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16 dezembro 2014

DISCURSO DO PRESIDENTE DA RÚSSIA, VLADIMIR PUTIN.




Discurso efetuado por ocasião da Reunião do Clube de Discussão Internacional Valdai, em 24 de outubro de 2014, em Sochi.

Colegas, senhoras e senhores, amigos, é um prazer recebê-los para a reunião XI do Clube de Discussão Internacional Valdai.
Foi mencionado que o clube tem novos co-organizadores este ano. Elas incluem as organizações não-governamentais russas, grupos de especialistas e as melhores universidades. Foi, também, levantada a ideia de ampliar as discussões para incluir não apenas as questões relacionadas com a própria Rússia, mas também a política mundial e a economia.
A organização e o conteúdo vão reforçar a influência do clube como um importante fórum de discussão e de especialistas. Ao mesmo tempo, espero que o ‘espírito de Valdai’ permaneça — essa atmosfera livre e aberta e com a chance de expressar todos os tipos de opiniões muito diferentes e francas.
Deixe-me dizer a este respeito que eu também não vou desapontar vocês e vou falar diretamente e com franqueza. Algumas das coisas que eu disser podem parecer um pouco duras demais, mas se nós não falarmos diretamente e honestamente sobre o que realmente pensamos, então não vale a pena nos reunirmos desta forma. Seria melhor, neste caso, apenas manter os encontros diplomáticos, onde ninguém diz nada de verdadeiro sentido e, recordando as palavras de um diplomata famoso, você percebe que os diplomatas têm línguas, mas não para falar a verdade. Ficamos juntos por outras razões. Nós nos reunimos assim para falarmos francamente um com o outro. Precisamos ser diretos e francos, hoje, não para trocarmos farpas, mas a fim de tentar chegar ao fundo do que está realmente acontecendo no mundo, tentar entender por que o mundo está se tornando menos seguro e mais imprevisível e por que os riscos estão aumentando em todos os lugares à nossa volta. A discussão de hoje tomou lugar sob o tema: Novas Regras ou um Jogo Sem Regras. Eu acho que essa fórmula descreve com precisão o ponto de virada histórico a que chegamos hoje e a escolha que todos nós enfrentamos. Naturalmente, não há nada de novo na idéia de que o mundo está mudando muito rápido. Eu sei que isso é algo que vocês têm comentado nas discussões de hoje. Certamente é difícil não notar as transformações dramáticas na política mundial e na economia, na vida pública e na indústria, nas tecnologias de informação e sociais.
Deixe-me perguntar-lhes agora e peço que me perdoem se eu acabar repetindo o que alguns dos participantes da discussão já disseram. É praticamente impossível evitar. Vocês já realizaram discussões detalhadas, mas vou definir o meu ponto de vista. Ele vai coincidir com a opinião dos outros participantes em alguns pontos e divergir em outros.
Ao analisar a situação de hoje, não esqueçamos as lições da história. Primeiramente, as mudanças na ordem mundial — e o que estamos vendo hoje são eventos nessa escala — têm geralmente sido acompanhadas, se não de uma guerra e conflitos mundiais, por uma cadeia de intensos conflitos em nível local. Em segundo lugar, a política global é, acima de tudo, sobre a liderança econômica, questões de guerra e paz e a dimensão humanitária, incluindo os direitos humanos.
O mundo está cheio de contradições hoje. Precisamos ser francos em perguntar uns aos outros se temos uma rede de segurança confiável funcionando direito. Infelizmente, não há nenhuma garantia e não há certeza de que o atual sistema de segurança global e regional é capaz de nos proteger de convulsões. Esse sistema tornou-se seriamente enfraquecido, fragmentado e deformado. As organizações de cooperação internacional e regional políticas, econômicas e culturais também estão passando por momentos difíceis.
Sim, muitos dos mecanismos que temos para garantir a ordem mundial foram criados muito tempo atrás, inclusive e, sobretudo, no período imediatamente após a Segunda Guerra Mundial. Deixe-me enfatizar que a solidez do sistema criado naquela época não repousou apenas no equilíbrio de poder e os direitos dos países vencedores, mas no fato de que "os pais fundadores" desse sistema tiveram respeito um pelo outro, não tentaram colocar pressão sobre os outros, mas procuraram chegar a acordos.
A principal coisa é que este sistema necessita se desenvolver, e apesar de suas várias deficiências, precisa pelo menos ser capaz de manter os problemas atuais do mundo dentro de certos limites e regular a intensidade da concorrência natural entre os países.
É minha convicção de que não poderíamos tomar este mecanismo de freios e contrapesos que construímos ao longo das últimas décadas, às vezes com tal esforço e dificuldade, e simplesmente acabar com eles sem construir qualquer coisa em seu lugar. Caso contrário, ficaríamos sem nenhum outro instrumento além da força bruta.
O que precisávamos fazer era realizar uma reconstrução racional e adaptá-la às novas realidades no sistema das relações internacionais.
Mas os Estados Unidos, tendo se declarado o vencedor da Guerra Fria, não vê necessidade para isso. Em vez de estabelecer um novo equilíbrio de poder, essencial para a manutenção da ordem e da estabilidade, eles tomaram medidas que jogaram o sistema em um desequilíbrio agudo e profundo.


Fonte: Julio Severo

29 abril 2014

Como realmente funciona o sistema de saúde americano



Sempre que há um debate sobre sistemas de saúde e sobre como seria a medicina em um ambiente de genuíno livre mercado, rapidamente alguém menciona os EUA como sendo o exemplo mais óbvio deste arranjo.

O problema é que a comparação é obtusa. 

É verdade que os EUA não possuem um sistema público de saúde de estilo europeu (seja ele o modelo Beveridge da Inglaterra ou da Espanha, no qual o estado se encarrega de prover serviços de saúde em troca do pagamento de impostos, seja ele o modelo Bismarck da Alemanha e da Áustria, no qual o estado obriga os cidadãos a comprarem um seguro privado obrigatório e altamente regulado), mas isso não implica que o sistema americano esteja livre da atuação estatal.  Muito pelo contrário, como será visto.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que os resultados observados no sistema de saúde americano são um tanto deploráveis: o gasto total com a saúde nos EUA chega a 17% do PIB — quase o dobro do que gasta a maioria dos países europeus —, mas isso não fez com que seus resultados fossem espetacularmente superiores.  Sim, o sistema de saúde americano está na vanguarda da implantação de novas tecnologias, bem como no uso da medicina preventiva, mas esses elementos diferenciais não parecem justificar o gigantesco custo excessivo.  Por esse prisma, o debate sobre a superioridade da saúde pública europeia em relação à americana pareceria definitivamente encerrado: uma qualidade análoga pela metade do preço.

Porém, as coisas não são tão simples quanto os números sugerem.  O sistema de saúde americano — como explico em detalhes extensos em meu livro Una revolución liberal para España — está longe de ser o representante de um arranjo de livre concorrência.

Para começar, pelo lado da oferta, a concorrência entre médicos praticamente não existe.  O mercado de médicos é artificialmente cartelizado.  Para ser médico, você tem de ser aceito pelo conselho profissional da categoria, o qual tem interesse em manter baixo o número de médicos, pois isso eleva artificialmente seus salários.  Adicionalmente, um médico tem de adquirir diversos tipos de licenças, sem as quais ninguém pode exercer a medicina.  A criação de hospitais também sofre o mesmo tipo de regulamentação, o que dificulta o surgimento de hospitais baratos que poderiam concorrer com os já estabelecidos.  Já as seguradoras de saúde são, em sua grande maioria, proibidas pelo governo de concorrer entre si além das fronteiras estaduais.  Várias seguradoras não podem ofertar seus serviços em mais de um estado do país.

Mas a coisa piora.

Pelo lado da demanda, 90% dos gastos em saúde ocorrem por meio de canais que não são o paciente: mais especificamente, ocorrem pelas seguradoras e pelo estado.  Para se ter uma ideia desse despautério, na Espanha, o gasto público com saúde totaliza 6,9% do PIB.  Na União Europeia, 8,2%.  Nos EUA, como dito, o gasto total é 17%.  Dado que 90% desses 17% são gastos que não são desembolsados pelo paciente, temos que 15,3% dos gastos em saúde nos EUA são terceirizados.  Ou seja, nem mesmo a Espanha apresenta um grau tão elevado de socialização da demanda como os EUA.

Mais especificamente, de cada 100 dólares gastos na saúde americana, 45 dólares são desembolsados pelas seguradoras, outros 45 dólares pelos programas estatais Medicare (programa de responsabilidade da Previdência Social americana que reembolsa hospitais e médicos por tratamentos fornecidos a indivíduos acima de 65 anos de idade) e Medicaid (programa financiado conjuntamente por estados e pelo governo federal, que reembolsa hospitais e médicos que fornecem tratamento a pessoas que não podem financiar suas próprias despesas médicas), e apenas 10 dólares são desembolsados pelo próprio paciente.

Dito de outro modo, de cada 100 dólares gastos na saúde, o paciente — que é quem está realmente recebendo os serviços — arca com um custo de apenas 10 dólares.  Quem paga os 90 restantes?  O resto de seus compatriotas — seja por meio do Fisco, seja por meio de suas apólices de seguros, que compreensivelmente ficam a anualmente mais caras.

Nos EUA, portanto, não há uma correspondência entre custos e benefícios.  E dado que as seguradoras são obrigadas pelo governo a cobrir até mesmo consultas de rotina, os preços das apólices seguem em disparada.  Se você fizer algo tão simples e corriqueiro quanto um exame de sangue — que é coberto pelos planos de saúde e pelos programas Medicare e Medicaid —, é comum o hospital cobrar um preço astronômico do governo ou da seguradora, a qual, por causa disso, irá aumentar os preços das apólices.

Nesse arranjo, o incentivo para aumentar os gastos é o mesmo que ocorreria se milhões de pessoas fossem a um mesmo restaurante, pedissem individualmente os pratos que quisessem e, no final, dividissem igualmente entre todos a fatura total.

E, com efeito, o estudo mais completo já realizado até o presente momento sobre os custos excessivos da saúde americana não deixa espaço para dúvidas: a explosão dos custos se deve essencialmente a um crescimento descontrolado da demanda (direcionada sobretudo à medicina preventiva), a qual é capaz de suportar preços crescentes devido ao fato de que ninguém — governo, seguradoras e pacientes, como explicado acima — tem o incentivo de reduzir seus gastos.  Por mais que a oferta aumente, a demanda cresce a uma velocidade superior, o que multiplica os preços.

Vale ressaltar que, naquelas áreas do sistema de saúde americano em que não há esta socialização dos gastos — porque os programas estatais ou os seguros não cobrem —, não se observa nenhum crescimento anormal dos custos.  Este é o caso, por exemplo, dos serviços de odontologia ou das cirurgias oculares a laser, cujos custos caem ano após ano.

Na Europa, onde a saúde pública é "gratuita" para o usuário (embora seja cara para os pagadores de impostos), não ocorrem consequências similares a essas dos EUA simplesmente porque os políticos e burocratas que comandam o setor racionam os serviços que os cidadãos podem receber (os famosos cortes de gastos para a saúde, sobre os quais muito se fala atualmente, sempre foram uma prática estrutural do sistema; apenas se tornaram mais visíveis agora por causa da crise).  No Velho Continente, os donos da saúde dos cidadãos europeus não são eles próprios, mas sim os políticos e burocratas que organizam o sistema segundo seus gostos, necessidades e interesses.  Daí a frequente ocorrência de fenômenos como listas de espera, adoção tardia de novas tecnologias, tratamentos e medicamentos não cobertos, aglomeração de pacientes etc.

Dito de outra forma: os incentivos perversos para a demanda que levam a uma hipertrofia dos gastos em saúde nos EUA também existem na Europa, só que, na Europa, os políticos controlam severamente a oferta e impedem que os gastos disparem.  É como se, ao chegarmos a um restaurante, o dono do estabelecimento limitasse a quantidade e a qualidade daquilo que cada comensal pode pedir: por mais que pudéssemos e quiséssemos pedir mais e melhores pratos, não poderíamos.

Mas, afinal, que foi o motivo que levou a tamanha socialização da demanda por serviços de saúde nos EUA?  A criação dos programas estatais Medicare e Medicaid, em 1966, contribuíram substancialmente para as distorções.  Mas o principal incentivo foi criado em 1954: as empresas passaram a poder descontar no imposto de renda e na contribuição para a Previdência Social todos os gastos associados à aquisição de um plano de saúde para seus empregados.  Ou seja, caso as empresas pagassem planos de saúde para seus empregados, elas ganhariam descontos tanto no IRPJ quanto na contribuição para a Previdência Social.

Isso gerou uma consequência não-prevista.  Os incentivos para que todo o gasto em saúde fosse canalizado para os seguros adquiridos por empresas para seus empregados se tornaram enormes.  Isso, por conseguinte, elevou substancialmente a demanda por planos de saúde, os quais foram obrigados pelo governo a cobrir uma enorme variedade de serviços, inclusive aqueles associados à medicina preventiva.  Os custos das apólices obviamente dispararam. 

Apenas imagine quanto custaria o seguro do seu carro caso o governo obrigasse as seguradoras a cobrir serviços como troca de óleo e reabastecimento.  Nos EUA, é exatamente isso o que ocorre para os planos de saúde.  E tudo começou porque as empresas, muito corretamente, queriam reduzir seus gastos com tributos diretos, um confisco estatal que nem sequer deveria existir.  Um perfeito exemplo de como uma intervenção estatal (impostos sobre a renda) gerou uma grande distorção (redução dos lucros das empresas) que, por sua vez, levou à criação de uma medida aparentemente mitigadora (incentivos fiscais para planos de saúde).  No final, todo sistema de saúde ficou desarranjado.

Essa socialização de 90% dos gastos em saúde nos EUA — toda ela induzida pelo intervencionismo estatal — é a principal responsável pela hipertrofia dos preços.  Os EUA não são de maneira alguma um exemplo de livre mercado no sistema de saúde.  Em um arranjo de livre mercado e livre concorrência, os gastos para consultas de rotina são financiados pela própria poupança do paciente, e somente aqueles eventos de natureza extraordinária e catastrófica são cobertos por planos de saúde.

O que o sistema americano ilustra perfeitamente são os efeitos potencialmente devastadores do estatismo, inclusive quando em doses aparentemente inócuas.
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Leituras complementares:

Juan Ramón Rallo é diretor do Instituto Juan de Mariana e professor associado de economia aplicada na Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.  É o autor do livro Los Errores de la Vieja Economía.


03 fevereiro 2014

Tempos Perigosos: Rússia Ascendendo no Oriente Médio




James Lewis
Agora que os EUA fazem uma política de liderar dos bastidores, algumas potências mais sérias correm para preencher o vazio. E Obama está pronto para deixar isso acontecer, razão pela qual a Índia acaba de lançar seu primeiro porta-aviões de fabricação própria e o Japão está se rearmando para evitar que a China roube todo o Mar da China Meridional.
Quando os EUA saírem do jogo, o que virá não é amor e paz, ao contrário do que pensam os esquerdistas, profundamente iludidos. O que irá acontecer é uma disputa mundial para ver quem vai ser o “rei do pedaço”. Instabilidade produz guerra, como podemos ver nas manchetes de jornais. Obama derrubou o regime de Mubarak no Egito, um pilar de paz e estabilidade que durou trinta anos. Agora a guerra civil explodiu por todos os lados: Egito, Líbia e Síria. Grande coisa essa tão louvada “Primavera Árabe”. Os iranianos estão rindo a essa altura, se preparando para passar a perna no Ocidente mais uma vez.
E para mostrar sua profunda preocupação com a matança, Obama está mandando cartões postais da ilha de Martha’s Vineyard, onde passa férias, rindo e se divertindo.
Os árabes não estão rindo. No Egito, ambos os lados culpam Obama. Na Líbia e na Síria, os americanos também alienaram ambos os lados. E pelos bastidores, os sauditas estão pagando o exército egípcio para derrubar a Irmandade Islâmica, enquanto os barões do petróleo do Qatar tentam passar os sauditas para trás.
Israel é o único país democrático, estável e próspero da região, e observa com nervosismo enquanto seus inimigos matam uns aos outros. O Egito agora está em guerra com o Hamas em Gaza, onde a Irmandade Islâmica se abriga. E o Hezbollah está infiltrado na Síria, defendendo o regime dos rebeldes da Al Qaeda.
Na ausência da força e da confiabilidade americana, todos os protagonistas se voltam para a Rússia, que está emergindo:
 como defensora declarada do Cristianismo contra a perseguição muçulmana ao redor do mundo;
 como uma plausível negociadora de paz no Oriente Médio, com relações muito melhores com Israel, Arábia Saudita, Egito e Síria que as que os EUA têm hoje;
 como detentora do monopólio do fornecimento de gás natural para a Alemanha, com o consentimento do eixo franco-alemão;
 como o único país com um guarda-chuva nuclear confiável para proteger os amigos e deter os inimigos;
 como um país que entende o valor de mercados relativamente livres (veja o imposto uniforme de 14% que Putin acabou de introduzir na Rússia).
Vladimir Putin agora parece ser o herdeiro de Pedro I da Rússia, o czar modernizador. Essa é outra estranha reviravolta da história, mas fatos são fatos.
A Rússia de Putin não é um poder marxista imperialista. Isso é importante, porque costumávamos pensar em um império soviético expansionista. Hoje, Putin tem que ser prático para recuperar a força da Rússia depois de décadas de fracasso e decadência. Por isso ele está usando a Igreja Ortodoxa Russa como sua base ideológica para construir sua popularidade. Ele segue os passos dos czares. Até o momento, Putin não avança de maneira agressiva, buscando primeiramente o prestígio internacional, conquistas econômicas e influência nos países vizinhos. Uma das razões para isso é que ele tem um competidor global: a China.
Isso não quer dizer que ele é um cara legal, ou que a Rússia não irá buscar um poder maior. Putin é um imperador da Grande Rússia. A China, a Europa e o islamismo são suas maiores ameaças históricas. Mas, na era nuclear, há ameaças por todos os lados.
Por isso, Putin busca tomar o lugar dos EUA como poder decisivo no Oriente Médio. Ele também quer desempenhar um grande papel na próxima OPEP, baseada no gás e no óleo de xisto. E também gosta de provocar os EUA.
A surpresa maior é que, ao contrário de Obama, o presidente mais antiamericano que já existiu, Vladimir Putin emerge como um defensor de valores tradicionais ocidentais.
Isso é esquisito demais para você?
Para mostrar a seriedade da Rússia no Oriente Médio, Putin visitou pessoalmente e buscou contato com todos os protagonistas, incluindo o regime de Sisi no Egito, Israel, a Síria de Assad e a Arábia Saudita. Todos agora estão buscando seu apoio.
Faz sentido. Suponha que você seja o general Sisi do Egito, tentando governar uma nação no caos. Quem você quer para garantir sua segurança? Um autodepreciativo e traiçoeiro Obama, ou um implacável, mas coerente Putin?
A resposta é clara.
Isso também se aplica a Israel, que não quer uma guerra com o Irã, mas não pode confiar nos malucos de Teerã. Somente a Rússia tem a vontade e o respaldo militar para manter os mulás em seus lugares. Os EUA têm o poder, mas não mais a vontade ou a confiança de seus aliados.
Se Putin se voltar contra os mulás, eles não têm como ganhar. Ele é perigoso demais, com uma força nuclear intimidadora e que ele está disposto a colocar em ação se Teerã em algum momento representar ameaça. Os mulás sabem o que Putin fez à Chechênia muçulmana depois dos ataques terroristas em Moscou e na Bielorrússia. O exército russo é brutal e indiscriminado. Eles não têm medo da histeria esquerdista ocidental. Obama pode ansiar por ser adorado, mas Putin quer ser temido e respeitado. Putin é um homem, com valores masculinos. Obama não.
Nossos aliados da OTAN agora estão felizes em comprar a proteção nuclear de Putin em vez de uma América fraca e vacilante. Esta semana, as forças aéreas francesas e russas estão fazendo treinamentos conjuntos. Não é coincidência.
Na política internacional, os poderes sérios prevalecem. Ninguém irá apostar sua sobrevivência a uma pequena seita de egoístas iludidos da Casa Branca. Homens como Putin irão mastigá-los, cuspi-los e pedir mais.
Durante o Império Soviético, a ascensão da Rússia teria sido má notícia. Hoje em dia, talvez dê aos EUA espaço para respirar e consertar o que está errado em casa.
Poderiam começar introduzindo o imposto uniforme de 14%, uma ideia criada nos EUA, mas que sua classe política vê com desdém.
Se o imposto uniforme funciona na Rússia, vejamos outra glasnost e outra perestroika, mas desta vez na América, se suas próprias ideias políticas voltarem do exterior.
Depois de Obama, parece que irão precisar. 
Traduzido por Luis Gustavo Gentil do original do American Thinker: Dangerous Times: Russia Rising in the Middle East


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