, aqui estou, fortalecido, emocionado e profundamente agradecido a Deus, pela minha vida, e aos brasileiros, que confiaram a mim a honrosa missão de governar o Brasil, neste período de grandes desafios e, ao mesmo tempo, de enorme esperança. Governar com vocês.
Aproveito este momento solene e convoco cada um dos Congressistas para me ajudarem na missão de restaurar e de reerguer nossa Pátria, libertando-a, definitivamente, do jugo da corrupção, da criminalidade, da irresponsabilidade econômica e da submissão ideológica.
Temos, diante de nós, uma oportunidade única de reconstruir o nosso País e de resgatar a esperança dos nossos compatriotas.
Estou certo de que enfrentaremos enormes desafios, mas, se tivermos a sabedoria de ouvir a voz do povo, alcançaremos êxito em nossos objetivos, e, pelo exemplo e pelo trabalho, levaremos as futuras gerações a nos seguir nesta tarefa gloriosa.
Vamos unir o povo, valorizar a família, respeitar as religiões e nossa tradição judaico-cristã, combater a ideologia de gênero, conservando nossos valores. O Brasil voltará a ser um País livre das amarras ideológicas.
Pretendo partilhar o poder, de forma progressiva, responsável e consciente, de Brasília para o Brasil; do Poder Central para Estados e Municípios.
Minha campanha eleitoral atendeu ao chamado das ruas e forjou o compromisso de colocar o Brasil acima de tudo e Deus acima de todos.
Por isso, quando os inimigos da Pátria, da ordem e da liberdade tentaram pôr fim à minha vida, milhões de brasileiros foram às ruas. Uma campanha eleitoral transformou-se em um movimento cívico, cobriu-se de verde e amarelo, tornou-se espontâneo, forte e indestrutível, e nos trouxe até aqui.
Nada aconteceria sem o esforço e o engajamento de cada um dos brasileiros que tomaram as ruas para preservar nossa liberdade e democracia.
Reafirmo meu compromisso de construir uma sociedade sem discriminação ou divisão.
Daqui em diante, nos pautaremos pela vontade soberana daqueles brasileiros: que querem boas escolas, capazes de preparar seus filhos para o mercado de trabalho e não para a militância política; que sonham com a liberdade de ir e vir, sem serem vitimados pelo crime; que desejam conquistar, pelo mérito, bons empregos e sustentar com dignidade suas famílias; que exigem saúde, educação, infraestrutura e saneamento básico, em respeito aos direitos e garantias fundamentais da nossa Constituição.
O Pavilhão Nacional nos remete à “Ordem e ao Progresso”.
Nenhuma sociedade se desenvolve sem respeitar esses preceitos.
O cidadão de bem merece dispor de meios para se defender, respeitando o referendo de 2005, quando optou, nas urnas, pelo direito à legítima defesa.
Vamos honrar e valorizar aqueles que sacrificam suas vidas em nome de nossa segurança e da segurança dos nossos familiares.
Contamos com o apoio do Congresso Nacional para dar o respaldo jurídico para os policiais realizarem seu trabalho.
Eles merecem e devem ser respeitados!
Nossas Forças Armadas terão as condições necessárias para cumprir sua missão constitucional de defesa da soberania, do território nacional e das instituições democráticas, mantendo suas capacidades dissuasórias para resguardar nossa soberania e proteger nossas fronteiras.
Montamos nossa equipe de forma técnica, sem o tradicional viés político que tornou o Estado ineficiente e corrupto.
Vamos valorizar o Parlamento, resgatando a legitimidade e a credibilidade do Congresso Nacional.
Na economia traremos a marca da confiança, do interesse nacional, do livre mercado e da eficiência.
Confiança no cumprimento de que o governo não gastará mais do que arrecada e na garantia de que as regras, os contratos e as propriedades serão respeitados.
Realizaremos reformas estruturantes, que serão essenciais para a saúde financeira e sustentabilidade das contas públicas, transformando o cenário econômico e abrindo novas oportunidades.
Precisamos criar um ciclo virtuoso para a economia que traga a confiança necessária para permitir abrir nossos mercados para o comércio internacional, estimulando a competição, a produtividade e a eficácia, sem o viés ideológico.
Nesse processo de recuperação do crescimento, o setor agropecuário seguirá desempenhando um papel decisivo, em perfeita harmonia com a preservação do meio ambiente.
Dessa forma, todo setor produtivo terá um aumento da eficiência, com menos regulamentação e burocracia.
Esses desafios só serão resolvidos mediante um verdadeiro pacto nacional entre a sociedade e os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, na busca de novos caminhos para um novo Brasil.
Uma de minhas prioridades é proteger e revigorar a democracia brasileira, trabalhando arduamente para que ela deixe de ser apenas uma promessa formal e distante e passe a ser um componente substancial e tangível da vida política brasileira, com o respeito ao Estado Democrático.
A construção de uma nação mais justa e desenvolvida requer a ruptura com práticas que se mostram nefastas para todos nós, maculando a classe política e atrasando o progresso.
A irresponsabilidade nos conduziu à maior crise ética, moral e econômica de nossa história.
Hoje começamos um trabalho árduo para que o Brasil inicie um novo capítulo de sua história.
Um capítulo no qual o Brasil será visto como um país forte, pujante, confiante e ousado.
A política externa retomará o seu papel na defesa da soberania, na construção da grandeza e no fomento ao desenvolvimento do Brasil.
Senhoras e senhores Congressistas,
Deixo esta casa, rumo ao Palácio do Planalto, com a missão de representar o povo brasileiro.
Com a benção de Deus, o apoio da minha família e a força do povo brasileiro, trabalharei incansavelmente para que o Brasil se encontre com o seu destino e se torne a grande nação que todos queremos.
Muito obrigado a todos vocês.
Brasil acima de tudo!
Deus acima de todos!









