quarta-feira, 5 de julho de 2017

A Revolta dos Cabanos (Cabanagem)




Cabanagem (também conhecida como Guerra dos Cabanos) foi uma revolta popular e social ocorrida durante o Império do Brasil, influenciado com a revolução Francesa, na antiga província do Grão-Pará, (abrangia os atuais estado do Pará, Amazonas, Amapá, Roraima e Rondônia) estendendo-se de janeiro de 1835 a 1840, comandada por Félix Clemente MalcherAntônio VinagreFrancisco Pedro VinagreEduardo Angelim e Vicente Ferreira de Paula.[1][2][3] Devido a extrema pobreza, fome e doenças, que marcou o início desse período; o processo de independência do Brasil (1822) que não ocorreu de imediato no Pará, e; a à irrelevância política à qual a província foi relegada pelo príncipe regente Pedro I, após a Independência, mantendo a forte influência portuguesa.[4][5] Os índios e mestiços, na maioria e integrantes da classe média (cabanos) uniram-se contra o governo regencial nesta revolta, com objetivo de aumentar a importância do Pará no governo central brasileiro e enfrentar a questão da pobreza do povo da região, cuja maior parte morava em cabanas de barro (de onde originou o nome da revolta).[6]
Nos antecedentes da revolta, havia uma mobilização da província do Grão-Pará para expulsar forças reacionárias que desejavam manter a região como colônia portuguesa. Muitos líderes locais da elite fazendeira, ressentidos pela falta de participação política nas decisões do governo brasileiro centralizador, também contribuíam com o clima de insatisfação após a instalação do governo provincial.[7]
A revolta teve início em 6 de janeiro de 1835 quando o quartel e o palácio do governo de Belém foram tomados por tapuias, cabanos, negros e índios liderados por Antônio Vinagre. O então presidente da província foi assassinado e instituiu-se um novo presidente, Clemente Malcher; a tomada de poder promoveu uma apoderação de material bélico por parte dos grupos revolucionários. Malcher, no entanto, mais identificado com as classes dominantes, foi rapidamente deposto.[7] Sucedeu-se um conflito entre as tropas dele e as do líder dos cabanos, Eduardo Angelim, tendo estas saído vitoriosas. O frágil e instável controle cabano do Grão-Pará durou cerca de dez meses.
O império, então, nomeou por si um novo presidente, o barão de Caçapava, e, frente a essa afronta às tendências centralizadoras do governo central, bombardeou impiedosamente Belém. A deposição dos cabanos do poder foi rápida, porém, como muitos deles, mesmo fora do poder, continuaram a lutar, o império usou de seu poderio militar para sufocar a revolta e, até 1840, promoveu um extermínio em massa da população paraense. Estima-se que cerca de 30 a 40% da população de 100 mil habitantes do Grão-Pará tenha morrido no conflito.[7]



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