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11 fevereiro 2025

Roda Viva | Paulo Brossard | 1986









O primeiro Roda Viva da história, exibido em 29 de setembro de 1986, recebeu o ministro da Justiça do governo Sarney, Paulo Brossard.

O governo de José Sarney foi primeiro governo civil depois de mais de 20 anos de regime militar. A TV Cultura abriu espaço para o debate das ideias que a Nova República trazia. Gaúcho de Bajé, Paulo Brossard de Souza Pinto, então ministro da Justiça, era o encarregado da ordem pública, política e social do governo.

Advogado, professor de direito e pecuarista, teve três mandatos de deputado estadual e um de federal. Também foi senador pelo MDB gaúcho e participou da Frente Nacional de Redemocratização. Com o falecimento de Tancredo Neves, presidente eleito, em 21 de abril de 1985, José Sarney foi empossado oficialmente no cargo. Dali em diante, Paulo Brossard acompanhou de perto os novos caminhos políticos do Brasil.











RODA VIVA | JOSÉ MÚCIO MONTEIRO | 10/02/2025





O Roda Viva entrevista José Múcio Monteiro Filho, ministro da Defesa.

O ano de 2024 terminou com muitas especulações sobre a possível saída de José Múcio Monteiro do Ministério da Defesa, mas ele permanece no cargo e participa, ao vivo, do Roda Viva. Nesta edição, participam da bancada de entrevistadores: Geralda Doca, repórter do jornal O Globo; Cézar Feitoza, repórter do jornal Folha de S.Paulo; Raquel Landim, colunista do UOL; Monica Gugliano, colunista do Estadão; e César Felício, repórter especial e colunista do Valor Econômico.
Com apresentação de Vera Magalhães, as ilustrações em tempo real são de Luciano Veronezi.



09 maio 2024

Elba Ramalho no Canal Livre - (16/01/1984)








Apresentado pela jornalista Belisa Ribeiro, mãe de Gabriel o Pensador.

Belisa Ribeiro de Oliveira (Rio de Janeiro14 de maio de 1954)[1] é uma jornalista brasileira.

Começou a carreira no Jornal do Brasil em 1975, e voltou a trabalhar no jornal no início dos anos 2000, como diretora da sucursal de Brasília, período em que também foi titular da coluna Informe JB. Na imprensa escrita, trabalhou ainda no Jornal O GloboGazeta Mercantil e revista Época. Na TV, foi comentarista econômica, na TV Globo e pioneira na apresentação de telejornais, no Jornal da Globo. Criou programas de sucesso na Band, como Dia D,  em que levou para a TV nomes como ZózimoRicardo BoechatMiriam Leitão e William Waack. No marketing político, foi vitoriosa em diversas campanhas eleitorais, sendo a primeira a de Moreira Franco ao governo do Estado do Rio de Janeiro (1986), a mais conhecida a de Fernando Collor de Mello à Presidência da República (1989) e a mais recente a de Rose de Freitas ao Senado Federal pelo Espírito Santo (2014). É mãe do músico Gabriel o Pensador e de Tiago Mocotó e tia do escritor Affonso Solano. Em Miguel Pereira, onde era a residência de campo de seu pai, Belisa tem a pousada Yledaré , onde fez um reflorestamento com apoio do SOS Mata Atlântica.[2]


Elba Maria Nunes Ramalho OMC (Conceição17 de agosto de 1951) é uma cantoracompositoramulti-instrumentista e atriz brasileira. Sua primeira experiência musical veio em 1968, tocando bateria no conjunto feminino "As Brasas". Posteriormente, o grupo se transformou de musical para teatral. Contudo, Elba continuou a cantar e a participar de festivais pelo Nordeste brasileiro. Em 1979, lançou seu primeiro álbum, "Ave de Prata", e desde então consolidou-se como uma das principais cantoras brasileiras em atividade. Pelo lado paterno, é prima legítima do também cantor Zé Ramalho.[3][4]

Possui dois Grammy Latino pelos álbuns: Qual o Assunto Que Mais Lhe Interessa?, lançado em 2008 e Balaio de Amor, 2009, na categoria Melhor Álbum de Raízes Brasileiras: Regional e Tropical. Em mais de 35 anos de carreira, Elba Ramalho vendeu mais de 10 milhões de discos. Recebeu da Associação de Críticos de Arte de São Paulo prêmio de "Melhor Show do Ano", em duas ocasiões: em 1989 pelo show Popular Brasileira e em 1996 pelo show Leão do Norte.[2][5]




07 março 2024

Entrevista de Pedro Collor à VEJA em 1992


“O PC é o testa-de-ferro do Fernando”
Na tarde da última quarta-feira Pedro Collor tomou um avião em Maceió e chegou a São Paulo após uma escala no Recife. Em com­panhia da mulher. Maria Tereza, e de uma irmã, Ana Luiza, Pedro Collor deu uma entrevista de duas horas a VEJA. A seu pedido, o encontro ocorreu nas dependências da revista. A mulher e a irmã de Pedro Collor foram testemunhas de suas declarações, e chegaram a colaborar em algumas respostas. Além de fazer novas denúncias sobre a atividade de PC Farias no governo, Pedro Collor diz que ele é “testa-de-ferro” do presidente Fernando Collor. Diz que o jornal Tribuna de Alagoas, que PC Farias quer lançar em Maceió, na verdade pertence a seu irmão. Também garante que um apartamento de Paris que se supunha ser propriedade do empresário na realidade pertence a Fernando Collor. Para Pedro Collor, existe uma “simbiose profunda” entre os dois. Os principais trechos da entrevista:
VEJA – O senhor se considera louco?
Pedro Collor – Não, de jeito nenhum.
VEJA – Se a sua própria mãe está falando isso, é o caso de perguntar. Já fez algum tratamento psiquiátrico?
Pedro Collor – Não, nunca fiz tratamento psiquiátrico ou psicanálise. Essa pressão toda tem um objetivo claro. O objetivo foi passar para a opinião pública a sensação de que não tenho credibilidade, que estou sob forte comoção. Convenceram mamãe a assinar aquela carta. Ela é muito ingênua nesse sentido.
VEJA – As suas afirmações e denúncias, os documentos que o senhor levantou contra Paulo César Farias e as críticas que vem fazendo ao Presidente colocam o governo e o país numa situação delicada. O senhor está ciente disso?
Pedro Collor – Absolutamente consciente.
VEJA – O senhor tem dito que suas revelações podem acabar com o governo do seu irmão. É isso que o senhor quer?
Pedro Collor – Não, mas qual foi o principal mote da campanha do Fernando? Quem roubava ia para a cadeia. Na prática, estou vendo uma coisa completamente diferente. Ninguém pode enrolar todo mundo o tempo todo.
VEJA – Essa briga começou em torno do lançamento de um novo jornal, que concorreria com a Gazeta de Alagoas, das organizações Arnon de Mello?
Pedro Collor – Em janeiro de 1991, levei ao Fernando, no Palácio do Planalto, o plano de se montar um novo jornal em Alagoas. Seria um jornal vespertino. Já houve no passado vespertinos no Estado, e que pararam por um motivo ou outro, agora não há nenhum. Como achei que havia uma brecha no mercado, e a gráfica do nosso grupo estava ociosa, fiz a proposta ao Fernando. Expliquei que o novo jornal não faria parte do grupo da Gazeta, seria uma iniciativa à parte.
VEJA – O que o presidente achou da ideia?
Pedro Collor – Ele me disse o seguinte: “Não, não leve a ideia do jornal adiante porque eu vou montar uma rede de comunicação paralela em Alagoas com o Paulo César, e essa rede terá um jornal”. O Fernando falou que o jornal iria se chamar Tribuna de Alagoas. Disse também que a Tribuna seria impressa na imprensa oficial do Estado. Então perguntei por que ele não imprimia esse novo jornal na gráfica do nosso grupo. O Fernando respondeu: “Não”.
VEJA – A rede de comunicação seria de PC Farias?
Pedro Collor – O PC seria o testa-de-ferro. Era uma empresa de testa-de-ferro, que teria o jornal e de doze a catorze emissoras de rádio.
VEJA – Qual foi a sua reação a essa rede?
Pedro Collor – Raciocinei que, se o novo jornal ia ser impresso na imprensa oficial, seria em preto-e-branco, um jornal para ocupar espaço, evitar que grupos adversários na política entrassem na área. Dizia-se que não era um jornal para concorrer efetivamente com a Gazeta e, de repente, compraram um maquinário exatamente igual ao nosso, e me tomam funcionários pagando três ou quatro vezes mais do que eles ganham conosco. Então é um negócio para destruir o nosso, certo? Foi aí que a coisa começou. Houve também um problema corri a instalação de rádios. Na mesma reunião em que falei do novo jornal com o Fernando, eu disse que precisávamos também de duas rádios, FMs pequenas ou médias, na periferia de Maceió.
VEJA – Como o senhor conseguiria essas rádios?
Pedro Collor – Pelas vias normais. Essas duas rádios já existiam no plano traçado pelo governo.
VEJA – E obteve as rádios?
Pedro Collor – Obtive duas negativas. Simultaneamente, eles mexeram no plano, a ponto de contemplar todas as cidades que até então não estavam com rádios FM.
VEJA – Isso foi feito por quem?
Pedro Collor – Por solicitação do deputado Augusto Farias, irmão do PC. Vejam bem: converso com ele tentando montar um jornal, falo das rádios que podem entrar. Negam para mim. E viabilizam para eles umas doze rádios que nem estavam cogitadas no plano.
VEJA – O senhor tentou chegar a um acordo sobre o jornal antes de começar a recolher documentos sobre os negócios de PC?
Pedro Collor – Houve tentativas que não deram certo, porque a intenção não era montar um jornal assim ou assado, mas montar um jornal para destruir o nosso. Em fevereiro passado, saiu aquela reportagem do Eduardo Oinegue, em VEJA, sobre o assunto, em que eu chamava o PC de lepra ambulante. Eu estive então com o Cláudio Vieira (secretário particular de Collor, afastado do governo na reforma ministerial). O Cláudio me disse que há cinco dias o Fernando não despachava com ele, nem com o general Agenor, nem com o Marcos Coimbra. O Cláudio Vieira me contou que no dia anterior o Fernando havia se reunido, durante uma hora e meia. com o procurador-geral da República, Aristides Junqueira. Segundo o Cláudio me contou, o procurador disse ao Fernando que, se eu não desmentisse a reportagem de VEJA, o Junqueira iria instaurar um inquérito, e que isso derrubaria o governo. Eu respondi ao Cláudio que não tinha intenção de derrubar o governo de ninguém, que minha intenção era me preservar e alertar que o PC era uma bomba atômica ambulante, independentemente de jornal ou coisa que o valha. Esclareci que não poderia desmentir a reportagem pura e simplesmente, e pedi um compromisso firme de que o PC não iria tentar acabar com nossa organização. Sugeri que a Gazeta arrendasse a gráfica da Tribuna, pagasse, e nós imprimíssemos o jornal. Cheguei a conversar depois sobre essa proposta com o PC, e ele disse que adorou. Na hora de formalizar o acordo, sumiu. O Cláudio Vieira então me disse que o Paulo César estava com outras idéias e ia me procurar. Estou esperando até hoje.
VEJA – Por que o pre­sidente Collor, se é ele que está por trás dessa rede de comunicações montada pelo PC, esta­ria interessado em preju­dicar e até destruir os negócios da família?
Pedro Collor – É uma questão que só Freud explica. (Tereza, mulher de Pedro Collor. pede para falar)
Tereza – O Fernando Collor faz isso porque o Pedro não se submete a ele. O Fernando viu que não podia tirar o Pedro da administração dos negócios da família. Foi o Pedro quem geriu, e bem, as empresas durante esses anos todos. O Fernando quer o meio de comunicação e instrumento político, enquanto o Pedro tem a responsabilidade de administrá-lo como empresa. É daí que nasceu a divergência.
VEJA – O senhor acha mesmo que o PC é um testa-de-ferro do presidente nos negócios?
Pedro Collor – Eu não acho, eu afirmo categoricamente que sim. O Paulo César é a pessoa que faz os negócios de comum acordo com o Fernando. Não sei exatamente a finalidade dos negócios, mas deve ser para sustentar campanhas ou manter o status quo
VEJA – De quem é o apartamento de Paris onde funciona a S.CI . de Guy des Longchamps e Ironildes Teixeira?
Pedro Collor – É dele.
VEJA – Dele, quem?
Pedro Collor – Dele. Do Fernando, claro.
VEJA – O senhor não tem dúvidas?
Pedro Collor – Não tenho a menor dúvida.
VEJA – De quem é o jatinho Morcego Negro?
Pedro Collor – Acho que é do Paulo César, mas não posso afirmar.
VEJA – O presidente Collor sairá mais rico do governo?
Pedro Collor – Em patrimônio pessoal, sai. Sem dúvida nenhuma.
VEJA – O presidente está envolvido na sua denúncia de que o Paulo César recebeu unta comissão de 22% sobre os negócios entre a empresa IBF e o governo para a implantação da raspadinha federal?
Pedro Collor – O Fernando não entra no varejo da coisa. Ele apenas orienta o negócio.
VEJA – O que acontece com o dinheiro?
Pedro Collor – O Paulo César diz para todo mundo que 7O% é do Fernando e 3O% é dele.
VEJA – O senhor acredita nisso?
Pedro Collor – Eu não sei se a porcentagem exata é essa.
VEJA – Mas o senhor sustenta que existe uma sociedade entre os dois?
Pedro Collor – Tenho certeza de que é assim. Existe urna simbiose aí. Eu não estendo as acusações ao Fernando diretamente. Uma coisa é você concordar. Outra coisa é operacionalizar. São duas coisas distintas. Operacionalizar, no sentido do dolo, no sentido do ilícito, isso é muito do temperamento do PC. Ele tem prazer nisso. O Fernando é incapaz de sentar em uma mesa e dizer assim: “O negócio é o seguinte: preciso de uma grana para a minha campanha. Me ajuda”. Pode estar nu e sem sapato que não pede ajuda. Já o PC toma. Deixa você nu se for possível.
VEJA – O senhor já ouviu do Paulo César que ele tem essa associação com o seu irmão?
Pedro Collor – Sim, já ouvi dele.
VEJA – E do presidente?
Pedro Collor – Não, do Fernando, não.
VEJA – O PC é uma pessoa digna de crédito?
Pedro Collor – Se ele foi o tesoureiro de duas campanhas do Fernando, se age com age publicamente, se ele mesmo fala isso, eu só posso concluir que é verdade.
VEJA – Qual foi a última vez em que o senhor e o presidente conversaram sobre as atividades de PC Farias?
Pedro Collor – Em janeiro deste ano. Eu tinha acabado de chegar do exterior e o Fernando me chamou para almoçar. Foi uma conversa afável, embora o Fernando, tenha se mostrado cuidadoso ao mencionar o nome do PC. Pisava em ovos. Eu reclamei da maneira como o PC vinha tentando destruir o nosso jornal em Alagoas, chamando nossos funcionários. Foi uma conversa sobre os problemas com o jornal.
VEJA – O senhor mencionou as denúncias de corrupção sobre PC?
Pedro Collor – Com o Fernando, exatamente, não. Falei “n” vezes com os meus irmãos Leopoldo e Leda, com o Cláudio Vieira e o Marcos Coimbra.
VEJA – Por que nunca falou diretamente com o presidente?
Pedro Collor – Eu sentia que, se eu falasse, ele iria ter uma explosão violentíssima. O Fernando não gosta de escutar críticas.
VEJA – Por que o senhor passou a envolver o presidente Collor nas suas denúncias contra o PC?
Pedro Collor – Eu comecei a receber ameaças de morte dos irmãos do PC através de interlocutores comuns. Cheguei a falar com o Cláudio Vieira sobre tudo o que estava acontecendo. Concluí que o PC não estava agindo por conta própria. É o estilo típico do Fernando usar instrumentos. Ele não ataca de frente.
VEJA – O senhor não acredita que exista uma vontade política real do presidente em investigar as atividades de PC Farias. Afinal, a Receita Federal foi acionada para vasculhar o imposto de renda de PC?
Pedro Collor – Não acredito nisso. Acho que a investigação ia ser empurrada com a barriga e seria apenas retórica.
VEJA – Qual a diferença entre o PC Farias e o Pedro Paulo Leoni Ramos, o PP? Ou entre o PC e o Cláudio Vieira? Ou entre eles e o Claudio Humberto?
Pedro Collor – São os métodos. O PC é o erudito do roubo, da corrupção, da chantagem. Os outros têm uma aspiração, mas também têm um teto. O PC não tem limites.
VEJA – Mas o PC vai até onde?
Pedro Collor – Ele é capaz de matar para extorquir.
VEJA – O senhor apresentou o PC Farias ao Fernando Collor. Quando começou a afastar-se dele? Por quê?
Pedro Collor – Na época eu não o via como hoje. Ele era um sujeito enrolado com negócios, mas apenas isso. Não pagava as contas. Mas era um sujeito jeitoso, muito insinuante, muito simpático. Ele é muito envolvente em negócios. Comecei a me afastar quando o Fernando se tornou governador do Estado.
VEJA – O senhor tem alguma coisa contra o cidadão Fernando Collor, seu irmão?
Pedro Collor – Pessoalmente, o Fernando é um sujeito extremamente talentoso, carismático, magnético e, em alguns momentos, é uma criatura fantástica, cheia de energia. Ao mesmo tempo, é rancoroso, vingativo e adora manipular as pessoas. Ele gosta das pessoas subservientes.
VEJA – O senhor chegou a falar que o seu irmão Fernando tentou se insinuar junto a sua mulher, Tereza. Como foi isso?
Pedro Collor – Não foi exatamente isso. Eu e Tereza tínhamos passado por uma crise conjugal, o que acontece muitas vezes entre casais. Isso foi em 1987, quando Fernando era governador de Alagoas. Nesta ocasião, eu estava no Canadá. Tive a informação de que ele chamou Tereza para conversar no palácio. Conversaram durante um bom tempo. Ali era o lugar onde ele tinha intercurso, com algumas moças. Houve fofocas sobre isso e eu fui informado. Tereza foi depois para Paris e Fernando me chamou para dizer que havia conversado com ela e que eu me preparasse porque ela iria se separar de mim. Disse que eu havia pisado muito na bola e que me preparasse. Em paralelo, eu sabia que ele estava telefonando para ela em Paris, naturalmente utilizando a fragilidade da relação para telefonar e talvez até fazer a cabeça dela. Eu consegui as contas telefônicas do palácio que comprovaram essas ligações.
VEJA – Houve uma tentativa explícita de sedução?
Pedro Collor – Eu acredito que implicitamente ele tentava mapear a situação, diante de uma pessoa fragilizada emocionalmente pela perspectiva de uma ruptura de casamento. Uma voz simpática. um ombro amigo…
VEJA – Tereza, houve uma tentativa de sedução?
Pedro Collor – Não, ele tem esse jeito de falar que é meio fraternal, meio conselheiro.
VEJA – Apesar de sua suspeita de paquera por que continuou freqüentando seu irmão? Por que esteve na posse dele como presidente?
Pedro Collor – Porque não se deve sair arrebentando portas. Tive controle emocional.
VEJA – Pelo que se deduz, o senhor coloca esse episódio como um entre vários através dos quais seu irmão tenta atingi-lo. É isso?
Pedro Collor – O que ele quer é me ver distante do comando administrativo das empresas que temos. Para colocar uma pessoa dele lá dentro, por uma questão política.
VEJA – O senhor nomeou alguém para o governo federal?
Pedro Collor – Nem para a prefeitura de Maceió nem para o governo de Alagoas nem para o governo federal.
VEJA- Por quê?
Pedro Collor – Não é do meu feitio.
VEJA – O que o senhor acha das nomeações do Leopoldo (irmão mais velho de Collor)?
Pedro Collor – Eu não conheço as nomeações do Leopoldo. Não converso sobre esse assunto com ele.
VEJA – O senhor já admitiu que consumiu drogas na juventude. Como foi isso?
Pedro Collor – Quando eu era jovem, era uma coisa que estava na moda, lá por 1968,1969,197O.
VEJA – Em 1968, o senhor estava com 16 anos de idade.
Pedro Collor – Mas é isso.
VEJA – Que tipo de droga?
Pedro Collor – Cocaína.
VEJA – Seu irmão Fernando também?
Pedro Collor – Sim.
VEJA – Foi ele que o induziu a experimentar cocaína?
Pedro Collor – Não é que induziu, nem apresentou nem nada. As pessoas, por serem de faixa etária um pouco acima, naturalmente têm mais acesso a esse tipo de coisa. Foi assim que aconteceu.
VEJA – LSD também tinha?
Pedro Collor – Teve também LSD, umas duas ou três vezes.
VEJA – O senhor largou isso quando?
Pedro Collor – Logo depois. Senti que me fazia mal. Emagreci muito.
VEJA – Quanto ao presidente, o senhor tem notícia de que ele tenha consumido drogas após essa época na Juventude?
Pedro Collor – Não, depois dessa época. não.
VEJA – O senhor já ouviu falar em Allan Mishai Fauru?
Pedro Collor – Conheço desde menino do Rio. Um belo dia, o Fernando já governador, me parece, o Allan o convidou para ser padrinho do casamento dele. Depois ele se mudou para Maceió, anos mais tarde, e montou um boteco. Soube depois que ele tinha ligações com traficantes, vendia, repassava. Mas ele não tem qualquer relação com o Fernando, absolutamente.
VEJA – O senhor não acha que as instituições brasileiras correm algum risco com assuas denúncias?
Pedro Collor – Acho que nossas instituições aguentam o tranco. Se eu começar a entrar muito em considerações a respeito do governo, eu não dou um passo. Tenho de fazer aquilo que acho correto. Que os outros façam as partes deles.
VEJA – O senhor acredita que, com as últimas mudanças no ministério, o PC é menos influente no governo?
Pedro Collor – Sim. Ele perdeu toda ou quase toda a sustentação.

Pedro Collor morreu em 19 de dezembro de 1994, aos 42 anos de idade.

01 janeiro 2024

Sou a santa do rock (16/01/1985, Páginas Amarelas de VEJA)











A cantora da Alemanha Oriental usa a força e as vibrações do rock para espalhar pelo mundo sua música exótica e forte

Por Roberto Garcia

Bonita como uma atriz de cinema, explosiva como uma estrela de ópera, a cantora Nina Hagen, aos 29 anos, é a última grande diva que surgiu em Berlim. Com suas canções de letras irônicas, possantes efeitos vocais e inesperados arranjos, ela já vendeu mais de 1 milhão de discos na Alemanha Ocidental e conseguiu vender 2 milhões de exemplares de um único LP, Angstlos (Sem Medo), cantado em alemão, nos Estados Unidos. Quando Nina surgiu, em 1976, engatinhava na Europa o movimento punk. Ela aproveitou o visual dos punks, usou a sua sólida formação de canto de anos em academias alemãs, fez uma mistura básica de rock, jazz, soul americano e até sons dançantes de new wave. Resultado: transformou-se numa artista original, com surpresas a cada disco e a cada novo show, tornando-se uma das presenças mais exóticas dos palcos mundiais.
Mas, sobretudo, Nina Hagen é a primeira cantora de rock nascida e criada em um país comunista a se tornar estrelíssima no mundo ocidental. Filha de uma atriz, Eva Maria Hagen, e do escritor Hans Hagen, logo separados, ela acompanhou na adolescência a turbulenta ligação de sua mãe com o astro da canção de protesto da Alemanha Oriental, Wolf Biermann. Foi para acompanhar seu padastro, expulso para Berlim Ocidental, que Nina renunciou à sua cidadania, passou também para o outro lado do muro e então, em 1976, conseguiu gravar seu primeiro disco pela CBS.
Nina não tem preconceitos quanto a repertório. Relembra antigas cantoras como a alemã Zarah Leander ou a francesa Édith Piaf, interpreta músicas de David Bowie e tem um formidável arsenal de suas próprias composições. Atualmente ela mora em Los Angeles, só com a filha Cosma Shiva Hagen, de 3 anos e meio – fruto de sua rápida união com o holandês Ferdinand Karmelk, guitarrista do conjunto que costumava acompanhá-la em suas apresentações. Nina explica com a maior naturalidade ter escolhido o nome da filha depois que viu um disco voador. Também conta que após o nascimento da menina ela sentiu necessidade de fazer uma limpeza espiritual, raspou o cabelo multicolorido e fez vários videoteipes vestida de homem. Aos poucos, porém, a cantora voltou ao seu exótico normal.
Cosma Shiva e uma babá búlgara, naturalizada austríaca, também acompanham Nina Hagen em todas as suas viagens, inclusive ao Brasil, e assistem a todos os shows dos camarins. Logo após o Rock in Rio[1], aliás, Nina também virá a São Paulo para duas apresentações. Nos dias 22 e 23, ela se apresentará numa danceteria em forma de caravela – a Latitude 3001 – para um público de 600 pessoas (com ingressos a 100 000 e 120 000 cruzeiros)[2], antes de seguir para mais duas noites em Buenos Aires. Nina Hagen viaja com uma equipe de dezesseis pessoas, exige comida vegetariana e faz questão de não ter bebidas alcoólicas no seu camarim. Foi em Los Angeles, entre músicos e técnicos de efeitos especiais que preparavam o que trazer na excursão ao Brasil, que falou a VEJA:
Eu quero que
me olhem
VEJA – Por que você usa tranças de plástico verde na cabeça?
NINA – São um símbolo de esperança. E são longas simplesmente porque também é grande minha esperança de que não morreremos numa guerra nuclear, de que nossos animais, peixes e pássaros não vão morrer asfixiados por enormes nuvens de poluição. Mas veja que não tenho só o verde. A parte de trás de meus cabelos é pintada de vermelho-púrpura, cor muito espiritual. Sempre achei muita graça em ter uma retaguarda espiritual. E combina, fica bonito.
VEJA – A calça colante, esta sainha de gaze, os sapatos de salto alto, tudo vermelho, são para chamar a atenção?
NINA – Alguma coisa de errado nisso? Os homens das cavernas pintavam-se com exuberância. Os papas e cardeais usam cores fortes para se diferenciar dos outros e chamar a atenção. Os presidentes das nações usam ternos caros, andam cercados de bandeiras e têm até bandinhas para saudá-los. Não é para mostrar um status diferente, para atrair atenções que fazem isso? Será que só eles podem e eu não?
VEJA – E por que você quer chamar a atenção?
NINA – Eu tenho algo a dar. Quero que me olhem, que ouçam o que eu tenho a dizer, que entrem em contato comigo, tanto pessoalmente quanto por intermédio de minha música e de minha arte.
VEJA – Qual a sua mensagem para as pessoas?
NINA – Entre os cantores de rock, apenas eu falo diariamente com Jesus. Depois conto essas conversas em minhas músicas. Falo sobre discos voadores e habitantes de outros mundos que nos vêm ensinar a viver de mãos dadas e em paz. Cada música minha é diferente, como cada voz, cada dia e cada existência.
Também sei cantar de
modo carinhoso
VEJA – Se a sua mensagem é o resultado de conversas com Deus, por que você não faz música religiosa?
NINA – Minha música é uma ode a Deus. Meu peito é uma caixa de ressonância para a nova igreja do amor. A igreja tradicional desencontrou-se da vida. Queimava feiticeiras antes, benze canhões agora. Acho que precisamos de algo diferente, de mais luz e compreensão. Escolhi o rock como veículo para difundir minha mensagem. Se for preciso dizer isso gritando, no som rápido e agressivo do rock, vou fazê-lo. Mas também sei soprar docemente nos ouvidos das pessoas e cantar de forma suave e carinhosa.
VEJA – O rock é um bom veículo para essa mensagem?
NINA – Ele é irrequieto, clama por atenção, atrai, induz a cantar e dançar, leva as pessoas ao êxtase. É uma sensação deliciosa. Deve ser parecido com o que se sente no sétimo céu.
VEJA – O que os discos voadores têm a ver com tudo isso?
NINA – Eu vi um, da janela do meu quarto, na praia de Malibu, em 1981, quando estava grávida da minha filha Cosma. Vi seus tripulantes, embora não tenha falado com eles, vi os raios de luz de todas as cores que ele emitia. Fiquei maravilhada e paralisada. As cores, fluorescentes, eram muito fortes, moviam-se em volta do disco, cor-de-rosa, turquesa e amarelo. Esse disco voador me deu uma energia nova. Descrevi essa visão numa de minhas músicas[3]. Ela fez um grande sucesso.
VEJA – Já encontrou pessoas que gostaram da música mas duvidaram da visão?
NINA – Muitas. Mas se ouvem a música já é um bom começo. Eu também já duvidei de muitas coisas nas quais passei a acreditar depois.
VEJA – Dê um exemplo.
NINA – Quando menina vivia na Alemanha Oriental e recebi uma educação atéia. Fui membro da Juventude Comunista, como uma boa alemãzinha. Mas à medida que crescia fui mudando e passei a crer piamente em Deus.
VEJA – Você saiu da Alemanha Oriental porque não a deixavam cantar rock lá?
NINA – Pelo contrário. O governo alemão oriental aceitou o rock há muito tempo. Chega até a patrocinar bandas de rock. Há conjuntos de rock ocidentais que vão cantar lá e conjuntos de lá que vão cantar em países capitalistas. Por muito tempo o governo me pagou para cantar em festivais da juventude. Mas é claro que nem sempre foi assim.
VEJA – Quando mudou?
NINA – No tempo de Stálin, os partidos comunistas tinham maior capacidade para impor suas diretrizes ao povo. Naquela época eles podiam dizer: “Não vista blue-jeans nem mini-saias, não use cosméticos, não ouça rock-and-roll”. Às vezes toleravam um pouco, mas depois reprimiam, considerando o ritmo anti-social, alheio às tradições culturais comunistas. Essas resistências foram se diluindo porque o povo gostava de rock. Houve um tempo em que o povo, principalmente os jovens, não ia a festivais se não houvesse alguma banda de rock para animar o ambiente. Os governantes acabaram descobrindo que a única forma de conseguir gente para ouvir seus discursos longos e soporíferos era contratando roqueiros.
VEJA – Por que, então, deixou a Alemanha Oriental?
NINA – Por causa da Polícia da Cultura, uma espécie de fascismo socialista, com pessoas que ganham regiamente para impedir compositores de fazer letras que desviem demais das receitas do regime. Algum dia isso vai passar e esses governos vão sentir vergonha por terem proibido músicas que falavam em liberdade ou contavam a vida de um alcoólatra ou ainda abordavam temas religiosos de uma forma respeitosa. Por enquanto eles só aceitaram o ritmo do rock, mas a letra tem que ser enquadrada em seus padrões. Não faz mal. Todo mundo liga as estações de rádio do Ocidente e ouve as suas músicas.
Há governos parecidos
com meninos arteiros
VEJA – Basta sintonizar as rádios do outro lado?
NINA – Às vezes o governo da Alemanha Oriental interfere nas transmissões do exterior para impedir que a população ouça versões diferentes da verdade que eles oficializaram. Eu também ficava muito irritada quando me impediam de ouvir minhas músicas preferidas, que nada tinham a ver com política.
VEJA – Como se explica esse tipo de ação do governo comunista?
NINA – É um bando de gente chata, insegura, temerosa de que, se a população tiver acesso a noticiário ou mesmo a propaganda vinda de fora, vai perder a capacidade de raciocinar. Trata a população como se fossem todos criancinhas. Mas são os governos comunistas que demonstram, por alguns de seus gestos, que ainda não saíram da infância.
VEJA – Que gestos?
NINA – Basta contar o que fizeram com uma das pessoas que mais respeito na vida, Wolf Biermann, meu padrasto. Ele escrevia músicas muito críticas, que eram rigorosamente censuradas. Num determinado momento proibiram-no de cantar em público. Mesmo assim, todos os anos ele lançava um disco com suas canções na Alemanha Ocidental, sempre com muito sucesso de vendas. Com o que ganhava, ajudava gente do mundo das artes em dificuldades com a polícia. Certa vez, para sua surpresa, ele recebeu autorização para cantar na Alemanha Ocidental. No dia em que atravessou a fronteira, o governo anunciou que o seu passaporte estava cancelado e ele não poderia mais voltar à Alemanha Oriental. Veja só, aquele governo enorme não teve coragem para expulsá-lo do país. Valeu-se de uma cilada para livrar-se dele. Fazem caras sérias, posudas, de gente crescida, e comportam-se como meninos arteiros. Essa foi a gota d’água, para mim.
VEJA – O que fez, então?
NINA – A família de Biermann e seus amigos encaminharam um abaixo-assinado pedindo que o governo autorizasse a volta dele. As pressões sobre os signatários do documento foram tantas que, um a um, todos foram pedindo a retirada de suas assinaturas. No fim ficamos eu e minha mãe. Decidi então ir ao Ministério da Cultura e disse que ou autorizavam a volta de meu padrasto ou me deixavam sair também. Do contrário, eu passaria o resto da minha vida escrevendo e cantando sobre o meu drama. Foi o que bastou para que me dessem um visto num período recorde de quatro dias.
Cresci cercada pelo
muro de Berlim
VEJA – A mudança fez alguma diferença em sua vida?
NINA – Eu havia crescido cercada pelo muro de Berlim. Sempre soube que havia um mundo diferente, e mais livre, do outro lado. Queria conhecer esse mundo e não apenas aquela parte confinada pela muralha. Queria ser cantora, ser famosa, fazer arte, teatro, rock, ópera, tudo. Tinha certeza de que um dia isso iria acontecer e não estava com muita pressa. Enquanto esperava, fiz tudo o que podia para aprender, assistia de reuniões da Juventude Comunista a peças de Bertolt Brecht, que considero magistrais. Brecht é um dos meus grandes gurus. Desde que vim para o Ocidente não parei mais de trabalhar e descobri esse mundo com que eu tanto havia sonhado. É claro que minha música é influenciada pelas experiências novas que fui adquirindo.
VEJA – O seu rock mudou muito no Ocidente?
NINA – Acho que sim, embora eu tenha a impressão de que ele está cada vez mais comportado. No fundo quero me comunicar, fazer com que as pessoas encontrem coisas interessantes em suas vidas. Com o tempo deixei de ser uma cantora e passei a ser uma santa do rock. Acho que meus espetáculos provocam uma reação tão forte na platéia porque não digo mentiras, nem para mim nem para os que me vão ouvir.
VEJA – Foi difícil para uma mulher como você encontrar um lugar no mundo do rock, predominantemente ocupado pelos homens?
NINA – Não acredito que tenha sido mais difícil para mim do que foi para Janis Joplin, para Billie Holliday ou para Ella Fitzgerald entrarem no mundo dos blues e do jazz. Acho que a chave para tudo nesta vida é o trabalho.
VEJA – Você trabalha muito?
NINA – Depois de tomar café com minha filha e levá-la para o jardim da infância eu passo o tempo todo trabalhando. Ensaio horas a fio, sem parar. Sempre há músicas novas para tentar ou um novo projeto – um disco, um vídeo, um filme. Nunca paro de compor e sempre é preciso ajustar as músicas, ensaiá-las, gravá-las. Assim, quando vou fazer um disco novo, já tenho muitas músicas prontas.
VEJA – Você costuma viajar muito?
NINA – No ano passado passei três meses cantando em teatros por toda a Europa e quando chegou o verão comecei a fazer espetáculos ao ar livre. Depois da Europa iniciei outra excursão pelos Estados Unidos. Nesse período a vida é show numa cidade, viagem, show em outra cidade, ensaios, mais viagem. No fim das excursões tenho vontade de ficar na cama por várias semanas, descansando.
VEJA – Quanto tempo você gasta para pintar o rosto ou planejar a sua roupa, antes de um show?
NINA – Essa é uma das partes mais relaxantes de todo o dia. Não levo muito tempo. Às vezes 10 minutos, às vezes 1 hora. Adoro me pintar, mas não planejo nada. Acho que isso nasceu comigo, é parte da minha arte, uma forma natural de me expressar.
VEJA – De que tipo de música você gosta mais?
NINA – De tudo. De ópera a rock e tudo o que está entre esses dois extremos. Atualmente meus favoritos são David Bowie, Iggy Pop, Hanoi Rocks e Mahalia Jackson.
VEJA – E da sua vida, gosta?
NINA – Não pode haver vida melhor. Estou ajudando a mudar o mundo, a torná-lo melhor. Não posso fazer as superpotências abandonarem suas armas atômicas, mas posso dizer o que penso delas em minhas canções. Posso falar no amor e sentir o calor que minhas vibrações causam na audiência. Não é por outra razão que meu último disco se chama In Ecstasy.
VEJA – Ainda há muita droga no rock?
NINA – Acho que há muita droga no mundo. Há alcoólatras e toxicômanos por todos os lados. Alguns estão nos hospitais, outros vão para instituições de saúde mental, muitos morrem nas ruas. Basta abrir os olhos e perceber que há muita droga nas empresas, nas escolas, nos bancos. Quantas pessoas exigem que servem chefes exigentes, que precisam responder a expectativas acima de suas possibilidades, que trabalham mais do que devem? É para se libertar dessa carga excessiva que se refugiam nas drogas ou no álcool. Ligar as drogas apenas ao mundo das artes é um erro. E não esqueçamos também os tranqüilizantes, as pílulas para dormir, que criam uma dependência grande quanto as drogas ou o álcool.
Quem cuida do dinheiro
é minha empresária
VEJA – Você bebe?
NINA – Só champanhe, nas grandes comemorações, e às vezes passo da conta. Mas é errando que se aprende, não é?
VEJA – Por que você passou a cantar em inglês?
NINA – Porque grande parte da minha audiência fala inglês. Mas meus discos sempre têm uma versão inglesa e outra alemã. Na França sempre procuro cantar em francês e de vez em quando ataco até em russo. Em todos os países a que vou eu quero ser compreendida. Não se surpreenda se eu sair do Brasil cantando um rock em português.
VEJA – Como você recebeu o convite para cantar no Brasil?
NINA – Amei! Quero cantar para o maior número possível e pessoas, quero alcançar todo mundo, quero ser conhecida, amada e desejada pelo mundo inteiro. Quero que minhas músicas sejam parte da vida dos brasileiros.
VEJA – Mas você certamente ganharia mais dinheiro cantando em outros países, não?
NINA – O dinheiro não importa, dele cuida minha empresária. Estou mais interessada em arte, música, amor. Canto de graça nas prisões, nos parques para os jovens de Berlim e Copenhague. Há lugares onde canto de graça com meus amigos e sou muito bem tratada, com muito champanhe.

FONTE: Acervo Veja




[1] Nina Hagen se apresentou no dia 13 de janeiro de 1985, no primeiro Rock in Rio, ainda na Cidade do Rock, para 110 mil pessoas. Naquela noite se apresentaram, pela ordem: Os Paralamas do Sucesso, Lulu Santos, Blitz, The Go-Go´s, Nina Hagen e Rod Stewart. Nina Hagen também se apresentou no dia 20 de janeiro de 1985, para 200 mil pessoas. Pela ordem, se apresentaram naquela noite: Barão Vermelho, Gilberto Gil, Blitz, Nina Hagen, The B-52’s e Yes.

[2] Quer saber quanto valeria hoje? Depende do índice adotado. Tenta aqui: http://calculoexato.com.br/menu.aspx

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