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08 novembro 2024

Inocência – Visconde de Taunay


Descrição do livro

À paixão proibida de Inocência e Cirino vão se interpor a autoridade paterna e as exigências do noivo prometido: Manecão. O ambiente rústico do sertão e o drama do amor impossível vão compor Inocência, de Visconde de Taunay, um dos últimos romances da ficção romântica brasileira.
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Inocência é um romance regionalista brasileiro de Alfredo d'Escragnolle Taunay, dividido em 30 capítulos - que são introduzidos por uma citação - mais um epílogo. Foi publicado em 1872 e retrata costumes, pessoas e ambientes do leste sul-mato-grossense (sertão), notadamente a cidade de Paranaíba e a frente colonizadora dos Garcia Leal.
Como o Romantismo estava em decadência na época em que a obra foi escrita, pode-se considerá-la de transição para o Naturalismo, devido a uma grande e infalível caracterização do homem como produto do meio, isto é, ele age de acordo com o tipo de vida que leva. (Wikipedia)



24 novembro 2014

O caso do remédio caseiro pra restaurar cabaço





Lendo e refletindo sobre o artigo de 1berto de Almeida publicado logo abaixo, aquele que reporta o caso da Bahia, onde se exige atestado de virgindade das mulheres interessadas em participar do concurso para ingresso nas fileiras da polícia baiana, e mais ainda no alerta do nosso escriba quanto aos acidentes de percurso a que as mulheres e suas entradas estão expostas, lembrei-me que pra tudo tem jeito, só não tem jeito pra morte.

Quando eu era menino lá em Princesa, finado Mané Benone, barbeiro dos mais renomados, parava a sangria dos cortes provocados pela sua navalha nas caras lisas da frequesia passando pedra ume. Era tiro e queda.

Pois foi acreditando nisso que Palmira de Miranda Lacerda, uma jovem bela, formosa e descabaçada, achou que poderia tapear o noivo com quem ia se casar. Devidamente aconselhada pela mãe, moeu uma considerável pedra, colocou o pó num copo com água e guardou o copo na cabeceira da cama, para jogar a água na entrada da gruta antes de começar a camaradagem. A mãe disse que era a água com pedra ume batendo e o buraco fechando na hora.

Acontece que o destino brincou com Palmira. Nem bem iniciaram-se as confabulações amorosas, os chamegos, as preliminares, os ajeitados, deu-lhe aquela cólica intestinal, aquela que dá volta nas tripas e o sujeito corre direto para o banheiro, porque se for tapear a dita cuja com um peido, pode ter certeza de que a merda vem atrás.

-Amor, me espere que eu já volto, visse? -, sugeriu dengosa. Disse e correu pra se aliviar. Quando voltou, livre, leve e solta, procurou a água para jogar na solitária, mas nada de copo. Alarmada, perguntou para o marido:

-Cadê aquele copo d'água que deixei aqui?

E ele, mal conseguindo abrir a boca, falando por minúsculo furo que a muito custo conseguiu vazar entre os lábios colados:

-Eu bibi!

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