terça-feira, 3 de maio de 2016

A Um Poeta - Antero de Quental



Tu que dormes, espírito sereno, 
Posto à sombra dos cedros seculares, 
Como um levita à sombra dos altares, 
Longe da luta e do fragor terreno. 


Acorda! É tempo! O sol, já alto e pleno 
Afugentou as larvas tumulares... 
Para surgir do seio desses mares 

Um mundo novo espera só um aceno... 

Escuta! É a grande voz das multidões! 
São teus irmãos, que se erguem! São canções... 
Mas de guerra... e são vozes de rebate! 

Ergue-te, pois, soldado do Futuro, 
E dos raios de luz do sonho puro, 
Sonhador, faze espada de combate! 





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