segunda-feira, 10 de abril de 2017

Despedida em Grande Estilo (Going in Style) - Trailer Legendado



Aos 80, uma nova carreira: ladrões de banco


O banco vai tomar a casa de Joe (Michael Caine) por falta de pagamento. O fundo de pensão do qual ele, Willie (Morgan Freeman) e Albert (Alan Arkin) sobrevivem vai ser extinto. E, se com o fundo eles já estão duríssimos e têm de almoçar a comida horrível porém baratinha do centro da terceira idade que frequentam, quando o dinheiro parar de chegar – aí a coisa vai ficar feia de verdade. A não ser, propõe Joe, que eles se antecipem e façam uma operação particular de redistribuição de renda. Ou que, em outras palavras, assaltem um banco. Mais especificamente, a sua própria agência bancária, onde costumam ser maltratados e onde Joe acabou de ser, ele mesmo, testemunha de um assalto – um susto (e, vá lá, uma emoção) que o deixou cheio de ideias. Ora, quem não torceria por um trio de velhinhos sacudidos decididos a ir à forra e se vingar do miserê em que foram deixados depois de uma vida inteira de trabalho? A questão é se roubo a banco é uma atividade viável para sujeitos que nunca trapacearam sequer no troco da padaria – e que estão chegando aos 80 ou já passaram deles. Joe, Willie e Albert nem se importam muito. Se forem pegos e mandados para a cadeia, ainda assim vão sair ganhando. Pelo menos não terão de se preocupar com hipoteca, alimentação e assistência médica: tudo garantido pelo Estado.

(Atsushi Nishijma/Divulgação)
Despedida em Grande Estilo original, de 1979, também tinha três grandes atores: Art Carney, Lee Strasberg e o ranzinza George Burns, um mestre do humor à queima-roupa. O filme tinha dentes mais afiados também. A cena do grande assalto era um primor do absurdo: os três roubavam o banco usando aquelas armações de óculos de Groucho Marx, com bigode e sobrancelhão – e fugiam de táxi. E, claro, regateavam o preço da corrida com o motorista. E até o que dava certo acabava dando errado, porque o fato é que eles eram bem idosos. Passados quase quarenta anos, porém, esta refilmagem dirigida por Zach Braff (o J.D. da série Scrubs) tem um mundo de detalhes politicamente corretos e inspiradores com os quais se preocupar, desde netinhas adoráveis e  problemas de saúde que um seguro melhor resolveria, até namoradas idosas mas inteironas (Ann-Margret). Entendo; hoje em dia é proibido ser pessimista com a velhice. Mas Braff e o roteirista Theodore Melfi (de Estrelas Além do Tempo) exageram na dose.

(Atsushi Nishijma/Divulgação)

Se o otimismo forçado e o sentimentalismo desta versão trabalham contra o enredo, pelo menos o trio de protagonistas continua ágil como sempre foi. É uma delícia ver Michael Caine, de 84 anos, usando o que Joe mais detesta – a condescendência com a sua idade – contra o agente do FBI (Matt Dillon) que está tentando pegá-lo no pulo. Ou ver como Morgan Freeman, 79, transforma o ridículo em forma de arte na cena em que os amigos treinam furtando do supermercado. Mas o destaque deste dream team de veteranos é Alan Arkin. Aos 83 e um fatalista crônico desde a juventude, Arkin é quem insiste em furar essa bolha de sabão da “melhor idade”. Enquanto Joe calcula ter uns sete anos pela frente e Willie, uns três, Albert diz, desanimado: “Eu sempre fui azarado. Tenho certeza de que vou ter de chegar aos 100”.

FONTE DO TEXTO: Isabela Boscov, VEJA.


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