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11 fevereiro 2025

Mulheres têm sempre razão?





 5.jun.2022

Reação ao julgamento Depp x Heard expõe problemas do discurso feminista



A novela Johnny Depp versus Amber Heard chegou ao fim. O ator processou a ex-namorada por difamação —segundo Deep, Heard mentiu ao dizer que havia sido abusada por ele— e venceu. Vendo o julgamento, fica claro que a relação era conturbada, ambos são problemáticos (egocentrismo, narcisismo) e que Heard mentiu.

Porém, feministas reclamaram: Depp só venceu porque é homem e o Judiciário é machista, o júri é machista, o mundo é machista. Parece que Heard deveria estar certa apenas pelo fato de ser mulher. O problema é que mulheres mentem. Mentem, agridem, traem como os homens. Afinal, também somos Homo sapiens. Considerar que mulheres têm sempre razão a priori é um desserviço, porque a defesa das mulheres que realmente são vítimas de violência pode ser prejudicada, tachada como mero radicalismo feminista.

Além disso, sexo é o ponto de interseção entre natureza e cultura, e parte do feminismo simplifica a questão ao tratá-lo apenas como uma questão do segundo tipo. Espécie de feminismo rousseauniano: o sexo é bom, a sociedade que o corrompe.

Não. A natureza é cruel e impiedosa. O sexo e as relações afetivas que o adornam não são apolíneos, e sim dionisíacos. A cultura diversifica o lado dionisíaco em uma série de gradações que vão desde o sadomasoquismo até comentários passivo-agressivos no café da manhã. O pêndulo poder-submissão está sempre lá, deve-se aprender a administrá-lo e, principalmente, considerar que o prazer erótico advém também dele.

Excluir o poder do sexo é ignorá-lo. Não podemos ser ingênuas a esse ponto se quisermos criar mulheres fortes que se responsabilizem por suas escolhas e que sejam capazes de se defender. O poder nem sempre é ameaça, pode ser potência. Mas, se o discurso sobre sexo é sempre ameaçador, traumatizante, qualquer coisa associada a ele, por mais inócua que seja (uma piada, uma propaganda de TV, uma cantada), causará medo. E qualquer ditador sabe: não há ferramenta de dominação mais eficaz do que o medo.


O Homem Racional (Rollo Tomassi)

O Profano Feminino (Nessahan Alita)

Men on Strike / Homens em Greve (Helen Smith)

Estado — O marido e pai das mulheres

O Divórcio foi o tiro fatal do feminismo

Self-Made Man | Feito Homem (Norah Vincent)

O previsível lamento da mulher promíscua

O terror misândrico que assola o país

O feminismo como a grande causa revolucionária

Mulheres no governo

Em matéria de misandria, política evangélica e feminista é a mesma coisa

Por que Bolsonaro aprova lei anti-família?

MULHERES MANDONAS

Conheça uma das leis mais feministas já aprovadas no Brasil



21 agosto 2024

Artigos falsos em revistas científicas expõem militância da universidade

Ato do Black Lives Matter em Washington

(foto: Tasos Katopodis/Getty Images/AFP)

RAMIRO BATISTA

02/11/2021


Entenda o escândalo que provou como é possível publicar qualquer bobagem identitária na área de Ciências Sociais desde que inclua seus chavões e sua literatura


Em meados de 2018, uma das publicações científicas americanas líderes da geografia feminista, a Gender, Place & Culture, publicou com alta badalação e destaque entre os 12 melhores de sua edição comemorativa de 25 anos o artigo "Parques Caninos".

Uma defesa do adestramento de homens como cães como forma de combate à cultura do estupro, a partir da observação de que parques caninos são espaços de apologia ao estupro. Assentava-se em vasta literatura de estudos de raça, gênero e identidade e um título prolixo típico desse universo: "Reações Humanas à Cultura do Estupro e à Performatividade Queer em Parques Urbanos para Cães em Portland, Oregon."

Tinha passado pelos trâmites longos e rigorosos de aceitação de artigos científicos, com exame e refutação de pares da academia, e colhido pareceres empolgados como o de que significava "contribuição importante à geografia animal feminista". Ou:

“Este é um artigo maravilhoso, incrivelmente inovador, rico em análise e extremamente bem escrito e bem organizado, dados os conjuntos de literatura incrivelmente diversos e questões teóricas postas em questão. O desenvolvimento que a autora faz do foco e das contribuições do artigo é particularmente impressionante. O campo de trabalho desenvolvido contribui imensamente à contribuição do artigo como um trabalho acadêmico inovador e valioso, que atrairá os leitores de uma ampla gama de disciplinas e formações teóricas.”

Por essa mesma época, a não menos respeitável Sexuality & Culture, publicou outro em defesa da tese de que  o uso de consolos por homens pode ajudar a combater a transfobia e reforçar valores feministas. Título: "Entrando pela Porta dos Fundos: Desafiando a Homohisteria e a Transfobia de Homens Heterossexuais através do Uso de Brinquedos Eróticos Penetrantes". Tão fundamentado, analisado e aprovado quanto:

"Este artigo é uma contribuição incrivelmente rica e empolgante ao estudo da sexualidade e da cultura, e particularmente da intersecção entre a masculinidade e a analidade. … Essa contribuição, por certo, é importante, vem em boa hora e é digna de publicação."

A Sex Roles publicou sob os mesmos trâmites outro sobre objetificação sexual a partir da análise de homens que frequentam restaurantes de garçonetes de peito semi exposto, os "peitaurantes", como sintoma de herança patriarcal e desejo de dar ordens a mulheres atraentes: "Uma Etnografia da Masculinidade de Peitaurante: Temas de Objetificação, Conquista Sexual, Controle Masculino, e Firmeza Masculina num Restaurante Sexualmente Objetificador"

E a também honorável Fat Studies publicou sob o mesmo rigor a tese de que "o corpo gordo é um gordo legitimamente cultivado" e que a obesidade mórbida é um estilo de vida saudável, distorcido pelas "normas culturais que fazem a sociedade considerar o cultivo de músculos em vez de gordura como algo admirável". Título: "Quem São Eles Para Julgar?: Superando a Antropometria, e um Arcabouço para o Fisiculturismo Gordo".

Entre os elogios dos pareceristas, uma restrição risível, reveladora das obsessões dessa tribo:

"[O] uso do termo ‘fronteira final’ é problemático ao menos de duas formas. Primeira — o termo ‘fronteira’ sugere a expansão colonial e a posse hostil, e o apagamento genocida dos povos indígenas. Encontre outro termo.”

Três outras grandes publicações analisavam empolgadas, pela ordem, 

- um artigo sobre a masturbação masculina como indício de violência sexual contra a mulher, mesmo que ela não consinta ou saiba, 

- um outro sobre o risco de a inteligência artificial se transformar numa construção masculinista e 

- um terceiro, uma versão feminina de Mein Kampf de Hitler ("Minha Luta é Nossa Luta").

Até saberem que, como os quatro primeiros, se tratavam de um embuste, uma fraude monumental, produzidos com metodologias questionáveis, estatísticas implausíveis, alegações não sustentadas pelos dados e análises qualitativas motivadas puramente por ideologia.

Foram perpetrados sob pseudônimo por um professor de filosofia, um doutor em matemática e uma pesquisadora de textos medievais escrito por e sobre mulheres. Dispostos a provar, como provaram, que é possível publicar qualquer bobagem da moda na política em publicações científicas respeitáveis de estudos de gênero, desde que cheia de clichês ideológicos e envernizada por citações da literatura da área.

— Conforme progredíamos, começamos a perceber que mais ou menos qualquer coisa poderia funcionar, contanto que ficasse dentro da ortodoxia moral da área e demonstrasse um entendimento da literatura existente — escreveram na síntese do trabalho a que chamaram "Estudos de Ressentimento", neste site, traduzida pelo biólogo geneticista Eli Vieira. 

Peter Boghossian, Helen Pluckrose e James A. Lindsay produziram em um ano 20 artigos totalmente fraudulentos, mas dentro dos cânones exigidos pelo meio acadêmico, com ampla fundamentação da literatura da área e submissão ao escrutínio de seus pares, além dos clichês e do título rebuscado, claro.

Conseguiram publicar sete, um índice altíssimo em tão pouco tempo no meio, e andavam com outros sete em correção, na iminência de publicação, quando foram denunciados por um curioso de rede social (Real Peer Review) e expuseram em longa entrevista ao Wall Street Journal o propósito da empreitada.

Foram perpetrados sob pseudônimo por um professor de filosofia, um doutor em matemática e uma pesquisadora de textos medievais escrito por e sobre mulheres. Dispostos a provar, como provaram, que é possível publicar qualquer bobagem da moda na política em publicações científicas respeitáveis de estudos de gênero, desde que cheia de clichês ideológicos e envernizada por citações da literatura da área.

— Conforme progredíamos, começamos a perceber que mais ou menos qualquer coisa poderia funcionar, contanto que ficasse dentro da ortodoxia moral da área e demonstrasse um entendimento da literatura existente — escreveram na síntese do trabalho a que chamaram "Estudos de Ressentimento", neste site, traduzida pelo biólogo geneticista Eli Vieira. 

Peter Boghossian, Helen Pluckrose e James A. Lindsay produziram em um ano 20 artigos totalmente fraudulentos, mas dentro dos cânones exigidos pelo meio acadêmico, com ampla fundamentação da literatura da área e submissão ao escrutínio de seus pares, além dos clichês e do título rebuscado, claro.

Conseguiram publicar sete, um índice altíssimo em tão pouco tempo no meio, e andavam com outros sete em correção, na iminência de publicação, quando foram denunciados por um curioso de rede social (Real Peer Review) e expuseram em longa entrevista ao Wall Street Journal o propósito da empreitada.

Foram perpetrados sob pseudônimo por um professor de filosofia, um doutor em matemática e uma pesquisadora de textos medievais escrito por e sobre mulheres. Dispostos a provar, como provaram, que é possível publicar qualquer bobagem da moda na política em publicações científicas respeitáveis de estudos de gênero, desde que cheia de clichês ideológicos e envernizada por citações da literatura da área.

— Conforme progredíamos, começamos a perceber que mais ou menos qualquer coisa poderia funcionar, contanto que ficasse dentro da ortodoxia moral da área e demonstrasse um entendimento da literatura existente — escreveram na síntese do trabalho a que chamaram "Estudos de Ressentimento", neste site, traduzida pelo biólogo geneticista Eli Vieira. 

Peter Boghossian, Helen Pluckrose e James A. Lindsay produziram em um ano 20 artigos totalmente fraudulentos, mas dentro dos cânones exigidos pelo meio acadêmico, com ampla fundamentação da literatura da área e submissão ao escrutínio de seus pares, além dos clichês e do título rebuscado, claro.

Conseguiram publicar sete, um índice altíssimo em tão pouco tempo no meio, e andavam com outros sete em correção, na iminência de publicação, quando foram denunciados por um curioso de rede social (Real Peer Review) e expuseram em longa entrevista ao Wall Street Journal o propósito da empreitada.

Opinião sem dados é preconceito, disse numa entrevista em que exemplificou: se você diz que a polícia americana para ou mata mais negros que brancos, é preciso ir lá e medir para ver se é verdade e encarar verdades inconvenientes. 

Não teorizar a priori que é racismo estrutural ou resquício de dominação ancestral branca, acrescento. Se a polícia tem uma larga faixa de negros e certamente por isso negros também matam negros, como no Brasil, como fica a teoria?


Foi agredido de diferente formas quando tentou explicar o que acreditam as pessoas que defendem fechamento de fronteiras, que há diferenças físicas entre homens e mulheres e o problema do islamismo radical. Um aluno o acusou de racista e se retirou da sala quando ele tentou explicar o básico de que Islã não é raça, é religião, e que raça não se escolhe.

Num primeiro momento, ele começou a acreditar que a contaminação ideológica e a intimidação de estudantes, administradores e outros departamentos atingiam “um número razoável de pessoas”, mas “em um pequeno número de faculdades”. 

Mais tarde, quando testou sua hipótese num artigo em uma revista de baixo prestígio que o pênis era um "conceito construído socialmente”, que chegam a “muita gente em um pequeno número de faculdades”. Até concluir, depois do estândalo, que eram comuns a “quase todas as pessoas nas universidades”.

Até o ponto em que foi demitido — ao invés de promovido — da Portland, no rastro da polêmica, depois de ouvir do reitor o disparate de que a função da universidade era fazer justiça racial. Não produzir conhecimento independente, como deve ser.

E tomar consciência de que o sistema todo estava infectado, como disse em entrevista recente à Gazeta do Povo, de Curitiba, onde previu que a doença que chegou ao estado atual de cancelamento e lacração, para não ouvir o outro lado, vai piorar ainda muito antes de melhorar.

— A cultura woke está piorando porque as universidades continuam a formar gente com essa bobagem, nesse sistema de crenças doentio e perigoso.

Vai melhorar um dia porque, segundo ele, "criamos uma cultura em que as pessoas fingem acreditar no que de fato não acreditam. Isto não é sustentável. Ninguém aguenta viver assim".

10 maio 2024

O Livro Negro do Comunismo – Stephane Courtois e outros



Descrição do livro

Ao contrário da repressão episódica e acidental das ditaduras latino-americanas, a violência comunista se tornou um instrumento político-ideológico, fazendo parte da rotina de governo. O mais completo estudo existente do comunismo, sob o prisma de suas atrocidades, está em O Livro Negro do Comunismo. Esta espécie de enciclopédia do comunismo revela, em oitenta anos de regime comunistas, um saldo de quase 100 milhões de mortos, com a esmagadora maioria de vítimas nos dois gigantes do marxismo-leninismo – a União Soviética e a China.

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FONTE: Mises Brasil e Instituto Rothbard

07 março 2024

Entrevista de Pedro Collor à VEJA em 1992


“O PC é o testa-de-ferro do Fernando”
Na tarde da última quarta-feira Pedro Collor tomou um avião em Maceió e chegou a São Paulo após uma escala no Recife. Em com­panhia da mulher. Maria Tereza, e de uma irmã, Ana Luiza, Pedro Collor deu uma entrevista de duas horas a VEJA. A seu pedido, o encontro ocorreu nas dependências da revista. A mulher e a irmã de Pedro Collor foram testemunhas de suas declarações, e chegaram a colaborar em algumas respostas. Além de fazer novas denúncias sobre a atividade de PC Farias no governo, Pedro Collor diz que ele é “testa-de-ferro” do presidente Fernando Collor. Diz que o jornal Tribuna de Alagoas, que PC Farias quer lançar em Maceió, na verdade pertence a seu irmão. Também garante que um apartamento de Paris que se supunha ser propriedade do empresário na realidade pertence a Fernando Collor. Para Pedro Collor, existe uma “simbiose profunda” entre os dois. Os principais trechos da entrevista:
VEJA – O senhor se considera louco?
Pedro Collor – Não, de jeito nenhum.
VEJA – Se a sua própria mãe está falando isso, é o caso de perguntar. Já fez algum tratamento psiquiátrico?
Pedro Collor – Não, nunca fiz tratamento psiquiátrico ou psicanálise. Essa pressão toda tem um objetivo claro. O objetivo foi passar para a opinião pública a sensação de que não tenho credibilidade, que estou sob forte comoção. Convenceram mamãe a assinar aquela carta. Ela é muito ingênua nesse sentido.
VEJA – As suas afirmações e denúncias, os documentos que o senhor levantou contra Paulo César Farias e as críticas que vem fazendo ao Presidente colocam o governo e o país numa situação delicada. O senhor está ciente disso?
Pedro Collor – Absolutamente consciente.
VEJA – O senhor tem dito que suas revelações podem acabar com o governo do seu irmão. É isso que o senhor quer?
Pedro Collor – Não, mas qual foi o principal mote da campanha do Fernando? Quem roubava ia para a cadeia. Na prática, estou vendo uma coisa completamente diferente. Ninguém pode enrolar todo mundo o tempo todo.
VEJA – Essa briga começou em torno do lançamento de um novo jornal, que concorreria com a Gazeta de Alagoas, das organizações Arnon de Mello?
Pedro Collor – Em janeiro de 1991, levei ao Fernando, no Palácio do Planalto, o plano de se montar um novo jornal em Alagoas. Seria um jornal vespertino. Já houve no passado vespertinos no Estado, e que pararam por um motivo ou outro, agora não há nenhum. Como achei que havia uma brecha no mercado, e a gráfica do nosso grupo estava ociosa, fiz a proposta ao Fernando. Expliquei que o novo jornal não faria parte do grupo da Gazeta, seria uma iniciativa à parte.
VEJA – O que o presidente achou da ideia?
Pedro Collor – Ele me disse o seguinte: “Não, não leve a ideia do jornal adiante porque eu vou montar uma rede de comunicação paralela em Alagoas com o Paulo César, e essa rede terá um jornal”. O Fernando falou que o jornal iria se chamar Tribuna de Alagoas. Disse também que a Tribuna seria impressa na imprensa oficial do Estado. Então perguntei por que ele não imprimia esse novo jornal na gráfica do nosso grupo. O Fernando respondeu: “Não”.
VEJA – A rede de comunicação seria de PC Farias?
Pedro Collor – O PC seria o testa-de-ferro. Era uma empresa de testa-de-ferro, que teria o jornal e de doze a catorze emissoras de rádio.
VEJA – Qual foi a sua reação a essa rede?
Pedro Collor – Raciocinei que, se o novo jornal ia ser impresso na imprensa oficial, seria em preto-e-branco, um jornal para ocupar espaço, evitar que grupos adversários na política entrassem na área. Dizia-se que não era um jornal para concorrer efetivamente com a Gazeta e, de repente, compraram um maquinário exatamente igual ao nosso, e me tomam funcionários pagando três ou quatro vezes mais do que eles ganham conosco. Então é um negócio para destruir o nosso, certo? Foi aí que a coisa começou. Houve também um problema corri a instalação de rádios. Na mesma reunião em que falei do novo jornal com o Fernando, eu disse que precisávamos também de duas rádios, FMs pequenas ou médias, na periferia de Maceió.
VEJA – Como o senhor conseguiria essas rádios?
Pedro Collor – Pelas vias normais. Essas duas rádios já existiam no plano traçado pelo governo.
VEJA – E obteve as rádios?
Pedro Collor – Obtive duas negativas. Simultaneamente, eles mexeram no plano, a ponto de contemplar todas as cidades que até então não estavam com rádios FM.
VEJA – Isso foi feito por quem?
Pedro Collor – Por solicitação do deputado Augusto Farias, irmão do PC. Vejam bem: converso com ele tentando montar um jornal, falo das rádios que podem entrar. Negam para mim. E viabilizam para eles umas doze rádios que nem estavam cogitadas no plano.
VEJA – O senhor tentou chegar a um acordo sobre o jornal antes de começar a recolher documentos sobre os negócios de PC?
Pedro Collor – Houve tentativas que não deram certo, porque a intenção não era montar um jornal assim ou assado, mas montar um jornal para destruir o nosso. Em fevereiro passado, saiu aquela reportagem do Eduardo Oinegue, em VEJA, sobre o assunto, em que eu chamava o PC de lepra ambulante. Eu estive então com o Cláudio Vieira (secretário particular de Collor, afastado do governo na reforma ministerial). O Cláudio me disse que há cinco dias o Fernando não despachava com ele, nem com o general Agenor, nem com o Marcos Coimbra. O Cláudio Vieira me contou que no dia anterior o Fernando havia se reunido, durante uma hora e meia. com o procurador-geral da República, Aristides Junqueira. Segundo o Cláudio me contou, o procurador disse ao Fernando que, se eu não desmentisse a reportagem de VEJA, o Junqueira iria instaurar um inquérito, e que isso derrubaria o governo. Eu respondi ao Cláudio que não tinha intenção de derrubar o governo de ninguém, que minha intenção era me preservar e alertar que o PC era uma bomba atômica ambulante, independentemente de jornal ou coisa que o valha. Esclareci que não poderia desmentir a reportagem pura e simplesmente, e pedi um compromisso firme de que o PC não iria tentar acabar com nossa organização. Sugeri que a Gazeta arrendasse a gráfica da Tribuna, pagasse, e nós imprimíssemos o jornal. Cheguei a conversar depois sobre essa proposta com o PC, e ele disse que adorou. Na hora de formalizar o acordo, sumiu. O Cláudio Vieira então me disse que o Paulo César estava com outras idéias e ia me procurar. Estou esperando até hoje.
VEJA – Por que o pre­sidente Collor, se é ele que está por trás dessa rede de comunicações montada pelo PC, esta­ria interessado em preju­dicar e até destruir os negócios da família?
Pedro Collor – É uma questão que só Freud explica. (Tereza, mulher de Pedro Collor. pede para falar)
Tereza – O Fernando Collor faz isso porque o Pedro não se submete a ele. O Fernando viu que não podia tirar o Pedro da administração dos negócios da família. Foi o Pedro quem geriu, e bem, as empresas durante esses anos todos. O Fernando quer o meio de comunicação e instrumento político, enquanto o Pedro tem a responsabilidade de administrá-lo como empresa. É daí que nasceu a divergência.
VEJA – O senhor acha mesmo que o PC é um testa-de-ferro do presidente nos negócios?
Pedro Collor – Eu não acho, eu afirmo categoricamente que sim. O Paulo César é a pessoa que faz os negócios de comum acordo com o Fernando. Não sei exatamente a finalidade dos negócios, mas deve ser para sustentar campanhas ou manter o status quo
VEJA – De quem é o apartamento de Paris onde funciona a S.CI . de Guy des Longchamps e Ironildes Teixeira?
Pedro Collor – É dele.
VEJA – Dele, quem?
Pedro Collor – Dele. Do Fernando, claro.
VEJA – O senhor não tem dúvidas?
Pedro Collor – Não tenho a menor dúvida.
VEJA – De quem é o jatinho Morcego Negro?
Pedro Collor – Acho que é do Paulo César, mas não posso afirmar.
VEJA – O presidente Collor sairá mais rico do governo?
Pedro Collor – Em patrimônio pessoal, sai. Sem dúvida nenhuma.
VEJA – O presidente está envolvido na sua denúncia de que o Paulo César recebeu unta comissão de 22% sobre os negócios entre a empresa IBF e o governo para a implantação da raspadinha federal?
Pedro Collor – O Fernando não entra no varejo da coisa. Ele apenas orienta o negócio.
VEJA – O que acontece com o dinheiro?
Pedro Collor – O Paulo César diz para todo mundo que 7O% é do Fernando e 3O% é dele.
VEJA – O senhor acredita nisso?
Pedro Collor – Eu não sei se a porcentagem exata é essa.
VEJA – Mas o senhor sustenta que existe uma sociedade entre os dois?
Pedro Collor – Tenho certeza de que é assim. Existe urna simbiose aí. Eu não estendo as acusações ao Fernando diretamente. Uma coisa é você concordar. Outra coisa é operacionalizar. São duas coisas distintas. Operacionalizar, no sentido do dolo, no sentido do ilícito, isso é muito do temperamento do PC. Ele tem prazer nisso. O Fernando é incapaz de sentar em uma mesa e dizer assim: “O negócio é o seguinte: preciso de uma grana para a minha campanha. Me ajuda”. Pode estar nu e sem sapato que não pede ajuda. Já o PC toma. Deixa você nu se for possível.
VEJA – O senhor já ouviu do Paulo César que ele tem essa associação com o seu irmão?
Pedro Collor – Sim, já ouvi dele.
VEJA – E do presidente?
Pedro Collor – Não, do Fernando, não.
VEJA – O PC é uma pessoa digna de crédito?
Pedro Collor – Se ele foi o tesoureiro de duas campanhas do Fernando, se age com age publicamente, se ele mesmo fala isso, eu só posso concluir que é verdade.
VEJA – Qual foi a última vez em que o senhor e o presidente conversaram sobre as atividades de PC Farias?
Pedro Collor – Em janeiro deste ano. Eu tinha acabado de chegar do exterior e o Fernando me chamou para almoçar. Foi uma conversa afável, embora o Fernando, tenha se mostrado cuidadoso ao mencionar o nome do PC. Pisava em ovos. Eu reclamei da maneira como o PC vinha tentando destruir o nosso jornal em Alagoas, chamando nossos funcionários. Foi uma conversa sobre os problemas com o jornal.
VEJA – O senhor mencionou as denúncias de corrupção sobre PC?
Pedro Collor – Com o Fernando, exatamente, não. Falei “n” vezes com os meus irmãos Leopoldo e Leda, com o Cláudio Vieira e o Marcos Coimbra.
VEJA – Por que nunca falou diretamente com o presidente?
Pedro Collor – Eu sentia que, se eu falasse, ele iria ter uma explosão violentíssima. O Fernando não gosta de escutar críticas.
VEJA – Por que o senhor passou a envolver o presidente Collor nas suas denúncias contra o PC?
Pedro Collor – Eu comecei a receber ameaças de morte dos irmãos do PC através de interlocutores comuns. Cheguei a falar com o Cláudio Vieira sobre tudo o que estava acontecendo. Concluí que o PC não estava agindo por conta própria. É o estilo típico do Fernando usar instrumentos. Ele não ataca de frente.
VEJA – O senhor não acredita que exista uma vontade política real do presidente em investigar as atividades de PC Farias. Afinal, a Receita Federal foi acionada para vasculhar o imposto de renda de PC?
Pedro Collor – Não acredito nisso. Acho que a investigação ia ser empurrada com a barriga e seria apenas retórica.
VEJA – Qual a diferença entre o PC Farias e o Pedro Paulo Leoni Ramos, o PP? Ou entre o PC e o Cláudio Vieira? Ou entre eles e o Claudio Humberto?
Pedro Collor – São os métodos. O PC é o erudito do roubo, da corrupção, da chantagem. Os outros têm uma aspiração, mas também têm um teto. O PC não tem limites.
VEJA – Mas o PC vai até onde?
Pedro Collor – Ele é capaz de matar para extorquir.
VEJA – O senhor apresentou o PC Farias ao Fernando Collor. Quando começou a afastar-se dele? Por quê?
Pedro Collor – Na época eu não o via como hoje. Ele era um sujeito enrolado com negócios, mas apenas isso. Não pagava as contas. Mas era um sujeito jeitoso, muito insinuante, muito simpático. Ele é muito envolvente em negócios. Comecei a me afastar quando o Fernando se tornou governador do Estado.
VEJA – O senhor tem alguma coisa contra o cidadão Fernando Collor, seu irmão?
Pedro Collor – Pessoalmente, o Fernando é um sujeito extremamente talentoso, carismático, magnético e, em alguns momentos, é uma criatura fantástica, cheia de energia. Ao mesmo tempo, é rancoroso, vingativo e adora manipular as pessoas. Ele gosta das pessoas subservientes.
VEJA – O senhor chegou a falar que o seu irmão Fernando tentou se insinuar junto a sua mulher, Tereza. Como foi isso?
Pedro Collor – Não foi exatamente isso. Eu e Tereza tínhamos passado por uma crise conjugal, o que acontece muitas vezes entre casais. Isso foi em 1987, quando Fernando era governador de Alagoas. Nesta ocasião, eu estava no Canadá. Tive a informação de que ele chamou Tereza para conversar no palácio. Conversaram durante um bom tempo. Ali era o lugar onde ele tinha intercurso, com algumas moças. Houve fofocas sobre isso e eu fui informado. Tereza foi depois para Paris e Fernando me chamou para dizer que havia conversado com ela e que eu me preparasse porque ela iria se separar de mim. Disse que eu havia pisado muito na bola e que me preparasse. Em paralelo, eu sabia que ele estava telefonando para ela em Paris, naturalmente utilizando a fragilidade da relação para telefonar e talvez até fazer a cabeça dela. Eu consegui as contas telefônicas do palácio que comprovaram essas ligações.
VEJA – Houve uma tentativa explícita de sedução?
Pedro Collor – Eu acredito que implicitamente ele tentava mapear a situação, diante de uma pessoa fragilizada emocionalmente pela perspectiva de uma ruptura de casamento. Uma voz simpática. um ombro amigo…
VEJA – Tereza, houve uma tentativa de sedução?
Pedro Collor – Não, ele tem esse jeito de falar que é meio fraternal, meio conselheiro.
VEJA – Apesar de sua suspeita de paquera por que continuou freqüentando seu irmão? Por que esteve na posse dele como presidente?
Pedro Collor – Porque não se deve sair arrebentando portas. Tive controle emocional.
VEJA – Pelo que se deduz, o senhor coloca esse episódio como um entre vários através dos quais seu irmão tenta atingi-lo. É isso?
Pedro Collor – O que ele quer é me ver distante do comando administrativo das empresas que temos. Para colocar uma pessoa dele lá dentro, por uma questão política.
VEJA – O senhor nomeou alguém para o governo federal?
Pedro Collor – Nem para a prefeitura de Maceió nem para o governo de Alagoas nem para o governo federal.
VEJA- Por quê?
Pedro Collor – Não é do meu feitio.
VEJA – O que o senhor acha das nomeações do Leopoldo (irmão mais velho de Collor)?
Pedro Collor – Eu não conheço as nomeações do Leopoldo. Não converso sobre esse assunto com ele.
VEJA – O senhor já admitiu que consumiu drogas na juventude. Como foi isso?
Pedro Collor – Quando eu era jovem, era uma coisa que estava na moda, lá por 1968,1969,197O.
VEJA – Em 1968, o senhor estava com 16 anos de idade.
Pedro Collor – Mas é isso.
VEJA – Que tipo de droga?
Pedro Collor – Cocaína.
VEJA – Seu irmão Fernando também?
Pedro Collor – Sim.
VEJA – Foi ele que o induziu a experimentar cocaína?
Pedro Collor – Não é que induziu, nem apresentou nem nada. As pessoas, por serem de faixa etária um pouco acima, naturalmente têm mais acesso a esse tipo de coisa. Foi assim que aconteceu.
VEJA – LSD também tinha?
Pedro Collor – Teve também LSD, umas duas ou três vezes.
VEJA – O senhor largou isso quando?
Pedro Collor – Logo depois. Senti que me fazia mal. Emagreci muito.
VEJA – Quanto ao presidente, o senhor tem notícia de que ele tenha consumido drogas após essa época na Juventude?
Pedro Collor – Não, depois dessa época. não.
VEJA – O senhor já ouviu falar em Allan Mishai Fauru?
Pedro Collor – Conheço desde menino do Rio. Um belo dia, o Fernando já governador, me parece, o Allan o convidou para ser padrinho do casamento dele. Depois ele se mudou para Maceió, anos mais tarde, e montou um boteco. Soube depois que ele tinha ligações com traficantes, vendia, repassava. Mas ele não tem qualquer relação com o Fernando, absolutamente.
VEJA – O senhor não acha que as instituições brasileiras correm algum risco com assuas denúncias?
Pedro Collor – Acho que nossas instituições aguentam o tranco. Se eu começar a entrar muito em considerações a respeito do governo, eu não dou um passo. Tenho de fazer aquilo que acho correto. Que os outros façam as partes deles.
VEJA – O senhor acredita que, com as últimas mudanças no ministério, o PC é menos influente no governo?
Pedro Collor – Sim. Ele perdeu toda ou quase toda a sustentação.

Pedro Collor morreu em 19 de dezembro de 1994, aos 42 anos de idade.

29 janeiro 2024

I see the pope his sacred trust betray


Canção popular do século xiv mostra o sentimento popular em relação a todos os tipos de sacerdotes católicos

I see the pope his sacred trust betray
For while the rich his grace can gain alway,
        His favours from the poor are ye withholden.
He strives to gather wealth as best he may,
Foreing Christ’s people blindy to obey,
        So that he may repose in garments golden…

No better is each honoured cardinal.
From early morning’s dawn to evening’s fall
Their time is passed in eagerly coutriving
        To drive some bargain foul with each and all…

Our bishops, too, are plunged in similar sin,
For pictisessly they flay the very skin
        From all their priests who chance to have fat livings.
For gold their seal official you can win.
To any writ, no matter what’s therein.
        Sure God alone can make them stop their thievings…

Then as for all the priests and minor clerks,
There are, God knows, too many of them whose works
And daily life belie their teaching…

For, learned or ignorant, they’re ever bent
To make a traffic of each sacrament
        The mass’s holy sacrifice included…

Tis true lhe monks and friars make ample show
Of rules austere which they all undergo,
        But this vainest is of all pretences.
In sooth, they full twice as wel we know,
As e’er they did at hoje, desquite their vow
        And all their mock parade of abstinences…



(Leo Huberman, História da Riqueza do Homem, pp. 72-73, LTC: Rio de Janeiro, 1986, 21ª edição. Tradução de Waltensir Dutra – citando J. H. Robinson)



Vejo o papa seu sagrado compromisso trair / pois enquanto os ricos sua graça ganham sempre / seus favores aos pobres são negados. / Procura reunir a maior riqueza possível / obrigando os cristãos a obedecer cegamente, / para que ele possa deitar-se entre roupas de ouro... / Nem são melhores os honrados cardeais, / que desde a manhã cedo até a noite fechada / passam o tempo empenhados em imaginar / um modo de enganar a toda gente... / Nossos bispos também estão mergulhados em pecado semelhante, pois impiedosamente arrancam a própria pele / de todos os padres que por acaso vivam bem. / Por ouro podemos conseguir seu selo ficial / a qualquer ordem, não importa o que diga. / Sem dúvida somente Deus pode pôr fim a suas roubalheiras... / Também entre todos os padres e clérigos menores / há, sabe Deus, grande número cujas obras e vida diária / contrariam os ensinamentos que pregam quotidianamente... / Pois, cultos ou ignorantes, estão sempre dispostos / a fazer comércio de todo sacramento, / inclusive da própria missa sagrada... / É certo que monges e frades exibem com estardalhaço / as regras austeras a que estão sujeitos. / Esse, porém, é o mais vão de todos os fingimentos. / Na verdade, vivem duas vezes melhor do que sabemos, / como fazem sempre em casa, apesar do voto / e de toda a sua falsa exibição de abstinência...
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