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03 setembro 2024

Peludas e Peladas - Walter Galvão





Peludas e Peladas

Walter Galvão
Jornalista
Publicado no Jornal Correio da Paraíba,
Caderno Opinião, em sexta-feira, 23/08/2013


A história, que é cheia de tragédias, também é um mosaico das conquistas que dão felicidade às pessoas em esferas coletivas e privadas, o que inclui aparentes futilidades. Além disso, funciona como lente de aumento sobre detalhes. Esse movimento de olhar para o detalhe é uma tentativa de perceber o que acontece num espaço que o pensador Karl Marx definia como os poros da sociedade. Um detalhe revelador do que pensamos e queremos nesses nossos dias de vaidades à flor da pele e fixação na beleza do corpo é essa discussão sobre a fisionomia da vagina despertada pelas fotos da nudez da atriz Nanda Costa.
O debate é sobre se é mais bonita, sedutora e elegante a vagina recoberta de pelos ou desprovida dos cachos que transformaram Claudia Ohana num ícone da abundância capilar.
E o interesse social, público, coletivo, que esse dilema desperta é justificado por uma agenda psicossocial que envolve pesquisadores, cientistas e até filósofos. Na perspectiva da filosofia, estaríamos no campo da interferência do poder social nas formas dos usos do corpo, para os prazeres, deveres e controles tão bem estudados na obra de Michel Foucault. Se pensarmos na sociologia da vagina esteticamente percebida, teríamos a discussão sobre o corpo modelado, transformado, artisticamente apropriado, esteticamente modulado, tatuado e penetrado por piercings e objetos similares que é feita na obra de David Le Breton.
No debate sobre a melhor cara para a vagina contemporânea brasileira, que se submete inclusive à vaginoplastia para ter suas proporções, reentrâncias e colorações alteradas, estaríamos pensando e falando sobre a fisiologia simbólica do corpo da mulher, sobre anatomia íntima e imaginário social, sexualidade, beleza, prazer, poder e espetáculo.
Na minha opinião, a vagina peluda e a pelada são bonitas. Se na simbologia do corpo a vagina representa também o mistério, a retirada dos pelos requer do observador a percepção de um mergulho no misterioso sem qualquer advertência. A presença dos pelos adverte para características do corpo como a natureza de sua textura, e da personalidade como o nível de exposição da imagem que se acha adequado. Para mim, os pelos simbolizam a lã e o ninho. E a nudez sem os pelos é um indiscreto sorriso de flor.

NOTA DO TIO CELO:

Walter Galvão escreve muito bem e nos leva a pensar, como diz um jovem amigo meu, para além da caixa, para além da Matrix.
Eu levanto duas lebres aqui: a primeira, que a vagina raspada me parece uma concorrência. O homem tem o pênis, um grande falo, em sânscrito भाल  (bhala, "esplendor"), o símbolo da sua autoridade, do seu poder... A vagina é discreta, é a bainha onde se coloca a espada, o que há nela que chame a atenção? É preciso desnudá-la, mostrá-la, expô-la. A segunda lebre diz respeito ao desejo, cada vez maior, pela exposição da vagina infantil, uma espécie de pedofilia que o superego de muita gente não percebeu. Uma vagina raspada é uma vagina de criança, de menina. Aos poucos, a erotização das pequenas, época a época... antes, dançando na Boquinha da Garra, hoje mulheres infantilizadas...
Como o Walter Galvão, sou homem, macho, naturalmente aprecio vaginas quer peludas quer peladas.

E ainda temos, ora veja! um médico dizendo que depilação vaginal não é sinônimo de limpeza. (clique em riba do texto e leia)


















FONTE: Atlas Fotográfico de Anatomia

02 setembro 2024

Pedofilia

 


O termo "pedofilia" é frequentemente mal utilizado no discurso popular, levando a confusões sobre seu significado. Vamos esclarecer alguns pontos:

1. Crime de Pedofilia:

  • Pedofilia em si não é um crime, mas uma condição psiquiátrica. Trata-se de uma parafilia, onde a pessoa tem uma atração sexual persistente por crianças pré-púberes (geralmente menores de 13 anos).
  • No entanto, atos decorrentes dessa atração, como abuso sexual de crianças, produção, posse e distribuição de pornografia infantil, são crimes graves. Esses crimes estão tipificados no Código Penal Brasileiro.

2. Classificação de "Pedo-":

  • O prefixo "pedo-" vem do grego "paidos", que significa "criança". Portanto, a palavra pedofilia refere-se à atração por crianças pré-púberes.
  • Hebeofilia é o termo técnico usado para descrever a atração por adolescentes em fase inicial da puberdade (geralmente entre 11 e 14 anos).
  • Efebofilia refere-se à atração por adolescentes em fase mais avançada da puberdade (geralmente entre 15 e 19 anos).

3. Legislação:

  • A legislação protege tanto crianças quanto adolescentes contra abusos sexuais. No Brasil, qualquer tipo de atividade sexual com menores de 14 anos é considerado estupro de vulnerável, independentemente do consentimento da vítima.

4. Distinção Importante:

  • Pedofilia é uma condição psiquiátrica, não um crime por si só. Os crimes são os atos de abuso sexual, exploração ou exposição indevida de crianças e adolescentes.

Então, um "pedófilo" sente atração sexual por crianças pré-púberes, mas pode não cometer crimes. Os crimes relacionados à exploração sexual de menores são punidos pela lei, independentemente de a vítima ser criança ou adolescente.



21 agosto 2024

Artigos falsos em revistas científicas expõem militância da universidade

Ato do Black Lives Matter em Washington

(foto: Tasos Katopodis/Getty Images/AFP)

RAMIRO BATISTA

02/11/2021


Entenda o escândalo que provou como é possível publicar qualquer bobagem identitária na área de Ciências Sociais desde que inclua seus chavões e sua literatura


Em meados de 2018, uma das publicações científicas americanas líderes da geografia feminista, a Gender, Place & Culture, publicou com alta badalação e destaque entre os 12 melhores de sua edição comemorativa de 25 anos o artigo "Parques Caninos".

Uma defesa do adestramento de homens como cães como forma de combate à cultura do estupro, a partir da observação de que parques caninos são espaços de apologia ao estupro. Assentava-se em vasta literatura de estudos de raça, gênero e identidade e um título prolixo típico desse universo: "Reações Humanas à Cultura do Estupro e à Performatividade Queer em Parques Urbanos para Cães em Portland, Oregon."

Tinha passado pelos trâmites longos e rigorosos de aceitação de artigos científicos, com exame e refutação de pares da academia, e colhido pareceres empolgados como o de que significava "contribuição importante à geografia animal feminista". Ou:

“Este é um artigo maravilhoso, incrivelmente inovador, rico em análise e extremamente bem escrito e bem organizado, dados os conjuntos de literatura incrivelmente diversos e questões teóricas postas em questão. O desenvolvimento que a autora faz do foco e das contribuições do artigo é particularmente impressionante. O campo de trabalho desenvolvido contribui imensamente à contribuição do artigo como um trabalho acadêmico inovador e valioso, que atrairá os leitores de uma ampla gama de disciplinas e formações teóricas.”

Por essa mesma época, a não menos respeitável Sexuality & Culture, publicou outro em defesa da tese de que  o uso de consolos por homens pode ajudar a combater a transfobia e reforçar valores feministas. Título: "Entrando pela Porta dos Fundos: Desafiando a Homohisteria e a Transfobia de Homens Heterossexuais através do Uso de Brinquedos Eróticos Penetrantes". Tão fundamentado, analisado e aprovado quanto:

"Este artigo é uma contribuição incrivelmente rica e empolgante ao estudo da sexualidade e da cultura, e particularmente da intersecção entre a masculinidade e a analidade. … Essa contribuição, por certo, é importante, vem em boa hora e é digna de publicação."

A Sex Roles publicou sob os mesmos trâmites outro sobre objetificação sexual a partir da análise de homens que frequentam restaurantes de garçonetes de peito semi exposto, os "peitaurantes", como sintoma de herança patriarcal e desejo de dar ordens a mulheres atraentes: "Uma Etnografia da Masculinidade de Peitaurante: Temas de Objetificação, Conquista Sexual, Controle Masculino, e Firmeza Masculina num Restaurante Sexualmente Objetificador"

E a também honorável Fat Studies publicou sob o mesmo rigor a tese de que "o corpo gordo é um gordo legitimamente cultivado" e que a obesidade mórbida é um estilo de vida saudável, distorcido pelas "normas culturais que fazem a sociedade considerar o cultivo de músculos em vez de gordura como algo admirável". Título: "Quem São Eles Para Julgar?: Superando a Antropometria, e um Arcabouço para o Fisiculturismo Gordo".

Entre os elogios dos pareceristas, uma restrição risível, reveladora das obsessões dessa tribo:

"[O] uso do termo ‘fronteira final’ é problemático ao menos de duas formas. Primeira — o termo ‘fronteira’ sugere a expansão colonial e a posse hostil, e o apagamento genocida dos povos indígenas. Encontre outro termo.”

Três outras grandes publicações analisavam empolgadas, pela ordem, 

- um artigo sobre a masturbação masculina como indício de violência sexual contra a mulher, mesmo que ela não consinta ou saiba, 

- um outro sobre o risco de a inteligência artificial se transformar numa construção masculinista e 

- um terceiro, uma versão feminina de Mein Kampf de Hitler ("Minha Luta é Nossa Luta").

Até saberem que, como os quatro primeiros, se tratavam de um embuste, uma fraude monumental, produzidos com metodologias questionáveis, estatísticas implausíveis, alegações não sustentadas pelos dados e análises qualitativas motivadas puramente por ideologia.

Foram perpetrados sob pseudônimo por um professor de filosofia, um doutor em matemática e uma pesquisadora de textos medievais escrito por e sobre mulheres. Dispostos a provar, como provaram, que é possível publicar qualquer bobagem da moda na política em publicações científicas respeitáveis de estudos de gênero, desde que cheia de clichês ideológicos e envernizada por citações da literatura da área.

— Conforme progredíamos, começamos a perceber que mais ou menos qualquer coisa poderia funcionar, contanto que ficasse dentro da ortodoxia moral da área e demonstrasse um entendimento da literatura existente — escreveram na síntese do trabalho a que chamaram "Estudos de Ressentimento", neste site, traduzida pelo biólogo geneticista Eli Vieira. 

Peter Boghossian, Helen Pluckrose e James A. Lindsay produziram em um ano 20 artigos totalmente fraudulentos, mas dentro dos cânones exigidos pelo meio acadêmico, com ampla fundamentação da literatura da área e submissão ao escrutínio de seus pares, além dos clichês e do título rebuscado, claro.

Conseguiram publicar sete, um índice altíssimo em tão pouco tempo no meio, e andavam com outros sete em correção, na iminência de publicação, quando foram denunciados por um curioso de rede social (Real Peer Review) e expuseram em longa entrevista ao Wall Street Journal o propósito da empreitada.

Foram perpetrados sob pseudônimo por um professor de filosofia, um doutor em matemática e uma pesquisadora de textos medievais escrito por e sobre mulheres. Dispostos a provar, como provaram, que é possível publicar qualquer bobagem da moda na política em publicações científicas respeitáveis de estudos de gênero, desde que cheia de clichês ideológicos e envernizada por citações da literatura da área.

— Conforme progredíamos, começamos a perceber que mais ou menos qualquer coisa poderia funcionar, contanto que ficasse dentro da ortodoxia moral da área e demonstrasse um entendimento da literatura existente — escreveram na síntese do trabalho a que chamaram "Estudos de Ressentimento", neste site, traduzida pelo biólogo geneticista Eli Vieira. 

Peter Boghossian, Helen Pluckrose e James A. Lindsay produziram em um ano 20 artigos totalmente fraudulentos, mas dentro dos cânones exigidos pelo meio acadêmico, com ampla fundamentação da literatura da área e submissão ao escrutínio de seus pares, além dos clichês e do título rebuscado, claro.

Conseguiram publicar sete, um índice altíssimo em tão pouco tempo no meio, e andavam com outros sete em correção, na iminência de publicação, quando foram denunciados por um curioso de rede social (Real Peer Review) e expuseram em longa entrevista ao Wall Street Journal o propósito da empreitada.

Foram perpetrados sob pseudônimo por um professor de filosofia, um doutor em matemática e uma pesquisadora de textos medievais escrito por e sobre mulheres. Dispostos a provar, como provaram, que é possível publicar qualquer bobagem da moda na política em publicações científicas respeitáveis de estudos de gênero, desde que cheia de clichês ideológicos e envernizada por citações da literatura da área.

— Conforme progredíamos, começamos a perceber que mais ou menos qualquer coisa poderia funcionar, contanto que ficasse dentro da ortodoxia moral da área e demonstrasse um entendimento da literatura existente — escreveram na síntese do trabalho a que chamaram "Estudos de Ressentimento", neste site, traduzida pelo biólogo geneticista Eli Vieira. 

Peter Boghossian, Helen Pluckrose e James A. Lindsay produziram em um ano 20 artigos totalmente fraudulentos, mas dentro dos cânones exigidos pelo meio acadêmico, com ampla fundamentação da literatura da área e submissão ao escrutínio de seus pares, além dos clichês e do título rebuscado, claro.

Conseguiram publicar sete, um índice altíssimo em tão pouco tempo no meio, e andavam com outros sete em correção, na iminência de publicação, quando foram denunciados por um curioso de rede social (Real Peer Review) e expuseram em longa entrevista ao Wall Street Journal o propósito da empreitada.

Opinião sem dados é preconceito, disse numa entrevista em que exemplificou: se você diz que a polícia americana para ou mata mais negros que brancos, é preciso ir lá e medir para ver se é verdade e encarar verdades inconvenientes. 

Não teorizar a priori que é racismo estrutural ou resquício de dominação ancestral branca, acrescento. Se a polícia tem uma larga faixa de negros e certamente por isso negros também matam negros, como no Brasil, como fica a teoria?


Foi agredido de diferente formas quando tentou explicar o que acreditam as pessoas que defendem fechamento de fronteiras, que há diferenças físicas entre homens e mulheres e o problema do islamismo radical. Um aluno o acusou de racista e se retirou da sala quando ele tentou explicar o básico de que Islã não é raça, é religião, e que raça não se escolhe.

Num primeiro momento, ele começou a acreditar que a contaminação ideológica e a intimidação de estudantes, administradores e outros departamentos atingiam “um número razoável de pessoas”, mas “em um pequeno número de faculdades”. 

Mais tarde, quando testou sua hipótese num artigo em uma revista de baixo prestígio que o pênis era um "conceito construído socialmente”, que chegam a “muita gente em um pequeno número de faculdades”. Até concluir, depois do estândalo, que eram comuns a “quase todas as pessoas nas universidades”.

Até o ponto em que foi demitido — ao invés de promovido — da Portland, no rastro da polêmica, depois de ouvir do reitor o disparate de que a função da universidade era fazer justiça racial. Não produzir conhecimento independente, como deve ser.

E tomar consciência de que o sistema todo estava infectado, como disse em entrevista recente à Gazeta do Povo, de Curitiba, onde previu que a doença que chegou ao estado atual de cancelamento e lacração, para não ouvir o outro lado, vai piorar ainda muito antes de melhorar.

— A cultura woke está piorando porque as universidades continuam a formar gente com essa bobagem, nesse sistema de crenças doentio e perigoso.

Vai melhorar um dia porque, segundo ele, "criamos uma cultura em que as pessoas fingem acreditar no que de fato não acreditam. Isto não é sustentável. Ninguém aguenta viver assim".

25 julho 2024

Guerra de gênero e negação da natureza humana

 



O texto lança um pouco de luz sobre a longa história de negação da natureza humana e confronta alguns dogmas dessa nossa estranha época na qual a questão do que é uma mulher se tornou uma provocação. Catarina Rochamonte para O Antagonista:


O tradicional jornal suíço Neue Zürcher Zeitung (NZZ) publicou uma matéria muito interessante, assinada pelo jornalista científico Reto U. Schneider, sobre a atual batalha de gênero, a qual, segundo o autor, teria começado com uma falsa suposição por parte das feministas.

O oportuno texto lança um pouco de luz sobre a longa história de negação da natureza humana e confronta alguns dogmas dessa nossa estranha época na qual “a questão do que é uma mulher se tornou uma provocação.”

O artigo nos remete aos idos de 1978, por ocasião de uma conferência do renomado entomólogo e biólogo norte-americano, Edward O. Wilson, conhecido por seu trabalho com ecologia, evolução e sociobiologia.

Conforme a narrativa do jornalista, no momento em que o pesquisador da Universidade de Harvard estava prestes a começar sua palestra, “uma dúzia de jovens subiram ao palco, derramaram uma jarra de água sobre sua cabeça e gritaram: ´Racista Wilson, você não pode se esconder”.

O estranho protesto tinha a ver com o fato de que Wilson estava atento em relação às novas teorias da biologia evolutiva que explicavam de forma plausível diferenças há muito observadas entre os sexos.

Na palestra intitulada “Humano: Da Sociobiologia à Sociologia”, o pesquisador sugeriu que olhássemos para os seres humanos “como se fôssemos zoólogos de outro planeta completando um catálogo de espécies sociais na Terra”.

Com isto, explica Schneider, “um debate de longa data sobre a natureza dos seres humanos e, portanto, também sobre a natureza dos homens e das mulheres atingiu o seu clímax”.

Embora à época não se duvidasse da relação entre os instintos, os impulsos e os reflexos que surgiram ao longo da evolução e o comportamento social dos animais, os seres humanos eram apartados dessa apreciação e as ciências sociais abordavam o comportamento humano como se não houvesse condicionantes biológicos a serem considerados.

“Foi amplamente aceito nas universidades que as pessoas nascem como uma tábula rasa e são moldadas exclusivamente pela educação e pelas experiências. Ao mesmo tempo, isso significava que homens e mulheres diferiam entre as pernas, mas não entre as orelhas. Todo comportamento típico de gênero seria resultado de influências sociais”, observa Reto U. Schneider.

Behaviorismo X psicologia evolucionista

O jornalista científico do NZZ explica que, quando Edward O. Wilson deu a sua palestra no Sheraton, a psicologia estava sob forte influência do behaviorismo, doutrina segundo a qual os seres humanos nascem como um conjunto de reflexos simples que se transformam em uma personalidade por meio da educação e de outras influências externas.


Essa parecia ser então uma linha de pesquisa sensata, principalmente ao se considerar os descalabros morais causados por teorias que atribuíram características inatas a grupos de pessoas.

“Esterilizações forçadas, escravatura e genocídio: os piores atos da humanidade foram justificados por uma suposta inferioridade hereditária de certas partes da sociedade. Foi, portanto, considerado repreensível considerar que os comportamentos típicos de grupo também poderiam ter raízes genéticas”, explica Schneider.

A despeito disso, a sociobiologia de Edward O. Wilson apresentava-se como uma linha de pesquisa distinta do behaviorismo, desbravando um campo de investigação que hoje é chamado de psicologia evolucionista e que se tornou um ramo frutífero da ciência.

A sociologia e o negacionismo biológico

Ocorre que a psicologia evolucionista parece ter sido solenemente ignorada nas ciências sociais. Isso guarda relação estreita com aquilo que hoje se chamada de ideologia de gênero:

“A tese do gênero exclusivamente construído socialmente só pode ser mantida se for introduzida uma exceção absurda para a nossa espécie, nomeadamente que, em contraste com todos os outros animais, a evolução humana parou no pescoço. É como dizer que os genes contêm o projeto do corpo, mas não o cérebro”, argumenta Schneider.

A hipótese do gênero como construção social pressupõe a negação de uma relação entre as diferentes anatomias dos sexos e as suas inclinações, o seu comportamento. Mas a psicologia evolutiva mostra que essa relação existe.

As mãos se desenvolveram ao longo da evolução para agarrar e os olhos para ver. Da mesma forma, o cérebro também desenvolveu adaptações que provaram ser benéficas para a nossa vida social, pois o cérebro não faz menos parte da biologia humana do que as mãos ou os olhos.

As diferenças entre os gêneros resultaram do fato de as mesmas adaptações não terem sido consideradas benéficas para os homens e para as mulheres.

Se, em média, os corpos masculino e feminino diferem em muitos aspectos, não é surpreendente ou inaceitável supor que o cérebro também funcione de modo distinto, afinal, o cérebro é uma parte do corpo.

Ser diferente não é ser inferior

As feministas, explica ainda o autor do referido artigo, tinham bons motivos para cortar pela raiz a ideia das diferenças entre os cérebros dos homens e das mulheres, pois sempre que tais diferenças foram postuladas no passado, elas o foram em detrimento das mulheres.

“Os homens têm naturalmente mais força do que as mulheres, logo, devem dominá-las”. Isso é uma falácia naturalista. Falácia naturalista é a tendência que muitas pessoas têm de derivar da natureza o que é bom e moralmente correto.

Foi com essa falácia que os homens tentaram durante muito tempo impedir a igualdade das mulheres. A melhor forma de se contrapor a ela não é negando o fato de que os homens são mais fortes, mas negando a consequência ética equivocada que se tenta tirar desse fato.

As mulheres, de fato, foram julgadas intelectualmente inferiores, além de dependentes, passivas, instáveis, etc. Isso as manteve injustamente afastadas, por muito tempo, do estudo acadêmico, da política e de muitas atividades profissionais nas quais se provaram posteriormente muito competentes.

A socióloga francesa Christine Delphy argumentou corretamente quando afirmou que “até agora, a diferença física serviu apenas como pretexto para o exercício do poder de um sexo sobre o outro”, mas ela forçou a barra e saiu da descrição factual para o ativismo político quando complementou que a consequência disso era que a “destruição das diferenças de gênero equivale à destruição da hierarquia”.

Feminismo e negação das diferenças de gênero

A rejeição feminista de qualquer influência biológica no comportamento de gênero foi radical e intransigente.

“Para separar o corpo dos papéis de gênero, as pessoas começaram a falar sobre sexo biológico (sexo) e sexo social (gênero). À primeira vista, isto tornou a discussão mais fácil porque o gênero, ou seja, o gênero social, tinha agora sido retirado linguisticamente da biologia. Mas a nova classificação tinha um problema óbvio: o gênero social, que também incluía comportamento, pensamento e sentimentos, está intimamente ligado ao cérebro”, escreve Reto U. Schneider.

A escritora francesa Simone de Beauvoir já havia dito em 1949: “Você não nasce mulher, você se torna mulher”. Ou seja, para a companheira de Jean Paul Sartre, o conceito “mulher” seria carente de essência, artificial, sempre definido pelo seu opressor: o homem e, portanto, socialmente construído.

A distinção que Beauvoir estabelece entre sexo (dado natural) e gênero (construção social), negando relevância à determinação que o primeiro impõe sobre o segundo é, sem dúvida, prelúdio da visão de mundo radical e absurda que se convencionou chamar de ideologia de gênero, segundo a qual o dado natural pode ser ignorado e negado em favor do sentimento, do desejo, da vontade do homem que quer se construir socialmente como mulher ou vice-versa, a despeito das determinações que a biologia lhes impõe.

Embora não se possa culpar a escritora pelo uso posterior que se fez da sua famosa frase, convém notar que ao existencialismo ateu – pano de fundo filosófico de toda sua obra – é inerente esse risco de abolir qualquer consciência de determinação natural do ser humano.

Reto U. Schneider aponta que a frase de Beauvoir foi constantemente repetida de diversas formas na revista feminista “Emma”, fundada em 1977, cuja fundadora e editora-chefe Alice Schwarzer escreveu em 1984: “A base da minha consciência feminista continua sendo a compreensão de que ‘masculinidade’ e ‘feminilidade’ não são inatas, mas sim adquiridas.”

O articulista explica que essa visão se estendia a todas as características psicológicas e cognitivas, incluindo a vida amorosa. Ele cita outra frase da editora-chefe da revista Emma: “A sexualidade não é algo inato, não é da natureza, mas da cultura.”

Segundo as feministas, portanto, diferenças inatas não existem. O negacionismo foi tão longe ao ponto de Alice Schwarzer escrever sobre a superioridade física “instilada” nos homens.

As diferenças de gênero foram consideradas uma ameaça pelas feministas. Antes mesmo de qualquer resultado, a própria investigação das diferenças proposta pela sociobiologia foi considerada um tabu e a disciplina passou a ser vista como um “instrumento de propaganda das forças políticas conservadoras e reacionárias” , conforme se lê na revista feminista Emma

A despeito da ideologia das feministas da década de 70 e da atual militância woke, a afirmação de que a sexualidade não é algo inato é uma afirmação absurda do ponto de vista biológico.

Comportamentos típicos de gênero

O jornalista suíço prossegue o seu artigo elencando alguns estudos que mostram a existência de comportamentos típicos de gênero. Citarei apenas alguns, a título de curiosidade.

Óbvio que a influência mútua entre fatores sociais e biológicos é um pressuposto incontornável. Isso, porém, não torna ocioso o exame dos fatores biológicos. Outra obviedade é que toda regra tem exceção. Por exemplo, constatar que homens são, via de regra, mais forte e mais alto que as mulheres, não significa que não haja determinadas mulheres mais fortes e mais altas que determinados homens. Isso também vale para tipos de comportamentos.

Dito isso, sigamos com a apresentação de algumas diferenças comportamentais típicas de gênero:

1 – Homens são mais violentos

Tanto quanto se sabe pela história, os homens foram mais violentos do que as mulheres em todos os tempos e em todos os lugares. O tamanho do corpo seria, segundo e explicação de Schneider, um dos principais indícios de que essa diferença tem raízes biológicas. “Em média, os homens são mais altos e mais fortes que as mulheres. É difícil explicar esta diferença na estrutura corporal sem assumir que a luta desempenhou um papel importante na história evolutiva do homem”. O corpo mais forte seria, por assim dizer, o comportamento violento encarnado.

A explicação biológica de determinados comportamentos não implica determinismo. Ninguém está indefeso à mercê de seus genes. O ser humano é dotado de consciência e liberdade e, como já foi dito, a cultura, o sistema político, a riqueza material, ou seja, os fatores sociais também influenciam o nosso comportamento. Mas a influência da biologia permanece.

2 – Homens querem mais sexo do que as mulheres

Segundo Schneider, “todos os estereótipos desprezíveis sobre homens e sexo parecem ser estatisticamente verdadeiros.” Eles “querem mais sexo com mais mulheres, masturbam-se com mais frequência, pensam em sexo com mais frequência, têm mais casos e consomem mais pornografia”

Por mais que isso não soe bem, importa notar que reconhecer diferenças de gênero não é o mesmo que tirar conclusões sobre os indivíduos com base nas características gerais reais ou supostas: “É um princípio das democracias liberais que cada pessoa tem o direito de ser vista e tratada como um indivíduo – especialmente se não corresponder à maioria em determinadas características”.

Mas qual seria a explicação biológica para essa diferença do comportamento sexual entre homens e mulheres? O investimento diferenciado dos sexos na reprodução:

“Para os homens, em casos extremos, são cinco minutos de sexo e uma colher de chá de esperma. Para as mulheres, porém, um óvulo precioso, nove meses de gravidez, um parto perigoso e um bebê que precisa ser amamentado por muito tempo.

Isto significa que os homens seriam capazes de aumentar o número de filhos se os seus cérebros estivessem equipados com tendências que o levassem a fazer muito sexo com muitas mulheres. As mulheres, por outro lado, não podiam aumentar o seu número de filhos com muito sexo; só podiam dar à luz um filho a cada nove meses”.

A permanência da diferença de desejo sexual sugere que não se trata de algo que possa ser eliminado socialmente, embora possa e deva ser algo trabalhado de modo a não prejudicar as mulheres, animalizar os homens e conduzir a catástrofes domésticas.

O cérebro, masculino e feminino, sofreu uma série de adaptações durante a nossa filogenia: “a forma como agimos é, em última análise, o resultado de debates confusos entre estes impulsos biológicos, por vezes conflitantes, e as experiências que acumulamos”.

O gênero não é uma construção social

O gênero não é uma construção social. Se as diferenças de gênero se devessem apenas a influências sociais, elas diminuiriam à medida que a igualdade aumenta num país, mas pesquisas recentes mostram que não é isso que está acontecendo.

Schneider cita um estudo que mostra, por exemplo, que com o aumento da igualdade, as mulheres não têm maior probabilidade de seguir uma carreira técnica ou científica, mas menos probabilidade, apesar dos cursos de robótica e das aulas de aritmética para mulheres:

“Na Finlândia, um dos países mais progressistas do mundo, de acordo com o Índice Global de Disparidades de Gênero, pouco mais de vinte por cento das mulheres escolhem uma carreira relacionada com a tecnologia ou a ciência”.

Isso nos leva a outra diferença estável de gênero: homens são mais interessados em coisas e mulheres mais interessadas em pessoas. Aliás, a filósofa e santa Edith Stein, já havia explicado isso de maneira primorosa:

“A atitude da mulher tem em vista o pessoal-vivente e visa o todo. Cuidar, velar, conservar, alimentar e promover o crescimento: esse é seu desejo natural, genuinamente maternal. O inanimado, a coisa lhe interessa, precipuamente, na medida em que está a serviço do pessoal-vivente: menos em si mesma”, escreveu Stein no seu livro A mulher, sua missão segundo a natureza e a graça.

Um homem ou uma mulher comum

A constatação de que a evolução fez coisas diferentes nos cérebros das mulheres e nos cérebros dos homens é importante para que os sexos opostos se compreendam, se respeitem e se complementem.

Infelizmente os jovens não estão sendo educados para entenderem essas diferenças, mas para renegá-las.

Cada pessoa deve ter liberdade para expressar seu gênero de uma forma individual e única, mas “os jovens também deveriam aprender que, para a maioria das pessoas, a identidade sexual está intimamente ligada ao sexo biológico. E devem estar preparados para as diferenças evolutivas quando encontrarem o sexo oposto como um homem ou uma mulher comum”.

10 maio 2024

Café Filosófico: Desejo sexual masculino e feminino









Ao longo da vida, conforme passam por diferentes experiências, homens e mulheres vão construindo um repertório sexual próprio, e a forma como o seu desejo se manifesta em cada fase vai mudando. A ideia de que o desejo não funciona da mesma forma para homens e mulheres parece já aceita, mas ainda há desafios na busca por uma vida sexual satisfatória tanto para elas quanto para eles. Neste Café Filosófico, a médica psiquiatra Carmita Abdo e o médico urologista João Afif Abdo falam sobre as nuances do desejo sexual masculino e feminino e as dificuldades mais comuns que homens e mulheres enfrentam. Gravado nos dias 21 e 28 de junho de 2013.


29 abril 2024

Palestra sobre sexo anal - Por Anete Guimarães









Hoje eu vou falar de sexo anal, o que vai responder muitas outras perguntas.

Sexo anal é normal, é biologicamente viável? Todo mundo deveria experimentar? É natural para todo mundo? É bastante prazeroso se você fizer direito? Você vai ver isso escrito em todas as revistas. Fiz uma pesquisa em uma banca e você vê isso em todas as revistas. Todas diziam a mesma coisa: prática norma, bastante satisfatória, todo mundo deveria experimentar, tem uma forma correta de fazer, tudo isso.

Todos os sites pornográficos têm. Contos pornográficos de que essa é uma experiência extraordinária, que as mulheres gostam muito. Têm medo de fazer, mas se experimentarem fazer vão adorar e que os homens vão achar o máximo.

Tudo isso está escrito, se vocês forem para uma banca de jornal e comprar uma revista vão encontrar isso.

Eu, como disse para vocês, eu trabalhei durante algum tempo em uma enfermaria com pacientes terminais do vírus da AIDS. Era o hospital Gaffrée e Guinle, o hospital que atendeu o Cazuza, e a enfermaria era a 10ª enfermaria do Gaffreé e Guinle, que fui justamente aquela patrocinada por ele.

Naquela época, naquela enfermaria, haviam 20 pacientes, todos era homossexuais e, quando a gente termina a clínica médica, a gente tem que fazer uma monografia para conclusão do curso. Como todos os pacientes tinham Aids, nós escolhemos a Aids para escrever “quais as doenças oportunistas que acontecem com o vírus da AIDS”. Naquela época não havia o coquetel, o número de doenças oportunistas era muito maior do que é hoje.

Então nós pegamos os prontuários de todos os vinte pacientes e pegamos também 100 prontuários de pacientes anteriores e fizemos a listagem estatística das doenças.
Em primeiro lugar estava a “Endocardite Bacteriana”. Todos os 120 pacientes que nós selecionamos eram portadores de endocardite bacteriana. Era a colonização das válvulas cardíacas por bactérias. Então nós colocamos na monografia, primeiro da lista, “Endocardite Bacteriana”. Em segundo lugar, daí tinha pneumociscarine, tuberculose, e a gente foi contando.

Quando a gente foi apresentar para o professor, ele disse: “espera lá, está errado”. Aí ele riscou o material. Aí eu perguntei: “mas por que? Todos tinham”, eu fui à outra enfermaria e todos eles tinha endocardite bacteriana. Poxa, todo aidético tem endocardite bacteriana. É uma doença que vem com a Aids. Então eu voltei lá: “todo paciente imunodeprimido produz, inicialmente, endocardite bacteriana”. Mas ele, o professor, disse não.

Mas todos os nossos pacientes têm. Ele mandou a gente ir em outra enfermaria com pacientes terminais de câncer e doenças degenerativas. Nenhum deles tinha endocardite bacteriana, todos estavam imunodeprimidos.

Eu fui à área imunológica e nenhum paciente imunodeprimido tinha endocardite bacteriana. Endocardite bacteriana não é uma complicação daqueles imunodeprimidos. Por que?

Daí esse professor me explicou os fatos da vida, mas não de maneira tão agradável como eu vou fazer para vocês.

Então ele me explicou que isso não era decorrente da Aids, mas era decorrente do sexo anal. Como assim? Em não entendi e ele teve que me explicar e não foi muito agradável.

Essa aqui é a vagina feminina, o útero e o ovário, aqui é o aparelho digestório. Boca, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso, reto e esfíncter. A única coisa que eles têm em comum é eles serem cavidades. Então a cavidade vaginal faz parte da função sexual, é um órgão sexual, ele foi criado para que? Para o ato sexual. Ele foi projetado para isso.

O intestino faz parte do aparelho digestório, foi projetado para o fim de absorção de alimentos. Ele não foi projetado com o objetivo sexual.

Então no orifício vagínico, se eu fizer o aumento, o que você encontra? 16 camadas celulares, 7 camadas musculares, células caliceformes que produzem muco aquoso.

Vamos fazer a mesma coisa no aparelho digestório: microscópio, vamos aumentar. Vocês que estão na escola estudando os aparelhos do corpo humano, quantas camadas celulares eu tenho no tubo digestivo? Uma. Célular colunares, uma camada com células ciliares no topo, tecido conjuntivo embaixo e o plexo esplênico, que é aquele conjunto de veias que leva tudo para a veia-cava, distribui para o coração.

Eu tenho células caliciformes também, que produzem muco, mas não produzem muco aquoso, mas produzem muco seroso.

O muco seroso tem como função, proteger o intestino dos ácidos estomacais. Quando você faz autópsia, você tem que usar todo um aparato para você não sofrer queimaduras graves com os ácidos estomacais. Se você enfiar o seu braço no estômago de um cadáver recente, você vai perdê-lo, as queimaduras serão muito intensas. Lembra o que acontece com o bife mastigado, no estômago? Vira líquido, ácido, e bife é carne. Um pedaço de bife do seu braço dentro daquele ácido vai virar líquido. Então os ácidos estomacais são altamente corrosivos. Por que que não corrói seu estômago? Porque você tem uma camada brilhante que protege o estômago dos ácidos, um muco seroso.

O muco seroso, além de proteger o estômago dos ácidos, ele aumenta o atrito, porque se o alimento passar muito depressa, o que acontece? Diarreia e você morre. Então o alimento precisa passar devagar para que você possa absorver os nutrientes: absorve os açúcares, as proteínas, as substâncias, as vitaminas... Então o muco seroso aumenta o atrito, enquanto o muco aquoso diminui o atrito.

No aparelho reprodutivo temos 16 camadas celulares, e no aparelho digestório, apenas uma. Aqui em volta, no aparelho digestivo eu tenho apenas uma camada de músculo, que dá a volta, que é a que faz os movimentos peristálticos. Só uma, precisa de mais? Não. É apenas uma camada que empurra o bolo alimentar ao longo do tubo digestivo. E no final você tem o esfíncter que serve para reter as fezes e só para isso, não tem outra função. Você relaxa e ele libera.

Então, quando você compara os dois, há comparação possível? Não.

Quando você atrita no aparelho reprodutor, não tem nenhum problema, mas quando você atrita no digestivo o que acontece? O que acontece no ato sexual? Atrito e intenso.

Se você for fazer uma cirurgia e correr o risco de abrir o intestino, qual a preparação pré-operatória? Vocês já não são criancinhas, vocês já têm uma noção, pode até procurar na Internet.

Você vai tomar um comprimido laxante para eliminar o máximo de fezes, você vai tomar antibióticos para matar as bactérias, você vai fazer uma lavagem intestinal até a água sair limpa e a última lavagem é com antibiótico, porque se cortar e essas bactérias entrarem, como é interno, você vai morrer de septicemia, então eles vão ter que limpar tudo.

Durante o sexo anal, faz lavagem intestinal antes? Não. Então é um ambiente altamente contaminado. Quando você for fazer atrito, só tem uma camada celular, vai romper e vai sangrar. Com a ruptura e sangramento, o que você vai jogar na corrente sangüínea? As bactérias presentes nessa região, que são Escherichia coli, se você tiver sorte e outras mais patogênicas se você não tiver.

Em volta, nós temos linfonodos, que são aqueles famosos da AIDS. Esses linfonodos quando veem essa bactéria, eles aumentam de tamanho, daí você começa a ter uma granulação. Por isso a incidência maior das pessoas que têm hemorróidas. Inchaço em algumas veias dessa região e dificuldades na musculatura dessa região.

Essa ruptura constante faz com que as bactérias vençam a ação dos linfonodos e caiam na corrente sanguínea. O que que a gente tem logo atrás do intestino? O intestino absorve os  nutrientes, certo? E depois você tem que espalhar eles pelo corpo. Então o plexo esplênico cai onde? Na veia cava. E a veia cava vai para onde? Direto para o coração
Então essas bactérias das fezes caem no coração e colonizam as válvulas do coração, provocando endocardite bacteriana.

Então não é a AIDS que provoca a endocardite bacteriana, mas é a prática do sexo anal.


Com a AIDS a endocardite evoluía para uma periocardite e nós tínhamos que fazer punções, para retirar o líquido inflamatório do coração, porque senão eles morreriam por asfixia, por contrição cardíaca.

Além disso é muito mais comum a insuficiência cardíaca em homossexuais mais idosos, em que a incidência chega a 68%, diferente da população não homossexual que é de 8%.

Além disso, essa lesão constante, provoca a alteração da morfologia dessas células, provocando displasia. Displasia rima com neoplasia. A incidência de câncer retal na população é de 3% a 4%, entre os homossexuais chega a 32%. Então, há uma relação direta entre a prática de sexo anal e a incidência de câncer retal.

A mulher não tem terminais nervosos de sensibilidade na área do tubo digestivo, então ela nãos ente absolutamente nada com a prática do sexo anal a não ser o sofrimento, a dor. Isso, a não ser que ela compre anestésicos, que são medicações inibitórias da sensibilidade para a prática do sexo anal e compre lubrificantes artificiais para neutralizar o muco seroso e permitir que esse acesso se faça com mínimas lesões. Então, sem lubrificantes artificiais, sem anestésicos para neutralizar a dor, é uma prática dolorosa, humilhante e violadora, sendo que ela tem um órgão próprio para isso.

Por que o homem teria que submetê-la a isso se não fosse por sadismo? É o prazer em infligir dor. Porque ele aprendeu nos contos pornográficos, se você a tratar com a brutalidade necessária, você conseguirá que ela sinta prazer.

Para o homossexual, pelo menos há uma desculpa. Encostado no reto, nós temos a próstata, tanto que o exame de próstata é retal.

Na frente nós temos o pênis e atrás a próstata. A próstata, a parte da frente que dá para os corpos cavernosos, ela tem uma camada córnea. O que é uma camada córnea? Espessa. Com tecido cartilaginoso. Com que objetivo? No ato sexual não há impacto? Então se no ato sexual há impacto, para proteger a próstata que produz o líquido seminal que vai nutrir os espermatozoides e permitir a reprodução, essa camada protege do impacto frontal. Então não há nenhum problema, para a próstata, o ato sexual.

Se você impactar por trás, o ato sexual homossexual tem que ser necessariamente violento. Você tem que bater com força para atingir a próstata. Então temos o sexo anal e ele tem que ser violento. A não ser que você conversasse pessoalmente com alguém que pratica, ninguém iria te contar.

Se você bater com força suficiente e traumatizar a próstata, ela sangra, porque a parte de trás não possui camada córnea. Não se esperava na natureza nenhum impacto posterior.

Está protegido pela espinha e pelo intestino. Quando a próstata sangra, ela produz células inflamatórias, ela incha. Se ela inchar e você bater com força suficiente, você vai atingir o feixe nervoso que está ligado aos corpos cavernosos e você pode provocar uma ereção. Se você continuar batendo com força suficiente e conseguir inchá-la o suficiente, pode sensibilizar os corpos cavernosos e lá pela quarta ou quinta experiência, você pode ter uma ejaculação. Mas você só vai conseguir essa ejaculação se após essas múltiplas experiências você conseguir uma hiperplasia de próstata, se sua próstata estiver inchada.

Com o passar do tempo, essas múltiplos traumatismos da próstata, ela começa a produzir células displásicas também. Displasia rima com neoplasia.

O índice de câncer de próstata na população é grande, até porque não se faz os exames correspondentes e existem outras motivações. Está alto e tem chegado a 18%, 20%. Entre os homossexuais o índice é de 68%. Porque a prática sexual que eles utilizam pressupõe o câncer de próstata.

Nem vou falar dos problemas urinários e renais decorrentes dessa prática.

Tudo isso que eu falei, procurem em um livro de fisiologia médica. Ou cheguem para algum médico e perguntem: “tem algum erro nisso?”. Alguma dessas estruturas anatômicas está errada, ou equivocada, ou transtornada?

Diante do que ele aprendeu na faculdade de medicina pergunte: se fizer isso, é isso que vai acontecer?

Então, o sexo anal é natural, é biologicamente muito bom, extremamente agradável, saudável, produtivo, uma prática natural, que todo mundo deveria experimentar um dia? Mas é o que está escrito na literatura. Baseado em que eles dizem essas coisas? Baseado nos contos pornográficos. Baseado nos objetivos de que com esse tipo de prática você tem alguém obtendo prazer com o sofrimento de outro ser humano.

Você pode até se submeter e muitas se submetem.

Inclusive nós trabalhamos no IML por algum tempo. Nosso professor era diretor do IML e naquela época não havia o divórcio. Você, para conseguir a separação judicial, você precisava de uma medida cautelar. Se você conseguisse provar maus tratos, você conseguiria isso, facilmente.

Muitas mulheres chegavam falando sobre o abuso. Muitas delas iam preferir o sexo anal, porque nessa situação, como ele queria que ela fizesse isso e já era um sofrimento, ele era menos brutal. No sexo normal, eles brutalizavam tanto que elas preferiam esse que já dói pelo próprio ato, então eles batiam menos.

Então, diante disso aqui, o que as pessoas dizem ser natural, pensem um pouquinho a respeito do que vocês leem, do que vocês escutam, do que dizem na Malhação, nas novelas.

E o engraçado é que ainda tem ginecologista falando que essa prática é normal. Eu gostaria de pegar um debate. Eu ainda não tive a chance de pegar alguém que dissesse isso do ponto de vista da anatomia e perguntar isso. Eu queria saber como é que ele ia responder.

Então, faça uma pesquisa para ver se essa anatomia que eu passei está correta, esse análise comparativa para ver se tem razão, façam essa análise e me digam se é uma prática saudável.

Pensem um pouco sobre as consequências, pensem no futuro, pensem no que vocês precisam realmente para ser feliz.

Palestra proferida por Anete Guimarães.

Fontes: 
1. Canal de Eduarda Neves no Youtube
2. Blog Professores de Direita
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