Do cárcere, Roberto Jefferson escreveu a seguinte carta:
ÍNTEGRA
Leia
a íntegra da carta: “O Bolsonaro era a ruptura. Foi eleito para romper com uma
velha política, que teve origem na redemocratização, toma lá dá cá, governo de
coalização, cada partido recebe um naco da administração e se remunera. E o
povo?
O
povo que se lasque.
O
Bolsonaro deveria ter aprofundado a ruptura, os choques seriam intensos, como o
rugido das ondas nas paredes rochosas dos litorais. Mas ressaqueado até que
passasse esse ciclo da lua. Quando tudo, tudo, seguiria o retorno da nova
liderança. Mas ele foi cercado pelas figuras do centrão, que o fizeram
capitular frente aos rosnados das bestas famintas de dinheiro público. E o
povo? O povo gostaria de ver as bestas enjauladas ou abatidas a tiros pelos
caçadores. Mas o presidente tentou uma convivência impossível entre o bem e o
mal. Acreditou nas facilidades do dinheiro público, Esse vício é pior que o
vício em êxtase, quem faz sexo com êxtase tem o maior orgasmo ou ejaculação que
o corpo humano de Deus pode proporcionar. Gozou com êxtase, para sempre
dependente dele. Desfrutou do prazer decorrente do dinheiro público, ganho com
facilidade, nunca mais se abdica desse gozo paroxístico que ele proporciona.
Bolsonaro
cercou-se com viciados em êxtase com dinheiro público; Farias, Valdemar, Ciro
Nogueira, não voltará aos trilhos da austeridade de comportamento. Quem anda
com lobo, lobo vira, lobo é. Vide Flávio.
Nosso
caminho é outro. Queremos um governo dos justos, que felicite e orgulhe o povo.
Um governo que não roube e não deixe roubar. Um governo que sirva o povo, não
se sirva dele. Um governo que trabalhe com o poder do amor, jamais com o amor
do poder.
Reparem,
quando eu quis construir um partido com bases nas expectativas honradas do povo
brasileiro, abri mão de lideranças viciadas em velhas práticas; Rondon,
Albuquerque, Campos, Cristiane, Benito, Armando, Arnon Bezerra etc…
Não é
fácil fazer a mudança, ela machuca até a gente, pois temos que atingir gente
que amamos, mas que se recusa a compreender os novos objetivos. Bolsonaro
precisava peitar.
Se os
filhos atrapalham, remova-os. Valdemar Costa neto e Ciro Nogueira puxam para
trás qualquer mudança de práticas, para uma nova vereda de austeridade e honra.
Ruptura com a corrupção tem um peso, leva gente que nós gostamos. Mas é o que o
povo espera.
7 de
Setembro ficou imaculado. Todo o povo saiu às ruas para dizer, eu autorizo, não
havia volta, não havia transigência com as velhas práticas. Mas por algum
motivo, Bolsonaro fraquejou. Não teve como seguir. Escrevo isso insone. Não
preguei meus olhos. Esse pensamento queimou minhas pestanas, não consegui
fechar meus olhos e dormir.
Vamos
por nós mesmos. Vamos convidar o Mourão. O PTB terá candidatura própria, quem
sabe apoiamos o Bolsonaro no segundo turno. Não é fácil afastar um filho, sei a
dor de afastar a Cristiane. Mas o projeto político está acima das concessões
sentimentais. Não se transige à tirania. Não se transige à opressão.
Não
se rende homenagens à ditadura, não se curva às ameaças dos arrogantes. Nosso
edital sinalizará um novo caminho. ‘A candidatura própria tem precedência sobre
as demais’. Gustavo, leva a carta ao general Mourão. Convide-o para a disputa a
Presidência, quem souber percorrer a terceira via, vencerá a eleição. São 5:30
horas, não preguei meus olhos. Minha cabeça está acesa e ligada. É o fogo do
Espírito Santo mostrando o caminho a se seguir.
Não
visitem mais a Carminha, ela é desembargadora, ele é da turma do Supremo. Nós
somos políticos, nossa gente é outra. Somos de outra tribo. Candidatura própria
tem precedência. 7 de Setembro é um dia inacabado, quem souber construir o
sonho de nosso povo, virará vitorioso as páginas de nossa folhinha. Deus
abençoe nossa gente. Deus proteja nosso Brasil.
Deus
é nossa força e vitória.
Abração.
Roberto Jefferson.
7 de
Setembro é dia inacabado.
O
povo foi ludibriado”.

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