terça-feira, 3 de maio de 2016

Pecadora (Augusto dos Anjos)





Pecadora

Tinha no olhar cetíneo, aveludado,
A chama cruel que arrasta os corações,
Os seios rijos eram dois brasões
Onde fulgia o simb’lo do Pecado.


Bela, divina, o porte emoldurado

No mármore sublime dos contornos,

Os seios brancos, palpitantes, mornos,

Dançavam-lhe no colo perfumado.



No entanto, esta mulher de grã beleza,

Moldada pela mão da Natureza,

Tornou-se a pecadora vil. Do fado,



Do destino fatal, presa, morria

Uma noute entre as vascas da agonia

Tendo no corpo o verme do pecado!



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