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Como será o dia em que Putin desligar os cabos da internet mundial?
MOISÉS NAÍM 25 JUNHO 2023 | 4min de leitura
É fácil imaginar a internet como um fenômeno etéreo, imaterial. Nestes tempos é normal, por exemplo, conectar-se à rede sem necessidade de cabos, guardar dados na “nuvem” e supor que a informação flui sem “sujar-se” no mundo tátil.
Pena que essas suposições sejam errôneas. A rede da qual dependemos é alarmantemente física e eminentemente vulnerável. Segundo o marechal Edward Stringer, ex-diretor de operações do Ministério de Defesa britânico, 95% do tráfego internacional de dados passa por um pequeno número de cabos submarinos. Estamos falando de meros 200 cabos, cada um da grossura aproximada à de uma mangueira de jardim e capaz de transferir cerca de 200 terabytes por segundo.
Por essa rede física trafegam US$ 10 trilhões em transações financeiras a cada dia. Como explica Stringer, nos últimos 20 anos, a Rússia investiu fortemente em sistemas capazes de atacar essa rede de cabos submarinos. O Kremlin conta hoje com uma frota de sofisticados submergíveis não tripulados projetados especificamente para esses fins. E a China também.
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Não é possível vincular a presença do barco com o corte do cabo. De fato, na maioria das vezes os cortes se devem a acidentes com embarcações pesqueiras ou a eventos sísmicos no leito marinho. Mesmo assim, essa coincidência preocupou muito as agências de segurança das potências ocidentais, que perceberam o o incidente como uma advertência enviada pelo Kremlin.
Outro evento relevante nesse sentido foi a decisão tomada em fevereiro de 2023 pelas duas maiores empresas de telecomunicações chinesas, que decidiram se retirar do consórcio internacional encarregado de desenvolver uma rede de 19,2 mil quilômetros de cabos submarinos que conectam o sudoeste da Ásia e a Europa Ocidental.
Os impactos de um ataque coordenado contra os principais cabos submarinos em nível global seriam incalculáveis. Um ataque simultâneo paralisaria o comércio global, os mercados financeiros, o trabalho remoto e as indústrias de tecnologia e comunicação, provocando uma recessão mundial.
Mas o problema não seria meramente financeiro: as cadeias de fornecimento do século 21 dependem da transferência constante de dados para coordenar a entrega de bens e produtos. A interrupção deste fluxo poderia causar um efeito dominó de atrasos e cancelamentos que restringiria a integração econômica, política e até cultural de diferentes zonas geográficas.
Ainda mais, a crise financeira e econômica que um ataque desse tipo precipitaria nem sequer seria o maior dos problemas. “Desconectar” os cabos de potências rivais desembocaria numa crise inadministrável, especialmente se for possível atribuir a responsabilidade a algum ator estatal específico, o que poderia provocar conflitos e reconfigurar alianças. Os países que dependem em grande medida da infraestrutura digital seriam os mais afetados, e aqueles com capacidades autônomas de comunicação e tecnologia poderiam obter vantagens estratégicas.
Desafortunadamente, tais cenários não podem ser ignorados, porque no alto-mar reina a anarquia. Os tratados internacionais existentes sobre direito de navegação não cobrem satisfatoriamente o caso dos cabos submarinos. Trata-se de um exemplo emblemático de uma realidade global que, apesar de ser de grande interesse público, não está adequadamente protegida nem física nem legalmente.
Até agora, as potências marítimas se abstiveram de atacar em grande escala as infraestruturas submarinas. Obviamente, atacar os cabos e conexões submarinas do rival provocaria custosas retaliações. Mas o equilíbrio atual é instável e inerentemente suscetível a perturbações que podem desestabilizar o sistema mundial da noite para o dia.
Quando imaginamos que eventos seriam capazes de suscitar uma escalada entre o Ocidente e seus rivais, nós tendemos a nos esquecer dessa realidade. As sociedades contemporâneas não podem funcionar sem a transmissão de dados facilitada pela internet que, por sua vez, não pode funcionar sem infraestruturas muito difíceis de defender.
A sensação de invulnerabilidade do Ocidente é ilusória, e seus rivais entenderam bem que certas infraestruturas — começando pelos cabos submarinos — são seu calcanhar de Aquiles. Essa realidade sublinha a necessidade de manter relações minimamente funcionais na arena internacional.
A interdependência entre os países não é apenas um conceito usado por diplomatas. É uma realidade que define o mundo de hoje. Este é um mundo no qual os problemas, riscos e ameaças se fazem cada vez mais internacionais, enquanto as respostas dos governos seguem sendo predominantemente nacionais. Há problemas que nenhum país consegue resolver atuando sozinho. A necessidade de coordenar respostas e responder coletivamente com eficácia às ameaças é um objetivo para o qual o mundo não está preparado.
24 fevereiro 2023
4 maneiras de burlar paywalls de sites de jornais
21/2/22, 8H00 • RODRIGO GHEDIN
Indiquei na newsletter de sábado uma boa matéria com dicas de conservação para reutilizar máscaras PFF2. Alguns leitores reclamaram que não conseguiram ler porque bateram no paywall do jornal O Globo. Ops! E aí teve o caso bizarro da Folha de S.Paulo, que deu um serviço de como doar para ajudar as vítimas das enchentes em Petrópolis (RJ), mas escondeu o texto atrás de um paywall. Oi?

Um paywall poroso, ou seja, daquele tipo que te deixa ler algumas notícias, costuma ser ativado por um código JavaScript, uma linguagem de programação que é executada localmente, pelo seu navegador no seu computador. Para burlá-lo, pois, basta neutralizar esse código antes dele ser executado.
Não vou entrar no debate ético aqui — afinal, esta é uma newsletter de dicas, prática e rápida. Se burlar paywalls porosos lhe parece errado e quiser debater o assunto, acesse o post desta dica e argumente nos comentários. (Em tempo: eu burlo paywall até dos jornais que assino/pago.)
Existem quatro formas de se fazer isso. Elas estão listadas por nível de dificuldade, da mais fácil à mais complexa.
1. Instale a extensão Burlesco
Criada por dois estudantes de ciência da computação, o Burlesco (Chrome, Firefox) é uma extensão que neutraliza os paywalls dos principais jornais brasileiros. Zero trabalho: basta instalá-la e pronto, o acesso é liberado. Digo, o processo de instalação é meio complexo porque a extensão foi chutada para fora das lojas oficiais (você deve imaginar o motivo…), mas não é tão complexo.
Para saber mais do Buslesco, leia esta reportagem do Manual publicada em setembro de 2020.
2. Use o 12ft ou o Leia Isso
O 12ft Ladder e o Leia Isso são sites que fazem o trabalho pesado de burlar os paywalls porosos.
Há duas maneiras de usar ambos:
- Copie a URL (endereço) do conteúdo com paywall, acesse o site do 12ft Ladder ou do Leia Isso e cole a URL no campo correspondente.
- Adicione
12ft.io/ouleiaisso.net/antes do endereço que você deseja burlar o paywall. Se esta página em que você está tivesse um paywall, você teria que entrar no site12ft.io/https://manualdousuario.net/dica-como-burlar-paywalls/ouleiaisso.net/https://manualdousuario.net/dica-como-burlar-paywalls/, por exemplo.
3. Desative o JavaScript (ou use o modo leitura)
Lembra que o JavaScript é uma linguagem executada (a princípio) no navegador, no seu computador/celular? Os navegadores permitem desativá-lo, e isso neutraliza o funcionamento dos paywalls porosos.
No Safari, por exemplo, basta entrar nas opções (Command + , (vírgula)), ir à aba Segurança e desmarcar a opção Ativar JavaScript.
O Firefox, curiosamente, tirou essa opção das configurações. Hoje, para desativar a execução de JavaScript nele, é preciso acessar o about:config, procurar a entrada javascript.enabled (use a pesquisa) e alterar seu valor para false.
Tenha em mente, porém, que ao fazer isso outros recursos da maioria dos sites podem quebrar — alguns sequer abrem sem JavaScript. A extensão NoScript (somente para Firefox) permite fazer uma configuração granular, ou seja, escolher quais sites podem executar códigos em JavaScript e quais não podem. Funciona muito bem, mas é um bocado trabalhoso.
Uma alternativa mais simples e direta é ativar o modo leitura na página do conteúdo que deseja ler clicando no ícone de uma folha, dentro ou perto da barra de endereços do navegador. (Esse recurso existe no Firefox, no Safari e provavelmente em todos os navegadores mais populares com exceção do Chrome.) O modo leitura filtra apenas o conteúdo da página e o exibe em uma formatação limpa e legível — sem JavaScript, logo, sem paywall poroso.
4. Bloquear scripts específicos
Usando extensões que bloqueiam conteúdo, como a uBlock Origin (Chrome, Firefox) ou 1Blocker (Safari), é possível bloquear o carregamento do JavaScript responsável por disparar o paywall.
É um tanto trabalhoso, porque um site pode ter dezenas de scripts rodando em paralelo e nem sempre eles têm nomes óbvios ou desempenham apenas uma função. Por outro lado, esse método dá ao usuário controle total da experiência — além dos scripts de paywall, dá para remover elementos da interface, anúncios e outras coisas indesejadas.
No caso d’O Globo, por exemplo, na data da publicação desta dica o JavaScript responsável pelo paywall está localizado no endereço https://static.infoglobo.com.br/paywall/js/tiny.js. Basta bloqueá-lo para que os conteúdos escondidos atrás do paywall, como aquele das orientações para o uso de máscaras PFF2, sejam exibidos em toda a sua glória no seu computador ou celular.
20 agosto 2022
O que é um arquivo HTM ou HTML?
O que é um arquivo HTM ou HTML?
Um arquivo HTM ou HTML é um arquivo Hypertext Markup Language e é o tipo de arquivo de página da web padrão na Internet.
Como os arquivos HTM são arquivos apenas de texto, eles contêm apenas texto (como o que você está lendo agora), bem como referências de texto a outros arquivos externos (como a imagem neste artigo).
Os arquivos HTM e HTML também podem fazer referência a outros arquivos, como arquivos de vídeo, CSS ou JS.
Como abrir um arquivo HTM ou HTML
Qualquer navegador da web, como Edge, Firefox, Chrome, Opera, o antigo Internet Explorer, etc., abrirá e exibirá corretamente os arquivos HTM e HTML.
Em outras palavras, abrir um desses arquivos em um navegador “decodificará” o que o arquivo HTM ou HTML está descrevendo e exibirá o conteúdo corretamente.
Existem muitos programas projetados para facilitar a edição e a criação de arquivos HTM / HTML. Alguns editores gratuitos notáveis incluem Eclipse, Komodo Edit e Bluefish. Outro editor HTM / HTML popular com muitos recursos avançados é o Adobe Dreamweaver, embora seu uso não seja gratuito.
Embora eles não sejam tão ricos em recursos quanto um editor HTM dedicado, você pode simplesmente usar um programa de bloco de notas simples para fazer alterações em um arquivo HTM ou HTML, como o bloco de notas do Windows.
No entanto, recomendamos o uso de um editor de texto com mais recursos desenvolvidos para uma tarefa como esta.
Aqui está um exemplo de uma página muito simples vista como texto:
<html> <head> <title> É aqui que vai o título </title> </head> <body> <h1> Aqui está um título </h1> <p> Um parágrafo pode ser escrito aqui. </p> </body> </html>Como você pode ver aqui, essa versão de texto de um arquivo é “convertida” em uma página da web real (embora reduzida) no momento em que um navegador da web exibe as informações.
Como converter arquivos
Os arquivos HTM são estruturados de uma determinada maneira e têm uma sintaxe (regras) muito específica para que o código e o texto dentro deles sejam exibidos corretamente quando abertos em um navegador.
Por causa disso, converter um arquivo HTM ou HTML em outro formato provavelmente não é algo que você deseja fazer, porque provavelmente perderá qualquer funcionalidade da página.
Por outro lado, se tudo o que você deseja fazer é converter um arquivo HTM ou HTML em outro formato para facilitar a visualização, como uma imagem ou PDF, isso pode ser inteligente e muito factível. Às vezes, é uma boa opção em vez de imprimi-lo.
No Chrome, você pode escolher Salvar como PDF nas opções de impressão para converter a página na janela em PDF.
Também para o Chrome é uma extensão chamada Full Page Screen Capture que converte qualquer arquivo HTM ou HTML aberto no navegador Chrome em um arquivo PNG.
Outros navegadores possuem recursos semelhantes, como o complemento Salvar como PDF do Firefox.
Você também pode usar um site dedicado a HTM / HTML para conversões de arquivos de imagem, como iWeb2Shot ou Web-capture.
Um conversor de arquivo gratuito pode ser usado para converter um arquivo HTM ou HTML que você salvou em seu computador. O FileZigZag é um site de conversão de documentos gratuito que converte HTM em RTF, EPS, CSV, PDF e muitos outros formatos.
É importante perceber que você não pode converter um arquivo HTM / HTML em qualquer outra coisa que não seja um formato de arquivo de texto.
Por exemplo, um arquivo HTML nunca pode ser convertido em um arquivo de áudio MP3.
Pode parecer possível se você estiver tentando baixar um MP3 de uma página da web, mas esse não é o caminho correto a seguir.
HTM vs. HTML
Na época do MS-DOS, as extensões dos arquivos eram restritas a três caracteres.
No período relativamente curto de tempo em que as páginas da web estavam sendo criadas, assim como o domínio do universo do MS-DOS, o HTM resolveu o problema, já que o HTML não era uma opção.
Hoje, as páginas que terminam em HTM ou HTML são completamente aceitáveis. Apenas certifique-se, para fins de consistência, de usar um ou outro, não ambos, em todo o site.
Além disso, o servidor que hospeda suas páginas da web pode exigir que sua página de índice termine em uma ou outra extensão de arquivo.
Em outras palavras, você pode precisar usar index.html ou index.htm (no nosso caso htm). Verifique com seu provedor de hospedagem ou fabricante de software de servidor da Web se não tiver certeza.
Ainda não consegue abrir seu arquivo?
Os arquivos HTML e HTM devem ser bastante fáceis de abrir, pois são apenas arquivos de texto que qualquer navegador da web pode visualizar.
Se o seu arquivo não estiver abrindo com nenhum dos programas sugeridos acima, há uma boa chance de que você não esteja realmente lidando com um arquivo Hypertext Markup Language.
Alguns formatos de arquivo usam extensões de arquivo que se parecem muito com HTML / HTM, mas não estão realmente no mesmo formato.
Um exemplo importante é a extensão de arquivo HTMLZ usada para arquivos compactados de e-books em HTML.
Existem arquivos HTML dentro do arquivo HTMLZ, mas o formato de todo o pacote é ZIP, que não abre em um navegador da web ou com um editor de texto.
Neste exemplo, você precisa de um visualizador de arquivo HTMLZ específico como o Calibre.
Ou, uma vez que este formato de arquivo é na verdade um arquivo, você pode abri-lo com um descompactador de arquivo como o 7-Zip, após o qual você pode abrir qualquer arquivo HTML individual com um navegador da web ou qualquer um dos outros visualizadores / editores de HTML mencionados acima.
TMLANGUAGE é outra extensão de arquivo que pode ser confundida com um arquivo HTML / HTM. Na verdade, são arquivos de gramática de linguagem TextMate usados pelo TextMate para macOS.
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A Geração Superficial – O Que a Internet Está Fazendo Com Nossos Cérebros – Nicholas Carr
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