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05 outubro 2024

Os Ombros Suportam o Mundo



Os Ombros Suportam o Mundo
Carlos Drummond de Andrade


Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.


Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

19 dezembro 2014

Pelas ruas da cidade (Banda Catedral)








Neste momento, há pessoas chorando, mesmo que por dentro, no seu íntimo. Elas estão nos hospitais, presídios, asilos, escolas... crianças clamando por um pai, uma mãe em um orfanato... sentindo-se não amadas, não boas o bastante para serem adotadas, recebidas num lar, terem o prazer de chamar alguém de "pai", "mãe"... Gente infeliz, nos ônibus, calada, ouvindo música pelo celular... meio que fugindo do som ao redor, da vida lá fora... fugindo... gente bebendo para sair da real, fugir de si mesmo, "viajar", desapegar-se... Gente sofrendo. Há tantos.



Por isso, por que nos preocuparmos com o que não é importante? Há gente precisando de nós... há crianças chorando... onde estão os consoladores? E eu, o que farei? Chega de braços cruzados. Chega!

"... os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor". (Isaías 55.8)





A mentira, a doença, a cobiça, falsidade
A miséria de um povo, injustiça, realidade
O governo, o desprezo e toda desigualdade
As meninas e meninos pelas ruas da cidade
E o que nós podemos fazer? Cruzar os braços não há de ser!
Ajudar ao outro e ajudar a si, mostrar o caminho a prosseguir
Se há tanto para fazer, cruzar os braços não há de ser
Abrir as janelas do coração: só com Jesus Cristo a solução!

O desrespeito aos idosos, parte da sociedade
Castração ideologia prendem a humanidade
Todo vício, violência agredindo a liberdade
Há meninos e meninas pelas ruas da cidade
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