Steven W. Mosher
Publicado em
26 de dezembro de 2013
Na semana passada, o presidente russo Vladimir Putin sancionou uma lei
que proíbe anúncios comerciais de aborto. Alguns membros da Duma (o Congresso
da Rússia) estão falando de ir mais longe e proibir o próprio procedimento do
aborto. A Igreja Ortodoxa Russa, cujos membros estão se enchendo de convertidos
e pessoas que estavam desviadas, está também mostrando seu peso na questão. Um
prelado ortodoxo chamou o aborto de “rebelião contra Deus.” Eu mesmo não
poderia ter expressado isso de forma melhor.

16.out.2014 - Membros do grupo ativista Femen (incluindo a líder da organização, Inna Shevchenko, à esquerda) protestam na praça del Duomo, diante da catedral de Milão, contra a participação da Rússia na guerra no leste da Ucrânia, em razão da participação do presidente russo, Vladimir Putin, no 10º Encontro Ásia-Europa, nesta quinta-feira (16). Putin e o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, terão, no primeiro dia da cúpula, o terceiro encontro desde o início das tensões na Ucrânia Marco Bertorello/AFP
Essa é uma virada estupenda num país que há muito tempo é conhecido por
seu índice de aborto tragicamente elevado. Até recentemente, em média a mulher
russa poderia esperar ter sete abortos durante sua vida inteira. Até mesmo o
jornal New York Times, que não é um bastião de sentimentos
pró-vida, se sentiu compelido a reconhecer que o elevado índice de aborto da
Rússia estava prejudicando a saúde e fertilidade das mulheres russas. Como o
jornal comentou num editorial de 2003: “Agora o governo russo está tentando
reduzir o índice de aborto. É uma meta admirável, considerando o preço muito
alto que os abortos múltiplos têm causado na saúde e fertilidade das mulheres
russas.” Sem mencionar o preço elevado que o aborto tem custado em vidas de
bebês em gestação, e na população como um todo.
O aborto foi forçado no povo russo pelos bolcheviques (o Partido
Comunista da Rússia sob a liderança de Lênin), que ao subirem ao poder em 1920
legalizaram o aborto até o momento do nascimento, sem nenhuma restrição. A meta
deles era destruir a família incentivando as mulheres a fazer abortos, a não
ficar em casa e a trabalhar fora. A Rússia foi o primeiro país do mundo a declarar
guerra nos bebês em gestação desse jeito. É claro que com seus expurgos,
execuções em massa e gulags a guerra atingiu os bebês em gestação de outras
maneiras também.
Aliás, foram os primeiros bolcheviques que desenvolveram a máquina de
sucção de aborto que ainda hoje as clínicas de aborto usam. De fato, eles
desenvolveram duas versões. A primeira era a máquina de sucção elétrica de
fazer aborto, usadas nas clínicas de abortos dos Estados Unidos e outros
países. A segunda foi o aspirador manual a vácuo, uma máquina de aborto manual
que é usada nos países menos desenvolvidos em lugares que não dispõem de
energia elétrica.
O Instituto de Pesquisa Populacional, organização pró-vida com sede nos
EUA, vem desempenhando um papel importante ajudando a Rússia a voltar a apoiar
a vida. Participei da primeira Cúpula Demográfica na Universidade Social
Estatal Russa em Moscou em maio de 2011. Conversamos com elevadas autoridades
russas sobre a necessidade de proteger a vida. Não muito depois, uma lei foi
aprovada proibindo o aborto de bebês de mais de 12 semanas. A lei também
ordenava um período de 2 a 7 dias de espera para um aborto médico, e exigia que
todos os que fazem anúncio de serviços de aborto incluíssem um aviso no sentido
de que “o aborto é perigoso para a saúde da mulher.” Agora, evidentemente, o
anúncio de qualquer tipo de aborto foi proibido.
Consideradas individualmente, cada uma das leis implantadas pelo governo
russo tem um impacto demográfico relativamente pequeno. O governo russo, por
exemplo, paga uma bonificação de $13.000 aos pais de cada bebê recém-nascido.
Contudo, de acordo com o demógrafo Igor Beloborodov, essa bonificação só
convenceu 8 por cento dos casais em idade reprodutiva a considerar ter outro
filho.
O efeito cumulativo de todas as políticas pró-vida e pró-natalidade
adotadas até agora está longe de ser importante. Embora haja ainda, de acordo
com o Ministério da Saúde da Rússia, 1,7 abortos para cada nascimento vivo no
país, essa proporção está diminuindo, pois o índice de natalidade está se
elevando e o aborto está se tornando gradualmente menos comum.
Como resultado da adoção de políticas inteligentes para proteger a
santidade da vida, o declínio da população da Rússia foi praticamente detido, e
o país entrou num curso demográfico mais estável.
O inverno demográfico da Rússia ainda não acabou, mas há sinais de
degelo de primavera.
