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28 março 2025

Amor Líquido - A nova forma de se relacionar | ZYGMUNT BAUMAN












OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO

(Carlos Drummond de Andrade)



Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.


18 novembro 2024

A Geração Ansiosa (Jonathan Haidt)

 



Sinopse



Um dos livros mais explosivos do ano, A geração ansiosa investiga o colapso da saúde mental entre os jovens — e oferece um plano urgente para uma infância mais saudável e livre de telas. As crianças e os adolescentes estão em perigo. Desde o início dos anos 2010, as taxas de depressão, ansiedade e outros transtornos mentais têm crescido vertiginosamente nesses grupos. Em A geração ansiosa, o psicólogo social Jonathan Haidt explica as causas dessa epidemia e defende uma infância longe das telas. O autor demonstra como a “infância baseada no brincar” entrou em declínio na década de 1980 e foi substituída pela “infância baseada no celular”, acompanhada por uma hiperconectividade que alterou o desenvolvimento social e neurológico dos jovens e tem causado privação de sono, privação social, fragmentação da atenção e vício. Ele também examina por que as redes sociais prejudicam mais as meninas e os motivos que levam os meninos a migrar do mundo real para o virtual, com consequências desastrosas para eles e as pessoas a seu redor. Diante desse cenário catastrófico, Haidt mostra o que pais, professores, escolas, empresas de tecnologia e governos podem fazer na prática para reverter a situação e evitar danos psicológicos ainda mais profundos. Um plano de ação que não podemos nos dar ao luxo de ignorar, porque o que está em jogo não é apenas o bem-estar de nossas crianças, mas da sociedade como um todo."





25 julho 2024

Guerra de gênero e negação da natureza humana

 



O texto lança um pouco de luz sobre a longa história de negação da natureza humana e confronta alguns dogmas dessa nossa estranha época na qual a questão do que é uma mulher se tornou uma provocação. Catarina Rochamonte para O Antagonista:


O tradicional jornal suíço Neue Zürcher Zeitung (NZZ) publicou uma matéria muito interessante, assinada pelo jornalista científico Reto U. Schneider, sobre a atual batalha de gênero, a qual, segundo o autor, teria começado com uma falsa suposição por parte das feministas.

O oportuno texto lança um pouco de luz sobre a longa história de negação da natureza humana e confronta alguns dogmas dessa nossa estranha época na qual “a questão do que é uma mulher se tornou uma provocação.”

O artigo nos remete aos idos de 1978, por ocasião de uma conferência do renomado entomólogo e biólogo norte-americano, Edward O. Wilson, conhecido por seu trabalho com ecologia, evolução e sociobiologia.

Conforme a narrativa do jornalista, no momento em que o pesquisador da Universidade de Harvard estava prestes a começar sua palestra, “uma dúzia de jovens subiram ao palco, derramaram uma jarra de água sobre sua cabeça e gritaram: ´Racista Wilson, você não pode se esconder”.

O estranho protesto tinha a ver com o fato de que Wilson estava atento em relação às novas teorias da biologia evolutiva que explicavam de forma plausível diferenças há muito observadas entre os sexos.

Na palestra intitulada “Humano: Da Sociobiologia à Sociologia”, o pesquisador sugeriu que olhássemos para os seres humanos “como se fôssemos zoólogos de outro planeta completando um catálogo de espécies sociais na Terra”.

Com isto, explica Schneider, “um debate de longa data sobre a natureza dos seres humanos e, portanto, também sobre a natureza dos homens e das mulheres atingiu o seu clímax”.

Embora à época não se duvidasse da relação entre os instintos, os impulsos e os reflexos que surgiram ao longo da evolução e o comportamento social dos animais, os seres humanos eram apartados dessa apreciação e as ciências sociais abordavam o comportamento humano como se não houvesse condicionantes biológicos a serem considerados.

“Foi amplamente aceito nas universidades que as pessoas nascem como uma tábula rasa e são moldadas exclusivamente pela educação e pelas experiências. Ao mesmo tempo, isso significava que homens e mulheres diferiam entre as pernas, mas não entre as orelhas. Todo comportamento típico de gênero seria resultado de influências sociais”, observa Reto U. Schneider.

Behaviorismo X psicologia evolucionista

O jornalista científico do NZZ explica que, quando Edward O. Wilson deu a sua palestra no Sheraton, a psicologia estava sob forte influência do behaviorismo, doutrina segundo a qual os seres humanos nascem como um conjunto de reflexos simples que se transformam em uma personalidade por meio da educação e de outras influências externas.


Essa parecia ser então uma linha de pesquisa sensata, principalmente ao se considerar os descalabros morais causados por teorias que atribuíram características inatas a grupos de pessoas.

“Esterilizações forçadas, escravatura e genocídio: os piores atos da humanidade foram justificados por uma suposta inferioridade hereditária de certas partes da sociedade. Foi, portanto, considerado repreensível considerar que os comportamentos típicos de grupo também poderiam ter raízes genéticas”, explica Schneider.

A despeito disso, a sociobiologia de Edward O. Wilson apresentava-se como uma linha de pesquisa distinta do behaviorismo, desbravando um campo de investigação que hoje é chamado de psicologia evolucionista e que se tornou um ramo frutífero da ciência.

A sociologia e o negacionismo biológico

Ocorre que a psicologia evolucionista parece ter sido solenemente ignorada nas ciências sociais. Isso guarda relação estreita com aquilo que hoje se chamada de ideologia de gênero:

“A tese do gênero exclusivamente construído socialmente só pode ser mantida se for introduzida uma exceção absurda para a nossa espécie, nomeadamente que, em contraste com todos os outros animais, a evolução humana parou no pescoço. É como dizer que os genes contêm o projeto do corpo, mas não o cérebro”, argumenta Schneider.

A hipótese do gênero como construção social pressupõe a negação de uma relação entre as diferentes anatomias dos sexos e as suas inclinações, o seu comportamento. Mas a psicologia evolutiva mostra que essa relação existe.

As mãos se desenvolveram ao longo da evolução para agarrar e os olhos para ver. Da mesma forma, o cérebro também desenvolveu adaptações que provaram ser benéficas para a nossa vida social, pois o cérebro não faz menos parte da biologia humana do que as mãos ou os olhos.

As diferenças entre os gêneros resultaram do fato de as mesmas adaptações não terem sido consideradas benéficas para os homens e para as mulheres.

Se, em média, os corpos masculino e feminino diferem em muitos aspectos, não é surpreendente ou inaceitável supor que o cérebro também funcione de modo distinto, afinal, o cérebro é uma parte do corpo.

Ser diferente não é ser inferior

As feministas, explica ainda o autor do referido artigo, tinham bons motivos para cortar pela raiz a ideia das diferenças entre os cérebros dos homens e das mulheres, pois sempre que tais diferenças foram postuladas no passado, elas o foram em detrimento das mulheres.

“Os homens têm naturalmente mais força do que as mulheres, logo, devem dominá-las”. Isso é uma falácia naturalista. Falácia naturalista é a tendência que muitas pessoas têm de derivar da natureza o que é bom e moralmente correto.

Foi com essa falácia que os homens tentaram durante muito tempo impedir a igualdade das mulheres. A melhor forma de se contrapor a ela não é negando o fato de que os homens são mais fortes, mas negando a consequência ética equivocada que se tenta tirar desse fato.

As mulheres, de fato, foram julgadas intelectualmente inferiores, além de dependentes, passivas, instáveis, etc. Isso as manteve injustamente afastadas, por muito tempo, do estudo acadêmico, da política e de muitas atividades profissionais nas quais se provaram posteriormente muito competentes.

A socióloga francesa Christine Delphy argumentou corretamente quando afirmou que “até agora, a diferença física serviu apenas como pretexto para o exercício do poder de um sexo sobre o outro”, mas ela forçou a barra e saiu da descrição factual para o ativismo político quando complementou que a consequência disso era que a “destruição das diferenças de gênero equivale à destruição da hierarquia”.

Feminismo e negação das diferenças de gênero

A rejeição feminista de qualquer influência biológica no comportamento de gênero foi radical e intransigente.

“Para separar o corpo dos papéis de gênero, as pessoas começaram a falar sobre sexo biológico (sexo) e sexo social (gênero). À primeira vista, isto tornou a discussão mais fácil porque o gênero, ou seja, o gênero social, tinha agora sido retirado linguisticamente da biologia. Mas a nova classificação tinha um problema óbvio: o gênero social, que também incluía comportamento, pensamento e sentimentos, está intimamente ligado ao cérebro”, escreve Reto U. Schneider.

A escritora francesa Simone de Beauvoir já havia dito em 1949: “Você não nasce mulher, você se torna mulher”. Ou seja, para a companheira de Jean Paul Sartre, o conceito “mulher” seria carente de essência, artificial, sempre definido pelo seu opressor: o homem e, portanto, socialmente construído.

A distinção que Beauvoir estabelece entre sexo (dado natural) e gênero (construção social), negando relevância à determinação que o primeiro impõe sobre o segundo é, sem dúvida, prelúdio da visão de mundo radical e absurda que se convencionou chamar de ideologia de gênero, segundo a qual o dado natural pode ser ignorado e negado em favor do sentimento, do desejo, da vontade do homem que quer se construir socialmente como mulher ou vice-versa, a despeito das determinações que a biologia lhes impõe.

Embora não se possa culpar a escritora pelo uso posterior que se fez da sua famosa frase, convém notar que ao existencialismo ateu – pano de fundo filosófico de toda sua obra – é inerente esse risco de abolir qualquer consciência de determinação natural do ser humano.

Reto U. Schneider aponta que a frase de Beauvoir foi constantemente repetida de diversas formas na revista feminista “Emma”, fundada em 1977, cuja fundadora e editora-chefe Alice Schwarzer escreveu em 1984: “A base da minha consciência feminista continua sendo a compreensão de que ‘masculinidade’ e ‘feminilidade’ não são inatas, mas sim adquiridas.”

O articulista explica que essa visão se estendia a todas as características psicológicas e cognitivas, incluindo a vida amorosa. Ele cita outra frase da editora-chefe da revista Emma: “A sexualidade não é algo inato, não é da natureza, mas da cultura.”

Segundo as feministas, portanto, diferenças inatas não existem. O negacionismo foi tão longe ao ponto de Alice Schwarzer escrever sobre a superioridade física “instilada” nos homens.

As diferenças de gênero foram consideradas uma ameaça pelas feministas. Antes mesmo de qualquer resultado, a própria investigação das diferenças proposta pela sociobiologia foi considerada um tabu e a disciplina passou a ser vista como um “instrumento de propaganda das forças políticas conservadoras e reacionárias” , conforme se lê na revista feminista Emma

A despeito da ideologia das feministas da década de 70 e da atual militância woke, a afirmação de que a sexualidade não é algo inato é uma afirmação absurda do ponto de vista biológico.

Comportamentos típicos de gênero

O jornalista suíço prossegue o seu artigo elencando alguns estudos que mostram a existência de comportamentos típicos de gênero. Citarei apenas alguns, a título de curiosidade.

Óbvio que a influência mútua entre fatores sociais e biológicos é um pressuposto incontornável. Isso, porém, não torna ocioso o exame dos fatores biológicos. Outra obviedade é que toda regra tem exceção. Por exemplo, constatar que homens são, via de regra, mais forte e mais alto que as mulheres, não significa que não haja determinadas mulheres mais fortes e mais altas que determinados homens. Isso também vale para tipos de comportamentos.

Dito isso, sigamos com a apresentação de algumas diferenças comportamentais típicas de gênero:

1 – Homens são mais violentos

Tanto quanto se sabe pela história, os homens foram mais violentos do que as mulheres em todos os tempos e em todos os lugares. O tamanho do corpo seria, segundo e explicação de Schneider, um dos principais indícios de que essa diferença tem raízes biológicas. “Em média, os homens são mais altos e mais fortes que as mulheres. É difícil explicar esta diferença na estrutura corporal sem assumir que a luta desempenhou um papel importante na história evolutiva do homem”. O corpo mais forte seria, por assim dizer, o comportamento violento encarnado.

A explicação biológica de determinados comportamentos não implica determinismo. Ninguém está indefeso à mercê de seus genes. O ser humano é dotado de consciência e liberdade e, como já foi dito, a cultura, o sistema político, a riqueza material, ou seja, os fatores sociais também influenciam o nosso comportamento. Mas a influência da biologia permanece.

2 – Homens querem mais sexo do que as mulheres

Segundo Schneider, “todos os estereótipos desprezíveis sobre homens e sexo parecem ser estatisticamente verdadeiros.” Eles “querem mais sexo com mais mulheres, masturbam-se com mais frequência, pensam em sexo com mais frequência, têm mais casos e consomem mais pornografia”

Por mais que isso não soe bem, importa notar que reconhecer diferenças de gênero não é o mesmo que tirar conclusões sobre os indivíduos com base nas características gerais reais ou supostas: “É um princípio das democracias liberais que cada pessoa tem o direito de ser vista e tratada como um indivíduo – especialmente se não corresponder à maioria em determinadas características”.

Mas qual seria a explicação biológica para essa diferença do comportamento sexual entre homens e mulheres? O investimento diferenciado dos sexos na reprodução:

“Para os homens, em casos extremos, são cinco minutos de sexo e uma colher de chá de esperma. Para as mulheres, porém, um óvulo precioso, nove meses de gravidez, um parto perigoso e um bebê que precisa ser amamentado por muito tempo.

Isto significa que os homens seriam capazes de aumentar o número de filhos se os seus cérebros estivessem equipados com tendências que o levassem a fazer muito sexo com muitas mulheres. As mulheres, por outro lado, não podiam aumentar o seu número de filhos com muito sexo; só podiam dar à luz um filho a cada nove meses”.

A permanência da diferença de desejo sexual sugere que não se trata de algo que possa ser eliminado socialmente, embora possa e deva ser algo trabalhado de modo a não prejudicar as mulheres, animalizar os homens e conduzir a catástrofes domésticas.

O cérebro, masculino e feminino, sofreu uma série de adaptações durante a nossa filogenia: “a forma como agimos é, em última análise, o resultado de debates confusos entre estes impulsos biológicos, por vezes conflitantes, e as experiências que acumulamos”.

O gênero não é uma construção social

O gênero não é uma construção social. Se as diferenças de gênero se devessem apenas a influências sociais, elas diminuiriam à medida que a igualdade aumenta num país, mas pesquisas recentes mostram que não é isso que está acontecendo.

Schneider cita um estudo que mostra, por exemplo, que com o aumento da igualdade, as mulheres não têm maior probabilidade de seguir uma carreira técnica ou científica, mas menos probabilidade, apesar dos cursos de robótica e das aulas de aritmética para mulheres:

“Na Finlândia, um dos países mais progressistas do mundo, de acordo com o Índice Global de Disparidades de Gênero, pouco mais de vinte por cento das mulheres escolhem uma carreira relacionada com a tecnologia ou a ciência”.

Isso nos leva a outra diferença estável de gênero: homens são mais interessados em coisas e mulheres mais interessadas em pessoas. Aliás, a filósofa e santa Edith Stein, já havia explicado isso de maneira primorosa:

“A atitude da mulher tem em vista o pessoal-vivente e visa o todo. Cuidar, velar, conservar, alimentar e promover o crescimento: esse é seu desejo natural, genuinamente maternal. O inanimado, a coisa lhe interessa, precipuamente, na medida em que está a serviço do pessoal-vivente: menos em si mesma”, escreveu Stein no seu livro A mulher, sua missão segundo a natureza e a graça.

Um homem ou uma mulher comum

A constatação de que a evolução fez coisas diferentes nos cérebros das mulheres e nos cérebros dos homens é importante para que os sexos opostos se compreendam, se respeitem e se complementem.

Infelizmente os jovens não estão sendo educados para entenderem essas diferenças, mas para renegá-las.

Cada pessoa deve ter liberdade para expressar seu gênero de uma forma individual e única, mas “os jovens também deveriam aprender que, para a maioria das pessoas, a identidade sexual está intimamente ligada ao sexo biológico. E devem estar preparados para as diferenças evolutivas quando encontrarem o sexo oposto como um homem ou uma mulher comum”.

10 maio 2024

Café Filosófico: Desejo sexual masculino e feminino









Ao longo da vida, conforme passam por diferentes experiências, homens e mulheres vão construindo um repertório sexual próprio, e a forma como o seu desejo se manifesta em cada fase vai mudando. A ideia de que o desejo não funciona da mesma forma para homens e mulheres parece já aceita, mas ainda há desafios na busca por uma vida sexual satisfatória tanto para elas quanto para eles. Neste Café Filosófico, a médica psiquiatra Carmita Abdo e o médico urologista João Afif Abdo falam sobre as nuances do desejo sexual masculino e feminino e as dificuldades mais comuns que homens e mulheres enfrentam. Gravado nos dias 21 e 28 de junho de 2013.


29 fevereiro 2024

Identidade (Identity) - 2003


INFORMAÇÕES DO FILME
Titulo: Identidade
Titulo Original: 

Identity


Lançamento: 2003-04-25
Ano: 
Duração: 90 min
IMDB:7.3

Votos IMDB: 186510 (14/04/2017) 
Prêmios: 6 nominations.


INFORMAÇÕES DO ARQUIVO
Áudio: 
Resolução: 
Qualidade: 
Formato: MKV
Tamanho: 622 MB

Sinopse: 

Identidade - Dez pessoas sem ligação entre si são forçadas a recolher-se de uma terrível tempestade num hotel. Entre elas está um assassinou que começa a matar uma a uma. Cada um dos sobreviventes terá revelar a verdadeira razão que o levou a ficar no hotel, numa tentativa desesperada de descobrir o assassinou e livrar-se da suspeitas dos restantes.

 


BluRay 720p Dublado(MKV): Mega














27 fevereiro 2024

Onde dói?



Não estatize meus sentimentos, pra seu governo o meu estado é independente. (Legião Urbana in Baader Meinhof-Blues)



TEXTO 1
O sujeito vai ao psiquiatra
– Doutor – diz ele – estou com um problema: Toda vez que estou na cama, acho que tem alguém embaixo. Aí eu vou embaixo da cama e acho que tem alguém em cima. Pra baixo, pra cima, pra baixo, pra cima. Estou ficando maluco!
– Deixe–me tratar de você durante dois anos, diz o psiquiatra. Venha três vezes por semana, e eu curo este problema.
– E quanto o senhor cobra? – pergunta o paciente.
– R$ 120,00 por sessão – responde o psiquiatra.
– Bem, eu vou pensar – conclui o sujeito.
Passados seis meses, eles se encontram na rua.
– Por que você não me procurou mais? – Pergunta o psiquiatra.
– A 120 paus a consulta, três vezes por semana, durante dois anos, ia ficar caro demais, ai um sujeito num bar me curou por 10 reais.
– Ah é? Como? Pergunta o psiquiatra.
O sujeito responde:
– Por R$ 10,00 ele cortou os pés da cama...
Moral da História:
MUITAS VEZES O PROBLEMA É SÉRIO, MAS A SOLUÇÃO PODE SER MUITO SIMPLES!
HÁ UMA GRANDE DIFERENÇA ENTRE FOCO NO PROBLEMA E FOCO NA SOLUÇÃO.

TEXTO 2
O sofrimento criado pela própria pessoa
            Na sua primeira consulta, o senhor de meia-idade, bem tratado, trajando com elegância um austero terno escuro Armani, sentou-se com uma atitude educada porém reservada e começou a relatar o que o trazia ao consultório. Falava bastante baixo, com uma voz controlada, comedida. Percorri a lista de perguntas normais: descrição da queixa, idade, formação, estado civil...
– Aquela vagabunda! gritou ele, de repente, a voz espumando de raiva. – A peste da minha mulher! EX-mulher, agora. Ela estava tendo um caso em segredo! Depois de tudo o que eu fiz por ela. Aquela... aquela... PIRANHA! – Sua voz foi ficando mais alta, mais furiosa e mais cheia de veneno, enquanto ele repassava queixas e mais queixas contra a ex-mulher ao longo dos vinte minutos seguintes.
            A sessão estava chegando ao final. Percebendo que ele estava só ganhando ímpeto e que poderia facilmente continuar a falar daquele jeito por horas, tentei redirecioná-lo.
            – Bem, a maioria das pessoas tem dificuldade para se ajustar a um divórcio recente; e sem dúvida esse é um assunto do qual poderemos tratar em sessões futuras – disse eu, em tom conciliador. – Por sinal, há quanto tempo está divorciado?
            – Há dezessete anos, completos em maio.

TEXTO 3
Quem cala consola
            Certa noite, estando eu em viagem, veio-me à presença um cidadão a quem eu acabara de conhecer. Na verdade, nem me lembrava direito do seu nome, mas ele já me havia ouvido antes, poucas vezes... Chegou-me, de repente, e pediu conselhos, gostaria que eu ouvisse os seus problemas.
            Relatou-me fatos sobre sua esposa, o quanto se achava oprimido pelas crises emocionais dela, pela cobrança, por acusá-lo de um passado nada recomendável da vida dele, mas que ele vinha tentando curar as feridas provocados por si na sua esposa e filhos... Falou-me da luta por que vinha passando, entre tantas coisas, problemas no trabalho...
            Enquanto ele falava, eu tentava pensar em algo para dizer-lhe. Nada. Tentava consolá-lo e ele já estava com olhos marejados de lágrimas... E eu, impotente, calado, sem uma palavra sequer para dizer. Pedi a Deus, Deus calou-se!
            Por fim, ele sorriu-me... Agradeceu o meu silêncio. Sempre que tentava desabafar, alguém vinha com sermões, etc... E eu fiquei calado, somente ouvindo-o. E já se sentia melhor, muito melhor. Abraçou-me, sorriu-me um sorriso reverente e foi-se.
Fonte: Experiência particular do Tio Celo, em algum lugar do passado (relógio arminiano, claro).
Figura do site Pena de Prata

            Bem, meus poucos leitores, não quero ensinar-lhes nada. Melhor: quero que aprendam muito, mas deixemos que os três textos digam a vocês aquilo que estão prontos a ouvir.

31 dezembro 2023

Paralaxe cognitiva

 



A paralaxe cognitiva é um conceito cunhado pelo filósofo brasileiro Olavo de Carvalho para explicar um erro fundamental que pode ocorrer na construção de teorias e interpretações da realidade. Ela se refere ao deslocamento ou afastamento entre o eixo da construção teórica e o eixo da experiência real do indivíduo que está elaborando essa teoria.

Em outras palavras, a paralaxe cognitiva acontece quando o teórico se distancia da realidade concreta ao formular suas ideias, criando uma espécie de "ilusão óptica" que o impede de ver a realidade com clareza. Essa distorção pode ser causada por diversos fatores, como:

  • Excesso de abstração: Quando o teórico se concentra em conceitos abstratos e se distancia da experiência concreta, ele corre o risco de criar uma teoria que não se aplica à realidade.
  • Preconceitos e ideologias: As crenças e valores preexistentes do teórico podem influenciar sua interpretação da realidade, levando-o a construir uma teoria que confirma seus próprios vieses.
  • Falta de rigor metodológico: Se o teórico não seguir um método rigoroso de pesquisa e análise, ele pode cometer erros que o levarão a conclusões errôneas.

A paralaxe cognitiva pode ter consequências graves, como a criação de teorias que não refletem a realidade, a distorção da verdade e a manipulação da opinião pública. Por isso, é importante estar atento a esse fenômeno e buscar sempre construir teorias e interpretações da realidade com base em uma análise crítica e rigorosa.

Alguns exemplos de paralaxe cognitiva:

  • Um economista que elabora uma teoria sobre o funcionamento do mercado sem levar em consideração o comportamento real dos consumidores.
  • Um sociólogo que interpreta um movimento social com base em sua própria ideologia política.
  • Um historiador que escreve sobre um evento histórico sem analisar criticamente as fontes disponíveis.

Como evitar a paralaxe cognitiva:

  • Estar atento aos próprios preconceitos e ideologias.
  • Utilizar um método rigoroso de pesquisa e análise.
  • Confrontar suas ideias com outras pessoas e com diferentes perspectivas.
  • Estar aberto a críticas e novas informações.

A paralaxe cognitiva é um problema sério que pode ter consequências negativas para o conhecimento e para a sociedade. Ao estarmos atentos a esse fenômeno e tomarmos medidas para evitá-lo, podemos contribuir para a construção de um conhecimento mais preciso e verdadeiro sobre a realidade.



16 março 2023

Fundamentos da Psicanálise de Freud a Lacan – Marco Antonio Coutinho Jorge

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Descrição do livro


Introdução didática que esclarece, à luz de Freud e Lacan, os conceitos mais importantes da teoria psicanalítica, entre os quais: pulsão, recalque, sintoma, real-simbólico-imaginário, objeto ‘a’ e sublimação.

Ao desenvolver amplamente os dois eixos principais da psicanálise (sexualidade e linguagem), o autor enfatiza o abandono do funcionamento instintual – produzido pela aquisição da postura ereta, a bipedia – e o conseqüente advento da pulsão como fatores essenciais e fundadores da espécie humana.


FONTE: Lê Livros

13 fevereiro 2023

Baixa autoestima, depressão e ansiedade: consequências do início da vida sexual precoce



Na tentativa de se sentir amado, o adolescente tem a intimidade invadida,
sofre com problemas emocionais e tem dificuldade em estabelecer
um relacionamento sólido no futuro

  • 29/01/2020 14:22

 

Na televisão, filmes e programas do horário nobre apresentam sexo entre adolescentes como parte da rotina nessa fase. O mesmo acontece em diversos sites, revistas para o público jovem e na conversa entre colegas de sala de aula. Afinal, para ser aceito e se destacar no grupo, é necessário mostrar que se está aproveitando a fase da adolescência ao máximo, satisfazendo qualquer desejo. Mas será que seguir a “onda” e ter uma vida sexual ativa aos 12, 14 ou 16 anos realmente traz satisfação?

De acordo com a psicóloga e orientadora familiar Lélia Bueno de Melo, adolescentes que buscam prazer sexual precocemente a fim de provar algo aos demais ou a eles mesmos estão, na verdade, procurando amor. “Há uma lacuna deixada pela família no campo afetivo desses jovens”, explica a especialista, que aponta a falta de carinho em casa como principal fator para essa atitude. “Infelizmente, muitos adolescentes não têm certeza de que são amados por seus pais”.

“Há uma lacuna deixada pela família no campo afetivo desses jovens”.

Um estudo divulgado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em dezembro de 2019, confirma essa realidade. Segundo a pesquisa desenvolvida com mais de 6 mil adolescentes entre 12 e 15 anos, a incidência de iniciação sexual precoce é duas vezes maior entre estudantes com pais permissivos ou negligentes. Assim, adolescentes sem regras estabelecidas em casa e que não percebem interesse do pai ou da mãe por sua rotina acabam buscando atenção e carinho em parceiros sexuais.

Só que, de acordo com a mesma pesquisa, em vez de preencherem o vazio emocional que sentem, esses adolescentes desenvolvem problemas emocionais como ansiedade, depressão e transtornos alimentares. “Além disso, a prática sexual vem atrelada ao risco de gravidez, já que não existe método contraceptivo 100% eficaz”, afirma a doutora em psicobiologia e coordenadora do estudo, Zila Sanchez. “E ele ainda pode contrair alguma doença sexualmente transmissível (DST)”, alerta.

Coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Prevenção ao Uso de Álcool e Outras Drogas da Unifesp, a pesquisadora também percebeu durante o estudo que adolescentes com vida sexual ativa apresentam maior chance de envolvimento com substâncias ilícitas e vícios como alcoolismo e tabagismo. “Lembrando que álcool e outras drogas reduzem a percepção de risco, então esse adolescente se sente corajoso para experimentar comportamentos perigosos”.

Mas essas não são as únicas consequências da atividade sexual precoce. Segundo a psicóloga Lélia Bueno de Melo, os minutos de prazer com múltiplos parceiros também afetam a autoestima do adolescente e prejudicam sua capacidade de estabelecer relacionamentos sólidos.

Esses momentos íntimos sem compromisso fazem com que o adolescente – que ainda está conhecendo seu corpo e organizando seus pensamentos – passe a viver relações românticas superficiais e tenha muita dificuldade para estabelecer laços sólidos. “É como se ele não conseguisse ser amado em sua totalidade e acaba se esvaziando com as frequentes desilusões”, resume a psicóloga.

Desafio dos pais

Por isso, é tarefa dos pais desenvolver a boa autoestima dos filhos e explicar, com naturalidade, que a atividade sexual está inteiramente ligada ao conceito que se tem de si mesmo. “Ou seja, é preciso valorizar sua dignidade como pessoa”, orienta Lélia, ao afirmar que sexo nunca deve estar separado de amor e responsabilidade. “Não somos animais. Nós nascemos para sermos amados profunda e inteiramente, então precisamos disso em nossos relacionamentos”.

E isso deve começar dentro de casa com famílias sólidas que eduquem corretamente seus filhos, se preocupem com as tarefas que eles desempenham no dia a dia e demonstrem diariamente seu amor por eles. “Afinal, pais afetivos, fortes e atuantes favorecem o desenvolvimento normal da saúde afetiva e sexual do adolescente”, garante a psicóloga. Além disso, um forte laço familiar ajuda o jovem a ter coragem para dizer “não” ao sexo sem significado. “Quem é amado não se vende barato”, finaliza Lélia.


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