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21 agosto 2024

Removendo o "Grande" da Grã-Bretanha

 


Infelizmente, o nacional-socialismo britânico veio para ficar. A oposição está sendo extirpada, politicamente e por meio das mídias sociais e dos meios de comunicação tradicionais. Paulo Ferreira para o Instituto Mises:


No mês passado, a Grã-Bretanha deu uma perigosa guinada para a esquerda. A educação privada foi atacada, mais moradias públicas, a promoção do marxismo ambiental e muito mais. Mas isso não quer dizer que não houvesse um evangelho tácito entre os principais partidos sobre o empobrecimento deliberado das Ilhas Britânicas. Diferenças meramente estéticas os separam.

Um distinto associado meu me contou sobre suas queixas, os ataques contra pessoas que ganham salários mais baixos e o armamento político usado por ambos os principais partidos para marcar pontos do eleitorado. Ele também mencionou o comportamento irritante dos samaritanos esquerdistas que pregam o amor, mas quando as pessoas votam contra suas intenções, vomitam diatribes irascíveis.

Por mais decepcionante que seja, não estou muito surpreso. Seria um erro rotular os conservadores como orientados pelo liberalismo de livre mercado. Alguns permitiram a organização das forças de mercado; outros, como Robert Peel, Margaret Thatcher e John Major, eram defensores da liberdade individual.

A noção de conservadorismo de uma nação, também conhecida como democracia conservadora, foi concebida por Benjamin Disraeli, defendendo a crença de uma nação unida protegendo as classes trabalhadoras contra supostos abusos do capitalismo. Como primeiro-ministro na década de 1870, seu governo aprovou a Lei de Empregadores e Trabalhadores e a Lei de Conspiração e Proteção de Propriedade, esta última descriminalizando o sindicalismo. Reformas sociais foram introduzidas para suavizar as relações entre capital e trabalho.

Apesar dessas incursões no estatismo, a Grã-Bretanha manteve uma economia de livre mercado, mas as sementes foram plantadas para que uma revolução social sediciosa brotasse. Como se lê, há sobreposições com o socialismo. Portanto, não é surpresa que o primeiro partido socialista (Fundação Social-Democrata) na Grã-Bretanha tenha sido fundado por Henry Hyndman, um ex-conservador. Sua carreira política se encerrou com sua morte como líder do Partido Nacional Socialista em 1921.

As calamidades da Primeira Guerra Mundial rapidamente trouxeram o Partido Trabalhista para o centro das atenções políticas, inspirado pelo socialismo de guilda de Sidney e Beatrice Webb. A Grã-Bretanha abandonou o padrão-ouro em 1931 e, em 1945, o Partido Trabalhista impôs o controle de preços, expropriou empresas e instituiu o estado de bem-estar social, tudo aquiescido por Winston Churchill, um "liberal" irreligioso que manteve as políticas de seu antecessor - exceto a privatização do aço - e elogiou os poderosos sindicatos em nome da democracia conservadora na Conferência do Partido Conservador em 1953; o mesmo colaborador embriagado do expansionismo soviético.

As décadas seguintes seriam ainda piores. Seguiu-se o inverno do descontentamento e da inflação severa; indústrias não lucrativas foram subsidiadas, levando a recursos desperdiçados. Setores e indústrias inteiros foram prejudicados pela interrupção do comércio. O lixo não foi retirado e os falecidos não foram enterrados. A comida não estava sendo transportada e hospitais e escolas fecharam. Sem dúvida, o Congresso dos Sindicatos - uma casta privilegiada que desconsidera o bem-estar econômico - estava seguindo ordens do Kremlin.

Os governos de Thatcher e Major representaram uma mudança de paradigma em relação ao papel (reduzido) do Estado. No entanto, apesar dos sucessos alcançados em 18 anos, não foi suficiente para manter os eleitores longe do Novo Trabalhismo, influenciados pelo carisma de Tony Blair.

É verdade que seu governo nunca buscou medidas keynesianas, e a memória da União Soviética, do controle onipotente do governo, dos gulags e da pobreza ainda estava fresca na mente de muitas pessoas. O socialismo era profundamente impopular. Mas Blair estabeleceu a socialização por meio da destruição dos valores e tradições culturais britânicos assolados pela imigração em massa e pelo politicamente correto, agora ameaçando abalar os alicerces dos meios de subsistência das pessoas.

Não é de admirar que a esquerda colabore com os islâmicos – eles proíbem o uso da usura, um pilar central das preferências temporais do consumidor, sinalizando uma preferência pelo consumo presente ou futuro. As baixas preferências temporais se traduzem em ganhar e acumular capital, o que é denunciado pelos adeptos do Islã.

O amor requer cuidado e cultiva a paciência; o ódio é opaco, facilitando a destruição. Em 2024, o comportamento hedonista é incentivado e os limites são desrespeitados. É por isso que aqueles de ordem cultural e religiosa inferior se recusam a se integrar nos países que os colonizam. O bolchevismo nasceu no Segundo Congresso do Partido Operário Social-Democrata Russo em Londres. E foi sob uma administração trabalhista que as relações diplomáticas foram estabelecidas com a União Soviética.

O homem moderno, despojado de seu passado, pode ser moldado para ser qualquer coisa: na pior das hipóteses, um trabalhador de Downing Street.

No entanto, vale a pena lembrar o quase esquecido Manifesto Conservador de 1997, exibindo uma perspectiva consistente com o Paleolibertarianismo. Vamos transcrever algumas delas:

"Nosso objetivo é nada menos do que o livre comércio de tarifas em todo o mundo até o ano de 2020."

"A família é a instituição mais importante em nossas vidas. Oferece estabilidade e segurança em um mundo em rápida mudança. Mas a família é prejudicada se o governo tomar decisões que as famílias devem tomar por si mesmas. A autossuficiência sustenta a liberdade e a escolha."

"As pessoas não estão poupando apenas para si mesmas, mas para seus filhos e netos. Essas economias não devem ser penalizadas pelo sistema tributário."

Em uma breve monografia que acompanha o manifesto intitulado "Por que voto nos conservadores", podemos encontrar a seguinte citação na página 13: "A melhor maneira de melhorar o desempenho das indústrias britânicas é expô-las ao máximo de concorrência possível".

Os conservadores fariam bem em aprender com o passado, com as páginas da liberdade perdidas no tempo. Mas a derrota maciça de 1997 condicionou as lideranças conservadoras subsequentes que defendiam políticas contrárias à liberdade: bloqueios de covid, flexibilização quantitativa e a maior carga tributária já registrada desde a Segunda Guerra Mundial. A inflação está em alta e, como muitos sabem, o zumbido perpétuo da máquina de impressão corrói a poupança e destrói todos os empregos produtivos na economia, transferindo o poder de compra do trabalhador para o estado (um imposto furtivo).

Alguns na Europa sonham com o retorno da Grã-Bretanha à União Europeia e à URSS em conjunto com a agenda 2030. Mesmo os liberais continentais - que não entendem a liberdade - defenderam a vitória maciça do Partido Trabalhista. E não é um relacionamento unilateral.

Starmer anunciou recentemente suas intenções de aumentar os laços comerciais com a UE por meio de um acordo veterinário prejudicial forçando o Reino Unido a adotar regulamentos sobre alimentos e agricultura de acordo com o Tribunal de Justiça Europeu, juntamente com um melhor acesso para os pescadores da UE a águas britânicas.

É irônico que o reforço do esquerdismo na Grã-Bretanha tenha ocorrido no dia 4 de julho, quando os americanos se libertaram da tirania do rei George. Hoje é uma nova tirania que domina a população britânica.

O nacionalismo está realmente vivo. O novo governo trabalhista planeja uma renovação nacional criando a Great British Energy, a Great British Railway e o National Healthcare Service - todos ataques amargos contra o contribuinte britânico e sua liberdade de escolha.

As indústrias nacionalizadas, não sujeitas à concorrência, têm pouco incentivo para melhorar enquanto fornecem serviços inferiores. A nação não se beneficia dessas indulgências exuberantes de Whitehall. A British Airways orgulhosamente voa com a Union Jack sem recorrer à propriedade pública.

Um sistema monárquico de governo fornece proteção de direitos de propriedade desconhecidos nos estados republicanos, onde as mãos do poder estão constantemente mudando. Um monarca protegerá seus súditos por gerações (uma baixa preferência temporal, mantendo um valor respeitável do reino). Esse passo republicano dentro do Partido Trabalhista é mais prevalente, dada sua ambição de abolir a monarquia. Todo esse nacionalismo, afinal, vai contra as raízes genealógicas do rei Charles: alemão, escocês, grego e dinamarquês (Casa de Glücksburg). Keir Starmer é apenas inglês e simplesmente chato.

Infelizmente, o nacional-socialismo britânico veio para ficar. A oposição está sendo extirpada, politicamente e por meio das mídias sociais e dos meios de comunicação tradicionais. Mas o povo dessas grandes ilhas é forte e pragmático.

A história da Grã-Bretanha está repleta de alforrias de seus súditos ao longo dos séculos. A Magna Carta e a Revolução Gloriosa restringindo o absolutismo político estabeleceram a precedência para a separação de poderes que desde então foi emulada - sem sucesso - em todo o mundo. Um farol de liberdade que abriga uma grande linhagem de liberais como William Hutt, Friedrich Hayek, Edwin Cannan e Arthur Seldon, entre outros. A pedra angular da estabilidade é a tradição e a prosperidade por meio de evoluções pacíficas.

Como Ludwig von Mises escreveu em 1919, "viver nos mesmos lugares e ter o mesmo apego a um Estado desempenham seu papel no desenvolvimento da nacionalidade, mas não pertencem à sua essência. Não é diferente de ter a mesma ancestralidade."

O que molda a nação é a nossa individualidade. Sem individualismo, não há identidade.


10 maio 2024

O Livro Negro do Comunismo – Stephane Courtois e outros



Descrição do livro

Ao contrário da repressão episódica e acidental das ditaduras latino-americanas, a violência comunista se tornou um instrumento político-ideológico, fazendo parte da rotina de governo. O mais completo estudo existente do comunismo, sob o prisma de suas atrocidades, está em O Livro Negro do Comunismo. Esta espécie de enciclopédia do comunismo revela, em oitenta anos de regime comunistas, um saldo de quase 100 milhões de mortos, com a esmagadora maioria de vítimas nos dois gigantes do marxismo-leninismo – a União Soviética e a China.

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FONTE: Mises Brasil e Instituto Rothbard

08 julho 2023

Sobre a crise de 1929 e a Grande Depressão - esclarecendo causa e consequência



Como pode uma simples queda na Bolsa de Valores gerar mais de 15 anos de depressão econômica?


No ano de 1921, houve uma profunda depressão na economia americana. O desemprego saltou de 5 para quase 12%. A economia se contraiu em incríveis 17% e os preços desabaram mais de 10%.
O que fez o governo americano à época, liderado pelo presidente Warren G. Harding?
De um lado, ele permitiu que os salários caíssem livremente, de modo a acompanharem os preços em queda. Isso fez com que os custos de produção das empresas rapidamente se estabilizassem. Harding, ao contrário dos presidentes de hoje, em momento algum disse que a queda dos salários seria ruim para a economia.
De outro, ele cortou profundamente os gastos do governo (em incríveis 50%), diminuiu o imposto de renda para todas as classes sociais e, de quebra, ainda reduziu a dívida do governo americano em 33%.
Por sua vez, o Federal Reserve — o Banco Central americano — nenhuma iniciativa tomou para contrabalançar a crise. Quando ele reduziu os juros de 6% para 5%, a depressão já havia acabado.
A liberdade de ajuste de preços e salários, em conjunto com a redução do fardo do estado sobre a economia privada, fez com que aquela profunda depressão de 1921 estivesse já totalmente superada em 1923.
Hoje, são raros os livros de história que sequer a mencionam. É como se ela não houvesse existido. O fato de o governo americano nada ter feito para contrabalançá-la — e por isso mesmo ela ter sido rapidamente solucionada pelo livre mercado — certamente é algo que abala a crença dos intervencionistas. Por isso mesmo sua diligência em escondê-la. Pode-se dizer que a depressão de 1921 foi a última na qual um governo não se intrometeu. Por isso mesmo, foi também a mais rápida.
Para quebrar esse silêncio, o economista James Grant, um dos mais respeitados economistas dos EUA e do mundo, escreveu um livro inteiro dedicado a esse assunto

A robusta recuperação da economia americana em 1923 deu início aquele período de prosperidade que se tornou conhecido como "os loucos anos 20".
Mas aí a história foi diferente.
Durante o resto da década 1920, o Banco Central americano reverteu sua postura até então conservadora e adotou uma política monetária muito mais expansionista: em 1920, os juros estavam em 6% ao ano. Ao final de 1927, eles já haviam caído para 3,5%. Uma redução de 42%.
Essa política monetária expansionista foi a principal responsável por sustentar a febre especulativa dos "loucos anos 20". A contínua criação de dinheiro pelo Federal Reserve permitia que os bancos concedessem, de forma contínua e aparentemente sem limites, empréstimos fartos e baratos para especuladores, os quais utilizavam esse dinheiro barato para comprar ações e, em seguida, revendê-las a preços muito maiores. A expansão monetária feita pelo Fed garantia que os preços das ações subissem continuamente. (Tudo isso está documentado em detalhes neste livro).
Vale ressaltar que é impossível preços de ativos subirem continuamente sem que esteja havendo uma grande expansão monetária, que dê sustentação a esse processo de alta nos preços. Sem expansão monetária é impossível preços subirem eternamente. E quem controla o processo de expansão monetária de um país é o seu Banco Central.
E assim foram os loucos anos 1920.
Até que, em fevereiro de 1928, o Fed, assustado com toda aquela febre especulativa, reverteu sua postura e, contrariamente às expectativas, começou a subir os juros. E o fez por três vezes seguidas. Em um período de 5 meses, ele elevou os juros de 3,50% para 5%. Pode parecer pouco, mas esse aumento de 43% em 5 meses bastou para interromper toda a farra especulativa.
Com o crédito mais caro, os especuladores começaram a ter dificuldades em auferir lucros em suas ações. Pegar dinheiro emprestado para comprar ações (um processo conhecido como "alavancagem") tornou-se 43% mais caro em 5 meses. Com menos empréstimos sendo tomados, a quantidade de dinheiro na economia parou de aumentar. (De novo, todas essas estatísticas estão documentadas neste livro). Com essa interrupção no crescimento da quantidade de dinheiro na economia, a própria atividade especulativa perdeu a potência. Os preços das ações pararam de subir.
Uma correção na bolsa de valores era inevitável.
O empurrão
E essa correção veio, mas de uma maneira inusitada.
No dia 29 de outubro de 1929, já com praticamente toda a atividade especulativa paralisada, a bolsa de valores americana desabou 12% em um único dia. Esse fenômeno, que ficou conhecido como a "terça-feira negra", é do conhecimento de todos. Mas o que não é muito bem conhecido é o que realmente precipitou essa correção tão súbita e tão substantiva.
Sim, a política monetária do Fed — que subitamente reverteu quase uma década de expansão monetária e dinheiro barato — criou as bases para que essa correção ocorresse, mas houve um outro detalhe: a história já revelou que, naquele dia 29 de outubro, correu a notícia de que o então presidente Herbert Hoover iria implantar a Tarifa Smoot-Hawley, que elevaria as tarifas de importação de mais de 20 mil produtos a níveis jamais vistos na história. Alem de encarecer substantivamente as importações, isso geraria uma guerra comercial e representaria um golpe fatal ao livre comércio.
Imediatamente os preços das ações das empresas desabaram.
Sobre essa tarifa, Thomas Lamont, alto executivo do J.P. Morgan, disse que "Eu quase me prostrei de joelhos perante Hoover para implorar que ele vetasse a asinina tarifa Smoot-Hawley". Já o presidente da GM européia, Graeme K. Howard, enviou um telegrama a Washington alertando que a aprovação da Smoot-Hawley levaria "à mais severa depressão jamais vivenciada pelo mundo".
Os mercados nunca precificam o presente; eles sempre miram o futuro. Os preços presentes são apenas os preços futuros descontados. Uma legislação criada para reduzir o comércio global inevitavelmente afetaria os mercados e os preços das ações das empresas. Com um comércio global muito mais restringido, os lucros das empresas exportadoras e importadoras seriam severamente afetados. A Bolsa de Valores apenas antecipou essa queda.
Uma queda na Bolsa gera uma depressão de 15 anos?
Até aqui a narrativa é bastante convencional. Quedas abruptas e inesperadas na Bolsa de Valores estão longe de ser um fato atípico. Isso já havia acontecido em 1920. E voltaria a acontecer novamente em 1987 — uma queda, aliás, muito maior, de 22%.
Por que nenhuma dessas duas quedas gerou uma grande depressão? Por que apenas a queda de 1929 teve esse potencial?
Essa é a pergunta que tem de ser respondida.
Para isso, entra em cena Herbert Hoover.
Pesquisas históricas conduzidas sem paixões ideológicas e sem panfletagens políticas revelam o básico: Herbert Hoover sempre fora um político incessantemente intervencionista.
Hoover, um homem bem intencionado e de instintos apurados, havia sido um bem-sucedido engenheiro de minas antes de entrar para o setor público. Por ser muito intelectualmente capacitado, ele acreditava que praticamente tudo podia ser manipulado e controlado como se fosse um projeto de engenharia. Essa sua filosofia foi trazida à tona durante o crash da bolsa em 1929.
Para começar, Hoover era abertamente contrário ao livre mercado. E por um motivo: ele sabia, corretamente, que uma livre concorrência desregulamentada forçaria as empresas a reduzir seus preços. Tendo sido ele próprio um homem da iniciativa privada, ele via uma queda de preços como algo inerentemente ruim. Pior: ele acreditava que preços menores levavam a salários menores.
Em novembro de 1929, pouco depois da queda da bolsa, Hoover convocou uma reunião com os presidentes das principais indústrias americanas. Henry Ford, da Ford Motor Company; Alfred Sloan, da GM; e Pierre Dupont, da Dupont Chemicals, lideraram o grupo que se encontrou com Hoover.
O presidente, então, impôs algumas diretivas sem precedentes: 1) Apesar da economia fraca e abalada pela queda da Bolsa e pelo fim da atividade especulativa (vale relembrar que especular na bolsa havia se tornado uma febre entre os americanos de todas as classes durante quase toda a ultima década), salários não deveriam em hipótese alguma ser reduzidos; 2) As demissões deveriam ser evitadas ao máximo. Se a empresa realmente tivesse de reduzir mão-de-obra, que o fizesse por meio da redução da carga horária — ou seja, dois trabalhadores deveriam, cada um, trabalhar apenas meio expediente, ou apenas dia sim, dia não.
Em troca da manutenção dos empregos e da não-redução dos salários, Hoover prometeu aos industriais que ele convenceria trabalhadores e sindicatos a não fazerem greves e a não exigirem benefícios e pagamentos adicionais.
E ele cumpriu a promessa. Os trabalhadores não fizeram greves. E as indústrias não reduziram os salários. Com efeito, Henry Ford chegou a aumentar os salários como um gesto de solidariedade.
O engenheiro Hoover, ao que tudo indicava, havia conseguido engenheirar a solução perfeita. Só que ela não funcionou.
Com o Fed tendo subido os juros e parado de expandir a oferta monetária, pessoas que haviam pedido empréstimos para especular com ações não mais conseguiam revender suas ações a preços maiores e, consequentemente, não mais conseguiam quitar suas dívidas. Elas começaram a dar calotes nos bancos. Os bancos então começaram a restringir empréstimos e a pedir a quitação de empréstimos pendentes.  As pessoas se assustaram com a situação e correram para sacar seu dinheiro dos bancos.  
Como os bancos praticam reservas fracionárias, isso gerou uma série de falências bancárias.  Essas falências bancárias geraram uma forte contração na oferta monetária — consequentemente, uma recessão.  
Tal recessão não precisaria durar mais de um ano caso o governo americano permitisse ampla liberdade de preços e salários — exatamente como havia feito em 1921 —, de modo que estes se adequassem à nova realidade da oferta monetária. Mas Hoover não permitiu que isso acontecesse.
Consequentemente, com essa ampla deflação monetária, foi impossível conter a queda dos preços. Em 1930 e 1931, os preços dos produtos industriais caíram. As pessoas simplesmente não tinham dinheiro para comprar bens ou para investir nas empresas.
E, para piorar tudo, a tarifa Smoot-Hawley de fato foi aprovada em 1930. Com as maiores tarifas de importação da história, não apenas as empresas e os cidadãos americanos não mais conseguiam importar bens baratos — uma extrema necessidade em um ambiente em que a quantidade de dinheiro na economia estava diminuindo —, como também os parceiros comerciais dos EUA retaliaram impondo pesadas tarifas sobre os produtos americanos.
Todo o comércio global foi paralisado.
Com as exportações americanas reduzidas à metade, os preços dos produtos industriais americanos desabaram.
Mas os salários — por causa da imposição do governo — continuaram sem ser reduzidos. Ou seja, receitas em queda e custos congelados. A consequência? Várias indústrias foram à falência.
À medida que a Depressão foi se aprofundando, a indústria pediu a Hoover permissão para finalmente reduzir os salários. Mas Hoover se recusou. "Se reduzirem os salários, os sindicatos farão um inferno", dizia ele.
Mas ao final de 1931, com a economia em frangalhos, a indústria rompeu o acordo com Hoover e finalmente reduziu os salários. Porém, como apenas reduzir os salários não adiantava, ela também começou a demitir em massa.
Mas já era tarde demais para interromper a queda livre. Falências geravam mais falências. O desemprego pulou de 3,2% em 1929 para 23,6% em 1932.
Hoover tentou contrabalançar a situação aumentando vastamente os gastos governamentais, apresentando um programa de nove metas estatais que incluíam grandes obras públicas, como a Represa Hoover. Ele aumentou os gastos do governo em quase 50% em termos nominais (e 87% em termos reais, considerando-se a deflação da época). Não satisfeito, elevou a alíquota máxima do imposto de renda de 25% para 63%.
Hoover implantou tudo aquilo que ele, como um engenheiro, imaginou que traria a economia de volta à prosperidade. Ele só não fez exatamente aquilo que seria o certo: deixar o livre mercado curar a situação, exatamente como em 1921.
Uma recessão que não deveria durar mais do que dois anos se transformou em uma depressão que durou 15 anos.
E ainda há quem diga que Herbert Hoover foi um adepto inflexível do laissez-faire.
Conclusão
Ao contrário do senso comum ensinado nas escolas e universidades, uma queda no valor das ações na bolsa (que foi o que aconteceu em 1929) por si só não gera depressão.  Em 1987, por exemplo, a bolsa americana caiu 22% e não houve depressão. 
O crash da bolsa de Nova York em outubro de 1929 teve suas origens na expansão do crédito feita pelo Federal Reserve em concerto com o sistema bancário de reservas fracionárias ao longo de toda a década de 1920.  Tal expansão gerou um boom sem precedentes no mercado de ações, levando a uma euforia especulativa generalizada.  Quando a expansão do crédito foi interrompida em decorrência de pressões inflacionárias, a euforia foi abruptamente interrompida, e deu-se início ao processo de correção.
A Grande Depressão, na verdade, não precisaria durar mais de um ano caso o governo americano permitisse ampla liberdade de preços e salários (exatamente como havia feito na depressão de 1921, que foi ainda mais intensa, mas que durou menos de um ano justamente porque o governo permitiu que o mercado se ajustasse). 

Porém, o governo fez exatamente o contrário: além de aumentar impostos e gastos, ele também implantou políticas de controle de preços, controle de salários, aumento de tarifas de importação (que chegou ao maior nível da história), aumento dos gastos do governo, e aumento de impostos. Para piorar: ele estimulou uma arregimentação sindical de modo a impedir que as empresas baixassem seus preços. 
Em 1933, entrou em cena Franklin Delano Roosevelt, que simplesmente deu continuidade às políticas intervencionistas de Hoover, inacreditavelmente prolongando a Depressão até 1946.

Um simples crash da bolsa de valores foi amplificado pelas políticas intervencionistas e totalitárias do governo, gerando uma depressão que durou 15 anos e que só foi resolvida quando o governo encolheu, em 1946. 

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Leituras complementares e obrigatórias:
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Lee Ohanian é professor de economia da UCLA.
Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil. 


29 abril 2017

Nós não humanizamos o capitalismo; foi o capitalismo quem nos humanizou

Graças à acumulação de capital, o trabalho infantil foi abolido e a jornada de trabalho, reduzida



Sempre que há um feriado prolongado, várias pessoas dizem que foram os sindicatos e as intervenções do governo que "humanizaram o capitalismo" ao nos dar a jornada de trabalho de 8 horas, a semana de cinco dias de trabalho, a abolição do trabalho infantil e tudo mais.
Infelizmente, essas pessoas inverteram as relações de causa e efeito.
Não fomos nós que humanizamos o capitalismo; foi o capitalismo que nos humanizou.  A riqueza produzida pelo capitalismo nos permitiu satisfazer nossas demandas humanitárias de maneiras que não eram nem sequer sonháveis em outras épocas, quando todos os seres humanos viviam, diariamente, no limiar da sobrevivência.
Era absolutamente impossível trabalhar apenas 8 horas por dia, ter uma semana de trabalho de apenas 40 horas, e abrir mão do trabalho infantil quando as condições materiais que permitem esse luxo ainda não existiam. Ao contrário do que alguns gostam de imaginar, os trabalhadores não trabalhavam longas jornadas e as crianças não trabalhavam desde muito cedo porque os empregadores apontavam uma arma para suas cabeças. Igualmente, eles não trabalhavam tanto só porque gostavam de laborar por longas, duras e desconfortáveis horas.
Eles, assim como nós, teriam preferido trabalhar menos, ganhar mais, e usufruir melhores condições de trabalho.  No entanto, quando o capital — ferramentas tecnológicas, maquinários de alta produção, e de meios de transporte rápidos e eficientes —  é escasso, a produtividade é baixa.  Sendo a produtividade baixa, os salários inevitavelmente também serão baixos.  Sendo assim, para se alimentar toda uma família, serão necessárias várias horas de trabalho e muito mais pessoas trabalhando.
Cuidando de si próprio
Como Ludwig Von Mises nunca se cansou de repetir, foi a acumulação de capital o que tornou o trabalho mais produtivo. 
Capital é tudo aquilo que aumenta a produtividade e, em última instância, o padrão de vida de uma sociedade. Capital são todos os fatores de produção — como ferramentas, maquinários, edificações, meios de transporte etc. — que tornam o trabalho humano mais eficiente e produtivo. 
Capital, em termos físicos, são os ativos físicos das empresas e indústrias.  São as instalações, os maquinários, os estoques e os equipamentos de escritório de uma fábrica ou de uma empresa qualquer.
Trabalhar menos e produzir mais é o resultado direto da acumulação de capital. Assim como um trator multiplica enormemente a produção agrícola em relação a uma enxada, o uso de máquinas e equipamentos modernos multiplica enormemente a produtividade dos trabalhadores — e, consequentemente, seus salários e sua qualidade de vida.
Foi a acumulação de capital ocorrida ao longo dos séculos o que permitiu que os trabalhadores produzissem mais com menos horas de trabalho. Em decorrência disso, eles passaram a poder alimentar a si próprios e a seus familiares — bem como educar seus filhos — ao mesmo tempo em que trabalhavam menos horas.
Nos países ricos, em que os trabalhadores possuem uma grande quantidade de maquinários e bens de capital tecnológicos à sua disposição, tais trabalhadores tendem a ser mais produtivos. Sendo assim, eles podem se dar ao luxo de trabalhar menos horas.  Já nos países ainda em desenvolvimento, que não usufruem de bens de capital abundantes e de qualidade para seus trabalhadores — o que faz com que eles sejam menos produtivos —, não há alternativa senão trabalhar mais para produzir o mesmo tanto que um trabalhador de um país desenvolvido.
Os salários dos trabalhadores dependem de sua produtividade e do valor daquilo que produzem para os consumidores. Quando trabalhadores têm mais e melhores bens de capital com os quais trabalhar, sua mão-de-obra se torna mais produtiva. E quando os consumidores demandam aquilo que eles produzem, seus salários, por causa da maior produtividade, podem aumentar.
Quando os proprietários do capital — isto é, os donos dos meios de produção — têm de concorrer pela mão-de-obra, eles têm de oferecer maiores salários para atrair essa mão-de-obra mais produtiva, retirando-a de seus concorrentes.  A consequência é que mais e melhores bens de capital levam a maiores salários, e isso permite que mais famílias possam sobreviver sem ter de colocar seus filhos para trabalhar, e que mais trabalhadores e empresas possam reduzir as horas de trabalho e a jornada semanal.
E todo esse processo já estava a pleno vigor antes de qualquer tipo de sindicalização ou de regulamentações governamentais sobre a jornada de trabalho. A linha de tendência de queda nas horas de trabalho não foi alterada quando sindicalizações e regulamentações governamentais começaram a aparecer.
Horas semanais de trabalho na indústria, 1830-1997; a cada regulamentação que surge, a tendência de queda não é alterada
O economista Robert Whaples observa que a jornada semanal média vem caindo progressivamente desde os anos 1830.
Em 1938, quando o então presidente americano Franklin Roosevelt assinou a Fair Labor Standards Act (FLSA), uma lei que estipulava a jornada semanal máxima em 40 horas, tal lei já era praticamente desnecessária.  Ao longo do século anterior, as forças de mercado já haviam derrubado a jornada semanal média nas indústrias, de quase 70 horas para apenas 50 horas.  Em outras indústrias, a jornada era ainda menor.  Em 1930, por exemplo, operários das ferrovias trabalhavam uma media de 42,9 horas por semana.  Já os carvoeiros trabalhavam uma média de apenas 27 horas. (Confira os números aqui).
Henry Ford implantou uma jornada semanal de 40 horas em 1926 porque ele acreditava que consumidores com mais tempo livre iriam comprar mais produtos.  Outras grandes empresas fizeram o mesmo.  Apenas um ano depois, 262 grandes empresas já haviam adotado uma semana de trabalho de 5 dias.  Pela primeira vez na história, as pessoas estavam usufruindo fins de semana livres.
Mais de 80% dos historiadores econômicos já aceitam a idéia de que "a redução na jornada de trabalho semanal nas indústrias americanas antes da Grande Depressão deveu-se majoritariamente ao crescimento econômico e aos aumentos salariais gerados por esse crescimento econômico.  Outras forças tiveram um papel apenas secundário.  Por exemplo, dois terços dos historiadores econômicos rejeitam a proposta de que os esforços dos sindicatos foram a principal causa da queda na jornada de trabalho antes da Grande Depressão.
E essa tendência de queda nas horas de trabalho pode ser observada com ainda mais intensidade no que diz respeito ao trabalho infantil.
No início do século XIX, crianças trabalhavam ou na agricultura familiar ou nas fábricas.  Em ambos os casos, as famílias necessitavam dessa contribuição do salário da criança para sobreviver.
O historiador Steven Mintz, especialista em trabalho infantil, observa que os salários de crianças entre 10 e 15 anos de idade "frequentemente representavam 20% da renda da família e podiam significar a diferença entre bem-estar e privação".  Como também disse Mintz, "nessa economia cooperativa familiar, as decisões essenciais [...] se baseavam nas necessidades da família e não na escolha individual".
É claro que se os pais daquela época fossem capazes de sobreviver sem ter de colocar seus filhos para trabalhar, eles teriam feito isso, como demonstrado pela relativa ausência de trabalho infantil entre as famílias mais ricas da época.  O problema é que a maioria dos pais simplesmente não podia se dar a esse luxo.
Quando uma demanda menor é algo bom
Evidências de que foi a acumulação de capital, e não legislações, que reduziram o trabalho infantil e a jornada de trabalho foram compiladas pelo historiador Clark Nardinelli, que mostra o contínuo declínio das horas de trabalho infantil nas fábricas britânicas de algodão e de linho nas duas décadas anteriores à promulgação do Factory Act de 1833 [que limitava a 10 horas por dia o trabalho infantil em fábricas], bem como o contínuo declínio no trabalho infantil total nas fábricas de seda até 1890, muito embora as leis de trabalho infantil não se aplicassem à indústria da seda.
Conjuntamente, todos esses dados fornecem evidências do papel da elevação dos salários reais, permitida pelo capitalismo, como a causa da redução do trabalho infantil ao longo do século.  Mesmo crianças que trabalhavam na agricultura viram suas funções diminuírem à medida que maquinários agrícolas de maior qualidade reduziram a necessidade do uso de mão-de-obra infantil e aumentaram a produtividade, o que permitiu que proprietários de terra contratassem mão-de-obra de fora da família.
Sim, não há dúvidas de que as condições nas quais as crianças trabalhavam nas fábricas (e ainda o fazem nos locais mais pobres do mundo) eram desagradáveis e desumanas para os nossos padrões atuais; mas a vida no campo, trabalhando na lavoura, certamente não era melhor. Provavelmente, era pior. Se levarmos em conta a maior renda familiar e o maior acesso a recursos, principalmente remédios, disponíveis à recém-formada mão-de-obra industrial urbana, a vida era, no geral, melhor para crianças que trabalhavam nas fábricas do que para crianças que trabalhavam na lavoura na geração anterior.
A conclusão de Nardinelli merece ser citada:
A crescente renda real observada na Grã-Bretanha do século XIX foi a mais importante força responsável por retirar as crianças das fábricas têxteis após 1835. As crianças trabalhavam nas fábricas porque suas famílias eram pobres; à medida que a renda das famílias aumentou, a mão-de-obra infantil diminuiu.  Com efeito, à medida que a renda de uma determinada família aumentava, seus filhos começavam a trabalhar em idades mais avançadas do que seus irmãos mais velhos. 
Aquela bem conhecida preocupação vitoriana com as crianças surgiu, em grande parte, como um reflexo da renda crescente.  Era de se esperar que, graças ao crescente aumento da renda na última metade do século XIX, a quantidade de mão-de-obra infantil nas fábricas têxteis teria declinado sem qualquer legislação a respeito.
É certo que as leis tiveram algum efeito em dar um empurrão ao processo, mas a "mais importante força" continua sendo o aumento na renda real produzido pelo capitalismo e pela industrialização.
Contrariamente à alegação de seus críticos, não foi o capitalismo quem criou a desagradável mão-de-obra infantil. Esse tipo de trabalho sempre existiu nas famílias e no campo. E não por uma questão de maldade, mas sim de necessidade econômica. O que obrigou agricultores a colocar seus filhos para trabalhar foi o fato de que, como a produtividade era baixa, tais pessoas simplesmente tinham de trabalhar 70-80 horas por semana se quisessem produzir o suficiente para comer. 
Foi o capitalismo e a acumulação de capital gerada pelo capitalismo quem permitiu o desaparecimento do trabalho infantil entre as massas pela primeira vez na história da humanidade, ainda que ele tenha, à primeira vista, tornado o trabalho infantil mais visível ao movê-lo do campo para as fábricas.
Se o problema fosse de tão fácil resolução, então tudo o que aqueles países do Terceiro Mundo — cuja população, inclusive crianças, ainda trabalha muitas horas por semana — têm de fazer para acabar com a pobreza, enriquecer e usufruir mais horas de lazer é criar leis. 
A sociedade supera o ego
Por tudo isso, é válido perguntar por que se tornou uma espécie de senso comum acreditar que foram leis estatais que aboliram o trabalho infantil, as longas jornadas e a semana de sete dias de trabalho. Meu palpite é que tal raciocínio provavelmente é reflexo da nosso viés intelectual e evolutivo, o qual nos leva a acreditar que de fato temos o poder de controlar o mundo social à nossa volta.
É mais fácil, bem como mais moralmente satisfatório, acreditar que fomos nós que intencionalmente abolimos algo desagradável ao simplesmente nos posicionarmos contra ele. Não é fácil aceitarmos que o responsável por tudo foi um processo que não controlamos diretamente.
Adicionalmente, parece ser uma tendência que leis contra um comportamento antigo que julgamos ser moralmente repreensível adquiram uma aura de santidade quando as práticas em questão já majoritariamente desapareceram, fazendo com que os poucos exemplos ainda remanescentes sejam ainda mais repreensíveis.  Isso certamente é válido para alto enfoque dado ao trabalho infantil ao mesmo tempo em que este foi rapidamente desaparecendo ao redor do mundo, por causa da cada vez menor necessidade de renda infantil para complementar a renda de uma família minimamente estruturada.
É mais fácil legislar contra uma prática cuja necessidade econômica, ou mesmo conveniência, já não existe mais. Leis proibindo o trabalho infantil e longas jornadas de trabalho só foram possíveis de ser implantadas quando as famílias não mais necessitavam daquelas horas extras de trabalho para sobreviver e propiciar uma vida melhor para si próprias e para seus filhos.
O real crédito pelo declínio do trabalho infantil e das longas jornadas de trabalho se deve ao capitalismo e aos mercados concorrenciais, os quais permitiram a acumulação e o crescimento do capital, o qual aumentou a produtividade da mão-de-obra e enriqueceu tanto os capitalistas quanto os trabalhadores.  Pessoas mais ricas podem se dar ao luxo de trabalhar menos e viver melhor.
Sindicatos e governos não humanizaram o capitalismo. Foi o capitalismo quem criou as condições que permitiram que cada vez mais pessoas vivessem vidas verdadeiramente humanas.

Julian Adorney é diretor de marketing da Peacekeeper, um aplicativo de smartphone que oferece uma alternativa para serviços de emergência.  É também historiador econômico, tendo como base a economia austríaca.  Já publicou nos sites do Ludwig von Mises Institute do EUA, Townhall, e The Hill.

FONTE: Mises Brasil

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