Mostrando postagens com marcador soneto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador soneto. Mostrar todas as postagens

29 janeiro 2024

Soneto de Devoção - Vinícius de Moraes


Rio de Janeiro , 1938

Essa mulher que se arremessa, fria
E lúbrica aos meus braços, e nos seios
Me arrebata e me beija e balbucia
Versos, votos de amor e nomes feios.

Essa mulher, flor de melancolia
Que se ri dos meus pálidos receios
A única entre todas a quem dei
Os carinhos que nunca a outra daria.

Essa mulher que a cada amor proclama
A miséria e a grandeza de quem ama
E guarda a marca dos meus dentes nela.

Essa mulher é um mundo! — uma cadela
Talvez... — mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela!


27 abril 2022

SONETO DE TODAS AS PUTAS (Bocage)





Não lamentes, ó Nize, o teu estado; 

Puta tem sido muita gente boa; 

Putíssimas fidalgas tem Lisboa, 

Milhões de vezes putas têm reinado; 



Dido foi puta, e puta de um soldado; 

Cleópatra por puta alcançou a coroa; 

Tu, Lucrécia, com toda a tua proa, 

O teu cono não passa por honrado: (cona) 



Essa da Rússia imperatriz famosa, 

Que ainda há pouco morreu (diz a Gazeta) 

Entre mil piças expirou vaidosa; 



Todas no mundo dão a sua greta; 

Não fiques pois, ó Nize, duvidosa 

Que isso de virgem e honra é tudo peta. 


01 maio 2016

Vinícius de Moraes – Soneto de Maio



Suavemente Maio se insinua
Por entre os véus de Abril, o mês cruel
E lava o ar de anil, alegra a rua
Alumbra os astros e aproxima o céu.
Até a lua, a casta e branca lua
Esquecido o pudor, baixa o dossel
E em seu leito de plumas fica nua
A destilar seu luminoso mel.
Raia a aurora tão tímida e tão frágil
Que através do seu corpo transparente
Dir-se-ia poder-se ver o rosto
Carregado de inveja e de presságio
Dos irmãos Junho e Julho, friamente
Preparando as catástrofes de Agosto…


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...