segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Rogério Skylab - Metrô




ESTAÇÃO CINELÂNDIA.

Eu tinha ido a cidade,
Eu vinha vindo tão bem,
Não tinha crise de asmas,
Os meus negócios iam bem,
Mas de repente, um minuto,
Tudo mudou só eu sei,
Aquela voz sussurrando,
Aquela voz a dizer:

ESTAÇÃO GLÓRIA.

Que voz, que coisa esquisita,
Eu nunca vi coisa igual,
Era uma voz de fantasma,
A voz de um morto no trem,
Eu tinha ido ao trabalho,
Eu vinha vindo tão bem,
E aquela voz sussurrando,
Aquela voz a dizer:

ESTAÇÃO CATETE.

Eu fui perdendo o controle,
Eu tava dentro do trem,
Na minha frente um babaca,
Tu tá me olhando por que ?
Eu vivo sempre sozinho,
Eu vinha vindo tão bem,
E aquela voz sussurrando,
Aquela voz a dizer:

ESTAÇÃO LARGO DO MACHADO.

Tô indo não sei pra onde,
Se eu vim não sei de onde foi,
Eu tô por cima dos trilhos,
Eu nunca sei quem eu sou,
A voz me dá calafrios,
A voz me enche de horror,
E lá vem ela subindo,
Aquela voz, não, não...

ESTAÇÃO FLAMENGO.

Eu olho pela janela,
Eu vejo só escuridão,
Eu tô debaixo da terra,
Será que tudo é ilusão?
Aqui parece o Infermo,
Eu não consigo entender,
Aquela voz sussurrando,
Aquela voz a dizer:

ESTAÇÃO BOTAFOGO.

Os nervos à flor da pele,
Os olhos em combustão,
Os dedos todos tremendo,
O meu coração na mão.
Eu tô chegando no ponto,
O que será que eu vou ver?
E aquela voz sussurrando,
Aquela voz a dizer:

ESTAÇÃO CARDEAL ARCO-VERDE, ESTAÇÃO TERMINAL.

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