sábado, 16 de setembro de 2017

O caso da mocinha não-alienada

Fonte: http://img.ifcdn.com/images/756b8b37f4a1934139f204fac28b1393e95e948a007d10315b94db3be96d8b0e_1.jpg 

A mocinha não-alienada compra um livro sobre um marido que senta o cacete na esposa, força ela a ter sexo com ele numa relação de submissão física, bate com a cinta, enforca com a gravata e dá uns bons murros no rosto delicado dela.

Depois de ler o dito livro, a mocinha não-alienada o guarda na estante, ao lado de Laranja Mecânica, um outro livro, indicado pela professorinha de Sociologia, que conta a história de uma gangue de jovens que espancam um sem-teto idoso, tacam pedras em mulheres e estupram duas meninas com extrema violência.

Já é tarde. Mocinha não-alienada tem que terminar de assistir o episódio de Game of Thrones. Sabe qual é? Aquele seriado que é regado à tomadas rápidas de estupros, violência sexual e torturas de mulheres. Eufórica e excitada, ela não pode perder o último episódio.

No dia seguinte, mocinha não-alienada levanta cedo pra garantir um lugar confortável na sala de aula. É o dia em que seu professorzinho make-love-not-war de Filosofia passará o filme Ensaio Sobre a Cegueira, de Saramago, no qual mulheres cegas acabam sendo forçadas a fazer sexo com velhos, com cenas que vão de meninas até idosas sofrendo estupros coletivos.

Satisfeita com um dia produtivo na escola, mocinha não-alienada chega em casa exausta — mas psicologicamente pronta, sem abalo emocional, pois ainda precisa terminar a resenha do best-seller Memórias de Minhas Putas Tristes, que o professor de Literatura passou, sobre um velho que quer fazer sexo com uma jovem virgem enquanto ela dorme.

As horas vão passando e mocinha não-alienada percebe que o debate presidencial americano vai começar. Enquanto guarda suas lições na escrivaninha do quarto, todo decorado com pôsters de Ernesto Che Guevara — o ditador que estuprava burguesas ricas e queria exterminar negras — já deixa a TV no canal privado da BBC, emissora que tem as mesmas opiniões de Mocinha não-alienada.

Eis então que mocinha não-alienada escuta Hilary Clinton lembrando que Donald Trump disse, uns 20 anos atrás, como ele gosta de vaginas, mas não é muito chegado em gordas.
De repente, mocinha não-alienada sente que precisa entrar no Facebook pra escrever um post sobre como Trump odeia e apóia a violência contra mulheres, e que somente o feminismo, movimento que ela coordena no grêmio estudantil, é capaz de barrar discursos machistas como esses.

Não sabe que pokemon é este? Eu dou a dica: pelo dedo se conhece o leão.

(Do Facebook de Guilherme Gama: https://www.facebook.com/guilherme.gama.31)



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